4. GEREÇ VE YÖNTEM
4.4. Verilerin Çözümlenmes
13 Foram movimentos culturais e artísticos do século XV na Itália, analisados em conjunto. Engloba tanto o final
da Idade Média (arte gótica e Gótico Internacional), quanto o começo do Renascimento onde os artistas voltaram-se mais às formas clássicas da Grécia e Roma. Devido a situação econômica, social e cultural das ciudades havia um clima favorável ao desenvolvimento artístico.
Ao tratar de idealização, remete-se à possibilidade de concretizar o que se tem no campo das ideias, ou seja, um projeto ainda não realizado. Aquilo que ainda não existe e que poderá ser, uma espécie de utopia, aparece como tentativa de compor o real. O ato de projetar no espaço a ideia, geralmente associada a controle e a solução de problemas, tem na cidade o lugar de repouso. A maneira como representamos o espaço demonstra nossa compreensão do mundo, e a cidade passa a constituir-se de um local que acumula uma série de investimentos sob a forma de trabalho, de capital, de significados e, portanto, é o local onde por excelência manifestam-se as rupturas, as continuidades, as relações do antigo com o novo. Assim, a cidade é fruto de uma intricada estrutura histórica.
FIGURA 4: Cidade do sol de Campanella-1623
FIGURA 5: Diferentes concepções Renascentistas da cidade ideal: 1-La Sforzinda by Filarete (1460 – 1465); 2- Fra Giocondo (Giovanni of Verona), c. 1433 – 1515; 3-Girolamo Magi (c. 1523 – c. 1572); 4- Giorgio Vasari (1598); 5-Antonio Lupicini (c. 1530 – c. 1598); 6- Daniele Barbaro (1513 – 1570); 7- Pietro Cattaneo (1537 – 1587); 8/9- Francesco di Giorgio Martini (1439 – 1502).
Ao discorrer sobre o tema da cidade, a obra de Thomas Morus, “Utopia”, interliga a possibilidade do ideal ao meio urbano. Nessa obra, o autor descrevia uma ilha imaginária com uma sociedade perfeita criando a ideia de utopia. O processo de racionalização da vida, que constituía o imaginário burguês, conciliava esta obra literária às áreas da filosofia, da política e da história. O Renascimento condensou parte deste experimento, pois vagarosamente inseriu a concepção de produção do destino da humanidade, através da criação de normas de conduta que deveriam regular qualquer aspecto da vida prática. O sentido desta ideia levou à elaboração de critérios universalmente eficazes para cada atividade, com normas, regras e códigos, emergindo diversos assim diversos tratados.
Foram as mais diversas formas de pensar a cidade no decorrer da história que impulsionaram sua metamorfose. Nesse ínterim, ela sempre foi uma projeção, isto é, constantemente tratada com excesso de idealização na forma construtiva. Em especial sobre o aspecto utópico, a partir do Renascimento, entendia-se que, se a cidade podia ser pensada, possivelmente podia ser construída através do estabelecimento da racionalidade, ou ainda uma da forma da “virtú" combater as ameaças da “fortuna”. O desejo era de regulamentar a vida dos habitantes, de fazer da sociedade um minucioso alvéolo no qual cada um pudesse encontrar o seu lugar e a sua função.
FIGURA 6: Cidade ideal de Henrichemont Salomon de Brosse 1608
Alguns projetos relevantes do período renascentista já apresentam as cidades de caráter fechado e não evolutivo, tal como o de Giorgio Vasari e Salomon de Brosse na sua
Henrichemont. Encontra-se ainda La Sforzinda de Filarete, Fra Giocondo; Girolamo Magi, Antonio Lupicini; Daniele Barbaro; Pietro Cattaneo; Francesco di Giorgio Martini (MUMFORD, 2008.p.417). Dentre outras especulações de projetos, subsistiam características utópicas que perseguiam a simetria, o equilíbrio geométrico, condições para uma harmoniosa organização humana.
Quanto à obra “Utopia”, de Morus, existe uma enfática tentativa de criar um novo ambiente de cidade que passará a substituir o modelo em decadência, na medida em que
atacava os radicais defeitos e aperfeiçoes da cidade medieval: preponderância da riqueza privada, a ultra-especialização dos ofícios e profissões numa ordem rigorosa, hierárquica, muitas vezes mutuamente hostil e não-comunicativa.(…) retirar tanto tempo quanto possível do serviço do corpo e dedicá-lo à liberdade e cultura da mente, não apenas para uma classe, mas para a comunidade inteira. (MUMFORD, 2008, p.391).
Em alguns aspectos, a “Utopia” de Morus, sem saber, faz uma espécie de crítica antecipada do que se tornará mais tarde uma forma exclusiva de organização da cidade industrial. Este tipo de apreciação não tardará a ficar restrita apenas ao ambiente europeu, na medida em que, a partir do final do século XIX, diversas cidades ao redor do globo buscaram
“modernizar-se” do mesmo modo, sobretudo na questão da formatação dos costumes e estilos
de vida. Essa referência continuará sendo avaliada nas cidades hipermodernas do final do século XX, onde as relações sociais se realizam, concretamente, na qualidade das relações
espaciais constituindo atividade prática. Nessa alusão, observam-se as distintas projeções sobre novas cidades, tornando seu caráter utópico, distópico.
FIGURA 8: Palmova contemporânea
2.3.2 Cidade Moderna e a Utopia
O processo de mutação social se transpôs na composição da cidade europeia, ocorrendo uma forte expansão geográfica ao mesmo tempo em que ocorria uma redução da ideia de cidade como uma simples localização dos fenômenos, como o industrial, por exemplo. A especificação burocrática europeia para o funcionamento de uma cidade se deu de maneira que os centros urbanos tiveram agregações demográficas densas com obras de engenharia, estruturas definidas de poder e divisão social do trabalho, com exércitos e população vivendo em áreas restritas. Os centros industriais especializaram-se escapando do modelo da cidade medieval corporativa e expandiam-se para o campo em busca de mão de obra onde a mecanização transformava antigas práticas; alterava-se também a paisagem uma vez que se aglomeravam populações em torno de unidades fabris.
Em um ensaio analítico, publicado postumamente na obra “Economia e Sociedade de
1921”, Max Weber (1921 p. 408) constata a cidade de um ponto de vista apenas econômico,
caracterizando-se como um centro em que seus habitantes vivem apenas da indústria e/do comércio, onde sua troca não poderia ser ocasional. Era indispensável a existência de um mercado permanente, embora fosse necessário um complexo político-administrativo que traduziria uma comunidade autônoma com legislação própria e direitos ou privilégios para seus cidadãos. Entretanto, o espaço urbano não poderia se restringir a um conjunto denso e definido de edificações para significar, de caráter mais amplo, a predominância da cidade sobre o campo. De alguma maneira, “uma característica essencial da cidade de qualquer tempo ou lugar, [...] [a imagem] de um imã, um campo magnético que atrai, reúne e concentra os homens” (ROLNIK, 1995, p.12), o que corrobora a reformulação do espaço e a relação entre aqueles que o ocupam, a qual se altera conforme o período histórico em que estão circunscritos.
Este modelo de cidade, cujo foco serve à análise proposta, passa a ser inserido com o advento da industrialização, pois, conforme analisou Williams (1973, p.457), não havia nada em comum entre as cidades antigas e medievais a não ser pelo nome e em parte pela função, porém nada em relação à identidade. Surge, então, uma possibilidade de combinar uma concepção cultural de cidade, pois os homens produzem diversas metáforas que apresentam sonhos, angústias e necessidades. Dessa forma, ela “se torna artefato, máquina, obra de arte ou texto” (BARROS, 2007, p.17). Nesta vida cotidiana são reveladas novas formas de conflito, por onde a morfologia urbana, relações desiguais de poder e as rupturas do ritmo do capital são traduzidos em movimentos de construção e transformação (BARROS, 2007, p. 17).
Este modelo de cidade se apresentava como um complexo fenômeno em permanente processo de transformação no espaço e no tempo. Na evolução temporal das transformações cada vez mais aceleradas, existia um confronto entre a permanência e a destruição; entre a lembrança e o esquecimento; rupturas ente o antigo e o novo. Dependendo dos valores da sociedade que estavam presentes em cada momento histórico, a definição de patrimônio vai sendo forjada. As escolhas dos elementos que podiam ser preservados desta dialética demonstravam a visão de mundo e consequentemente quais valores eram atribuídos às escolhas, inserindo a cidade em um texto simbólico que incluía a disputa política e o poder econômico.
As cidades sofreram adaptações e mudanças nas suas características estruturais, em função do seu próprio crescimento e desenvolvimento neste período da história.
Equipamentos foram sendo construídos, aumentou-se o número de moradias, abriram-se ruas, construíram-se pontes, ou ainda foram feitas obras de infraestrutura (água, esgoto, energia, etc.). Essas transformações marcam o processo da evolução urbana e dão início ao processo mais amplo de escolha sobre os bens simbólicos de acordo com as relações sociais.
Com a Modernidade, constituem-se as novas bases do mundo Ocidental, em um primeiro momento, por meio da industrialização que produziu mudanças profundas na divisão entre campo e cidade; geraram a expansão dos centros urbanos a partir dos êxodos rurais; reformulando as práticas do cotidiano. Os primeiros estados a se debruçarem sobre a cidade Industrial, convictos das possibilidades infinitas da razão; assim, buscavam os modelos urbanísticos da perfeição, que viessem a responder aos ideais igualitários e ao desenvolvimento produtivo.