• Sonuç bulunamadı

Jigsaw I Tekniği: Öğrencilerin asıl gruplarından ayrılıp aynı konu üzerinde çalışan diğer öğrencilerle bir araya gelerek uzman gruplar oluşturduğu ve burada çalışmalar

3.5. Verilerin Analiz

Quando nos debruçamos sobre os capacitadores (BRANCHER; SILVA, 2008) ou ainda chamados parceiros técnicos (MELO et al., 2008), observamos uma forte incidência em três espaços formativos, que podem ser considerados a primeira geração de capacitadores em JR no Brasil.

A Comunicação Não Violenta (CNV) foi fundada em 1984, por Marshall Rosenberg, cuja visão é um mundo onde todas as pessoas possam ter suas necessidades atendidas e resolver conflitos de modo pacífico. Por meio de materiais, treinamentos e consultoria organizacional, ela cria redes e apoia comunidades que possam contribuir para avanços na economia, educação, justiça, saúde e construção da paz. Desde 2002, está representada no Brasil por Dominic Barter, que promove a JR.

O grupo Justiça em Círculo se estruturou ao redor das psicólogas e mediadoras Vania Curi Yazbek e Cristina Meirelles, especialistas em capacitação em práticas de resolução de conflitos com foco na visão transformativa das relações.

O Centro de Criação de Imagem Popular (Cecip), criado em 1986, com inspiração em Paulo Freire, é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos, que visa democratizar o acesso a informações qualificadas, contribuindo para a construção de um País justo e de uma cidadania consciente, ativa e participativa. O nome de referência na capacitação de JR é a psicóloga Mônica Ribeiro Mumme.

Nos últimos anos, novos capacitadores entraram em cena. Alguns ligados ao

Centro de Direitos Humanos e Educação Popular de Campo Limpo, organização da

sociedade civil sem fins lucrativos, fundada em 1982. Sua formação é predominantemente nas áreas de ciências sociais e se aproximaram da JR através do método colombiano da Fundação para a Reconciliação, que foi adaptado à realidade da periferia de São Paulo e aos conceitos da JR. No terceiro capítulo, aprofundo este processo formativo.

Outros pertencem à equipe do projeto Justiça para o século 21, de Porto Alegre. Sua formação inicial foi um Curso de Iniciação em Práticas Restaurativas com ênfase na Comunicação Não Violenta, pioneira no projeto-piloto de 2005. Compuseram o Núcleo de Estudos em Justiça Restaurativa da Escola Superior de Magistratura da Ajuris, do qual

participam, entre outros: o Dr. Leoberto Brancher e o Dr. Afonso Konzen (da Escola Superior do Ministério Público), a Dra. Beatriz Aguinsky e as assistentes sociais Fabiana Nascimento de Oliveira, Lenice Pons Pereira e Shirlei de Hann Curtinaz (da Pós-Graduação na Faculdade de Serviço Social da PUCRS).

A equipe de Porto Alegre oferece uma iniciação teórica em JR e um curso para coordenadores de círculos restaurativos, que consiste em participar como coordenador ou co-coordenador em casos práticos (ambos têm 48 horas de duração); e, ainda, as Jornadas de Supervisão que consistem numa atividade sistemática e permanente, baseada na exibição pausada dos vídeos filmados durante os círculos, objetivando refletir-se sobre o ocorrido no caso concreto, a respeito dos passos do procedimento, da atuação do coordenador, reações dos participantes, fidelidade aos valores e resultados alcançados (BRANCHER; SILVA, 2008). Em novembro de 2010, a equipe23 de Porto Alegre formou operadores do direito na Segunda Vara de Execuções Criminais de Teresina, Piauí.

Dominic Barter, com a metodologia da CNV, capacitou os facilitadores nos projetos-piloto de Porto Alegre, São Caetano do Sul, Heliópolis e Guarulhos. Recentemente, em São José de Ribamar (MA), fez a capacitação para facilitadores de

círculos restaurativos, com duração de 80 horas, divididas em três módulos. O projeto prevê também supervisão.

Em São Caetano do Sul, inicialmente se trabalhava com metodologia da Comunicação Não Violenta. Os candidatos eram preparados para serem facilitadores em círculos restaurativos institucionais nas escolas (educadores, profissionais da escola, estudantes) e em círculos restaurativos institucionais no Fórum e no Conselho Tutelar. Já no início de 2006, percebeu-se que essa técnica era insuficiente para dar conta da diversidade de instituições, conflitos e relações. Considerou-se que os procedimentos do modelo Zwelethemba da África do Sul pudessem, talvez, atender melhor o objetivo de empoderar a comunidade. Vania Curi Yazbek e Cristina Meirelles coordenaram a adaptação deste modelo às necessidades brasileiras, ou paulistanas, e passaram a integrar a equipe Justiça em Círculo, cujo foco é realizar capacitações em práticas restaurativas.

A introdução dos círculos restaurativos, a partir de 2007, segundo o modelo

Zwelethemba em São Caetano do Sul, simbolizou a ampliação do projeto para além da

resolução de conflitos, ganhando uma dimensão de governança, vale dizer, de gestão do rumo dos eventos de um sistema social. É visto como sendo um caminho para envolver as tradições e instituições pelas quais a autoridade é exercida, fazendo com que a justiça e a segurança possam ser objeto de deliberações locais (MELO et al., 2008).

Além da capacitação em São Caetano do Sul (SP), Justiça em Círculo coordenou a capacitação de facilitadores das escolas em São José dos Campos e da primeira fase em Campinas24. Para a segunda fase, foi convidado Dominic Barter. A proposta de formação para o Projeto Justiça e Educação: parceria para a cidadania, da Secretaria de Estado de Educação de São Paulo, foi desenhada por profissionais ligados ao Cecip, junto com o Juiz Eduardo Melo. Objetiva impulsionar mudanças educacionais, com o envolvimento de lideranças para articular a JR ao Projeto Político-Pedagógico das escolas. Dentro da capacitação das escolas havia dois programas: a capacitação das lideranças educacionais responsáveis pela logística somou 42 horas e a de lideranças, facilitadores de círculo, era de 80 horas. Esta capacitação foi aplicada à comunidade de Heliópolis, São Paulo e Guarulhos (MELO et al., 2008).

Nos meses de outubro e novembro de 2010, Kay Pranis25 fez uma tournée em capacitação de círculos de construção de paz no Brasil. Ofereceu oficinas de três dias

24 Informação do juiz Dr. Richard Pae Kim, no dia 4 de outubro de 2010.

em processos circulares nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Caxias do Sul e São José de Ribamar. Pranis desempenhou, no Departamento Correcional de Minnesota, as funções de Planejadora de Justiça Restaurativa. Trabalhou com as lideranças de estabelecimentos correcionais, da polícia, dos tribunais, de associações de bairro, comunidades religiosas e escolas, desenvolvendo uma resposta abrangente ao crime e ao conflito, com base na JR.

Identifico como sendo núcleos de capacitadores da segunda geração: a equipe da Justiça para o século 21, de Porto Alegre, que mantém um grupo de estudo que interage com a academia e assim vem adaptando e reformulando seu caminho de capacitação através de um processo26 permanente de aplicação, monitoramento,

avaliação e reajustes; a equipe do CDHEP, com seu distintivo de ser inspirada pela experiência colombiana, que está em permanente busca de atualização, tentando beber em diversas fontes, conforme abordagem no terceiro capítulo.