IV. BÖLÜM
6.5. Verilerin Toplanması ve Analizi
1 Introdução
No primeiro dia do ano de 1959, o então presidente de Cuba, Fulgêncio Batista, renunciou a presidência do país e se viu obrigado a deixar a ilha rapidamente para fugir dos ataques das forças opositoras lideradas por Fidel Castro. Após seis anos de combate entre o governo cubano e as forças de Fidel Castro, a revolução de 1959 marcou o fim de décadas de instabilidade política no país e criou a maior e única experiência socialista da América Latina (AL).
Cuba e os demais países da AL compartilham de origens coloniais baseadas em instituições políticas e econômicas excludentes. De acordo com a literatura sobre instituições e crescimento econômico (por exemplo, Acemoglu et al., 2001, 2005; Engerman and Sokoloff, 1997, 2005; e La Porta et al., 1998), provavelmente essa origem colonial influenciou o ambiente institucional desses países durante o século XX. Este fato aliado com a unicidade do socialismo em Cuba torna o país um interessante candidato para estudo de caso sobre o papel das instituições no crescimento econômico e na riqueza de um país, uma vez que os demais países da AL surgem naturalmente como candidatos à comparação.
Pelo menos nos últimos 25 anos Cuba foi deixada para trás em termos de renda per capita em relação aos demais países da AL (Maddison, 2007; Heston et al., 2011; Brundenius, 2009; Ward and Devereux, 2011). O padrão de consumo também indica que a renda real de Cuba estagnou durante o período pós 1959 (Ward and Devereux, 2011). Muitos pesquisadores atribuem essa estagnação de renda ao fim dos mecanismos de mercado e a adoção das instituições socialistas após a revolução de 1959 (Mesa-Lago
et al., 2000). Já o governo cubano e os simpatizantes ao regime atribuem o baixo
desempenho econômico ao embargo comercial imposto pelos Estados Unidos anos após a revolução.3 Contudo, nenhuma investigação empírica foi realizada até o presente momento para medir o efeito da revolução de 1959, distinguindo e discutindo os efeitos das instituições socialistas, do embargo econômico e de outras possíveis hipóteses capazes de explicar o porquê Cuba apresentou baixou crescimento. Não há nenhuma
3 Veja o que cubanos dizem a respeito do embargo após 50 anos da revolução nesta reportagem da BBC: http://www.bbc.co.uk/news/world-latin-america-16951854.
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inferência contrafactual sobre o que teria ocorrido com a economia cubana caso a revolução de 1959 não tivesse ocorrido.
Este artigo traz uma tentativa de investigar essas questões através do uso da metodologia do controle sintético desenvolvido por Abadie e Gardeazeabal (2003). Abadie et al. (2010) medem o impacto da reunificação das Alemanhas na performance econômica da Alemanha Ocidental aplicando o controle sintético com a finalidade de reproduzir o comportamento da economia caso a reunificação não tivesse ocorrido. No presente artigo, tenta-se realizar uma investigação similar a de Abadie et al. (2010) através da construção de Cuba Sintética com o uso de dados de alguns países da AL escolhidos pelo processo de otimização do controle sintético. Os resultados obtidos indicam que os desempenhos das rendas per capitas de Cuba e Cuba Sintética passam a divergir exatamente, e exclusivamente, após 1959. A renda per capita de Cuba foi inferior ao que teria sido caso a revolução de 1959 não tivesse ocorrido.
Embora a mudança de uma economia de mercado para uma economia socialista surja como primeira hipótese para explicar o resultado observado, existem outras razoáveis hipóteses que podem justificar a divergência das rendas de Cuba e Cuba Sintética. Levantam-se cinco possibilidades para explicar a performance negativa da renda per capita do país após 1959: (a) mudança de economia de mercado para economia socialista (mudança institucional), (b) embargo econômico, (c) queda do nível de capital humano após 1959, (d) políticas econômicas equivocadas após 1959 e (e) a guerra civil instalada no país em 1953. Adianta-se que parte da estratégia empírica, a checagem de robustez, permite refutar a última hipótese. A análise qualitativa, baseada principalmente em outras pesquisas e autores, permite desconsiderar as hipóteses (b), (c) e (d). Portanto, a distância entre Cuba e Cuba Sintética em termos de renda per capita pode ser atribuída à mudança institucional ao invés de outros fatores.
Este artigo está estruturado de acordo com a descrição a seguir. Na próxima seção, discutem-se questões políticas e econômicas de Cuba desde os seus primórdios até meados de 1959. A estratégia empírica para investigar o impacto da mudança institucional no desempenho econômico do país está apresentada na seção 3. A seção 4 apresenta os dados que são utilizados, enquanto a seção 5 apresenta os resultados obtidos da aplicação do controle sintético. A seção 6 discute as possíveis razões para a divergência observada entre a renda per capita de Cuba e de Cuba Sintética. Finalmente, a seção 7 apresenta as considerações conclusivas a respeito do que foi observado e discutido neste artigo, além da direção de futuras pesquisas.
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2 Quando Cuba foi deixada para trás?
Entre os séculos XVI e XVIII, Cuba apresentava um dos mais altos níveis de renda per capita do mundo. Embora tenha sido superada pela Europa Ocidental após a revolução industrial, Cuba continuou com boas taxas de crescimento durante o século XIX. Do começo do século XX até a década de cinquenta, a economia cubana estava no topo do ranking entre os países da AL, não apenas em PIB, mas também em termos de vários indicadores de desenvolvimento (Ward and Devereux, 2012, p. 126; e Mesa-Lago, 2010, p. 368).
Durante o período colonial a economia cubana estava alicerçada na produção de açúcar e tabaco. Com apoio direto dos Estados Unidos, o país conquistou sua independência da Espanha em 1898. Durante a primeira metade do século XX, a economia cubana continuou a ser fortemente dependente da produção de açúcar que correspondia a 28,0% do PIB e a 81,0% das exportações do país durante as décadas de quarenta e cinquenta. Atividades de serviços relacionados ao turismo (hotéis, restaurantes e casas noturnas) também foram importantes para a economia do país durante esse período (Pérez-Lopez, 1991; Mesa-Lago et al., 2000, p. 171; e Suchlicki, 2006). Até a revolução de 1959, o Estado cubano não costumava intervir significativamente na economia: Cuba tinha um baixo grau de propriedades estatais, o que não acarretava em baixa oferta de serviços de saúde e educação, pelo contrário, tais serviços eram relativamente desenvolvidos no país antes de 1959 (Mesa-Lago et al., 2000, p. 171; e McGuire and Frankel, 2005). Excepcionalmente, o Estado cubano iniciou a regular o mercado de trabalho em 1933, e iniciou também um processo de estimulo a alguns setores de manufaturas durante os anos quarenta e cinquenta. Em 1953 iniciou-se o conflito armado entre as forças guerrilheiras e o governo. Durante a década de cinquenta, a despeito da guerra, as taxas de crescimento econômico não foram negativas, embora tenham sido baixas, ao redor de 1.0% ao ano (Mesa-Lago et al., 2000, p. 171; e McGuire and Frankel, 2005). Ainda neste período, a renda per capita de Cuba ficou ranqueada entre a segunda e quarta mais alta da AL, a depender da fonte de consulta (UP, 1961; BIRD, 1951; e Oshima, 1961). Em 2007, Cuba se situava entre o nono e o décimo primeiro lugar (Mesa-Lago, 2010, p. 371).
Mas quando exatamente Cuba foi deixada para trás em relação a outros países da AL? Isso ocorreu antes ou após a revolução de 1959? O Gráfico 1 abaixo mostra que o GAP entre a renda per capita de Cuba e a renda média da AL aumentou ao longo do século 20 de acordo com as informações de Maddison (2007).
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Gráfico 1- Trajetória da Renda Per Capita (US$ 1990)
Fonte: Maddison (2007)
Muitas críticas são feitas em relação à qualidade dos dados de Maddison e há poucas estimativas da renda de Cuba (Heston et al., 2011). Ward e Devereux (2012) argumentam que Maddison provavelmente superestima o PIB de Cuba. Por este motivo estes autores propõe uma nova série para a renda de Cuba, entretanto, apenas após a revolução. Após 1959, não há nenhuma fonte inquestionável sobre o PIB cubano, mas dados fornecidos por ECLAC são mais acurados entre 1985 e 2002, quando Cuba adotou o sistema de contas nacionais das Nações Unidas. Após 2002, autoridades cubanas mudaram seu sistema de contas nacionais. Contudo, de qualquer fonte que se queira, o crescimento médio de Cuba foi menor, ou mesmo negativo, após 1958 (Ward e Devereux, 2011, p. 32).
Considerando outras medidas de bem-estar, Ward e Devereux (2011) mostram que o consumo pessoal em 2007 era similar ao nível de 1985. Segundo os autores, se o regime revolucionário exerceu algum impacto positivo sobre a renda, ou consumo da população cubana, este só pode ter sido realizado durante os primeiros 25 anos da revolução.
3 Estratégia Empírica
A fim de checar o impacto gerado pela revolução de 1959, e a localização do momento em que Cuba passou a ter um pior desempenho econômico em relação aos demais países da AL, poder-se-ia pensar em utilizar uma média simples da renda per capita dos
0 1000 2000 3000 4000 5000 6000
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países da AL como contrafactual da trajetória da renda per capita de Cuba na ausência da revolução de 1959, a fim de estabelecer a relação de causalidade entre as instituições socialistas e a renda per capita do país. Contudo, usar esta simples média e compará-la com a performance da renda per capita observada de fato em Cuba não é suficiente para o estabelecimento de causalidade entre instituições e crescimento econômico, uma vez que pode haver fatores observáveis e não observáveis que podem afetar simultaneamente a trajetória da renda per capita tanto de Cuba quanto dos demais países. O gráfico 1, presente na seção anterior, mostra que embora haja uma significante mudança de trajetória da renda per capita de Cuba e da renda per capita média da AL durante o século XX, não é possível determinar nenhuma relação de causalidade, pois mesmo antes da revolução as trajetórias já eram distintas.
Para obter o contrafactual adequado da trajetória da renda per capita de Cuba na ausência da revolução se utiliza o método do controle sintético desenvolvido por Abadie e Gardeazabal (2003). Como todos os demais métodos utilizados para inferir relações de causalidade, o controle sintético busca gerar o contrafactual adequado e compará-lo com o resultado observado da variável de interesse para o indivíduo ou grupo tratado.
No caso do presente estudo, deseja-se saber qual foi o efeito da revolução socialista na trajetória do nível de renda per capita cubana ao longo do tempo após 1959, o que consiste em comparar o desempenho observado da renda per capita após 1959, com o que teria sido na ausência da revolução. A trajetória da renda per capita na ausência da revolução é a medida adequada para a avaliação do efeito na renda per capita, porém, essa não é uma trajetória observada.
O controle sintético consiste em criar essa trajetória, com base em informações anteriores ao tratamento de variáveis comuns entre a unidade tratada e as unidades não tratadas e candidatas a controle. Por hipótese ou por conhecimento prévio tais variáveis são correlacionadas à variável de interesse ou resultado do tratamento. Pondera-se a participação de cada unidade controle na construção da unidade sintética com base na sua relevância estimada no processo de construção do contrafactual. A ponderação é obtida por um processo de minimização condicionada da distância entre vetores que contêm as informações referentes às variáveis pré-tratamento da unidade tratada e das unidades controle. A hipótese de identificação do controle sintético, que permite o estabelecimento da relação de causalidade, é que o processo gerador da variável dependente para a unidade tratada seja o mesmo processo da variável dependente das
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unidades controle, e tais processos não podem estar sujeitos a choques estruturais durante o período de investigação (ver Abadie et. al., 2010).
Como praticamente todos os países da AL foram colônias de extração durante o período compreendido entre os séculos XVI e XIX, todos tiveram até a primeira metade do século instituições fracas e parecidas (Acemoglu et al., 2001, 2005; e Engerman and Sokoloff, 1997, 2005). Cuba não é uma exceção a este fato, e, portanto, até a sua revolução, seu ambiente institucional era similar ao dos demais países. Isto faz com que a revolução cubana possa ser vista como um tratamento que modificou radicalmente as instituições do país em relação aos demais da AL. Em consequência disso, os demais países da AL são potenciais candidatos a serem usados como controles para a investigação do impacto da mudança institucional que ocorreu em Cuba em 1959. Formalmente, seja C o número de unidades candidatas a controle para compor a unidade sintética, um vetor (Cx1) que contém em suas entradas os pesos que cada unidade candidata a controle recebe para a construção da unidade sintética, uma matriz (Kx1) em que K representa o número da variáveis pré-tratamento associados à unidade tratada (Cuba) e uma matriz (KxC) que contém as variáveis pré-tratamento associadas às C’s unidades candidatas a controle. As entradas em e são as médias de cada variável durante o período pré-tratamento. Seja também W uma matriz diagonal em que cada entrada da diagonal principal está associada com uma variável pré- tratamento de forma a representar o peso que ela tem em explicar a variável de interesse. Os pesos são obtidos resolvendo o seguinte problema de otimização condicionada:
.
A solução do problema acima resulta em um vetor P* cujas entradas contêm os pesos ótimos associados às unidades candidatas a controle. Uma vez que se tenha obtido o vetor P*, pode-se gerar a trajetória contrafactual da variável de interesse fazendo o cálculo de uma média ponderada ótima com a trajetória da variável de interesse das unidades controles. Esta média ponderada ótima resulta na trajetória da variável dependente da unidade sintética, que pode ser comparada com a trajetória observada da unidade tratada de fato.
Formalmente, seja um vetor (Tx1) em que cada entrada corresponde a uma observação da variável de interesse da unidade tratada em um dos T períodos de análise
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(inclui os períodos pré e pós o tratamento), e uma matriz (TxC) que contém a mesma variável nos mesmo T períodos, mas para os controles. A variável chave da unidade sintética, , e o efeito estimado do tratamento, , são definidos por
(1) (2) Para testar a adequada implantação do método, o controle sintético requer que no período pré-tratamento a trajetória da variável de interesse da unidade tratada e da unidade sintética sejam similares, ou muito próximas. Abadie et. al.. (2010) mostram que sob a validade da hipótese de identificação, quando o processo de minimização do controle sintético consegue ajustar as unidades tratadas com as unidades controles em variáveis observáveis, então ele também consegue em variáveis não observáveis. Isto permite que após o tratamento qualquer diferença entre as duas trajetórias possa ser atribuída ao tratamento, estabelecendo, portanto, a relação de causalidade.
A hipótese central de identificação no presente estudo é que não há nenhum fator que afete a tendência prévia da renda per capita de Cuba e dos controles de forma diferente, nem mesmo algum choque que afete as trajetórias das rendas per capitas após o tratamento. Esta é uma hipótese restritiva, em especial para este estudo em questão. Suponha que após 1959 tenha ocorrido um choque de tecnologia positivo que afete a função de produção dos países. Provavelmente por Cuba ter se tornado uma economia fechada e isolada comercialmente pelos EUA, o país não estivesse suscetível a incorporar às mudanças causadas por esse choque, enquanto os demais países da AL, em maior ou menor grau, sim. Neste caso, as trajetórias de renda per capita entre Cuba e Cuba sintético seriam afetadas de forma diferente por uma mudança que não está associada a revolução.
Para checar a robustez dos resultados obtidos, implantam-se alguns testes inferenciais. A primeira parte da estratégia de inferência consiste em aplicar o controle sintético em todos os países da AL como se a revolução de 1959 tivesse ocorrido neles. A ideia deste procedimento é inicialmente verificar se nos outros países da AL a partir de 1959 a renda per capita observada e a renda per capita sintética apresentam tendências distintas. Como a revolução de 1959 ocorreu apenas em Cuba, nos demais países espera-se que as trajetórias da renda per capita sejam similares após 1959. Plota-se em único gráfico as diferenças das rendas (observada e sintética) de Cuba e dos demais países para observar o efeito da revolução cubana na renda per capita do país em relação ao efeito na renda
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per capita dos demais países da AL (placebos). Se a revolução cubana exerceu algum impacto significativo na renda per capita de Cuba, então a trajetória do efeito nessa variável em Cuba deve ser notoriamente diferente dos efeitos observados nas trajetórias da renda per capita dos placebos.
Calcula-se o Root Square Mean Percentage Error (RSMPE) para os períodos pré e pós- tratamento para Cuba e todos os placebos. Após, calcula-se a razão entre os RSMPE do período pós-tratamento pelo RMSPE do período pré-tratamento para todos os países. Em seguida ranqueiam-se os países de acordo com o valor dessa razão para observar a posição de Cuba em relação aos demais. A ideia desse procedimento é que se após 1959 o desempenho da economia cubana é diferente do que seria caso não houvesse ocorrido à mudança institucional do país, então, essa razão deve ser para Cuba superior a dos demais países, uma vez que o RMSPE é uma medida de ajuste entre a trajetória real e a sintética.
A segunda parte da estratégia para inferência é a adoção de placebo temporal. No processo de obtenção dos pesos ótimos muda-se o ano em que ocorreu a revolução para um ano anterior a 1959, em especial para 1953, ano em que se iniciou a guerra civil no país. Adota-se esse procedimento pelo fato de que a diferença observada entre a trajetória real e a trajetória sintética pode ser atribuída aos efeitos da guerra civil (destruição de capital físico e humano) que antecedeu o sucesso da revolução, e não ao diferente conjunto de instituições adotadas após 1959.
Como as séries de PIB per capita de Maddison (2007), especialmente para Cuba, estão sujeitas há uma série de críticas, utilizam-se as séries de PIB per capita disponíveis em Bertóla e Ocampo (2010). As séries de Maddison (2007) são utilizadas para checagem de robustez dos resultados obtidos. As estimações são realizadas com os logaritmos das séries de renda per capita.
Alguns problemas usuais na literatura empírica de crescimento econômico merecem alguns comentários adicionais. A dificuldade em investigar o efeito de instituições sobre crescimento econômico surge em decorrência do fato que instituições podem ser consequência do crescimento, que por sua vez pode ser uma função do capital humano acumulado. Tal fato provavelmente introduz viés nas estimativas por mínimos quadrados ordinários (MQO), o que coloca sob suspeitas conclusões referentes à relação causal entre instituições e renda. Neste ponto o presente estudo, sob a hipótese de identificação, supera problemas dessa natureza pelo fato de que a unidade sintética tem por construção apenas uma diferença em relação à unidade tratada: a ausência do
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tratamento, no presente caso, a revolução e a implantação das instituições socialistas. Dessa forma, as estimativas obtidas aqui estão, a princípio, imunes a crítica de Glaeser
et. al. (2004) aos trabalhos de Acemoglu et. al. (2001; 2003). Adicionalmente, o
controle sintético é alternativo ao uso de variáveis instrumentais o que evita as frequentes críticas à exogeneidade dos instrumentos e a qualidade dos dados como as que Albouy (2008) faz também em relação aos trabalhos de Acemoglu et. al. (2001; 2003). Por fim, o controle sintético também deixa imune o presente estudo das críticas referentes à qualidade e validade das usuais medidas de instituições, uma vez que nenhuma medida é usada para representar a mudança institucional ocorrida em Cuba (Glaeser et. al. (2004)).
4 Dados
Os dados utilizados foram obtidos principalmente do Montevideo Oxford Latin
American Research Center (Moxlad). Também se utilizam dados do CIA do World Fact Book, do Polity IC Project e do Statistics on World Population GDP and GDP per capita, 1-2008 AD desenvolvido por Angus Maddison (2007).
As covariadas utilizadas para a obtenção da trajetória sintética da renda per capita são as seguintes: eletricidade medida em milhões de gigawatts por hora e per capita, malha ferroviária medida em quilômetros construídos pelo tamanho do país (medido por km²), termos de troca expressos pela razão entre o valor adicionado das exportações e importações, matrículas no ensino primário e secundário expressas como proporções da população, taxa de analfabetismo, expectativa de vida ao nascer, proporção da população economicamente ativa na agricultura e na indústria, tamanho territorial expresso em Km², e índice de estabilidade política.