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A política ultramarina de Felipe II teve no dominium sobre os africanos e indígenas o elemento central para a subordinação política dos agentes coloniais.

“Os setores mercantis lusos, atraídos pela lucratividade do comércio com as Índias Ocidentais (tanto espanholas como portuguesas), viam na união dos dois reinos a possibilidade quer de fortalecimento militar, na defesa contra as atividades de ingleses, franceses e holandeses naquelas áreas, quer econômico, através da participação mais ampla no comércio com a América espanhola. Uma das reivindicações básicas dos grupos mercantis era o direito de asiento, ou seja, o monopólio do fornecimento de escravos para as colônias espanholas na América. Por esse rendoso negócio, os comerciantes portugueses obtinham a prata tão necessária às trocas com o Oriente”.511

O ponto de vista dos comerciantes sevilhanos se opunha frontalmente a esses planos, e para a Coroa, com o controle de fato da costa africana, “era possível calcular e satisfazer a demanda americana, assegurar os ingressos do governo mediante contratos de monopólio e fazer com que o fluxo de metal resultante permanecesse dentro do império”.512 Essas diferentes expectativas mostram a centralidade do tráfico de escravos

para obtenção das riquezas americanas, particularmente a prata, mas também o açúcar e outros produtos.513 Ao mesmo tempo em que alimentaram as esperanças desses

diferentes grupos de interesse, intensificaram a disputa entre eles e as pressões sobre Felipe II.

A perspectiva de maior controle do tráfico de escravos africanos, nos dois primeiros reinados da União Ibérica, permitiu uma política mais consistente da Coroa em relação aos indígenas americanos. Assim, antes mesmo de concluída a união dinástica, Felipe II fez, em 1580, um contrato por dez anos com Ventura Espino, empresário mineiro peruano, para a mineração nos distritos das audiências de Lima, Charcas e Quito, além das minas que descobrisse. A Coroa ficaria com 40% do metal extraído e concedia o direito de importar mil escravos negros, da África ou das

511 SALGADO, Graça (coord.). Fiscais e meirinhos: a administração no Brasil colonial. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985, p. 30.

512 BOWSER, Frederick P. El esclavo africano en el Perú colonial, op. cit., p. 80.

513 Stuart Schwartz destaca que os principais interesses dos Habsburgo no ultramar eram as especiarias da Índia e o tráfico de escravos africanos. SCHWARTZ, Stuart B. “Luso-Spanish relations in Hapsburg Brazil”, op. cit., p. 34.

províncias do Brasil. A concessão visava diminuir a necessidade de índios mitayos, como podemos observar no trecho a seguir:

“parece haber sido a la vez un serio intento por parte de la Corona de demonstrar la posibilidad de emplear mano de obra africana en las minas y una sutil advertencia a otros colonizadores para que no se apoyaran tanto en la mita, con el riesgo de que sus empresas volvieran al gobierno”.514

As resistências no Peru foram enormes e Espino viu que seus recursos eram muito mais limitados que suas ambições. O plano não foi adiante.

No último ano da estadia de Felipe II em Lisboa, 1583, iniciaram-se as reformas. Em Angola, a intervenção foi iniciada por meio de um mecanismo já bem conhecido dos monarcas ibéricos, o envio de um corregedor. O licenciado João Morgado de Resende foi nomeado ouvidor e provedor-mor de Angola. Seu regimento destacava, entre outras coisas, a preocupação da Coroa com a renda dos defuntos, que deveria ser investida em escravos. Estes seriam mandados ao Brasil por um funcionário do rei, onde seriam vendidos em leilão. Parte da renda ia para a Fazenda real, e o restante, para os herdeiros dos defuntos. O comentário de Frederick Bowser, transcrito acima, e essa orientação a João Morgado mostram que a Coroa se envolvia diretamente com o tráfico de escravos e utilizava de suas prerrogativas políticas para ter benefícios privados dele e, portanto, a contradição que define a ambivalência do conceito de dominium afetava também a política régia.

João Morgado levava também reforços militares para a região.515 O anúncio de

uma expedição, vinda de Portugal, causava mais receio do que contentamento, os conquistadores temiam a intervenção de Felipe II e a perda de seus privilégios. Por isso, Paulo Dias de Novais tratava de pedir, ao novo rei, a confirmação de sua doação.516 Os

documentos descrevem o aniquilamento da expedição militar, e a última notícia que temos de João Morgado refere-se a sua partida para uma jornada no interior de Angola, em companhia do superior dos jesuítas, o padre Baltasar Barreira.

514 BOWSER, Frederick P. El esclavo africano en el Perú colonial, op. cit., p. 156.

515 “Regimento de D. Felipe I a João Morgado”. Lisboa, 19 de agosto de 1583. In: MMA, 1, IV, p. 244- 247. “Regimento ao Provedor da Fazenda”. Lisboa, 19 de agosto de 1583. In: MMA, 1, IV, p. 244-247. “Regimento ao Provedor da Fazenda”. Lisboa, 27 de outubro de 1583. In: idem, p. 250-255. “Alçada ao Licenciado João Morgado”. Lisboa, 14 de janeiro de 1584. In: idem, p. 262-264.

516 As doações precisavam ser confirmadas depois da morte do donatário ou do rei. “Memorial de Paulo Dias de Novais”, 31 de outubro de 1584. In: idem, p. 285-294.

Diante da crise econômica e das dificuldades vividas pelo erário régio, particularmente pelos gastos vultosos feitos nas guerras europeias, Felipe II dedicou especial atenção às questões da Fazenda, tanto em Portugal como nas Espanhas. Em 1587, foi definido o primeiro asiento de escravos em Angola.517 O asiento visava suprir

de mão de obra africana as possessões ultramarinas das Índias de Castela e de Portugal. Embora os comerciantes portugueses detivessem grande parte do conhecimento sobre esse negócio, Felipe II esforçou-se por estabelecer um contrato com comerciantes sevilhanos, entre 1590-1591. Apesar do insucesso de estabelecer um contrato com comerciantes espanhóis, esse plano mostra o interesse régio de afastar os portugueses do comércio de escravos e, em contrapartida, favorecer os comerciantes de Sevilha, vinculados à Casa de Contratação e com forte influência sobre o Conselho de Índias e outros organismos da monarquia espanhola.518 Esse plano será retomado no reinado de

Felipe III, principalmente entre os anos de 1605-1614.

Paralelamente à assinatura do primeiro asiento de escravos, a Coroa pediu uma investigação sobre as alternativas de mão de obra a serem utilizadas nas minas, visando diminuir a dependência ao sistema de mita, melhorar a situação dos índios e aumentar os ingressos da fazenda régia. A Coroa destacava, como exemplo, a utilização de negros nas minas de ouro do Peru.519

Um dos problemas centrais do sistema de mita era a mortandade provocada pelo deslocamento de populações do altiplano andino para as zonas tropicais, e vice-versa. Assim, para o projeto de construção de uma ponte de pedra sobre o rio Apurímac, D. Antonio de Torres Fresnada, protetor geral dos índios, se opôs à utilização de índios da serra nas obras, sugerindo, em contrapartida, que se comprassem escravos africanos que, depois do serviço, seriam repartidos pelas comunidades indígenas. O vice-rei, marquês de Cañete, aceitou a proposta e começou a implementá-la em 1595. A compra

517 “Qu’est-ce maintenant qu’un Assiento de nègres? C’est dans sa forme génerale un contrat de droit public, par lequel un particulier ou une compagnie s’engage, vis-à-vis du Gouvernement espagnol, à le remplacer dans l’administration du commerce de la main-d’oevre noire, aux Indes ou dans une région des Indes occidentalles”. SCELLE, George. La traite négrière aux Indes de Castille, I, op. cit., p. 26-27. Como indicamos anteriormente, a Coroa portuguesa já estabelecera contratos com particulares para o comércio de escravos, a novidade castelhana é o detalhamento desse contrato e sua ampliação visando o abastecimento das Índias Ocidentais. Ver também OLIVAL, Fernanda. D. Filipe II, op. cit., p. 180. 518 SCHWARTZ, Stuart B“Luso-Spanish relations in Hapsburg Brazil”, op. cit., p. 38. O contrato de

asiento com os comerciantes de Sevilha, de 1590, não foi levado a cabo. BOWSER, Frederick P. El esclavo africano en el Perú colonial, op. cit., p. 59, n. 21. Ver também SCELLE, George. La traite négrière aux Indes de Castille, I, op. cit., p. 341-43 e 799-809.

de escravos foi financiada pelos fundos das comunidades dos quatorze distritos índios afetados pela obra. Não obstante, ao final dela, que acabou sendo de madeira, as autoridades enviaram os negros para a capital para serem arrematados em praça pública. Frederick Bowser não considera a hipótese de que tanto D. Antonio de Torres como Cañete e seu sucessor, D. Luis de Velasco, tenham sido motivados por interesses pessoais nessa empresa, afinal, utilizaram-se da vontade régia de substituir a mita por escravos africanos para usar os fundos indígenas na compra de escravos e ainda os revenderam em Lima.520 A hipótese parece ter sido aventada pela Coroa, que até 1610

estava tentando esclarecer o assunto e recuperar o dinheiro da venda dos escravos. Frederick Bowser observa que, apesar dos interesses da Coroa em promover o tráfico de africanos em substituição ao sistema de mita, ela não estava disposta a financiar, com recursos próprios, essa empresa. Além disso, a Coroa observava que tais planos aumentavam as possibilidades de fraude e de associação de funcionários régios com comerciantes de escravos, principalmente portugueses, transformando a “solução” em um novo problema.521

Paralelamente ao esforço de restringir a mita pela importação de escravos africanos, a Coroa voltou a discutir a possibilidade de forçar ao trabalho os mestiços livres. Um exemplo foi a substituição dos correios índios (chasquis) pelo trabalho de negros e mulatos livres ou de espanhóis mestiços desocupados, o mesmo foi definido para outras atividades. Em 1595, ordenou-se ao vice-rei Velasco que reunisse as pessoas ociosas da colônia e as obrigasse a aprender um ofício. Em 1596, o Conselho de Índias recomendou que se obrigasse a trabalhar os negros, mulatos e zambaigos (afroíndios). “A opinião da Coroa seguia sendo a de que a inclusão destes à força de trabalho (...) não só reduziria a carga da mita como reduziria também a taxa de crime e agitação no Peru”.522 Novamente nos deparamos com um sistema social e laboral fundamentado em

uma divisão tripartite das classes subalternas, em que a combinação do trabalho escravo com diferentes modalidades de trabalho forçado, que não anulava o estatuto jurídico de livre523, permitia à Coroa um maior campo de atuação e interferência nas relações

520 BOWSER, Frederick P. El esclavo africano en el Perú colonial, op. cit., p. 161.

521 VENTURA, Maria da Graça A. Mateus. Portugueses no Peru ao tempo da União Ibérica:

mobilidade, cumplicidades e vivências. 3 vols. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2005.

522 BOWSER, Frederick P. El esclavo africano en el Perú colonial, op. cit., p. 162.

523 Como analisamos ao longo desta tese, o conceito de liberdade se inseria em uma visão hierárquica da sociedade, em que a cada um cabia uma liberdade adequada a sua condição sócio-religiosa. Dentro dessa perspectiva, os índios e mestiços livres pertenciam à camada social mais baixa entre os livres e forçá-los ao trabalho não implicava uma contradição com esse estatuto jurídico.

sociais e produtivas daquelas sociedades. Como já indicamos anteriormente, a liberdade indígena podia ser usada como um meio para a interferência da Coroa nas relações coloniais, a mesma estratégia foi utilizada em relação aos “vagabundos” ou aos forros.

Esses sistemas sociolaborais (escravidão, trabalho livre forçado e modalidades de trabalho indígena) eram complementares, e a interferência em um desses campos acarretava uma transformação nesse outro segmento, a política da Coroa em relação às populações livres se torna um mecanismo privilegiado de interferência em toda realidade colonial e mesmo no poder privado e senhorial dos colonos. A ideia de “absolutismo régio” é tão questionável quanto a noção de “absolutismo doméstico”, porque o Estado e a Casa não se constituíam como espaços jurídicos autônomos, e a interferência em um desses campos tinha, necessariamente, impacto sobre esse outro universo de domínio. Há um esforço de distinção desses espaços de poder, mas, a todo momento e nas ações dos diferentes agentes políticos europeus, existe uma sobreposição e intersecção entre as esferas de dominium. As sociedades escravistas e senhoriais americanas acabam por reafirmar a ambivalência desse conceito, entre a propriedade e o poder doméstico e a política econômica e a autoridade política.

A ideia de um “exclusivismo escravista” precisa ser posta em questão, porque mesmo nos engenhos de açúcar a escravidão aparece combinada com outras formas de inserção social e de exploração. Trata-se, portanto, de um sistema de dominium compósito que combina a instituição escravidão com outros mecanismos de subordinação e dependência. A disputa pelo poder se torna mais complexa a partir da década de 1570. Não basta ter escravos, os diferentes agentes europeus passam a disputar o controle das diferentes instituições e formas de exploração das populações subalternas.524

524 Nosso uso do termo subalterno procurou englobar as diferentes categorias sociais que vão do escravo aos homens livres pobres. No dicionário de Rafael Bluteau, subalterno: “Compõem-se das palavras latinas

Sub, & alter, que valem o mesmo que Debaixo de outro. Inferior, oris”. BLUTEAU, Rafael. Vocabulario Português & Latino, op. cit, p. 756. É importante lembrar que o direito romano vinculava o direito (ius)

ao dominium (como propriedade), ou seja, somente o homem com propriedade tinha direito e, por extensão, liberdade e cidadania. Como analisamos nos capítulos anteriores desta tese, São Tomás de Aquino e os teólogos de Salamanca se esforçaram por desfazer essa associação, vinculando o direito ao justo e ao bem comum, no entanto, esses autores mantiveram a relação entre ius e libertas, considerando a propriedade como uma característica intrínseca do homem e como condição necessária à sua liberdade. Esses princípios norteadores do direito romano e do pensamento político-jurídico explicam, por exemplo, a importância de se ter escravos, mais do que um luxo, era por esse meio que o homem se definia como livre e com direitos políticos.

No Brasil, disputavam-se o acesso privilegiado aos escravos que vinham da África e o poder de determinar uma guerra justa ou uma expedição que permitiria a escravização dos indígenas; a forma de administração dos índios livres ou forros, bem como as formas de dependência e as clientelas estabelecidas em relação à população livre. Os capítulos de Gabriel Soares de Sousa e as respostas dos jesuítas, produzidos no início da década de 1590, mostram que essas disputas atingiram um ponto culminante nesse período, e a existência de um novo monarca exigia a persuasão e a soma de forças para o estabelecimento de uma política hegemônica.525 A favor dos colonos estavam as

necessidades da fazenda real e as resistências de Felipe II em relação aos jesuítas, e vice-versa.526 A favor dos jesuítas estava o reconhecimento, patente em comparação

com a realidade da América espanhola, de que a mediação deles no controle dos colonos, por meio do governo dos indígenas, era um elemento político estratégico que não podia ser ignorado. Para além dessas duas opções de orientação da política colonial, Felipe II procurou estabelecer um sentido próprio à colonização atlântica, por um lado, favorecendo os colonos, por outro, tentando subordinar a Companhia de Jesus à autoridade régia.527

O traço mais marcante da política de Felipe II é definido pela máxima do divide

et impera. O novo rei rompe com uma tendência estabelecida até aquele momento, que

destacou diferentes mediações em relação ao dominium sobre os indígenas (conquistadores, jesuítas e governadores) ao longo do processo de colonização e passa a desenvolver uma política que favorece a diversificação das mediações, ao mesmo tempo em que exige a subordinação dos diferentes grupos de interesse ao poder régio. Nessa perspectiva, a ideia de conflito de jurisdições pode corresponder a uma estratégia da política régia que, ao favorecer as disputas entre os agentes políticos, destaca sua arbitragem e define, principalmente por meio das questões relativas ao dominium sobre

525 Gabriel Soares de Sousa foi até Madri “a fim de apresentar, junto com seus planos para a procura de metais no sertão brasileiro, também a questão da sustentação dos jesuítas e de suas missões, assim como para pressionar em favor do ponto de vista dos colonos e do Governador”. THOMAS, Georg. Política

indigenista dos portugueses no Brasil, op. cit., p. 116.

526 RODRIGUES, Francisco (S.J.). História da Companhia de Jesus na Assistência de Portugal. Vol. 2. Porto: Livraria Apostolado da Imprensa, 1938, p. 421-445.

527 As notícias da vitória de Felipe II, primeiro de Portugal, levaram à sua aclamação no dia 25 de maio de 1582, na Câmara de Salvador, sem apagar, no entanto, as reticências ao domínio espanhol no ultramar lusitano. A aclamação foi feita pelo juiz Francisco Fernandes Pantoja, pelos vereadores Antônio da Costa, Fernão Vaz e Gabriel Soares de Sousa, pelo procurador João Ribeiro, o escrivão João Pereira, o bispo D. Antônio Barreiros, entre outras autoridades. SERRÃO, Joaquim V. Do Brasil filipino, op. cit., p. 12.

as populações subalternas, uma série de situações de exceção, que lhe permite intervir nas realidades sociais e produtivas coloniais com um reforço de poder.

Para favorecer os interesses dos colonos no Brasil, a Coroa concedeu e estimulou as expedições para a descoberta de minas. Vale destacar aquelas dadas ao colono Gabriel Soares de Sousa (na região do rio São Francisco, em que pode se tornar o primeiro capitão e governador do sertão). As guerras de expansão também foram estimuladas, mas as povoações, presídios e nas novas capitanias (Sergipe, Paraíba, Ceará) foram incorporados ao patrimônio real.

Contra os jesuítas, Felipe II procurou romper as alianças estabelecidas entre eles e os governadores-gerais.528 Em seu debate com Gabriel Soares, os inacianos

reconhecem dois momentos de suas relações com os governadores: bom, com Tomé de Sousa, Duarte da Costa, Mem de Sá, Lourenço da Veiga e D. Francisco de Sousa529; e

conflituoso, com Luiz de Brito, Manuel Teles Barreto530 e Francisco Giraldes531 (que

não chegou a assumir o cargo). Podemos acrescentar a essa última lista: D. Diogo Botelho532 e D. Diogo de Meneses533. São cerca de vinte anos de oposição entre os

528 O padre José de Anchieta, provincial dos jesuítas entre 1577 e 1587, assim descreveu o processo de sucessão monárquica: “Ainda que a confusão das coisas de Portugal (como da cabeça) não pode deixar de confundir os membris de seus estados, não falando ainda nos particulares açoites, que cada um teve”. “Carta ânua da província do Brasil, de 1581, dirigida a Cláudio Acquaviva”. Bahia, 1º de janeiro de 1582. In: ANCHIETA, Pe. José de (S.J.). Cartas: correspondência ativa e passiva. Obras completas, 6º volume. Pesquisa, introdução e notas do Pe. Hélio Abranches Viotti, S.J. São Paulo: Edições Loyola, 1984, p. 302. 529 D. Francisco de Sousa, em sua alcunha “das manhas”, representa a habilidade política que permitiu a articulação e o favorecimento de diferentes forças políticas coloniais, conduzidas por meio de ações com forte marca personalista. Outro governador que representa essa habilidade política é Mem de Sá. A nomeação de D. Francisco de Sousa, na década de 1590, já mostra o interesse filipino em descobrir minas no Brasil. Sua atuação, centrada na Repartição Sul, indica a diferenciação dos projetos político- econômicos para as duas partes do Brasil, que serão confirmadas pela nomeação de 1607. D. Francisco de Sousa soube favorecer os padres da Companhia, o que também pode indicar a diferenciação do projeto missionário nessas duas regiões da colônia.

530 Pessoa de confiança do rei, que apoiara a causa Habsburgo desde 1579, ano em que foi eleito vereador da Câmara de Lisboa e começaram seus conflitos com os jesuítas. SERRÃO, Joaquim V. Do

Brasil filipino, op. cit., p. 26. Sobre o conflito entre os jesuítas e o governador Manuel Teles, declara o

chantre da Sé de Salvador, Sebastião da Luz: “visto que estamos mui longe de S. M.de e em parte onde os Governadores podem fazer o que quiserem”. “Cópia da certidão que deu o Vigário Geral do Brasil em favor do padre dos Ilhéus”. Salvador, 18 de agosto de 1584. In: HCJB, II, p. 619.

531 Francisco Giraldes estava em litígio com os jesuítas em relação a terras da capitania de Ilhéus, da qual era donatário. “Capítulos que Gabriel Soares de Sousa”, op. cit., p. 352-354 e 357. Sobre o governador, ver COSENTINO, Francisco C. Governadores gerais do Estado do Brasil (Séculos XVI-

XVII), op. cit., p. 139 e ss.

532 D. Diogo Botelho, apesar de favorecer alguns aldeamentos jesuítas, sua política em favor dos colonos

Benzer Belgeler