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III. BÖLÜM YÖNTEM

3.5. Verilerin Çözümlenmes

O primeiro consenso brasileiro de manejo da asma foi divulgado em 1994 pelas Sociedades Brasileiras de Pneumologia, Alergia e Pediatria, tendo sido atualizado em 1997 e 2002. Programas de controle da asma, especialmente no âmbito das instituições públicas, têm seguido as diretrizes desses guias e alguns estudos avaliando a efetividade das ações têm sido publicados.

Cabral et al. (1998) desenvolveram um estudo com o objetivo de avaliar a efetividade do Guia Internacional de Asma para crianças asmáticas de baixa renda na cidade de São Paulo. O estudo envolveu 50 crianças com asma moderada e grave, avaliadas e entrevistadas antes e um ano após um programa de educação e o tratamento médico. Do total, 58% das crianças eram do sexo masculino e 76% estavam na faixa etária até 14 anos. Os autores observaram que a maioria das crianças recebeu cuidados inadequados de seus médicos da atenção primária, com base principalmente no uso de broncodilatadores. Após a intervenção, evidenciou-se uma redução na internação e nas visitas aos serviços de urgência: antes do programa, 22% dos pacientes tiveram menos de três internações; 24% entre três e seis e 18% acima de seis internações, enquanto após o programa nenhum paciente foi internado. Quanto as visitas às urgências, 96% dos pacientes tiveram pelo menos uma visita antes do programa e após somente 12% usaram esse serviços. Houve também diminuição na gravidade da asma e nos escores de comprometimento das atividades, demonstrando que um programa educacional associado a bons cuidados médicos podem reduzir os sintomas da asma, melhorar a qualidade de vida e diminuir os custos do tratamento. A aplicação do guia de manejo da asma resultou na mudança do tratamento, orientado inicialmente para as crises, alterando para um cuidado crônico voltado para a prevenção.

Duarte e Camargo (1999) realizaram um estudo, envolvendo 306 asmáticos graves e moderados (4 a 15 anos) atendidos em um ambulatório especializado em pneumologia/alergia para avaliar o uso dos medicamentos profiláticos no momento da admissão no ambulatório. Do total, 87,3% dos pacientes foram classificados como portadores de asma grave e 12,7% como moderados. A idade da primeira crise variou entre um a 131 meses e para o ingresso no programa a média de idade foi de 85,7 meses. Apenas 14,4% recebiam um ou mais medicamentos profiláticos e quando se considerou apenas os corticosteróides antiinflamatórios, esse percentual reduziu para 4,6%, demonstrado o baixo padrão de uso dos medicamentos de controle entre a população estudada.

Buscando avaliar o desempenho do Programa de Atenção às Crianças Portadoras de “Chiado no Peito” no município de Embu (São Paulo), Ventura et al. (1998) estudaram 434 crianças e adolescentes cadastradas no programa no período de maio/1988 a julho/1993, por meio da pesquisa em prontuários e nas agendas das unidades de saúde. Foram levantados dados relacionados ao diagnóstico, consumo de medicamentos, alta e abandono no programa. Os asmáticos leves representaram a maior proporção de pacientes (41,7%), enquanto o percentual de moderados e graves foi de 28,3% e 7,6%, respectivamente. Para esses dois últimos grupos observou-se melhora clínica, após um ano de acompanhamento, o que foi associado a uma melhor aderência ao uso dos medicamentos. O percentual de alta no programa foi de 34,8%, sendo que a maior proporção ocorreu entre os seis e 11 meses de acompanhamento (53,3%). A taxa de abandono foi de 53,2% e a maioria ocorreu antes dos seis meses de tratamento (69,7%). Os autores concluíram que as crianças acompanhadas por um período superior a um ano, com menor número de faltas às consultas e adesão mais adequada ao tratamento apresentaram uma melhor evolução clínica.

Em Belo Horizonte, Fontes (2002) descreveu as estratégias empregadas na reorganização da assistência públicas às crianças asmáticas, os resultados e o impacto em relação aos aspectos populacionais utilizando documentos oficiais da SMSA/BH, questionários e relatos de profissionais e responsáveis pelos pacientes. A capacitação das equipes, a educação dos pacientes, a integração entre os diversos níveis de assistência, a disponibilização de medicamentos inalatórios e a vinculação do paciente ao centro de saúde foram consideradas como as principais estratégias do programa. Quanto à capacitação, 86,0% dos pediatras julgavam-se aptos a definir os pacientes que necessitavam do corticosteróide inalatório e aproximadamente 50,0% sentiam-se seguros para acompanhar os seus pacientes asmáticos, inclusive em relação ao uso da técnica inalatória. Cerca de 70,0% dos pediatras observaram maior discernimento e empenho da equipe de saúde no atendimento ao paciente asmático, mas apenas 20,0% da enfermagem realizava rotineiramente o pico de fluxo expiratório e verificava a técnica inalatória. Nos atendimentos de urgência observou-se a substituição do uso da micronebulização para o aerossol. Identificou-se um decréscimo no número de internações por pneumonia e elevação do número de internações por asma. Entretanto, os relatos das equipes de saúde e de pacientes indicaram uma melhora na clínica do paciente. A autora concluiu que o programa mostrou-se efetivo, com exceção da expectativa de redução no número de hospitalizações por asma, fato que poderia ser atribuído a uma melhora na acurácia do diagnóstico. Outros aspectos, como a demanda reprimida e a utilização dos serviços de saúde de Belo Horizonte pela região metropolitana, podem também ser aventados como fatores a mascarar o impacto populacional. Isso recomenda a avaliação do programa a partir de resultados apresentados pelos pacientes cadastrados. Em uma segunda parte do trabalho, a autora observou em 821 crianças menores de quinze anos cadastradas no

programa uma redução de 85,0% nos atendimentos de urgência e 75,8% nas hospitalizações por asma (Fontes, 2002).

Embora ainda não se tenha descoberto um tratamento capaz de curar a asma, o emprego da corticoterapia inalatória permite controlar os sintomas da doença e parece prevenir danos às vias aéreas, proporcionando uma melhor qualidade de vida ao paciente asmático. Entretanto, alguns aspectos podem dificultar um tratamento adequado, tais como a dificuldade do diagnóstico em crianças menores e a baixa adesão ao tratamento profilático. Por outro lado, apesar da ampla divulgação dos guias de controle da asma, ainda se observa uma certa distância entre a prática e as diretrizes desses guias. Assim a implantação de programa de controle da asma baseado nas orientações dos consensos, incluindo a educação continuada dos profissionais de saúde e pacientes é uma boa estratégia para otimizar a abordagem ao portador de asma e tem se mostrado efetiva em vários locais. A realização de avaliações periódicas para verificar se os objetivos estão sendo alcançados e identificar pontos que possam ser melhorados é importante no aprimoramento dessas ações. Nesse sentido a avaliação do uso dos medicamentos pode refletir tanto a prática de prescrição quanto a adesão do paciente ao tratamento, podendo contribuir de forma significativa para o processo de construção de uma assistência adequada ao paciente asmático.

Benzer Belgeler