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Para o jornal, as medidas assumidas pela Secretaria da Educação, como a fixação de um limite máximo de idade para o ingresso na primeira série das escolas oficiais de 2o. Grau, a adoção do critério socioeconômico para o mesmo fim e a permissão para criação de cursos de 1o. e 2o. graus de duração reduzida e com funções supletivas, visavam ao amparo da escola particular, com o que não concordava.

Segundo OESP, com a implantação do decreto federal no. 72.495, de 19 de julho de 1973, o governo procurou atender, ainda que não inteiramente, às antigas reivindicações que provinham do setor privado da educação. O decreto estabelecia normas para a concessão de amparo técnico e financeiro às entidades particulares de ensino, e teve por finalidade regular o princípio estabelecido pelo

2 A renda familiar do aluno somente deixaria de ser computada para atribuição de vagas na primeira série do

2o. grau nas escolas estaduais de acordo com as normas que a Secretaria da Educação deveria baixar em

art. 45 da lei 5.692, segundo o qual as instituições de ensino mantidas pela iniciativa particular mereceriam amparo técnico e financeiro do Poder Público quando suas condições de funcionamento fossem julgadas satisfatórias pelos órgãos de fiscalização e a suplementação de seus recursos se revelasse mais econômica para o atendimento do objetivo. Para o jornal, o decreto possuía uma parte que limitava a ajuda financeira à iniciativa privada a financiamentos que seriam concedidos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Amparado, ainda que não inteiramente, por meio de suplementações ou subvenções, seja por meio de dispositivos Constitucionais (art. 176, parágrafo 2 e incisos II e III do parágrafo 3o.), seja na lei 5.692, o Governo Federal atendeu ao setor privado, o que teria gerado polêmica (OESP, 23/09/1973). Desta forma, a ajuda financeira para seu amparo técnico, uma antiga reivindicação do setor privado foi atendida pelo governo.

Para o jornal, uma parte do decreto deveria ser apreciada com cuidado, porque determinava que os Estados, o Distrito Federal e os Territórios, para não duplicarem esforços, deveriam evitar a criação de estabelecimento públicos onde o atendimento da escola particular fosse considerado suficiente para absorver a demanda efetiva ou suscetível de expandir a oferta para atender a demanda contida, conforme se referia o artigo 12 do decreto (OESP, 23/09/1973). Segundo o jornal, o que esse decreto objetivava resolver,

na verdade, foi a situação criada pela recente expansão das escolas oficiais de nível colegial (atual 2o. Grau) em algumas regiões do País,

sobretudo Guanabara e São Paulo, o que provocou o fechamento de inúmeros estabelecimentos particulares, pela natural redução da demanda, já que os oficiais ainda obedecem ao regime da gratuidade indiscriminada (OESP, 23/09/1973).

De acordo com OESP, na concorrência entre escola pública e escola particular optou o Governo Federal por uma política de proteção à iniciativa privada, eliminando, quando possível, a competição da escola oficial. Para OESP, a Secretaria da Educação antecipava o decreto com medidas que amparavam a escola particular. O jornal afirma que, quanto se pensa no critério da qualidade do ensino ministrado, não se podia pensar em um atendimento mais econômico.

Ninguém ignora que certos setores da instrução exigem a aplicação de recursos consideráveis, o que torna esses serviços necessariamente caros. Não se ignora, também, que não interessa à iniciativa privada investir recursos naqueles locais onde a clientela economicamente bem situada é diminuta, o que obriga o poder público a instalar escolas que são, ao menos no início, dispendiosas em função do pequeno número de alunos. E é sabido, da mesma forma, que a ação das boas escolas particulares é grandemente prejudicada pelo fato de não poderem aumentar as taxas cobradas na proporção da qualidade dos serviços oferecidos, proibidas disto pelo mesmo governo que agora, curiosamente, inicia uma política de auxílio à iniciativa privada, valendo- se dos recursos públicos (OESP, 23/09/1973).

De acordo com o jornal, as escolas particulares tinham o auxílio do Governo do Estado e, apesar da expansão da escola pública, as instituições privadas vinham concentrando havia alguns anos seu empenho no ensino superior com grande retorno financeiro. Além deste, havia também os cursos preparatórios para os exames vestibulares, que “obriga[m] um número imenso de estudantes a procurarem os famosos cursinhos”, com grande lucro para os proprietários, e que “adestravam nos segredos e mistérios das cruzadinhas”, condição imposta para o ingresso nas escolas superiores mais procuradas (OESP, 23/09/1973).

Segundo o jornal, existiam os interesses por parte daqueles que, situados no ensino público ou privado, tudo faziam para manter o sistema de acesso à universidade. Desta forma, o jornal apresenta um diagnóstico: a) fecham-se escolas particulares, sobretudo de 2o. grau, em virtude do aumento da oferta da escola pública; b) os poderes públicos, por desviarem significativa parte dos recursos para as diversas formas de auxílio à iniciativa privada e por não cobrarem taxas dos mais favorecidos que estão matriculados nas escolas oficiais de nível médio e superior, vêem-se ainda mais carentes de verbas para aprimorar a instrução nos graus anteriores ao universitário, a começar por uma remuneração condigna dos professores; c) os alunos que desejam ingressar nas boas escolas superiores procuram as escolas oficiais, onde nada pagam, apenas para cumprir as formalidades legais, reservando o dinheiro para os “cursinhos” e dando grande alento à iniciativa particular (OESP, 23/09/73).

Assim, para o jornal, o sistema educacional brasileiro estaria beneficiando a iniciativa privada e favorecendo o ingresso de uma pequena parte da população, a mais favorecida, aos cursos superiores. Cita, a propósito, o cientista social K. G. Myrdal, que aborda o nosso ensino.

“O Brasil possui dados impressionantes sobre educação, mas que de pouco valem, porque educação é espírito, é conteúdo... O sistema é semelhante ao da Índia, colonialista, onde se dá preferência ao ensino universitário, depois ao secundário e, por fim, ao primário; e isto acontece pela pressão dos 20% privilegiados que conseguem estudar”

(OESP, 23/09/1973).