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3. GEREÇ VE YÖNTEM

3.5. Veri Toplama Yöntemleri

Os jornais envolvidos na questão do petróleo assumiram posições divergentes sobre a intervenção estatal. No caso de OESP, a intromissão do governo em assuntos econômicos, principalmente por meio da criação de empresas estatais, foi duramente combatida. Tal postura foi adotada devido às posições liberais do matutino, que resultaram em propostas concretas para a solução de alguns problemas econômicos, entre os quais destacam-se sugestões para que o Brasil assinasse acordos comerciais com os Estados Unidos, a fim de facilitar o afluxo de capitais privados norte-americanos, que auxiliariam no crescimento da economia e na superação do déficit na balança comercial. Para atrair investidores externos preconizava-se a substituição de medidas intervencionistas e nacionalistas por postulados liberais, como: a permissão de remessa de lucros ao exterior, garantias de que empresas não seriam expropriadas e o fim das medidas protecionistas. Ao Estado caberia ordenar a economia por intermédio de dispositivos reguladores flexíveis, que não se constituíssem em legislação nacionalista.11

A critica do jornal ao intervencionismo acentuou-se durante o segundo governo de Getúlio Vargas (1951-1954), momento em que se afirmava que tal prática não trouxe bons resultados para a França, Inglaterra e Argentina e, mesmo assim, o Brasil obstinava-se nessa política, com os projetos da Petrobras e Eletrobrás. OESP argumentava que tais empreendimentos provocariam um déficit no orçamento da União, aumentaria a carga tributária, prejudicaria o setor produtivo e elevaria a inflação. Os redatores alegavam que o

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Estado poderia superar os problemas estruturais da economia com medidas de estímulo à iniciativa privada, ao invés de atuar diretamente por meio de estatais.12

As estatais também foram criticadas, com o argumento de que o Estado era mau administrador de empresas, pois as que estavam sob sua direção foram consideradas ineficientes se comparadas às similares privadas do mesmo ramo. O jornal afirmava que elas davam prejuízo e que o trabalho burocrático diminuía sua competitividade.13 Além das críticas genéricas, OESP, valendo-se dos Relatórios Anuais do CNP, abordou a atuação deste órgão no setor petrolífero, o periódico procurou demonstrar que os resultados foram insatisfatórios, uma vez que as atividades de pesquisa, exploração e refino não cresceram significativamente desde a sua criação, o que evidenciava o fracasso da intervenção estatal na indústria do petróleo. Igual diagnóstico foi aplicado à Estrada de Ferro Central do Brasil, em precárias condições de funcionamento, apesar das elevadas tarifas.14

Tal quadro justificava a defesa da participação da iniciativa privada em indústrias de base. Lembrava-se o caso da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), cuja criação só foi possível, segundo o jornal, graças ao auxílio de capitais norte-americanos concedidos ao governo brasileiro por meio de empréstimos. Com a afirmativa de que a transação não resultou em nenhuma ingerência internacional nos negócios da companhia e nem colocou em risco a soberania do país, o jornal procurava responder ao argumento nacionalista de que a intervenção do Estado visava defender os interesses nacionais. A idéia era reforçada com a alegação de que o Brasil não possuía recursos para investir em indústrias pesadas.15

Já o DN defendeu a intervenção do Estado em setores estratégicos da economia por considerá-los essenciais ao progresso e independência econômica do país. Esperava-se que o Governo Federal elaborasse um programa para impulsionar o desenvolvimento, estabelecendo 12 OESP. 09/05/1953, p. 05; 09/10/1953, p. 03. 13 OESP. 01/07/1953, p. 03; 21/08/1953, p. 03. 14 OESP. 27/03/1946, p. 03; 10/04/1953, p. 05; 11/09/1953, p. 03. 15 OESP. 12/06/1953, p. 03; 29/07/1953, p. 03.

prioridades na destinação dos investimentos públicos. Com essa perspectiva, sugeriu a criação do Ministério de Minas e Energia, que centralizaria as ações governamentais nas áreas de extração mineral e recursos naturais. Ao realizar um balanço da situação econômica do país, o matutino carioca considerou positivas as iniciativas da União, entre as quais destacou os bons resultados obtidos pela CSN, os projetos de ampliação do setor elétrico, o crescimento da frota de marinha mercante, a construção de novas rodovias e a instalação de refinarias.16

No caso da indústria do petróleo, a intervenção do Estado por meio de monopólio foi defendida com o argumento de que a experiência internacional condenava o regime de concessões a companhias estrangeiras, uma vez que elas colocavam em risco os interesses nacionais. Para o DN, o Plano SALTE comprovava a existência de recursos federais para a implantação do setor petrolífero, o que invalidava a idéia dos liberais de que não havia capital para tanto no Brasil.17

Ao contrário de OESP, o DN não criticou o CNP, ao invés disso, optou por elogiar e apoiar suas realizações com o intuito de legitimar a intervenção estatal no setor petrolífero. Assim, as críticas foram substituídas por reivindicações de mais investimentos do Governo Federal no órgão, o que poderia ser viabilizado por meio de uma política do petróleo que garantisse os recursos necessários para o aumento da produção. O DN apoiou diversas iniciativas do órgão, desde a realização de um curso para habilitar químicos e engenheiros no trabalho em refinarias até a aquisição da Frota Nacional de Petroleiro, o que aceleraria o desenvolvimento da economia.18

O jornal reconheceu que os trabalhos de pesquisa e exploração do CNP eram morosos e reduzidos, no entanto não responsabilizou o órgão, mas sim a política praticada pelo Governo Federal em relação ao petróleo que, segundo o DN, era tímida e destituída de 16 DN. 03/12/1947, p. 04; 13/07/1949, p. 04; 26/03/1950, p. 04; 16/01/1953, p. 04. 17 DN. 08/07/1948, p. 04. 18 DN. 13/11/1947, p. 04; 26/11/1950, p. 04; 31/01/1953, p. 04; 03/01/1953, p. 04; 01/10/1953, p. 06.

ímpeto realizador, o que obrigava o Conselho a lidar com inúmeras dificuldades, como a falta de equipamentos, funcionários e recursos. O jornal argumentava que, mesmo com todos esses problemas, o órgão alcançou importantes conquistas, entre elas a descoberta dos campos petrolíferos da Bahia e as refinarias de Mataripe e Cubatão.19

Benzer Belgeler