3. MATERYAL ve YÖNTEM
3.1. Deneme Yerinin Özellikleri
3.3.2. Verilerin Elde Edilmesi
3.3.2.4. Verilerin Değerlendirilmesi
O Movimento Moderno manifestou-se tardiamente no Reino Unido, em relação ao continente europeu. Expressões do International Style sugiram nos anos 1930 sendo que a construção de edifícios modernistas antes da eclosão da segunda Guerra Mundial foi inexpressiva em relação aos outros países. Por outro lado, não foi adotado pelas autoridades públicas ou grandes empresas particulares para projetos de grande escala ou programas industriais, tendo se restringido a obras privadas, especialmente residências. O Grupo Tecton, formado em 1932 sob a liderança do arquiteto russo Berthold Lubetkin, produziu importantes obras neste período, destacando-se os projetos realizados para as instalações de jardins zoológicos. No Zoológico de Londres realizou os projetos da piscina de pingüins e a casa dos gorilas, sendo a piscina um bem protegido. No Zoológico de Dudley, projetou um conjunto de doze edificações, o qual tem sua preservação assegurada por materializar, como observa David Heath, um “pioneer spirit, Imagens do conjunto e da casa projetada por Hans Scharoun, em 1927, e dos interiores após a restauração, em 1983 Fig. 47- O Weissenhofsiedlung restaurado
49 a hopefulness, even a recklessness in the approach which did not survive the war years or, if it did, became something diferent, more earnest and more austere”45.
No segundo pós-guerra, a política do Welfare State se identificou com os preceitos da arquitetura moderna dos anos 1930, que foram adotados com toda sorte de interpretações, para enfrentar as necessidades nacionais de infra-estrutura habitacional, educacional, industrial, comercial, de transporte e de lazer. O período de 1945 a 1975 foi o período mais rico do Movimento Moderno na Inglaterra, tendo recebido apoio econômico, político e social como nunca ocorrera antes. A atividade construtiva floresceu tanto no setor público como no setor privado, tendo sido construído neste período a essência da infra-estrutura inglesa contemporânea em habitação, saúde e desenvolvimento das propriedades comerciais.
A análise da produção arquitetônica inglesa deste período, elaborado por Elain Harwood46, identifica três fases distintas. A primeira fase se concentrou na solução dos problemas decorrentes da guerra, em especial os déficits habitacionais e educacionais. O governo assumiu a liderança dos empreendimentos, os departamentos públicos de arquitetura (com destaque para o London County Council Architect´s Department) atraiam os profissionais para os grandes projetos de habitação e renovação urbana. A pré-fabricação foi muito incentivada, e prevaleceu uma linguagem arquitetônica muito racional, até certo ponto austera. A partir de 1948 iniciou-se um período considerado excepcional, tanto do ponto de vista qualitativo como quantitativo. Retomaram-se as discussões estéticas, os conceitos do brutalismo foram difundidos por Alisson e Peter Smithson para designar uma arquitetura que “respeita o uso sensato de cada material” e um “uso formal da proporção”. As estruturas de habitação projetadas por Geoffry Powell em Golden Lane (1952) e por Jack Lynn e Ivor Smith em Park Hill (1957-1960) são importantes expressões do período. As universidades e a arquitetura comercial experimentaram grande desenvolvimento, surgiram as megaestruturas e os edifícios de escritórios passaram a apresentar projetos de grande sofisticação no seu detalhamento e emprego dos materiais, com destaque para as estruturas metálicas. No final dos anos 1960 e início dos anos 1970 as possibilidades de construção se retraíram e cresceu o interesse pela renovação de antigas estruturas. No panorama da arquitetura habitacional, foi a vez das construções tipo low rise, high density, destacando-se as realizações do departamento de arquitetos de Camdem: Alexandra Road (Fig.48), Maiden Lane e Branch Hill. O término deste período se deu com uma arquitetura mais voltada para as necessidades individuais, para a construção de um novo ambiente humano, com ênfase nas experiências ecológicas e sensoriais. A política pública de habitação passou a incentivar soluções em pequena escala com sistemas construtivos alternativos, gerando grande rejeição do público e negligência oficial para a produção dos anos 1950 e 1960.
45 HEATH, David. Tecton Buildings, Dudley Zôo. In: MACDONALD, Susan.(Ed.). Modern Matters: principles
and practice in conserving recent architecture . Londres: Donhead, 1996. p.58-64.
46 HARWOOD, Elain. The history of post-war architecture in England. In: MACDONALD, Susan.(Ed.)
Preserving Post-War Heritage, the care and conservation of mid-twentieth-century architecture. Shaftesbury: Donhead, 2001. p. 12-31.
50 Em 1970, segundo recomendação do importante historiador Sir Nikolaus Pevsner, foram protegidos (listed)47 cinquenta edifícios considerados pioneiros, construídos no período de 1914 a 1939, dando início ao reconhecimento oficial do patrimônio moderno britânico. Entre eles a piscina de pingüins de Berthold Lubetkin no Zoológico de Londres, e o De La Warr Pavillion de Mendlesohn e Chermayeff, em Bexil on Sea, foram considerados de excepcional importância (Grade I). Em 1979, uma associação voluntária – The Thirties Society – foi fundada com o objetivo de promover o conhecimento da arquitetura dos anos 1930. Esta associação agora denominada The Twenieth Century Society, em conjunto com a representação do DOCOMOMO no Reino Unido, foi responsáveis por importantes ações de conscientização, educação e campanhas contra o desaparecimento e desfiguração de importantes exemplos da arquitetura do Movimento Moderno, que atualmente fazem parte do patrimônio nacional. Ainda na década de 1980 algumas obras do movimento moderno estavam em processo de restauração. A restauração do De La Warr Pavilion de Mendelsonh e Chermayerff em Bexil-on-Sea e da piscina dos pingüins, de Berthold Lubetkin, no Zoológico de Londres, foram em parte financiadas pelos cofres públicos por se tratarem de “monumentos tombados”, denotando um certo apreço por este patrimônio. No entanto, a aceitação pública ainda apresentava muitas dificuldades, dadas as enormes campanhas para a preservação das complexas estruturas construídas após a segunda Guerra Mundial.
Segundo Martin Cherry48, a preservação dos exemplares da arquitetura do século XX tem como instrumento para sua realização o “listing”49, que no caso inglês não foi desenhado para fossilizar os edifícios como peças de museu para sempre seja qual for o custo, ao contrário, ele dá a oportunidade de explorar todos os meios possíveis para manter o uso viável de edifícios históricos sem comprometer seus caráter histórico e arquitetônico. No entanto, esse procedimento provoca reações negativas no Reino Unido por ser considerado uma restrição ao direito de propriedade, de caráter autoritário, que refreia o desenvolvimento urbano e favorece uma cultura museológica baseada em uma indústria do patrimônio. No caso dos edifícios do Movimento Moderno, outras questões se somavam ao se considerar a sua proteção, destacando-se a não existência de um distanciamento histórico suficiente que possibilitasse a sua correta avaliação.
Em 1988, os edifícios do período do pós-guerra na Inglaterra foram considerados elegíveis para o tombamento (com a redução da idade mínima para proteção legal para trinta anos), mas a falta de uma pesquisa mais sólida sobre estes edifícios dificultava a
47 “Listing”: uma atividade realizada pelo Departamento de Patrimônio Nacional, para proteger edifícios e
sítios de especial interesse, no Reino Unido. De acordo com o interesse arquitetônico os bens recebem uma graduação: “Grade I”, para os de excepcional importância, “Grade II*”, para os de excepcional interesse e “Grade II” para os que valem a pena ser preservados.
48 CHERRY, M. Listing twentieth-century buildings: the present situation. In: MACDONALD, Susan. (Ed.)
Modern Matters: principles and practice in conserving recent architecture. Shaftesbury: Donhead, 1996. p. 5-14.
49 O processo de preservação arquitetônico inglês conhecido como listing, foi introduzido nos anos 1940,
como parte da legislação de planejamento tanto para a cidade como para o campo, e é um sistema flexível que evidencia o caráter histórico e arquitetônico dos edifícios de forma a assegurar que isto será levado em conta quando modificações ou demolições forem propostas. A idade mínima de um edifício para ser preservado por este sistema é de 50 anos.
51 sua contextualização. Em 1991, o English Heritage50 deu início a um programa de pesquisa e diagnóstico com o objetivo de elaborar propostas de preservação mais consistentes. Os referidos estudos foram realizados por tipologias, e em 1993 o primeiro grupo de recomendações elaboradas visando a preservação de edifícios de caráter educacional foi aceito.
A corrente que se formou contra a preservação dos edifícios do Movimento Moderno era movida por interesses comerciais e fundiários, pois julgava que esta ação estava totalmente fora da realidade econômica, porque a viabilidade de manutenção de determinadas estruturas não estava sendo considerada nos processos de preservação, deixando claro que neste caso a política a ser estabelecida deveria se embasar não só em pesquisas consistentes, mas também na apreciação pública. Neste sentido o English Heritage produziu documentos sobre os critérios de seleção dos edifícios do pós-guerra, publicou estudos específicos, bem como contratou investigações sobre os benefícios sociais de manter e promover ambientes de interesse histórico no seu complexo contexto de sustentabilidade. Entre estas ações destacaram-se as realizações de duas conferências: Modern Matters e Preserving Post-war Heritage. Modern Matters realizada em outubro de 1995 tinha como objetivo examinar problemas filosóficos, metodológicos e práticos associados com a conservação do passado recente, com foco na ação desenvolvida no Reino Unido. A conferência tinha como meta, além de consolidar o trabalho e os esforços para preservação dos edifícios construídos antes da guerra, iluminar os problemas para a conservação da arquitetura do pós-guerra considerando que apenas 155 edifícios representativos daquele período estavam legalmente protegidos. Preserving Post-War Heritage, a segunda conferência realizada em outubro de 1998, explorou assuntos relevantes referentes à conservação de edifícios tombados da segunda metade do século XX, desenvolvendo temas da conferência anterior, em especial os problemas relacionados a técnicas de intervenção nos materiais de construção industrializados, principalmente o concreto, o aço, as janelas metálicas e os plásticos.
John Allan, na introdução ao seu artigo, “Preserving Heritage or Revaluing Resources”51, relaciona a diferença entre as duas conferências com as imagens utilizadas nos respectivos pôsters para sua divulgação. Na primeira conferência, a imagem usada é a da piscina de pingüins e na segunda, a janela do foyer da Alexander Fleming House. Há entre estes dois eventos, concluí, uma mudança de foco: o raro, o pequeno, o socialmente periférico, na primeira; e o genérico, o grande e o socialmente engajado, na segunda. Na tentativa de equacionar as diferenças existentes entre as produções dos dois períodos na Inglaterra, antes e depois da segunda Guerra Mundial, o trabalho
50 English Heritage é um organismo independente financiado pelo Department of National Heritage, cujo
objetivo é proteger o patrimônio arquitetônico e arqueológico da Inglaterra para o benefício das gerações presente e futura. É o principal conselheiro sobre ambientes históricos e é responsável por sugerir o tombamento e o inventário de edifícios e monumentos para garantir a sua proteção legal.
51 ALLAN, John. Preserving heritage or revaluing resources? In: MACDONALD, Susan. (Ed.) Preserving Post-
War Heritage, the care and conservation of mid-twentieth-century architecture. Shaftesbury: Donhead, 2001.p.201-208.
52 presentado por Martin O´Rourke52 refletiu sobre a necessidade de criar um novo sistema de valores para o correto julgamento da arquitetura moderna do pós-guerra, considerando que as ferramentas tradicionais, ou seja, as avaliações histórico-estética, não abrangiam as especificidades da arquitetura moderna notadamente a sua concepção, que expressa os valores e as conquistas da nossa cultura, e concluiu que a dificuldade em adotar novos métodos pelos profissionais da conservação ocasionava o grande impasse para a aceitação desta produção. Com esta reflexão, O´Rourke deixou claro que apesar do crescimento de um sofisticado repertório de métodos de diagnósticos e técnicas de reparo peculiares aos problemas do concreto ou do aço, um sistema de valores e éticas para o reparo destes edifícios ainda não estava consolidado, exemplificando a questão a partir da análise de três estruturas habitacionais típicas do período pós-guerra: o Lansbury Estate, a Keeling House e a Balfron Tower.
O Lansbury Estate, situado no East End de Londres, materializa a Live Architecture, combinando a necessidade de abrigar um enorme contingente populacional com o senso inglês de lugar, tendo sido reconhecido o seu sucesso em atender ao programa de prover habitações modestas. Uma área de conservação foi designada pelo English Heritage e alguns elementos foram tombados favorecendo a preservação do conjunto. Keeling House é outro exemplo importante da arquitetura de intenção social projetada por Denys Lasdun em 1955, cujas condições de conservação ameaçavam a sua preservação, que só foi viabilizada através da alteração do uso original. Balfron Tower é considerado um marco arquitetônico que demonstra a maestria em concreto que Erno Goldfinger alcançou após seu estágio com Auguste Perret; uma torre de apartamentos se articula a uma torre com elevadores e escada que se interconectam a cada três andares. Balfron Tower é um exemplo de como a habitação social pode ser atendida com uma arquitetura de alta qualidade. O seu tombamento garantiu que as necessárias adaptações às novas condições de conforto e segurança fossem resolvidas de forma sensata. Concluindo que apesar do tombamento de conjuntos habitacionais públicos ser uma medida polêmica, tendo em vista os problemas de conservação que estas obras apresentam, ainda permanecia como instrumento indicado para garantir o aumento da consciência sobre o valor destas edificações, e com isto favorecer a adoção de uma maneira apropriada de lidar com elas.
A análise dos textos apresentados no referido seminário possibilita constatar o pragmatismo inglês em relação à massa construída herdada do Movimento Moderno, sendo a preservação oficial um problema governamental que não pretende dar conta da questão. Há já uma maturidade e grande experiência no trabalho com obras de caráter ordinário, indicando outros posicionamentos em relação a estas obras que também pretendem promover o seu valor, de forma diferenciada dos organismos de proteção. John Allan, arquiteto com um grande currículo de intervenções em obras do Movimento Moderno, ponderou no artigo anteriormente citado sobre a necessidade de se preservar obras de caráter ordinário, buscando alternativas de uso engajadas com a realidade socioeconômica. Citando como exemplo a Marathon House, antiga Castrol House, um
52O´ROURKE, Martin. The Lansbury Estate, Keeling House and Balfron Tower: Conservation issues and the
architecture of social intent. In: MACDONALD, Susan. (Ed.) Preserving Post-War Heritage, the care and conservation of mid-twentieth-century architesture. Shaftesbury: Donhead, 2001.p.169-176.
53 complexo de escritórios no centro de Londres, projetado por Gollins Melvin Ward e concluído em 1960, que foi transformado num bloco de apartamento porque o seu valor comercial como edifício de escritórios não conseguiu competir com o seu valor como apartamentos residenciais. Um outro exemplo mencionado foi o complexo de escritórios Alexander Fleming House projetado por Erno Goldfinger em 1963, que após as enormes polêmicas para a sua preservação por mais de uma década, acabou sendo reparado, atualizado e convertido num complexo de apartamentos. Nestes dois casos, segundo Allan, foram necessárias alterações no tecido histórico, mas, a forma do complexo, a massa, a presença urbana foram preservadas e os edifícios foram mantidos como elementos vivos dentro do tecido urbano. Ainda na mesma linha de raciocínio foi mencionada a reciclagem de Wynford House (Fig.49). Estes edifícios, segundo Allan, foram preservados não só por se tratarem de obras arquitetônicas importantes, mas por representarem um empreendimento de grande retorno econômico para os seus proprietários, e neste caso não estar protegido foi a sua chance de sobrevivência.
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Alexandra Road é uma estrutura habitacional de interesse social, projetada em 1968 para abrigar mais de quinhentas famílias, sob a gerência do Camdem Council, em Londres. Ao ser inaugurado em 1978, teve repercussão favorável e foi considerado um dos mais expressivos de uma série de edifícios “low-rise, high density”, projetando internacionalmente a figura do arquiteto Neave Brown. Ao final da década de 1970, devido à mudança da política habitacional na Inglaterra, as opiniões sobre Alexandra Road estavam muito divididas: obra-prima para uns e um terrível engano para outros. A falta de uma correta manutenção deu lugar a intervenções pontuais que cumulativamente comprometeram a qualidade da construção. Em 1993, graças à alteração na legislação de tombamento, com a criação da Ten Year Rule, que permitiu o tombamento de uma edificação com menos de 30 anos desde que fossem comprovadas duas situações: tratar-se de proeminente interesse nacional ou estar sob risco de demolição ou grave desfiguração. Alexandra Road foi o edifício mais novo, o maior e o primeiro conjunto habitacional do pós-guerra a ser tombado. A necessidade de reparos na estrutura de concreto aparente cuja técnica não era ainda dominada, o desejo dos habitantes em personalizar suas casas, a estrutura operacional para gerenciamento e manutenção de todo o conjunto, a necessidade de implementar políticas complementares para garantir a preservação do entorno, eram alguns dos problemas com os quais o English Heritage ainda não havia se defrontado, e que implicou na busca de novas estratégias para gerenciar bens tombados no período do pós-guerra.
55
a- vista das transformações da fachada b- vista das novas escada introduzidas
c- vista do terraço com as alterações da cobertura
Wynford House é parte de um grande complexo habitacional do segundo pós-guerra, Priory Green, projetado pelo arquiteto russo Berthold Lubetkin e o Tecton-group para o Metroplotan Borough of Finsbury, cujo projeto iniciado na década de 1930 só foi concluído em 1947, e é uma das poucas obras de Lubetkin que não obteve proteção legal. Embora muito popular entre os seus ocupantes originais, a construção passou por sérios problemas em decorrência de negligência, abandono e falta de manutenção, forçando uma ação do seu proprietário, o Islington Council, que lançou um concurso de idéias em 1996 para o desenvolvimento futuro do conjunto.
Dentre as 35 soluções apresentadas que incluíam desde a demolição total e reurbanização da área, a proposta vencedora apresentada pela firma Avanti Architects se baseou na preservação da concepção original, com adaptação de algumas unidades e criação de apartamentos de cobertura onde as instalações originais de um tanque encontravam-se fora de uso, oferecendo uma alternativa economicamente viável a preservação deste marco da arquitetura moderna
56 AITÁLIA E O RESTAURO DO MODERNO
Na Itália, o debate sobre a questão da preservação da arquitetura moderna reflete a tradição e o desenvolvimento da cultura do Restauro naquele país, dando lugar a uma discussão mais crítica e de maior amplitude. Na verdade, apesar do assunto já ser levantado do ponto de vista operacional nos anos 198053, é a partir dos anos 1990, após os resultados da intervenção no Weissenhof54, na Alemanha, que a discussão sobre o tema adquire um corpo mais denso. Muitos são os artigos, ensaios, textos de encontros técnico-científicos produzidos e publicados a partir de então55.
A reflexão sobre o tema, amadurecida nas escolas italianas, restitui as diversas formas de abordagem da questão presentes na Europa. As idéias não se apresentam de forma consolidada por força não só das divergências de pensamento, mas, sobretudo, por falta de uma crítica estética e de uma historiografia consolidada que atribua aos testemunhos modernos “o valor de monumento, sempre único e irrepetível” a partir do qual se estabelece os procedimentos de restauro.
As três vertentes principais do pensamento italiano sobre preservação são a pura conservação, a manutenção-ripristino e a crítico-conservativa, também oferecem suas divergências sobre a questão. A corrente da pura conservação, privilegiando a instância histórica e sendo contrária às intervenções de restauro, ao se confrontar com o grande número de exemplares a conservar, não firma posição em relação à autenticidade. A corrente da manutenção-ripristino que fundamenta a intervenção na aplicação de técnicas tradicionais, garante que o respeito pelo testemunho histórico é depositado na
53 Em meados da década de 1980 Giuseppe Rocchi em seu livro Istituzioni di restauro dei beni architettonici
e ambientali destaca a importância de se considerar a preservação do ambiente construído do século XX com os mesmos pressupostos utilizados para os edifícios mais antigos, mesmo se considerando a grande quantidade de exemplares e os problemas específicos que apresentam em decorrência do sistema construtivo, dos materiais e das condições de conforto.
ROCCHI, Giuseppe. Istituzioni di restauro dei Beni Architettonici e Ambientali. Milão: Ulrico Hoepli Editore, 1985. p.39-43.
54 A intervenção realizada no Weissenhof teve grande repercussão na Itália, país de origem da Teoria da