2. ĐLGĐLĐ ARAŞTIRMALAR
3.3 Veriler ve Toplanması
O exequatur é a ordem proferida pelo órgão competente, para que a carta
rogatória oriunda de outro país seja cumprida, e, no Brasil, a sua concessão é de competência
originária do Supremo Tribunal Federal, competência essa conferida ao seu presidente pelo
Regimento Interno desse órgão.
De acordo com Celso Bastos,
Carta rogatória é aquela em que a autoridade judiciária de um país solicita à de outro o cumprimento de determinadas providências processuais que estão
12
URUGUAY. Constituição (1966). Constitución de la República Oriental del Uruguay de 1967. Anotada y concordada con las reformas constitucionales parciales de 1989, 1994 y 1997. Buenos Aires: DEOF, 1997.
13
URUGUAI. Código General del Proceso do Uruguay. Disponível em: <www.oabsp.org.br>. Acesso em: 03 de mar. 2003.
fora de sua jurisdição nacional. Diz-se ativa a rogatória quando encaminhada para cumprimento; passiva, quando recebida para ser cumprida. A rogatória não pode ter por objeto atos de execução, como o arresto ou o seqüestro, mas, tão-somente, atos de citação, intimação, bem como diligências de caráter instrutório.14
E acrescenta que, uma vez “Concedido o exequatur, a rogatória será remetida ao
juízo no qual deva ser cumprida nos estritos termos da diligência requerida, isto é, sem
restrições nem ampliações”15.
Vale lembrar que os atos, para terem eficácia no Brasil, não podem ofender a
soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes, conforme disposto no artigo 17 da
LICC, que estabelece: “As leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer
declarações de vontade, não terão eficácia no Brasil, quando ofenderem a soberania nacional,
a ordem pública e os bons costumes.” Esse artigo estabelece, ainda, que algumas
competências materiais somente poderão ser apreciadas aqui, como no caso de imóveis
localizados no país.
Na Argentina, o artigo 517 do Código de Processo Civil e Comercial estabelece,
da mesma forma, que a sentença não ofenda aos princípios da ordem pública do direito
argentino. No Paraguai, o artigo 532 do Código de Processo Civil16 dispõe que as sentenças
14
BASTOS, Celso Ribeiro. Do Supremo Tribunal Federal. In: BASTOS, Celso Ribeiro; MARTINS, Ives Gandra. Comentários à Constituição do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. São Paulo: Saraiva, 1997. v. 4, Tomo 3, p. 186.
15
Ibidem.
16 Art. 532“Las sentencias dictadas por los tribunales extranjeros tendrán fuerza ejecutória en los términos de los
tratados celebrados com el país de que provengam. Quando no hubieren tratados, serán ejecutados si concurren los seguientes requisitos: a) que la sentencia, com autoridad de cosa juzgada en el Estado en que fue pronunciada, emane de tribunal competente en el orden internacional y sea consecuencia del ejercicio de una acción personal o de una acción real sobre un bien mueble, si este há sido trasladado a la República durante o después del juicio tramitado en el extranjero; b) que no se halle pendiente ante un tribunal paraguayo una litis com el mismo objeto y entre las mismas partes; c) que la parte condenada, domiciliada en la República, hubiere sido legalmente citada y representada en el juicio o declarada rebelde conforme a la ley del país donde se sustanció el proceso; d) que la obligación que hubiere constituido el objeto del juicio sea válida según nuestras leyes; e) que la sentencia no contenga disposiones contrarias al orden público interno; f) que la sentencia reúna los requisitos necesarios para ser considerada como tal en el lugar en que hubiere sido dictada, y las condiciones de autenticidad exigidas por la ley nacional; y g) que la sentencia no sea inconpatible com
estrangeiras terão força executória nos termos dos tratados celebrados com os países de
origem e, se não existirem tratados, deverão cumprir os requisitos dispostos nesse artigo. No
Uruguai, o artigo 539 do Código Geral de Processo17 dispõe em igual sentido, ou seja, que as
sentenças têm que estar de acordo com a legislação daquele país, além de ter que cumprir os
seguintes requisitos básicos: que tenha sido proferida por tribunal competente no país de
origem, que tenham sido assegurados todos os direitos de defesa e que tenha o efeito da coisa
julgada.
Portanto, apesar de algumas variações entre a legislação do Brasil e a desses três
países, constata-se que elas determinam que as sentenças, para terem eficácia extraterritorial,
deverão ter sido proferidas por tribunais competentes em seus respectivos países e,
principalmente, que tenha sido observado o princípio do contraditório, através da efetiva
citação da parte, para o exercício do seu direito de defesa.
otra pronunciada, com anterioridad o simultáneamente, por un tribunal paraguayo”. Apud PARAGUAY. Código (1988). Código Procesal Civil de la República del Paraguay: lei no 1337/88. Asunción:
Intercontinental Editora, 2001,artigo 32.
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Art. 539 (Eficacia de las sentencias) “.1. Las sentencias extranjeras trendán eficacia en la República, si reunieren las seguientes condiciones: 1) Que cumplan las formalidades externas necesarias para ser consideradas auténticas en el Estado de origen; 2) Que la sentencia y la documentación anexa que fuere necesaria estén debidamente legalizadas de acuerdo com la legislación de la República, excepto que la sentencia fuere remetida por vía diplomática o consular o por intermedio de las autoridades administrativas competentes; 3) Que se presenten debidamente traducidas, si correspondiere; 4) Que el tribunal sentenciante tenga jurisdicción en la esfera internacional para conocer en el asunto, de acuerdo com su derecho, excepto que la materia fuera de jurisdicción exclusiva de los tribunales patrios; 5) Que el demandado haya sido notificado o emplazado en legal forma de acuerdo com las normas del Estado de donde provenga el fallo; [...] 8) Que no contraríen manifiestamente los principios de orden público internacional de la República; [...].”
4.4.1 Do procedimento para obtenção do exequatur no Brasil
Para a obtenção do exequatur, o nosso ordenamento jurídico adota o sistema de
delibação, que é o sistema que limita o exame da sentença estrangeira apenas aos seus
aspectos formais, não adentrando no seu mérito. O entendimento do Supremo Tribunal
Federal, no sentido de que não cabe apreciar o mérito da questão, é pacífico, como expresso
na Carta Rogatória AGR 6.411, em que o ministro Otávio Gallotti decidiu que as objeções
relativas à legitimidade ativa, à prescrição da dívida e até ao mérito de controvérsia deviam
ser declinadas para a Justiça rogante, sem lhes caber o exame na sede da concessão do
exequatur18.
No mesmo sentido, o ministro Sidney Sanches, relator no processo de Carta
Rogatória AGR 5.885, entendeu que mesmo se tratando de competência em que a Justiça
brasileira é concorrente (relativa) (artigo 88 do CPC) e, não, absoluta (artigo 89 do CPC),
aquela poderia ser ajuizada perante a Justiça inglesa, cumprindo-se a diligência de citação no
Brasil sem violação à ordem pública nacional. Segundo sua justificativa, é firme a
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal no sentido de que, em se tratando de lide cuja
competência da autoridade judiciária brasileira é meramente relativa, a possibilidade de o
interessado não aceitar a jurisdição estrangeira não obsta a concessão do exequatur.
Conforme o relator, a alegação de prescrição da pretensão da autora era questão relacionada
ao mérito da causa e, por isso mesmo, não poderia ser examinada pela Justiça brasileira,
18
STF – AGRCR 6.411 – EU – T.P. – Rel. Min. Octávio Gallotti – DJU 19.11.1993. In: Juris Sintese Millennium – Legislação, Jurisprudência, Doutrina e Prática Processual - JS 164-33.
segundo o direito nacional, nos autos de Carta rogatória. Não se caracteriza, só por essa razão,
violação à ordem pública no Brasil19.
Portanto, a questão da não apreciação do mérito resta evidente, não só pelos
dispositivos legais como também pelo posicionamento do Supremo Tribunal Federal.
Entretanto, deve-se fazer uma ressalva: quando verificada a hipótese da ocorrência de ofensa
à ordem pública, necessariamente terá que haver a apreciação do mérito da sentença,
exatamente para ver se aquela ocorreu ou não.