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BÖLÜM 2 : YÖNTEM

2.5. Verilerin Analizi

A análise da configuração demográfica do Maciço de Baturité confirma a ausência de concentrações populacionais significativas capazes de dar suporte a estruturas urbanas mais complexas (IBAMA, 2002), e também refletem a tendência geral na distribuição da população, tanto no Ceará como na Região Nordeste, que é a de um crescimento da população urbana em um ritmo muito rápido, com repercussões na organização e estruturação do espaço. Segundo estimativas do IBGE, a população regional para 2006 era de 225.590 habitantes, comparados com os 210.218 de 2000, representando 2,7% da população estadual. Desse contingente, 49,0% reside na área urbana e 51% na área rural. Em que pese a maior

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Segundo o grupo difusor do termo APL no Brasil, a Rede de Pesquisa em Sistemas Produtivos e Inovativos Locais (REDESIST) Arranjos Produtivos Locais são aglomerações espaciais de agentes econômicos, políticos e sociais, com foco em um conjunto específico de atividades econômicas que apresentam vínculos e interdependência. Geralmente envolvem a participação e a interação de empresas e suas variadas formas de representação e a associação. Envolvem, também, diversas instituições públicas e privadas voltadas para: formação e capacitação de recursos humanos, como escolas técnicas e universidades; pesquisa, desenvolvimento e engenharia; política, promoção e financiamento. A participação e a interação das empresas podem ser desde produtores de bens e serviços finais até fornecedores de insumos e equipamentos, prestadores de consultores e serviços, comercializadoras, clientes entre outros (REDESIST, 2003).

expressividade populacional na área rural, observa-se uma tendência crescente de urbanização, cuja taxa passou de 38,9%, em 1991, para 45%, em 2000 e 49,0%, em 2006. Cabe ressaltar que somente a partir de 1980 o Ceará registra população urbana maior do que a rural. Uma década após ter se verificado essa inversão no Brasil, o estado acompanha a tendência de urbanização das cidades brasileiras, não só nas grandes cidades, mas também nas médias e pequenas.

Com relação à distribuição espacial da população, verifica-se que nove dos treze municípios concentram 52,8% de sua população na faixa de 20.000 habitantes, enquanto 47,2% residem nos outros quatro (Aracoiaba, Baturité, Ocara e Redenção). Baturité é o município mais populoso do Maciço com uma população estimada de 31.736, em 2006, enquanto os menos populosos são Guaramiranga, Mulungu e Palmácia, com população inferior a 10.000 habitantes. E completando a área estudada temos Aratuba e Pacoti junto com os demais em uma faixa de 10.000 a 20.000 em média (Gráfico 1). É importante mencionar que a rede de núcleos urbanos do Maciço é comandada pela cidade-pólo de Baturité que vem apresentando forte tendência de urbanização, mas que passa a perder parte de sua polarização em decorrência da melhoria dos transportes na região. É também necessário lembrar que os municípios da sub-região serrana, área que iremos focar apresentam uma situação na qual a população rural é maior que a população urbana, desta forma, uma proposta de desenvolvimento para essa sub-região, que leve em conta essa realidade, deve atentar primeiramente a resolver os problemas do campo. Campo esse onde podemos encontrar uma concentração fundiária considerável; problemas de estagnação das atividades agropecuárias e aumento do preço da terra devido à grande especulação imobiliária ocorrida, hoje, principalmente nessas cidades que possuem valores paisagísticos e climáticos diferenciados que atraem turistas e veranistas.

Gráfico 1 – População do Maciço de Baturité e sua distribuição

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4

0 5 10

Até 20.000 hab. 20.001 a 50.000 hab. Classificação do número de municípios da

macrorregião de Baturité, segundo o porte - 2006

Classificação da população dos municípios da macrorregião de Baturité, segundo o

porte - 2006

53% 47%

FONTE: SDLR/IBGE

Analisando-se o processo de ocupação do Maciço de Baturité, ver-se que este se assemelha ao processo de ocupação do estado do Ceará. Logo, não podemos desprezar esta perspectiva de análise, pois trata-se de um estudo trans-escalar no tempo e no espaço. Desta forma, temos a capitania do Ceará que era observada com total desinteresse no início da colonização do país. No Maciço de Baturité a presença colonizadora aconteceu somente em 1680, dois séculos após o descobrimento do Brasil, quando a região foi alcançada pelo Rio Choró por Estevão Velho de Moura e mais seis rio-grandenses do norte. Destaca-se, também, que a revolução industrial do século XVIII provocou algumas alterações e adaptações no sistema, estimulando dessa forma a expansão da cultura do algodão na região semi-árida. Aparecia agora o algodão, nos vastos espaços do sertão nordestino, onde a pecuária extensiva reinara soberana durante muito tempo, vai se combinar com a própria pecuária e com as ―culturas de subsistência‖ na estrutura peculiar, típica, do latifúndio-minifúndio (CEARÁ, 2004). Em Baturité não foi diferente.

Sobre isso, Santos (2005) afirma

A localização dos homens, das atividades e das coisas no espaço explica-se tanto

pelas necessidades ‗externas‘, aquelas do modo de produção ‗puro‘, quanto pelas necessidades ‗internas‘, representadas essencialmente pela estrutura de todas as

procuras e a estrutura das classes, isto é, a formação social propriamente dita (SANTOS, 2005, p. 28).

Na primeira metade do século XIX os vales da vertente norte e leste dos pés-de- serra eram utilizados como pastoreio e para o cultivo da cana-de-açúcar e para as culturas de subsistência, que eram artigos complementares da alimentação dos fazendeiros da região do entorno da serra que se ocupavam, principalmente, na produção de carne e algodão, e possuíam desta forma um sítio na serra para se abastecerem desses produtos. Formando assim um sistema de relações sócio-econômicas entre serra e sertão que ainda podemos encontrar nos dias de hoje.

Existia na região um fluxo sazonal de trabalhadores. Sobre esse fluxo de trabalhadores na região e seu papel na sua formação, podemos lembrar-nos de Harvey (2003), quando fala sobre a produção de uma economia do/no espaço. Para ele uma economia do espaço surge de processos de acumulação. Na região do Maciço, no seu início de ocupação, existiu um forte fluxo de trabalhadores que de acordo com a época do ano ocupavam e desocupavam a região. Sendo que isto foi deixando suas marcas naquele espaço fruto dessa divisão territorial do trabalho sazonal. Sobre Harvey (Idem) diz

As trocas de bens e serviços (incluindo a força de trabalho) quase sempre envolvem mudanças de localização. Elas definem desde o começo um conjunto em interseção de movimentos espaciais que criam uma geografia peculiar da interação humana. Esses movimentos espaciais estão sujeitos à fricção da distância e, por conseguinte, os vestígios que deixam na terra registram invariavelmente os efeitos dessa fricção, fazendo na maioria das vezes que as atividades se agreguem no espaço de formas que minimizem a fricção. As divisões territoriais e espaciais do trabalho (sendo a distinção entre cidade e campo uma das mais evidentes modalidades iniciais) surgem desses processos interativos de troca no espaço. Assim, a atividade capitalista produz o desenvolvimento geográfico desigual, mesmo na ausência de diferenciação geográfica em termos de dotação de recursos e possibilidades, fatores que acrescentam seu peso a lógica das diferenciações e especializações espaciais e regionais (HARVEY, 2003: p.82-83)

Assim, com Harvey podemos entender como as cidades da região do Maciço podem se diferenciar de forma acentuada em alguns casos, como as cidades localizadas na sub-região do sopé da serra que apresentam certa industrialização e maior percentual de população vivendo na zona urbana, e as cidades serranas que devido ao seu relevo mais acidentado não puderam desenvolver atividades deste tipo, como também um padrão de urbanização mais consolidado. Consolidou-se também na região a plantação de frutas, como a banana, que na época da I Guerra mundial, passou a ter importância comercial, ocasionando desta forma mudanças importante nos sistemas de engenharia e transporte como a construção da estrada de ferro ligando Fortaleza a Baturité, em 1882, que veio facilitar o transporte dos produtos da região. Entrando assim a região na lógica da modernização que significa, entre outras coisas, para Moraes (2002, p.121) ―[...] reorganizar e ocupar o território dotá-lo de novos equipamentos e sistemas de engenharia, conectar suas partes com estradas e sistemas de comunicação. Enfim modernização implicava no caso brasileiro necessariamente valorização do espaço.‖.

Por fim, podemos verificar na dinâmica demográfica predominante na região a tendência de crescimento urbano positivo e crescimento rural negativo, que indica uma perspectiva de ―rápida‖ urbanização. Todavia, nem todas as áreas municipais seguem essa tendência permanecendo algumas com tendências rurais predominantes na composição. Como podemos ver mais especificamente por estudo das cidades na região realizado pelo o IBAMA (2002)

(...) Com características de crescimento urbano positivo e crescimento da população rural negativo, encontramos os municípios de Acarape, Baturité, Capistrano, Mulungu, Ocara, Palmácia e Redenção. Um segundo grupo mostra crescimentos urbanos e rurais positivos, sendo o crescimento urbano superior ao rural; são eles: Aratuba, Guaramiranga e Itapiúna. Um terceiro tipo de dinâmica populacional é encontrado naqueles municípios que apresentam taxa de crescimento rural superior ao urbano, como Pacoti e Aracoiaba. (IBAMA, 2002, p.79).

Deve-se, também, considerar outra vertente da dinâmica demográfica representada pela ligação entre o nível de urbanização e o crescimento populacional dentro dos principais núcleos urbanos da região. Como podemos ver no município de Baturité que segundo dados do Censo de 1991, possuía uma taxa de urbanização de 59,67%, passando no Censo 2000 passa a de 69,81%, mostrando o peso desse município na distribuição demográfica da região, sendo que o crescimento da população deste município foi maior no período de 1991-1996 (1,7%) do que no período de 1996-2000 (0,3%). Essa taxa urbanização se aproxima da média estadual. Podemos fazer uma relação desse processo com o que Santos (1994) explica sobre as aglomerações urbanas menos complexas

(...) Nas zonas onde a divisão do trabalho é menos densa, em vez de especializações urbanas, há acumulação de funções numa mesma cidade e conseqüentemente, as localidades de mesmo nível incluindo as cidades médias são mais distantes uma das outras. Este é, por exemplo, o caso geral do Nordeste Brasileiro. (SANTOS, 1994, p. 53)

De acordo com estudo feito pelo IBAMA (2002) retirando-se os municípios de Baturité, Redenção e Acarape, os demais mantêm o predomínio de características rurais da população ligada à produção agrícola. A região vive um momento de transição, onde o ritmo de urbanização cresce, mas ainda predominam características rurais. É de se destacar que o período de referência deste estudo, meados da década de 80 aos dias de hoje, é, praticamente, o mesmo do início das transformações no crescimento populacional da região e de sua expansão urbana.

Deve-se também considerar os movimentos migratórios inter-regionais e intra- regionais na análise da dinâmica demográfica, podemos destacar os efeitos do ―êxodo rural‖

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em curso na região, com considerável saída de trabalhadores do campo para as cidades da região, por razões já citadas. O que leva a uma maior demanda por serviços urbanos, e por conseqüência mudanças na estrutura urbana dessas cidades.

Quanto à densidade demográfica da sub-região e da cidade pólo estudada (Guia Municipal/2007) temos Baturité (86,21 hab/Km²); Aratuba (78,82 hab/Km²); Guaramiranga (53,34 hab/Km²); Pacoti (116,07 hab/Km²); Palmácia (66,64 hab/Km²) e Mulungú (86,00 hab/Km²). Temos, também, outra relação que achamos conveniente fazer, que seria a relação entre o padrão de distribuição da população entre campo e cidade e os recursos naturais que

28 Para santos (1981) o êxodo rural ―(...) é um fenômeno complexo nos países subdesenvolvidos. Trata-se de forte contingente migratório que, favorecido pelo desenvolvimento da rede viária, se dirige para as cidades e acaba sendo

estas possuem. Possuindo duas vertentes: uma relacionada à expansão da fronteira agrícola e outra através da expansão urbana.

Benzer Belgeler