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II. BÖLÜM

2.5. Veri Toplama Aracı ve Verilerin Toplanması

Como já observado na revisão da literatura realizada até aqui, os estudos sobre a

prosódia e a expressão de atitudes ainda são escassos na literatura. Ao investigar a relação da prosódia na expressão de atitudes em indivíduos com desordens de fala e linguagem,

encontramos dificuldades ainda maiores. Dessa forma, descreveremos os poucos estudos encontrados sobre o assunto, sem nos focarmos na gagueira.

Seguindo a idéia exposta sobre a teoria da relevância, a comunicação se dá por meio da fala e de sua interpretação. Dessa forma, assumimos aqui a relevância de estudos relativos a produção e percepção da fala.

O primeiro estudo que descreveremos aqui é o de Azevedo (2007) que teve como objetivo estudar os parâmetros prosódicos utilizados na expressão de atitudes em indivíduos com doença de Parkinson idiopática. Para tanto, a autora separou os indivíduos com doença de Parkinson em grupos diferentes, tendo como base a administração da levodopa (principal medicação usada nessa patologia) e o tratamento fonoaudiológico. Assim, a pesquisa foi conduzida separando-se indivíduos com e sem medicação, com e sem tratamento

fonoaudiológico, e com a junção dos dois. O corpus foi composto de três frases produzidas

em quatro formas diferentes: duas modalidades (declarativa e interrogativa) e duas atitudes (certeza e dúvida). Para auxiliar na expressão de atitudes, foram formuladas situações que levassem os participantes a emiti-las com maior facilidade.

A autora realizou medidas acústicas de F0 e duração dos enunciados, a saber: valores

máximo, mínimo e medial (valor do meio da vogal) de F0 e tessitura da tônica nuclear9 e da vogal pretônica; máximo e mínimo de F0 e tessitura do enunciado; taxa de velocidade de variação melódica da tônica e pretônica; F0 inicial e final do enunciado; duração da tônica,

9

A tônica nuclear é considerada pela autora como a vogal mais proeminente de cada enunciado. No presente

pretônica e do enunciado; tempo do início da tônica e da vogal pretônica; intensidade

máxima, mínima e média do enunciado.

Os resultados encontrados no estudo mostraram que os pacientes com doença de Parkinson não apresentaram diferenças estatisticamente significativas nos parâmetros prosódicos analisados na comparação entre a modalidade declarativa e certeza e entre a modalidade interrogativa e a atitude de dúvida. Cabe ressaltar que esse achado leva em conta o uso ou não da levodopa, o tratamento fonoaudiológico e a aplicação de ambos. Dessa forma, a autora concluiu que o fato do indivíduo apresentar doença de Parkinson faz com ele não “empregue os parâmetros prosódicos de forma diversa para expressar as atitudes” (Azevedo, 2007).

No âmbito da percepção, Pell (2007) desenvolveu uma pesquisa com indivíduos com e sem lesão focal no hemisfério direito. O objetivo do experimento foi compreender como a

prosódia age como pista na expressão da confiança e como os ouvintes com lesão focal no

hemisfério direito avaliam essa atitude. O corpus foi constituído de frases em inglês contendo de seis a 11 sílabas. Duas condições foram construídas para a inferência da confiança. A primeira foi a linguística, na qual as frases apresentavam afirmações semanticamente informativas (como, por exemplo You turn left at the lights). Essas iniciavam-se por unidades informacionais como com certeza, muito provavelmente e talvez, a fim de conduzir graus relativamente alto, médio e baixo de confiança através de pistas linguísticas e prosódicas. Para auxiliar os falantes a produzir diferentes níveis de confiança, foram elaboradas diferentes situações que os levassem a expressar os graus de confiança. A segunda condição foi a

prosódica, na qual pseudo frases foram construídas assemelhando-se a cada grau de

confiança da condição linguística (ex. You turn left at the lights – You rint mig at the flugs). Cada uma das frases foram produzidas para transmitir graus alto, médio e baixo de confiança por meio de pistas prosódicas apenas. Para auxiliar na produção, os falantes emitiram as

pseudo frases com um determinado grau de confiança no mesmo momento no qual produziram o mesmo grau na condição linguística.

O autor aplicou o teste perceptivo em indivíduos saudáveis a fim de realizar a etiquetagem dos níveis de confiança. Após a etiquetagem, dois grupos foram estudados: nove participantes com lesão focal no hemisfério direito e 11 indivíduos saudáveis.

Os resultados desse estudo apresentaram resultados interessantes, tanto para o grupo controle, quanto para o grupo com lesão cerebral. O ranqueamento de respostas finais dadas pelo grupo controle mostrou que os participantes quase não apresentaram diferenças nas duas condições propostas. Isso mostra que esses participantes foram capazes de julgar o grau de confiança em pseudo frases com pistas prosódicas tão bem quanto julgaram as frases com informação semântica. Assim, o autor assumiu que as características prosódicas foram fatores decisivos nas duas condições, levando a essa diferença mínima encontrada entre ambas.

No entanto, Pell observou ainda que os resultados mostram que adultos com lesão focal no hemisfério direito não possuem habilidade normal de reconhecimento da atitude de confiança. O grupo experimental apresentou resultados com diferenças estatisticamente significativas do grupo controle nas duas condições testadas. Nas palavras do autor,

“Evidence that RHD patients were less sensitive to meaningful distinctions in speaker confidence was found in both our “linguistic” and “prosody” tasks, although closer inspection of the data emanating from each cue condition argues strongly that interpreting speaker confidence from prosodic cues alone was especially problematic for the RHD group”.

(Pell, 2007) Esses resultados negativos para o grupo experimental foram ainda mais evidentes nos enunciados com apenas pistas prosódicas nos enunciados com alto grau de confiança.

Os estudos apresentados mostram que as desordens de fala citadas, seja de origem neurológica degenerativa ou a partir de lesão focal, repercutem seus danos no nível prosódico. Não encontramos estudos com indivíduos com gagueira que relacionassem a prosódia na expressão ou percepção de atitudes ou emoções. Esse é o mais forte motivo que nos levou a conduzir a presente pesquisa.

A seguir, expomos alguns modelos de fala na tentativa de melhor compreender toda essa relação até aqui apontada.

Benzer Belgeler