2. YÖNTEM
2.6. Verilerin Çözümlenmesi
Com o advento da aids, a partir da década de 1980, observou-se a emergência de protozoários intestinais, alguns até então desconhecidos ou não incriminados como patogênicos para o homem, causando infecções de caráter oportunista em pacientes imunocomprometidos. Dentre eles, podemos citar os coccídios (Filo Apicomplexa, Classe Sporozoa, Sub-classe Coccidia) Cryptosporidium sp., Isospora belli, Cyclospora cayetanensis e os microsporídios (Filo Microspora) Enterocytozoon bieneusi e Encephalitozoon intestinalis, todos intracelulares e adquiridos através da via fecal-oral, com a ingestão de formas infectantes através da água e alimentos contaminados e outras vias (BOTERO et al., 2003; CIMERMAN; CIMERMAN; LEWI, 1999a; ESCOBEDO; NÚÑEZ, 1999; FERREIRA; BORGES, 2002; LINDSAY; DUBEY; BLAGBURN, 1997; MANZI; GARCÍA- ZAPATA, 2000; SUN; TEICHBERG, 1988; WUHIB et al., 1994).
Outros protozoários extracelulares, com prevalências semelhantes entre indivíduos imunocompetentes e imunocomprometidos, quando encontrados parasitando pacientes portadores de HIV, causam, nestes, sintomatologia similar ou mais pronunciada que em pacientes com o sistema imunológico não comprometido, como Giardia duodenalis (sinonímia G.intestinalis ou G. lamblia) e Entamoeba histolytica, não tendo, porém, caráter oportunista (BOTERO et al., 2003; CIMERMAN; CIMERMAN; LEWI, 1999b; FERREIRA, 2000; HEWAN-LOWE et al., 1997; MORAN et al., 2005).
O diagnóstico destas protozooses intestinais é feito através da demonstração dos parasitos através de exames parasitológicos de fezes (EPF) com a detecção de oocistos (no caso de infecções causadas por Cryptosporidium sp., I. belli e C. cayetanensis), cistos ou trofozoítas (nas infecções por G. duodenalis e E. histolytica) ou esporos (nas infecções por microsporídios) (FERREIRA, 2000; GASPARINI; PORTELLA, 2004; GELLIN; SOAVE, 1992).
Métodos apropriados para a pesquisa de protozoários nas fezes devem ser utilizados com o objetivo de aumentar a sensibilidade do EPF. Assim, para a detecção de coccídios intestinais, são utilizadas colorações que se baseiam na álcool-ácido resistência de seus oocistos, como as colorações de Ziehl-Neelsen modificada e de Kinyoun (GARCIA et
al., 1983; GASPARINI; PORTELLA, 2004; HENRIKSEN; POHLENZ, 1981 apud DE CARLI, 2001; RIGO; FRANCO, 2002). A microscopia em contraste de fases apresenta sensibilidade e especificidade similares aos métodos de coloração álcool-ácido resistente para o diagnóstico de infecções entéricas por coccídios, mas necessita de equipamentos apropriados para que seja realizada, não sendo normalmente utilizada na rotina laboratorial (DE CARLI, 2001; GASPARINI; PORTELLA, 2004).
A detecção de cistos de protozoários como G. duodenalis e E. histolytica, dentre outros, pode ser realizada através da utilização de técnicas de concentração como os métodos de flutuação, que utilizam reagentes de alta densidade com o objetivo de separar, no meio, as estruturas menos densas, como os cistos. O método de Lutz (1919 apud DE CARLI, 2001) ou de Hoffmann, Pons e Janer (1934 apud DE CARLI, 2001), que se baseia na sedimentação dos elementos parasitários em água, também é utilizado com sucesso na detecção de cistos de protozoários (DE CARLI, 2001). Esfregaços fecais corados pela hematoxilina férrica ou pelo tricômio são úteis na detecção destes protozoários em suas formas trofozoítas e também císticas, quando em fezes diarréicas e recém-emitidas. No entanto, estas técnicas de coloração não têm sido utilizadas rotineiramente nos exames de fezes (van HAL et al., 2007).
O encontro de protozoários com características de Entamoeba dispar ou E. histolytica compromete a determinação da real prevalência de amebíase através de exames parasitológicos de fezes, uma vez que estas duas amebas são morfologicamente idênticas, tanto na forma cística quanto na forma trofozoíta. São necessárias, então, técnicas mais específicas para a determinação da espécie, tais como técnicas de biologia molecular, detecção de antígenos de E. histolytica nas fezes ou ainda a detecção de anticorpos anti-E. histolytica no soro do paciente quando ocorrer amebíase invasiva (Van HAL et al., 2007).
A pesquisa de esporos de microsporídios nas fezes através da utilização de colorações apropriadas, como oChromotrope 2R e suas variações, também pode ser realizada (SLODKOWICZ-KOWALSKA, 2004). Porém, devido às diminutas dimensões dos esporos e a necessidade de pessoal técnico qualificado para a correta identificação, a detecção microscópica de microsporídios pode ficar comprometida, sendo necessárias técnicas mais avançadas, como a “Polymerase Chain Reaction” (PCR) para o diagnóstico confirmatório (SARFATI et al., 2006).
O protozoário Blastocystis hominis tem patogenicidade questionável, não confirmada. Embora seja freqüente nas fezes, sua pesquisa é negligenciada, seja por falta de capacitação técnica para identificá-lo, seja porque as técnicas mais usuais na rotina do EPF não permitem sua detecção, já que a água e certas soluções, como o lugol, promovem sua
lise. Seus cistos só são detectados através do exame direto em solução fisiológica ou nos esfregaços permanentes corados por hematoxilina férrica ou tionina, técnicas que raramente são realizadas nos EPF (AMATO NETO et al., 2003). Tais restrições diagnósticas também se aplicam à Dientamoeba fragilis, um flagelado comprovadamente patogênico, uma vez que esta espécie se apresenta apenas na forma vegetativa (JOHNSON; WINDSOR; CLARK, 2004).
Protozoários tidos como não patogênicos para o homem também podem ser detectados pelo EPF, porém sua importância limita-se ao diagnóstico diferencial para com as espécies patogênicas, além de refletir as condições do meio, uma vez que são transmitidos, em sua maioria, pela mesma via dos protozoários causadores de infecção – a via fecal-oral. Dentre as espécies não patogênicas mais comuns encontradas nos exames de fezes humanos, podemos citar Entamoeba dispar, Entamoeba coli, Endolimax nana e Iodamoeba butschilii (GASPARINI; PORTELLA, 2004). Alguns autores sugerem que o potencial patogênico de algumas destas espécies seja reavaliado mediante imunodeficiências (CIMERMAN S. et al., 2002).
Alguns medicamentos são eficazes no tratamento contra protozoários entéricos, tais como a combinação sulfametoxazol + trimetropim, que tem eficácia contra I. belli e C. cayetanensis; o albendazol, com moderada atividade contra microsporídios – é mais eficiente contra Encephalitozoon intestinalis –, agindo também nas infecções por G. duodenalis; e o metronidazol, o secnidazol e outros derivados nitroimidazólicos com atividade contra G. duodenalis e E. histolytica. Para este último, recomenda-se ainda a adição de um amebicida de ação luminal, como as dicloroacetamidas ou a paramomicina. Até o momento, não existe nenhum medicamento específico para o tratamento das infecções por Cryptosporidium sp., pois nenhuma droga mostrou-se capaz de erradicar o parasito nos indivíduos tratados. Observa-se melhora sintomática na criptosporidiose com o uso de paramomicina, azitromicina, roxitromicina e espiramicina (FERREIRA, 2000; FERREIRA; BORGES, 2002; GASPARINI; PORTELLA, 2004; GELLIN; SOAVE, 1992; LEVINE, 1991). Com aprovação mais recente (2002), a nitazoxanida tem sido utilizada com sucesso no tratamento de algumas destas protozooses, incluindo a criptosporidiose, e também em algumas helmintíases (DUPOUY-CAMET, 2004; GILLES; HOFFMAN, 2002). O tratamento com anti-retrovirais, que proporciona uma restauração na imunidade celular dos portadores de HIV, tem influenciado diretamente o controle e a ocorrência de sintomas de criptosporidiose, entre outras parasitoses intestinais, nestes pacientes (CIMERMAN S. et al., 2002; FRENKEL et al., 2003).