3. GEREÇ ve YÖNTEM
3.5. Verilerin Oluşturulması ve İstatistiksel Analiz
Embora a questão proposta pelo professor fosse, apenas, identificar e caracterizar as unidades geomorfológicas visitadas durante o trabalho em campo, todos os grupos procuraram explicar, também, a origem de determinadas formas e características geológicas e geomorfológicas. Nesse processo de explicação, os alunos apresentaram seus conhecimentos, seus equívocos e algumas dificuldades relativas à natureza do conteúdo, dos conceitos e de redação. Nessa atividade, ocorreram dificuldades relativas:
a) Ao uso dos termos como unidades, formações, grupos, orogênese e outros, talvez por não saberem que alguns deles conceituam unidades do contexto geológico e, outros, do geomorfológico;
b) À elaboração de um modelo explicativo ou de uma descrição que contivesse sequência lógica e termos adequados. Isso pode ocorrer devido à combinação de alguns fatores, como deficiência no vocabulário básico da Geomorfologia e rigidez do pensamento referente ao relevo enquanto forma e fato;
c) Ao inter-relacionamento de processos geomorfológicos e geológicos, no tempo e no espaço, à luz de um modelo teórico;
d) À elaboração verbal da visualização espacial da relação existente entre estrutura e formas de relevo e de vertentes.
Exemplos:
A partir da crista onde estávamos localizados foi possível avistar uma grande mancha urbana. Esta correspondia a cidade de Belo Horizonte (Grupo BHZ) situada sobre o embasamento cristalino, sendo a mesma a base de toda a litologia. O embasamento (gnaisses, migmatitos e granitos) corresponde ao Arqueano Médio e Superior10 . [...]. Os grupos
Itabira e Paraopeba recobrem o embasamento em suas respectivas áreas de abrangência. O Quadrilátero Ferrífero corresponde a uma área mais elevada em relação ao embasamento. A razão deste contraste topográfico e de cunho principalmente relacionado com a tectônica global. As rochas do Quadrilátero que são metassedimentares eram um antigo local de deposição de sedimentos constituindo uma área de depressão. Durante o esforço tectônico a medida que ocorreu um contato de placas de colisão, o material antes depositado na bacia sedimentar foi sendo submetido em profundidade a um aumento de pressão e temperatura. Gradativamente a rocha foi sendo submetida a um processo de recristalização. Morfologicamente surge o Quadrilátero Ferrífero como uma área elevada chamada popularmente de serras (Alecrim, Magnólia e Rosa).
A segunda grande unidade de relevo, compreende os relevos residuais e a Depressão São Franciscana, sendo esta formada a partir da ação do Rio São Francisco. [...]. A cidade se situa em uma depressão modelada em rochas calcarias, com declividade bem menos acentuadas que as de Belo Horizonte (Alecrim, Magnólia e Rosa).
Nesse novo cenário (Planalto Espinhaço), mais precisamente no belo nome de Serra dos Cristais verifica-se que há muitos afloramentos de quartzitos resultantes da napes de cavalgamento que a grosso modo tem orientação norte-sul (Alecrim, Magnólia e Rosa).
Geneticamente o Quadrilátero está associado a um choque de placas com rochas do Proterozóico [...]. O Quadrilátero era uma bacia sedimentar e com a colisão de placas produziu gradativamente a inversão colisional através das faixas de dobramento orogenético. Além disso, é notória a presença de falhas (Dália e Malva).
Sua gênese (Planalto do Espinhaço) é a partir de empurrões de Proterozóico Superior ao Paleozóico inferior. Até o Paleozóico inferior predominava a orogênese. A partir da estabilização passa a predominar a desnudação (Dália e Malva).
As vertentes voltadas para oeste são mais íngremes que as voltadas para leste (Alecrim, Magnólia e Rosa).
Os termos grifados denotam confusões referentes à litologia e ao tempo geológico: por exemplo, o embasamento não corresponde ao Arqueano Médio e Superior, mas, sim à data de formação desse período. Outra mistura de “categorias” pode ser notada na comparação entre a altura do Quadrilátero Ferrífero, enquanto área, unidade Geomorfológica e a posição do embasamento, que constitui uma litologia. Para essa comparação, o ideal seria fazer relação à Depressão São Franciscana, ou seja, relação entre 2 unidades e áreas geomorfológicas. Outro emprego inadequado dos termos encontra-se em “As rochas do Quadrilátero eram um antigo local de deposição de sedimentos”, em que rochas são consideradas lugares em vez de produtos de processos, que ocorrem em determinados lugares.
Esse tipo de problema pode ser resultado de falta de atenção durante o processo de redação, combinado com a falta de domínio de conceitos básicos como agente, processo, forma, “produto” e condicionantes.
Ao analisar a produção geral dos alunos sobre geomorfologia regional, no presente caso, verificou-se que, para todos os grupos, ficou clara a relação entre unidades geológicas e geomorfológicas, assim como a percepção de que cada unidade apresenta uma combinação de elementos morfológicos particulares que ajudam a diferenciá-la de outras unidades. Apesar disso, esses elementos foram pouco explorados pela maioria dos grupos, com exceção daqueles que apresentaram um texto bem elaborado. Esse aspecto
poderia ter sido bastante explorado, uma vez que a questão 01 solicitava a caracterização dessas unidades.
Vale destacar que, apesar de os grupos reconhecerem as características geológicas que ajudam a explicar as unidades geomorfológicas, muitos enfatizaram vários aspectos litológicos e estruturais sem utilizarem, satisfatoriamente, essa informação para argumentar sobre os aspectos geomorfológicos da unidade de relevo estudada.
Considerando que o professor expôs o assunto durante a aula em campo (de natureza ilustrativa e indutiva, para o estudo regional das unidades de relevo) e que muitos anotaram suas explicações, acreditava-se que os grupos que apresentaram um desempenho inferior tivessem aproveitado as anotações, acrescidas dos conhecimentos prévios e dos construídos, durante as atividades em campo. Nessa perspectiva, a princípio, prevalece a concepção que o aluno já tem do assunto, portanto, aquela já concebida sobre relevo e formas de relevo.
Nesse caso prevaleceu, a princípio, a concepção que o aluno tem de relevo, ou aquela ensinada pelo professor. A crença no relevo como apenas forma física, dificulta a compreensão da discussão a respeito dos processos geológicos e geomorfológicos, responsáveis pelo relevo e pelas formas de relevo presentes em escala espacial regional.
Nessa atividade, que privilegia a escala regional de abordagem geomorfológica, a participação dos processos geológicos é determinante das grandes unidades. Apesar disso, o olhar deve ser geomorfológico, ou seja, devem ser buscados nesses processos, eventos e tempo geológico, elementos que ajudem a entender a morfologia atual, bem como parte dos processos geomorfológicos condicionados por essas heranças. Por outro lado, é preciso perceber que o modelado não constitui rochas e as estruturas em si, mas as formas expressas por meio delas.
Assim como é necessário buscar os elementos herdados para reconstruir o processo de evolução geológica e geomorfológica, é necessário, também, visualizar antigas formas, antigos processos, conceber a dinâmica e as mutações com base em teorias como a tectônica de placas atuante no tempo e no espaço. Isso implica, tanto a habilidade de reconhecer, em campo, formas, estruturas e depósitos específicos, que ajudam a compor os modelos de interpretação, como a de visualização espacial para elaborar os próprios modelos ou para entender os modelos apresentados. Para essa última situação, a clareza dos termos empregados é fundamental, pois os termos orogênese, grupo,
formação, bacia de sedimentação, colisão entre placas, remetem a conceitos específicos e importantes, tanto na geomorfologia, como na geologia.
Essas observações não desqualificam o tipo de trabalho realizado em campo, uma vez que cada atividade tem seus objetivos e suas limitações, em função de fatores como tempo, espaço, infraestrutura, conteúdo, etc. Por isso, é importante uma diversidade de experiências e atividades, que se complementem, e possibilitem a cada sujeito, oportunidades compatíveis com seu ritmo, interesse, motivação e habilidades para com a complexidade geomorfológica.