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3.7. Yöntem

3.7.3. Veriler ve Toplanması

3.1. Descrição da área de estudo

O município de Maringá situa-se geograficamente na região noroeste do Paraná, apresentando dois tipos de clima: tropical e subtropical. Seu crescimento, desde o início, em 1947, obedeceu a um plano de desenvolvimento urbano, nascendo como uma cidade planejada.

Maringá conta com 17 bosques, com mais de 100 alqueires de matas nativas que, somadas às milhares de árvores em suas ruas, avenidas e praças, proporcionam 26,65m2 de área verde por habitante, fazendo jus à designação de cidade verde.

O sistema hidrográfico da cidade pertence às bacias do Rio Pirapó (bacia do Rio Paranapanema) e do Rio Ivaí. A cidade é dividida por um espigão no sentido leste/oeste. Com isso, na área urbana, sete córregos nascem ao norte do espigão central, no Rio Pirapó e seis nascem ao sul do espigão e deságuam no Rio Ivaí. Todos esses córregos têm volume e dimensões reduzidas. O Rio Pirapó, de dimensões e volume médios, é limítrofe do município e seu fornecedor de água.

A vegetação original caracterizava-se por matas subtropicais. A fertilidade do solo e a exploração econômica e agropecuária levaram a cobertura vegetal a ser mais significativa na área urbana, representada pelas reservas florestais naturais e pela grande quantidade de árvores plantadas e cultivadas em ruas, avenidas e praças. Maringá possui dezenove zonas de proteção ambiental, amparadas pela legislação sobre o uso e a ocupação do solo urbano municipal (78).

Segundo o censo demográfico (79), o município apresenta população estimada para o ano de 2009 de 335.512 habitantes, sendo que moradores da zona urbana correspondem a 97,4% e da rural, a 2,52%. Para a averiguação da população canina no município, foi organizado censo pela Gerência de Vigilância Ambiental e de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde de Maringá, em 2006, em que agentes ambientais de saúde visitaram 150.386 imóveis, incluindo residências, estabelecimentos comerciais, além dos pontos estratégicos, como ferro velho, indústrias e borracharias. No referido censo, constatou-se a existência de 51.670 cães domiciliados, com responsáveis. Considerando que 5% dessa população correspondem a cães errantes, há aproximadamente 2.583 animais nessa situação em Maringá.

O município apresenta os seguintes indicadores de infra-estrutura urbana: 99,8% de domicílios com água canalizada, 98,2% com coleta de lixo pelo serviço público, 100% com energia elétrica, 60% com coleta de esgoto. Atualmente, seu crescimento, em módulos, segue as diretrizes básicas, definidas no plano diretor inicial.

Embora tenha todas as características de uma cidade média urbanizada, com polarização econômica, aproximadamente, de 127 municípios da região noroeste do estado, Maringá apresenta, cultural e visualmente, espaços antagônicos na malha urbana.

A cidade tem uma grande demanda ambiental na manutenção e preservação de suas áreas verdes (parques e fundos de vales), como também na hidrografia de todo o perímetro urbano. Segundo a Secretaria do Meio Ambiente e Agricultura (SEMAA)

(80), os córregos de Maringá, em especial os que estão localizados dentro do perímetro

urbano, associam-se a inúmeros processos erosivos. Solapamento ocorre devido às galerias de águas pluviais, cujo volume, em períodos de chuva, é superior à capacidade de contenção de energia dos dissipadores instalados. Observa-se que a diminuição significativa da mata ciliar, em grande parte dos córregos, contribui de forma significativa para acelerar o processo erosivo e o assoreamento desses córregos. Além disso, estes últimos encontram-se poluídos, tanto pelo despejo de efluentes clandestinos, de diversas procedências, quanto pelo lixo não orgânico, com entulhos, em sua maior parte residenciais, que são carreados pelas águas pluviais.

A vegetação predominante é formada por espécie exótica de leucena, eucalipto e gramíneas. Verifica-se nos fundos de vales a presença de vegetação arbóreo- arbustiva secundária. Essa vegetação exerce, apenas parcialmente, a função de proteção dos cursos d’água, favorecendo, portanto, os processos erosivos. Ressalta-se que o sítio urbano de Maringá caracteriza-se como área de interflúvio, com várias cabeceiras de drenagem (nascentes). Esses córregos rapidamente se aprofundam sobre o leito, geralmente encaixado no basalto, não sendo comuns os transbordamentos de água na zona urbana. Portanto urge a recuperação da hidrografia dos fundos de vale, para que o ambiente no seu entorno seja mais saudável e possibilite a manutenção e a evolução da fauna e flora e, como conseqüência, o aumento da quantidade e qualidade da água para consumo, tanto em área rural, como urbana.

No município, o lixo orgânico é coletado sistematicamente e de forma eficiente pelo poder público em toda a zona urbana; entretanto, observa-se que o ciclo da leptospirose, envolvendo roedores, é significativo. Por outro lado, os inúmeros

vazios urbanos existentes atuam como pastagem para eqüinos e eventualmente bovinos criados no meio urbano, demandando muitas vezes uma ação sanitária do município. Os veículos de tração animal também são muito freqüentes na cidade, junto à população de catadores e de prestadores de serviços informais, para o recolhimento de produtos recicláveis e a remoção de entulhos diversos.

3.2. População de Estudo 3.2.1. Cães

A população em estudo foram 335 cães errantes do perímetro urbano de Maringá, Paraná, de procedência confirmada para cão comunitário ou cão de vizinhança. As coletas foram iniciadas em junho de 2006, como proposta de pesquisa apresentada ao orientador, em conjunto com o Centro de Controle de Zoonozes (CCZ) de Maringá e pesquisadora e término em 2008.

Foram utilizados os cães de rua capturados pela equipe técnica do CCZ de Maringá, sob a supervisão da Gerência de Zoonoses da Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde e cães que estavam sob a supervisão e manutenção da Sociedade Protetora de Animais de Maringá (SPAM), Associação de Proteção aos Animais de Rua (APARU) e de algumas chácaras particulares que adotam os animais errantes. A coleta de sangue dos cães foi efetuada pela equipe técnica do CCZ, colhendo-se amostras de 10ml de cada animal por venopunção jugular que, posteriormente, foram encaminhadas ao laboratório, para centrifugação. O soro obtido foi mantido em freezer a -20ºC, até o encaminhamento ao Serviço de Diagnóstico de Zoonoses do Hospital Veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Estadual Paulista (UNESP) - Campus de Botucatu, São Paulo. Foi efetuada a ficha de cadastro de cada animal, bem como a identificação seqüencial, do número 1 ao número 335.

3.2.2. Pacientes

Amostra de 10 ml foi coletada de cada paciente por punção venosa, na própria Unidade Básica de Saúde (UBS) e encaminhada ao Laboratório Central da

Secretaria Municipal de Saúde. Também foram coletadas as amostras pelas equipes dos Laboratórios do Hospital Municipal e dos Hospitais privados, dos pacientes suspeitos internados. Essas amostras foram posteriormente recolhidas nos laboratórios, pela equipe da Vigilância Epidemiológica do município e encaminhadas para a pesquisadora responsável pelo projeto.

Foram analisados, de maneira prospectiva, 25 pacientes, de ambos os sexos, acima de cinco anos, com sintomas sugestivos de leptospirose e sob a investigação da Vigilância Epidemiológica: pacientes com sintomatologia sugestiva de leptospirose, com diagnóstico diferencial de formas anictéricas e formas ictéricas de leptospirose e também os classificados na suspeita clínica de Sindrome Febril Íctero - Hemorrágica Aguda, que foram notificados no período de 01 de Janeiro a 31 de dezembro de 2008. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Esses pacientes eram procedentes de demanda espontânea ou referenciada das UBS para a Vigilância Epidemiológica e o Pronto Atendimento do Hospital Municipal de Maringá e para outros hospitais privados ou conveniados ao SUS. Todos os participantes da pesquisa eram pacientes que já estavam sob atendimento médico especializado, portanto, com tratamento adequado à patologia referenciada. A pesquisa beneficiou os pacientes, pois permitiu o diagnóstico dos sorovares específicos de leptospiras nos casos positivos.

3.2.3. Roedores

Para o conhecimento e a análise da distribuição geográfica das notificações da presença de roedores no perímetro urbano do Município, foram utilizados os cadastros das reclamações dos contribuintes, solicitando aos profissionais da Gerência de Zoonozes da Secretaria Municipal de Saúde vistoria para inspeção sanitária. Para a obtenção das informações dessas notificações, espacialmente, as solicitações foram agrupadas de acordo com a listagem do código de endereçamento postal (CEP), da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Os endereços foram reunidos nos respectivos bairros e, em seguida, foram agregados por abrangência das zonas censitárias, com os respectivos setores urbanos definidas pelo IBGE.

No período entre 2001 e 2005, ocorreram 168 notificações de roedores, que foram representadas espacialmente em cartas temáticas.

Nos anos de 2006 até 2008, foram mais 122 notificações, localizadas em 36 zonas censitárias, totalizando a distribuição geográfica em 93 setores urbanos. Ocorreram, também, notificações nos dois Distritos do Município, denominados Iguatemi, classificado como zona 33 e Floriano, como zona 34. Além da apresentação em cartas temáticas, essas também foram georreferenciadas pelo Sistema de Recuperação de Informações Georreferenciadas (STATCART) do IBGE (2007) (81).

Em seguida, foi efetuada a distribuição geográfica das referidas notificações, conforme o endereço do reclamado, totalizando 290 solicitações de inspeção sanitária entre 2001 e 2008, sendo 288 no perímetro urbano e duas nos distritos, no período de 2006 até 2008.

3.3. Amostras de Sangue

Após a coleta das amostras, estas foram submetidas à centrifugação a 3.000 rpm/10 minutos para obtenção do soro, o qual foi aliquotado em microtubos, devidamente identificados e mantidos a –20oC até o momento do processamento.

Os exames sorológicos, tanto dos cães quanto dos humanos, foram realizados no Serviço de Diagnóstico de Zoonoses do Hospital Veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Estadual Paulista (UNESP) Câmpus Botucatu, São Paulo.

3.3.1. Técnica de Soroaglutinação Microscópica (SAM

)

A pesquisa de anticorpos contra leptospiras foi realizada pela SAM (82). Foi utilizada uma coleção de 29 cepas padrão de leptospiras, as quais foram mantidas em estufa a 28°C-30°C, em tubos rosqueados contendo meio de cultura específico

Ellinghausen-McCullough-Johnson-Harris (EMJH). Foram utilizados, como antígenos,

suspensões dos seguintes sorovares de leptospiras: Australis, Bratislava, Autumnalis,

Butembo, Castellonis, Bataviae, Canicola, Whitcombi, Cynopteri, Djasiman, Sentot, Gryppotyphosa, Hebdomadis, Copenhageni, Icterohaemorrhaghiae, Javanica, Panamá, Pomona, Pyrogenes, Hardjo, Hardjo prajitno, Hardjo miniswajezak, Hardjo CTG, Hardjo bovis, Wolffi, Shermani, Tarassovi, Andamana e Patoc. Foram considerados

Para os casos positivos de leptospirose humana, utilizados na pesquisa, consideraram-se as amostras que foram enviadas pela Vigilância Epidemiológica, a qual utiliza como referência o Laboratório Central da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (LACEN), que trabalha com uma bateria de antígenos composta por 19 cepas de

Leptospiras. Foram utilizados como antígenos, suspensões dos seguintes sorovares de

leptospiras: Australis, Autumnalis, Castellonis, Bataviae, Canícola, Cynopteri,

Grippothyphosa, Hebdomadis, Copenhageni, Icterohaemorrhagiae, Javanica ,Panama, Pomona, Pyrogenes, Sejroe, Hardjo, Wolffi, Patoc e Tarassovi. Foram considerados

reagentes os soros de pacientes que apresentaram titulações iguais ou superiores a 100. As cepas foram originalmente fornecidas pelo Centro de Referência Mundial da Organização Mundial de Saúde (OMS) e tipificadas por Biologia Molecular, no Laboratório de Patologia e Biologia Molecular do Centro de Pesquisas Gonçalo Muniz da Fundação Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro (FIOCRUZ), que é considerada Centro Colaborador da Organização Mundial de Saúde (OMS) e Organização Panamericana de Saúde (OPAS), órgão de referência nacional para Leptospirose.

3.4. Representação Cartográfica

Para determinar áreas de risco e possíveis componentes ecológicos da infecção leptospírica, em cães errantes e humanos, e sua espacialidade por setores urbanos, com indicadores ambientais e sociais do perímetro urbano, foram elaborados os mapas temáticos.

Para a apresentação cartográfica, foram elaborados os mapas/cartas temáticas ou cartogramas quantitativos, pontuais, que apresentam espacialmente dados numéricos, focalizando a distribuição de uma variável, ou seja, mostrando o quanto de uma determinada variável está presente em uma área.

Para o mapeamento dos dados, foi utilizado o Sistema de Informação Geográfica (SIG), o Programa ArcView 3.0 (ERSI), que está à disposição na Gerência de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde de Maringá. A base cartográfica utilizada foi cedida pela Coordenação de Geoprocessamento da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação da Prefeitura Municipal de Maringá (SEDUH). Para leitura das informações, pelo ArcView, foram organizados os dados nas planilhas

do Programa Microsoft Office Excel versão 2007 como ferramentas essenciais para a análise espacial do objeto em estudo.

Considerou-se como unidade geográfica a zona censitária proposta pelo IBGE para a realização do censo e adotada pela Prefeitura do Município de Maringá. Para a indicação nos mapas dos diferentes temas, levou-se em conta o local de ocorrência, pertencente a uma determinada zona censitária, com seus respectivos setores urbanos, determinados pelo ESTATCART, IBGE (2007)(79).



Figura 3: Setores Urbanos segundo o ESTATCART do perímetro urbano de Maringá, Paraná (2007) (79).

3.5. Imagens Fotográficas

Após a identificação da infecção leptospírica nos cães errantes com seus respectivos sorovares identificados por setores urbanos, foi registrado por imagens fotográficas o território local da captura desses cães.

3.6. Análise Estatística dos Dados 3.6.1. Indicadores e Base de Dados

Para a obtenção das informações dos setores urbanos georeferenciados pelo STATCART observados na Figura 3, utilizou-se a base de dados de informações sobre população e condição de vida por meio das características das pessoas e dos domicílios, averiguados pelo Censo Demográfico de 2000. Com o resultado do universo identificado, foi possível agregar, por cada setor urbano, as variáveis segundo domicílios, instrução, pessoas e responsável. Posteriormente, foi organizada uma base de dados, construída por meio do aplicativo Excel. A primeira base de dados foi constituída por cães capturados em 42 zonas censitárias, com 114 setores urbanos. A segunda, por cães positivos, em 19 zonas censitárias, com 30 setores urbanos. A terceira foi constituída por casos humanos positivos, em cinco zonas censitárias, com seis setores urbanos e, por último, foi constituída uma base dos roedores notificados em 36 zonas censitárias, com 93 setores urbanos, no período entre 2006 e 2008.

3.6.2. Indicadores do censo demográfico 2000

Resultado do universo: características da população e condição de vida: 1. Domicílio - condição, tipo, ocupação, abastecimento de água, esgotamento

sanitário, coleta de lixo, moradores. 2. Instrução- alfabetização ou não, idade.

3. Pessoas- idade, relação com o responsável, residentes.

4. Responsável - responsável pelo domicílio, idade, anos de estudo, rendimento salarial.

3.6.3. Base de Dados - 2006 a 2008

1. Base cães capturados - 42 zonas censitárias/114 setores urbanos; 2. Base cães positivos- 19 zonas censitárias/30 setores urbanos;

3. Base casos humanos positivos – 05 zonas censitárias/06 setores urbanos; 4. Base de roedores notificados- 36 zonas censitárias/93 setores urbanos;

Posteriormente, utilizou se o aplicativo estatístico Statistical Package for

the Social Sciences (SPSS), para realizar a análise exploratória dos dados. A análise dos

dados consistiu na elaboração e interpretação de tabelas de freqüências simples e cruzadas. A comparação das possíveis diferenças de comportamento entre os grupos estabelecidos foi medida e testada por meio do Teste Estatístico Não-paramétrico de Mann-Whitney (Teste U) e considerou-se um nível de confiança de 95% ( =0,05).

Benzer Belgeler