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III.10. Katılımcıların Demografik Özellikleri

III.10.3. Verilerin Normalliğinin İncelenmesi

Lacan fez algumas observações a respeito do caráter, especialmente no primeiro momento de seu ensino. No texto “Os complexos familiares na formação do indivíduo”, ele afirma que a neurose de caráter traduz-se em entraves difusos nas atividades da pessoa, em

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impasses imaginários nas relações com a realidade (Lacan, 1938/2003a). Ele atribui a neurose de caráter ao supereu22 e ideal do eu23, em suas interferências na gênese do eu: “As relações da neurose de caráter com a estrutura familiar decorrem do papel dos objetos parentais na formação do supereu e do ideal do eu” (Lacan, 1938/2003a, p.84). No entanto, ele afirma que, assim como as neuroses clássicas, as neuroses de caráter seriam passíveis de tratamento analítico, pois seriam formadas a partir de uma dinâmica familiar inconsciente e não de uma constituição inerte (Lacan, 1938/2003a).

Em “Variantes do tratamento-padrão”, Lacan se refere aos pós-freudianos dos anos 1920 e à sua análise das resistências, desde então considerada decisiva nas vias da análise, dizendo que essa foi motivada por um amortecimento nos resultados da análise (Lacan, 1955/1998f). O psicanalista francês afirma que o equívoco, o engôdo, está em tomar o Eu como fonte de resistência, já que, a partir da segunda tópica, Freud assinala claramente que a resistência não é privilégio do Eu, mas também do Isso ou do Supereu. Para ele, o Eu não deve ser tomado como sujeito a quem o analista passa a apelar como instância constitutiva. Cito:

O passo seguinte leva à confusão da resistência com a defesa do Eu. A noção de defesa, promovida por Freud já em 1894, numa primeira referência da neurose (...), é retomada por ele, em seu trabalho maior sobre a inibição, o sintoma e a angústia, como indicativa de que o Eu se forma a partir dos mesmos momentos que um sintoma (Lacan, 1955/1998f, p.338)

Segundo Lacan, é preciso perceber que há um desvio teórico ao se postular que o Eu constitui o sujeito objetivado cujos mecanismos de defesa constituem a resistência. Conforme esse entendimento, o tratamento passa a ser concebido como um ataque que postula como princípio a existência de uma sucessão de sistemas de defesa no sujeito (Lacan, 1955/1998f).

A crítica de Lacan alerta, nesse caso, para que não se perca de vista o discurso do sujeito, seu conteúdo, em detrimento do gestual, do tom, a afetação das maneiras do paciente. Lacan adverte que a fixação nas chamadas „resistências‟ não tornaria possível o surgimento de uma interpretação verdadeira por parte do analista, ficando a intervenção apenas no campo da

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Supereu: Conceito criado por Freud para designar uma das três instâncias da segunda tópica, juntamente com o eu e o isso. O supereu mergulha suas raízes no isso e, de uma maneira implacável, exerce as funções de juiz e censor em relação ao eu. Lacan o concebe, diferentemente de Freud, como a inscrição arcaica de uma imagem materna onipotente, que marca o fracasso ou limite do processo de simbolização. Nessas condições, o supereu encarna a falha da função paterna e esta, por conseguinte, é situada ao lado do ideal do eu (Roudinesco & Plon, 1998, pp.744-746).

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Ideal do eu: Freud utilizou essa expressão para designar o modelo de referência ao eu, simultaneamente substituto do narcisismo perdido da infância e produto da identificação com as figuras parentais e seus substitutos sociais. Em O Seminário 01: os escritos técnicos, Lacan afirma que o ideal do eu é o outro como falante, o outro na medida em que mantém comigo uma relação simbólica, sublimada, a qual, em nosso manejo dinâmico, é ao mesmo tempo igual e diferente da libido imaginária (Roudinesco & Plon, 1998, pp. 362-363).

sugestão.

Ao falar da análise do caráter preconizada por Reich, Lacan pontua seu valor na objetivação das estruturas, tais como certos tipos de caráter até então desconhecidos por serem assintomáticos e também os traços de caráter, o que “(...) constitui uma contribuição preciosa para o conhecimento psicológico” (Lacan, 1955/1998f, p.344). Ele afirma que os resultados da análise da qual Reich foi o artífice obriga a esclarecer quais tensões foram dissolvidas pela análise dessas estruturas após sua sintomatização, pela objetivação de seus traços. Lacan esclarece que essas estruturas desempenham papel apenas de esteio ou material, articulado como o material simbólico, mas que, nesse caso, têm função imaginária:

Assim, Reich cometeu apenas um erro em sua análise do caráter: tratou aquilo que denominou

de “armadura” (character armor) e que tratou como tal não passava de armaria. O sujeito, depois do

tratamento, conserva o peso das armas que extrai da natureza e apenas apaga a marca de um brasão (Lacan, 1955/1998f, p. 345).

Lacan esclarece que o erro de Reich, ao tomar o imaginário pelo simbólico, se assim se pode dizer, tem relação com sua recusa do conceito freudiano de pulsão de morte. A função imaginária no homem, segundo observa Lacan, parece estar desviada para a relação narcísica em que o Eu se funda, criando uma agressividade cuja coordenada tem relação com a pulsão de morte. Dessa forma, a análise do caráter só pode se manifestar em uma concepção mistificante do sujeito, pelo que ela mesma se denuncia como uma defesa (Lacan, 1955/1998f, p.345).

Para Lacan, o Eu não é nunca senão metade do sujeito; e é, ainda, aquela que ele perde ao encontrá-la. Ele observa que “(...) o sujeito sempre impõe ao outro (...) uma forma imaginária que leva o selo ou os selos superpostos das experiências de impotência em que essa forma se modelou no sujeito: e essa forma não p outra senão o Eu” (Lacan, 1955/1998f, p. 348).

Portanto, ao simplesmente acomodar sua visada no objeto, do qual o Eu do sujeito é a imagem, digamos, nos traços de caráter, ele se colocará, não menos ingenuamente do que faz o próprio sujeito, sob a influência dos artifícios de seu próprio Eu (Lacan, 1955/1998f, p. 349).

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Benzer Belgeler