3. Grup (n=7) 30.gün grubu: Radyasyon verilmesini takiben 30.günde dekapitize edilip beyin dokuları alındı
2.6. Verilerin İstatistiksel Analiz
Baseado nas leituras realizadas das obras dos autores Rafael Moreira (1989; 1994), Nunes (1988; 2005), Doré (2010), Dias (1988), Gil, J. (1996), Duarte (2003), Monteiro (1999), Correia (2011), Barroca (2003), Teixeira (2008), Guerra (2001), dentre outros, é possível apresentar, de forma sintética, quatro fases da arquitetura militar de transição em Portugal, que contemplam desde as primeiras adaptações dos castelos góticos, até a instauração da fortificação abaluartada.
Na primeira fase, constatam-se adaptações simples, que promovem, em um primeiro momento, o fortalecimento de uma estrutura defensiva/passiva. Os primeiros ataques pirobalísticos geraram, como resposta imediata das fortificações, uma preocupação por incrementar sua defesa passiva, não oferecendo, de pronto, um eficaz contra ataque. Durante aproximadamente um século de acondicionamento pirobalístico, as fortalezas sofreram um
“retrocesso” em seu conceito funcional, assumindo uma posição defensiva. As características
agressivas foram retomadas após suas estruturas estarem, devidamente, municiadas e adaptadas às armas de fogo (GUERRA, 2001; CORREIA, 2011). Esse foi o período de concomitância entre as primeiras (e débeis) armas de fogo (trons) e as antigas (e poderosas) armas neurobalísiticas (catapultas). Um recorte temporal possível seria entre as duas últimas décadas do século XIV e a primeira metade do século XV. O acondicionamento era realizado em dialética com uma artilharia com armas de ferro fundido, pólvora negra e projéteis de pedra. Desenvolveram-se os cubelos, as barreiras e as cavas, mas poucas estruturas apresentavam vãos pirobalísticos. As primeiras armas de fogo, em estruturas castelares, foram alocadas sobre as muralhas.
Na segunda fase, em finais do século XV, as fortalezas ainda apresentavam um aspecto geral dos castelos medievais, com cubelos largos e robustos, em grande parte poligonais ou semicirculares (projetados em relação ao pano da muralha); no crenelado apareceram os merlões, que tomaram o lugar das ameias. Os taludes, solução arquitetônica medieval, continuaram sendo utilizados. As troneiras, para artilharia grossa (bombardas), situavam-se em cota baixa, ao nível da base dos muros e torres, e as aberturas para as armas ligeiras foram colocadas em cota alta, ao nível do crenelado. Generalizam-se as barreiras completas e de porta, com fenestrações pirobalísticas. Para essas fortificações, pode-se indicar o período das últimas décadas do século XV e as duas primeiras décadas do século XVI. Nesse período, houve a introdução do armamento em bronze, projéteis de ferro fundido e
pólvora aerada e com novas medidas de mistura, o que potencializou o poder das bocas de fogo.
Na terceira fase, deu-se a preponderância aos cubelos ultrassemicirculares (que praticamente se libertam da cortina para além de seu centro geométrico), redondos, baixos e robustos, em muralhas e barreiras (que passam a ser denominados bastiões). Naquele momento, em princípio, perduraram dois níveis de tiro (cotas alta e baixa); praticamente já não havia cubelos altos e sua configuração quadrada desapareceu quase totalmente. Os cubelos redondos aumentaram seu perímetro e generalizaram-se os reforços em suas bases (taludes). Ainda nessa fase, a artilharia começou a concentrar-se somente no nível superior, desaparecendo os dois níveis de tiro. Nas fortificações, começaram a aparecer os primeiros torreões com formas pentagonais (em proa, ou cunha, onde duas faces unem-se para formar um ângulo agudo). Iniciou-se a lógica dos primeiros baluartes (de fato), que não podiam mais ser denominados de torreões de transição ou cubelos artilheiros, pois suas estruturas foram profundamente alteradas. Esse período pode ser considerado como de imposição do “traçado
italiano”144, que introduziu a lógica matematizada e geométrica na construção de fortificações,
que foram erigidas de raiz, sendo pensadas para o confronto com armamento pirobalístico cada vez mais aperfeiçoado. Um recorte temporal possível estaria entre as primeiras décadas do século XVI, até os finais do mesmo século. Nessa fase ocorreu a consolidação da arquitetura militar portuguesa ultramarina (castelos artilheiros), na África e Ásia, que acompanhou as características e os preceitos da arquitetura militar de transição continental.
No Livro das fortalezas, nas plantas baixas de oito fortalezas, Duarte de Armas
identificou “baluartes”: Juromenha, Sabugal, Vilar Maior, Almeida, Castelo Rodrigo, Outeiro
de Miranda, Montalegre e dois em Monção. O interessante é perceber que a denominação
“baluarte” foi registrada para estruturas completamente diferentes: trechos de barreiras,
muralhas ou cubelos; semicirculares, quadrados ou poligonais. Villena (1992), Nunes (1991) e Mora-Figueroa (1996) chamam a atenção para a grande polissemia que os componentes arquitetônicos assumiam, em uma lógica construtiva pouco normatizada, em um período em que mal começavam a ser constituídos os primeiros tratados sistematizados de arquitetura militar na Itália. A ideia de Duarte de Armas registrar esses componentes artilheiros com o nome de baluarte poderia ter vindo a anunciar, ainda no início do século XVI, a relação
144 Que será apresentado abaixo.
intrínseca que essa estrutura (com características específicas) desenvolveria com a artilharia, constituindo-se, por excelência, na base de tiros das futuras fortalezas modernas.
Na representação da planta baixa de Juromenha (fl. 123v), apresenta-se um desses exemplos, onde o debuxador registrou um “baluarte” semicircular, anexo à torre de menagem.
O debuxador anotou: “este baluarte he abobadado e joga por fundo duas bombardas e por
cyma as que aparecem e tem daltura 6v [aprox.6m60cm] e a grosura do muro dela 1v1p
[aprox.1m40cm]” (grifo nosso). Em princípios do século XVI, essa nomenclatura ainda não
havia adquirido o sentido específico que terá na arquitetura militar dos séculos XVII e XVIII. Ao utilizar a designação de bombardas (registro que faz apenas para Juromenha), Duarte de Armas estava referindo bocas de fogo de grande porte.
Figura 57: Detalhe da planta baixa da fortaleza de Juromenha145 (fl. 123v).
Fonte: Livro das fortalezas, Duarte de Armas, 1509.
Da mesma forma, na planta baixa de Idanha-a-Nova (fl. 126), Duarte identifica uma estrutura pentagonal (em proa ou cunha), com disposição de troneiras, nas faces que formam o ângulo, remetendo à configuração dos futuros baluartes. Essa característica permitia fazer disparos diagonais, possibilitando o fogo flanqueado (cruzado). A própria configuração que os futuros baluartes assumirão, em um período posterior ao das fortificações de transição, será pentagonal, com faces, formando ângulos que se projetam em direção ao terreno a ser
145A anotação que está dentro do traçado indica a existência de um “baluarte”, representado como uma estrutura
batido/protegido. Reforçando a ideia de falta de sistematização para denominação dos componentes arquitetônicos, justamente para essa estrutura que já faz menção à constituição de um proto-baluarte, Duarte de Armas denomina apenas como torre. Chama-se a atenção, para o detalhe que, entre as representações abaixo, da mesma torre, em alçado e planta baixa, não há correspondência em sua forma. O alçado passa a idéia da torre ser quadrada e sua planta baixa aparece pentagonal. Percebe-se aqui, uma diferença de representação do mesmo objeto e tipos de representações diferentes.
Figura 58: a) Idanha-a-Nova (Fl.54/N): Detalhe do debuxo do alçado da fortificação de Idanha-a-Nova. b) Idanha-a-Nova (Fl.126): Detalhe da planta baixa da fortificação de Idanha-a-Nova, correspondente ao detalhe
do alçado (a).
b
Fonte: Livro das fortalezas, Duarte de Armas, 1509.
A utilização de uma expressão genérica para denominar componentes artilheiros pode denotar mais uma característica da transição. Novos termos começam a ser utilizados, de forma abrangente, para definir inovações que estão se estabelecendo. Ao mesmo tempo em que Duarte registra em suas plantas baixas, estruturas artilheiras pentagonais, que preanunciam a implantação do baluarte do século XVII, denominando-as simplesmente como
“torre”, emprega o nome específico “baluarte” para qualquer componente que comporte bocas
de fogo. Essa polissemia na forma de denominações percebe-se como outro elemento da transição na arquitetura militar.
A quarta e última fase, correspondente à segunda metade do século XVI, disseminou e
baluartes angulosos. Esses baluartes ainda não eram os mesmos da arquitetura militar de Vauban (angular), desenvolvidos a partir do século XVII, embora compartilhassem da mesma lógica e proposta. Essa nova fortificação, diferente por completo do estilo gótico, tinha sua estrutura composta por muros baixos e muito espessos, sempre em ângulos. Dessa forma, impossibilitaria o impacto direto dos projéteis, seus merlões (grossos e largos) contendo canhoneiras (não mais troneiras), em cotas intermediárias e espaços entre os merlões para colocação de peças de artilharia, sobre os baluartes. Ficaram definitivamente ausentes os cubelos, torres, ameias, barreiras e menagem. O castelo medieval foi substituído pela fortaleza moderna.
A primeira experiência portuguesa, em direção às fortalezas abaluartadas foi a
construção do Baluarte de S. Vicente “de Belém” (Torre de Belém). Seu projeto ficou ao
encargo de Francisco de Arruda146, recentemente regressado do Norte da África, onde trabalhara na construção das fortalezas de Safim, Azamor e Mazagão. As obras iniciaram por volta de 1514/15 e foram concluídas em 1519. Essa fortificação foi idealizada pelo monarca anterior (D. João II), que, em torno de 1494, mandou erguer a Torre Velha de Caparica, na margem Sul do rio Tejo, com o propósito de fazer fogo cruzado com outra fortificação que deveria estar na margem Norte, mas que nunca foi edificada (BARROCA, 2003). A Crónica de D. João II e Miscelânea, por Garcia de Resende, registrou a ordem de D. Manuel I para construção da Torre de Belém.
E assi mandou fazer [...] outra torre e baluarte da Caparica defronte de Belem, em que estava muyta e grande artelharia, e tinha ordenado de fazer hua forte fortaleza, onde ora está a fermosa Torre de Belém, que el Rey dom Manoel, que santa gloria aja, mandou fazer, pêra que a fortaleza de hua parte, e a torre do outra, tolhessem a entrada do rio [...] (RESENDE, 1798, p. 256, grifo nosso).
A Torre de Belém representa um marco na arquitetura portuguesa de transição. Sua configuração foi baseada em uma plataforma horizontal hexagonal, cercada de aberturas para bocas de fogo (prenúncio da arquitetura militar moderna). Complementou a estrutura uma torre de secção quadrada, que manteve as características conservadoras das menagens medievais. Rafael Moreira (1981) classifica a Torre de Belém como o primeiro baluarte, no sentido moderno do termo. O autor, ainda, sugere que Francisco de Arruda foi inspirado pelas propostas de construções fortificadas de Francesco di Giorgio Martini, autor do Trattato di
146 Construtor das muralhas do castelo de Moura, Mourão e Portel, em 1510; das fortalezas de Safim, Azamor e
Mazagão, no Norte da África, entre 1512 e 1514. Possuía o título de “Medidor das Obras do Reino” (NUNES,
Archittectura Civili e Militare. Essa obra, redigida por volta de 1492, circulou por toda a Europa, com desenhos e anotações, exercendo forte influência na arquitetura da época. Nunes
(2005, p. 65) define o baluarte de Belém como a última “fortaleza híbrida”, construída de raiz,
no território português.