• Sonuç bulunamadı

(Benedita Pará, minha Mãe & Manuel Pereira, meu Pai & Wellington Pará, Eu)

Através da boca da minha Mãe, ela sempre conta que cantarolava baixinho quando estava grávida de mim. Esse cantarolar é bem próximo de uma boca fechada e a canção (Canto-que-Dança) aperreada querendo sair. Mas eu nem imaginava que gestação é condução de Oxum. Ainda que eu estivesse louco para conhecer o mundo, ainda que minha mãe mastigasse as canções até virarem sumo, ainda que nada tenha sido arquitetado de forma tão bem planejada, ainda assim, havia esse cordão umbilical que sempre ritmou os meus dias. Então, faz tempo que esse batuque c@nta quantas batidas meu coração toca no compasso em sincronia com a minha respiração. Foi assim

que conseguimos espatifar com o calendário maquinário que alguns chamam de gregoriano. Eu posso até dizer e confirmar aqui que eu nasci às 20h30min, do dia 02 de março de 1961, conforme consta no meu registro, no entanto, sempre o que me instiga a querer saber é que canção tocava na rádio que estava mais próxima de mim. Mas logo essa aflição se aclama porque o mais fabuloso do meu nascimento foi não querer perder nunca mais esse desejo de está sempre arrodeado por canções, e, hoje em dia, sobretudo as que eu qualifico como (Canto-que-Dança). Essa mania de cantarolar da minha mãe, me tronou um quase colecionador de canções tocantes. Somente depois é que eu fui saber que a minha viva descendência africana se esbalda, por la e por aqui, é no (Canto- que-Dança); e isso vem sossegar minha ansiedade cantante, me causando um prazer renovador eu ter em algumas canções o alívio que vem sarar certas debilidades. Eu não me recordo qual foi a primeira canção que eu ouvi minha Mãe cantarolar, mas um acontecimento que ficou mar(cante), provo(cante), to(cante), brin(cante), (cantando-&- dançando) no caderno avante, foi que a metodologia usada para eu aprender o ABC. Ela cantava-cantarolava a canção que ela mais gostava naquela época que era “Felicidade”, do Lupicínio Rodrigues, que voltaria às rádios na voz do Caetano Veloso. Sempre quando eu ouvia o cantarolar da minha mãe, na hora das minhas lições acalentadas por ela, eu sentia que nós estávamos fazendo algo que seria muito interessante para minha vida. Esses dois brinquedinhos, o Método ABC da minha Mãe & o Caderno Avante, pareciam os de hoje em dia quando a gente ou dá corda ou recarrega a bateria. Mas só que não, nem corda nem bateria encheria meu coração com a sabedoria de tanta poesia. Seria eu antecipando como não foi fácil passar pela escola? Só que não, incrível, mas quando eu cheguei na escola levei uma bruta sacolejo (nossa que realidade grosseira), no entanto, eu, pela minha viva descendência africana e pela metodologia da minha mãe, cheguei danadinho nessa coisa de ABC, achando que seria (Canto-que-Dança) todo dia. Realmente não foi, a coisa mais difícil nessa época era a turma da escola dançar ou mesmo cantar alguma coisa; a não ser o Hino Nacional que vinha escrito na contracapa do caderno avante.

A educação é uma questão de sensibilidade. A sensibilidade ao mesmo tempo é sentir, pensar, sonhar, desejar... Sensibilidade aumenta a percepção. A educação do olhar leva a um aumento de percepção. Não apenas de percepção sensorial, mas uma percepção do mistério, do pré-existente, do inefável. Sensibilidade sabe guardar silêncio. Há momentos em que tudo pára para sorvermos a densidade do mistério. Há momentos em que tudo cala para

que o encanto fale. Há momentos em que o Dizer ultrapassa o dito, em que a paisagem supera o discurso, em que o sentimento desloca a necessidade de fundamentos e instaura a fonte como manancial de experiência e sabedoria (OLIVEIRA, 2007a, p.259).

Ficou a lição: obrigação não é canção, muito menos (Canto-que-Dança). Essas duas raridades que minha mãe havia me presenteado me fizeram chegar em sala de aula lendo, soletrando e tudo o que a professora pedisse. Aqui era já na 3ª série primária, Dona Ivete era surpresa comigo pela minha facilidade íntima e alegre com leitura e produção textual. Ela no quadro escrevendo e pedindo para que fosse lendo em voz alta, para os meus amigos do fundão, meu pares. Nunca nem ela nem meus pares imaginariam a razão dessa alegria íntima que encabulava a professora da 3ª série. Metodologia Bendita Pará. Claro que todas as mães amam (seus-suas) filh@s, alguns tivemos a sorte feliz e inexplicável por meio de conceituação, de (cantar-&-dançar) para celebrar a sabedoria & o bom senso da Intuição. Minha mãe tinha estudo suficiente para me ensinar antes de eu chegar em sala de aula, sim! Mas, sobretudo, tinha essa paixão por cantar & cantarolar canções de roda infantil, canções que tocavam no rádio, as canções do calendário gregoriano (carnaval, são joão, natal), mas, cedo eu percebi que ela, por meio da sua boca cheia dos seus provérbios (belíssimas, brevíssimas & profundas lições africanas pra toda vida: “quem a boca do meu filho beija a minha adoça”), sempre acreditou & apostou na sua Intuição. E, por não termos dinheiro para irmos para o “Educandário O Gury”, que era a escola infantil na minha rua, ela tomou para si uma tarefa tamanha que somente amor maternal consegue dar conta, como felizmente, deu. Sendo minha gestação uma demanda e proteção de Oxum, eu penso que minha mãe, mesmo sem conhece-la assim como eu, vai intuir que maternidade é o mesmo que proteção, cuidados cheios de afagos, que é o que ela faz até hoje, dessa forma, aprofundando a expressão que diz, mãe é pra sempre. E, entre os afagos da minha mãe um vai ser sua preocupação com meus estudos. Ela sabia que essa riqueza vai muito para além dessa estratégia para descobrir letras no papel e juntá-las. Nesse meio de campo, há um entremeio de Bumba-meu-Boi. Ela também já tinha visto meu estado de êxtase com as contações do meu avô-griot que, sem timidez para narrá-las, era a adoração que ele tinha em me ver feliz com aquele drama. Para os demais, trancoso e simplório e sem significação suficiente que nos faria ser gente. Era esse discurso de ser gente, associado ao mágico descobrimento e ajuntamento das letras, a forma como os interioranos como a maioria dos meus familiares assimilavam o que era ser gente

inteligente. Mas a minha mãe, não. Ela tinha uma quase adoração para ouvir canções e, tinha uma que era muito ritualizada a maneira como acontecia essa audição. Jamais me esquecerei. A Hora do Ângelus, às 18h, nas rádios daqueles anos 70’s, mas ainda hoje tem até FM também que faz isso, toca a “Música da Ave-Maria”. Mãos agradecidas e esperançosas de que, naquele pequeno intervalo das tarefas domésticas, para ouvir, se transformar e se transportar com tão delicada canção, Nossa Senhora certamente lhe ajudaria a solucionar sua preocupação com meus estudos. Em 11/10/2003, num trabalho artístico que nós realizamos no Escuta (A Ong do Pici), eu homenageie minha mãe no evento “A Vigília da Noite Eterna”. Aconteceria durante toda a noite e começaria justamente às 18h do dia 11/10/03 indo até às 06h da manhã do dia 12/10/03. Então, eu que nem pensava que alguém fosse se tocar, muitas pessoas choraram, inclusive eu. Mamãe a mudança nesse dia foi que dessa vez quem cantou essa canção foi uma versão linda feita pelo Xangai, “Ave-Maria Sertaneja”. Eu penso que nesse ponto eu, um afrodescendente de descendência viva, tenho sérias dificuldades em encarar qualquer aprendizagem que não mobilize minhas emoções. Que tire a segurança dos cuidados e afagos que cantam de minha mãe ou a felicidade em êxtase do meu avô-griot. Foi amparado nessa porto seguro que sempre tive mais forças para superar as dificuldades do muro insano do racismo. E é tão bom agora nessa hora afirmar que, mesmo sem saber, minha mãe e meu avô-griot ficam como a minha melhor orientação quando o trato é sobre maneiras de aprender. Como nessa nossa tese vimos buscando construir os Fundamentos de uma Educação Teatral Afrodescendente assentada na Ancestralidade Africana, eu fico de corpo inteiro lavado de satisfação por não ter deixado nada nem ninguém desviar dessa nossa meta. Dessa forma (Canto-que-Dança) é o fluxo das águas doces de Oxum que somente depois de eu (velho-menino) se mostraram pra mim, que mesmo sem menstruar vem me ajudando a parir & aparar esse Teatro no meu útero negro. Dona Benedita Pará certamente quando ler isso vai arrematar em cima: “Antes tarde do que Nunca”. Preciso mesmo de outros aforismos ou melancólicas reflexões que somente me afastam eu do meu eu mais idiossincrático? Não! Eu preciso que nas minhas oficinas com o Teatro do Encantamento da Ancestralidade Africana eu traga essa forma de iniciação educacional (Canto-que-Dança) – afrodescendente – toda originária no Continente Africano que podemos sim chamar de Ancestralidade Africana, uma vez que a primeira coisa que eu faço hoje num encontro dessas nossas oficinas é um momento todo ritualizado conforme a cultura iorubá, para agradecer e reverenciar (às-aos) que vieram antes de nós, principalmente, (às-aos) mais velh@s. A

sabedora de Hampatê Ba nos conta que, na Mãe África, uma pessoa velha que morre é uma Biblioteca toda perdida. Na perspectiva (Canto-que-Dança) do nosso Teatro, (Cantar-&-Dançar) é o mesmo que Viver. É inconcebível vida fora desses dois parâmetros. (Cantar-&-Dançar) para agradecer. (Cantar-&-Dançar) porque estamos vivos. (Cantar-&-Dançar) para reverenciar os antepassados. (Cantar-&-Dançar) porque as comunidades tradicionais africanas, assim o faziam. (Cantar-&- Dançar) para celebrar a natureza, sempre maior que qualquer ser humano. (Cantar-&- Dançar) para compartilhar saberes. (Cantar-&-Dançar) porque os orixás c@ntam suas histórias dessa maneira. (Cantar-&-Dançar) para unificar o Bumba-meu-Boi & o Ijexá. (Cantar-&- Dançar) porque tanto o Teatro quanto o Bumba-meu-Boi renascem a cada vez que “morrem”. (Canto-que-Dança) é gestação, fecundação, descendência viva que, em mim, igual a minha mãe, recebi de Oxum, a Mãe da Gravidez, o privilégio e o comprometimento em forma de compromisso de gerir no nosso útero negro o Teatro do Encantamento da Ancestralidade Africana. Um salve, para tão (singela-&-complexa) expressão!

Símbolo primordial de Oxum, o icodidé é usado nas iniciações dos iaôs e em variados rituais, posteriormente. Ao transformar o sangue em penas matizadas que simbolizam e atraem a vida. Oxum provou a fertilidade do sangue. Em reconhecimento e respeito ao poder gerador feminino, até o poderoso senhor do branco, Obatalá, usa o icodidé, fazendo plausível a união do ancestral-pai com a descendente-filha, Oxum, e com seus futuros filhos recriados, os iaôs. Através do icodidé, Oxum pode ser considerada como a primeira yalorixá do mundo, quando produziu o primeiro iaô, ao pintar, colocar oxu e uma pena na cabeça de uma galinha. A partir daquele momento, o icodidé se interligou também com Exu, pela sua cor e pelo dinamismo que produziu. Foi Oxum quem colocou o oxu, porem foi Exu que o fixou, mostrando a necessidade de sua intervenção para que tudo passasse a ter existência! Ele também aceitou compartilhar com Oxum e com as mulheres os segredos que conhecia! (MAURÍCIO, 2011, p. 275).

A África subverte o que a gente já sabia. O calendário ocidental é o mingau que alimenta e faz crescer infinitas fobias. Idolatria mitificada nos ponteiros tentando escravizar também o tempo. Mãe da Humanidade – (Canto-que-Dança) – a Alegria do Dia-a-Dia, ora vejam só: o pêndulo da África é Tambor de todo Dia! Canções (Canto-

que-Dança) são como sonhos, “não envelhecem”45. O calendário maquinário do sistema “capitalista-racista-escravista-criminoso”46, detona o tempo das pessoas, e, estupidamente, por conseguinte, o das canções, principalmente as (Canto-que-Dança).

O Racismo é, historicamente, um modo de organizar povos dominados. O racismo doutrinário foi, desde fins do século XIX, uma opressiva manifestação de consciência da universalidade dessa pele: a fantasia do homem branco europeu como valor equivalente universal de toda humanidade possível, donde a imposição de um critério racial de classificação hierárquica das classes sociais. Negro, índio mestiço e mulato, seriam, por conseguinte, formas incompletas do “homem pleno”, modelado pelo europeu. Essa doutrina serviu à expansão do colonialismo europeu, ao tráfico atlântico de escravos e à biologia racialista. Ao cabo desse ciclo histórico, o racismo deslocou-se da biologia para a cultura (SODRÉ, 2012, p.50).

Nosso trabalho tem como Eixo a licença de Exu, a doce fortaleza de Oxum, o filial de Logun, que se desvelaram para mim no (Canto-que-Dança) do Ijexá. Chegando por lá, eu busquei o que estava dentro do meu coração de encenador, pois isso seria minha idiossincrasia maior: o profundo amor pelo brinquedo afro do Bumba- meu-Boi. A força estonteante da Ancestralidade Africana, foi “presente de um beija- flor47”, de codinome Eduardo Oliveira, sobretudo seu trabalho de (2007a), ainda hoje, na minha concepção, o melhor caminho para uma aproximação que sabe significar. E a benção da Afrodescendência, eu bebi de Cunha Júnior, conforme as várias passagens nessa nossa escrita, sobre esse conceito, que é de sua autoria.

O conceito de afrodescendência é relativo às populações de origem africana que sofreram a redução de subalternas pelas condições impostas pelo escravismo criminoso e pelo capitalismo racista. Os

45 Clube da Esquina Nº 2 – Canção de Flávio Venturini - https://youtu.be/MzJrGy8iKOg. Acessado em

20/07/2014.

46 Henrique Cunha Júnior – As relações capitalistas não implicam apenas em capital econômico, mas

abrange o capital simbólico. A etnia faz parte das relações capitalistas, por isto denominamos o capitalismo de racista (CUNHA JR., 2006).

47 Presente de um Beija-Flor - Canção da Banda Natiruts. https://youtu.be/v2PvNkBV2ME. Acessado em

sistemas republicano e capitalismo no Brasil, tiveram um caráter de dominação étnica quando fizeram sérios investimentos na imigração europeia e na imagem do europeu. Realizando no processo inverso a desqualificação da população de descendentes de africanos, atribuindo valores positivos ao imigrante europeu. A afrodescendência define a população negra como parte da história e das relações socais, e não apenas da cor da pele ou da cultura de origem. O racismo antinegro é um conceito do domínio das relações sociais, políticas, econômicas e culturais, contidos nas abordagens da história sociológica. O racismo é uma ideologia e um sistema de dominação na sociedade brasileira que produziu o controle social da população negra. Racismo não tem a ver apenas com o ódio entre as raças, mas objetivamente com os grupos no poder e o controle das massas (CUNHA/RAMOS, 2007), (RAMOS, 2007), (2013, p..18-19), (2013).

“Mãe me desculpa por não ser o filho que a senhora sonhou / Mas lhe garanto, se ele fosse como a senhora sonhou / O sonho dele era ser como eu Sou” – Poetas da Rua48. (...) “Eu passei muito tempo aprendendo a beijar outros homens como beijo o meu pai. Eu passei muito tempo pra saber que a mulher que eu amei, que amo, que amarei, será sempre a mulher como é minha mãe. Como é, minha mãe? Como vão seus temores? Meu pai, como vai?” – Pai e Mãe49– Canção de Gilberto Gil.

Uma simbiose da palavra-ritmo (Canto-que-Dança), narrando sobre si e a felicidade ancestral de pertencimento a uma comunidade Afrodescendente. Não apenas por essa energia se propagar em família, mas pelo movimento dos corpos buscando a integração que balança girando com todos os toques & tons. Não só porque une as pontas afirmando a tradição que (co-move) e sempre se renova. Mas porque o (Canto- que-Dança) dessa roda é quem sustenta e realimenta o universo. Reverência & respeito aos ancestrais. No Teatro do Encantamento da Ancestralidade Africana nós podemos

48 Facebook – Os Poetas da Rua – https://www.facebook.com/OsPoetasDaRua?fref=ts. Acessado em:

14/06/2014 – sábado.

chamar de brinquedo (Canto-que-Dança) revelado no discurso da contemporaneidade. “Olorun quem mandou essa filha de Oxum tomar conta da gente e de tudo cuidar.50”

Educar o olhar é aprender a decifrar códigos e compreender mais do que a aparência do mundo, mas seu movimento. A compreensão do mundo é tão somente uma leitura do mundo. Qualquer leitura não prescinde de um horizonte geral de referência que organize e dê significado aos signos que compõem o regime de signos local (contexto). Assim, a ancestralidade ganhará cores e contornos novos de acordo com os contextos no qual ela é experienciada. Necessitará de sensibilidade para identificar a diversidade dos contextos e a unidade da forma cultural. Precisará então de uma filosofia da educação (OLIVEIRA, 2007a, p.260).

(Wellington Pará – Foto: Nanda Sant’anna51)

Somente a afoiteza do sol de Fortaleza, a Cidade Tan-Tan, para que eu faça festa por liberar essa imagem de qualquer tipo de apropriação. Liberto como minha Língua Livre mordendo os beiços do astro rei. Foi assim que eu nasci. Confesso que, nesse momento, vem vindo uma vontade irresistível de entregar que – por aqui – existe um trabalho muito mais do mouse, ou do meu teclado todo negro. O papel A-4, ou mesmo o PDF, continuam querendo aprisionar a cachoeira em espiral no qual meu pensamento se origina na mais perfeita vigília, pastorando e apascentando até onde eu suporto me afastar do movimento (Canto-que-Dança). É assim que ele transforma cada legenda que acompanha essas imagens, em texto em estado de puro êxtase. “Ainda bem que eu segui as batidas do meu Coração”. Uma frase exemplar e altamente motivadora

50 Oração a Mãe Menininha – Canção de Dorival Caymmi. https://youtu.be/_x9mNq-eB6w. Acessado em

12/12/2014.

51 Nanda Sa t’a a – Página do Facebook. https://www.facebook.com/nanda.santanna.96?pnref=story.

para essa minha escrita. Mas, também já, por diversas vezes, compartilhei devidamente, no meu Facebook, essa frase num designer de uma imagem que o aplicativo editor de imagens não me poupou uma viagem caleidoscópica. As fotos ou as imagens nesse nosso trabalho fazem uma reverencia ao trabalho do Creative Commons. Sendo assim, elas se tornam em menor número. No entanto, o mais importante, é divulgar que o Creative Commons é uma proposta copyleft para estimular compartilhamentos na web.

Escola Olodum: “Educação ainda é o melhor toque de sua Vida” – Neste caso, essa legenda vai sempre dialogar com a imagem do tambor Olodum, e eu digo, sim! Após sair do afago que aconchegava do (Canto-que-Dança) da minha Mãe, Benedita Pará, fui matriculado na escola Presidente Roosevelt. Antes dele, essa citação da Stela Guedes Caputo, sobre o fascinante mundo das imagens:

Uso as fotos porque meu texto sem elas seria mais solitário. (...) Meu olho nu e sozinho não daria conta de partilhar com vocês e comigo mesma o que vi e interpretei ao longo desses anos. Foi com a máquina e por meio das imagens que espero ter trazido, eticamente, algo do processo como eu o percebi. (CAPUTO, p. 35, 2012).

EEEP Presidente Roosevelt52 Escola pública, localizada na avenida

Bezerra de Menezes, entre às ruas Prof. Castelo, José Sombra e Gustavo Sampaio, no bairro Parque Araxá, em Fortaleza, bem próximo da minha casa. Durante os anos 70’s, foi onde eu estudei da 1ª a 5ª série.Ia e voltava a pé. Havia o som de uma fábrica na Av. José Bastos que, em seu “terceiro sinal”, indicava dizer que já eram 12:45h, ou seja, faltavam somente quinze minutos para o início de mais uma trade na Escola. E ainda havia a cumplicidade do sol que confirmava o que o sinal dizia. Mas também eu já tinha aprendido com um camarada chapa pra caramba, a felicidade de tatuar na parede da escola a hora em que o sol soaria o sinal que nos levaria de volta pra casa. Até porque compactuamos com o sol que ele também seria o responsável por nunca nos deixar esquecer que havia a hora do recreio, bingo! Somente amigos camaradas são capazes dessas solidariedades que, paulatinamente vão sossegando nossos corações assustados como o ritmo – inicialmente – desconhecido da Escola. Até o ponto de, a cada ano,

52Blog da Escola Profissional Presidente Roosevelt:

nossa amizade ser mais contente do que laço cativante. Sim! Havíamos selado nossa amizade com nossas figurinhas repetidas que compartilharíamos nossas merendas. E foi o que aconteceu até cada um de nós seguirmos direções opostas. Eu continuaria em escola pública como até hoje, e esse meu amigo foi para um colégio particular. Infelizmente não tive mais notícias dele.

Em busca de um sobrenome que tivesse a força e a praticidade para o futuro Encenador Teatral. Optei por Wellington Pará. Nome forte e impactante da minha Mãe (Benedita Pará), e ainda hoje, pouco usual. Mas a razão dessas fotos são para bater o pé e confirmar o que eu sempre c@nto nas nossas Oficina de Teatro do Teatro do Encantamento da Ancestralidade Africana: sempre fui estudante da Escola Pública. Desde a 1ª série até agora, no doutorado. Ainda que a foto se repita, talvez para sair mais em conta, essa história do nome não foi muito difícil superar. As duas vertentes acima calaram bem sob a minha opção. Direção: Wellington Pará... Conforme minhas