3.3. Veri Toplama Araçları ve Veri Toplama Süreci
3.3.1. Veri Toplama Araçları
A região citoplasmática, ou domínio citoplasmático, está localizado C- terminalmente e pode variar amplamente entre as diferentes ADAMs, tanto em comprimento (40 a 250 aminoácidos) como em seqüência (DUFFY et al., 2003). As ADAMs possuem uma cauda citoplasmática rica em prolina, serina, ácido glutâmico, lisina ou tirosina (WOLFSBERG et al., 1995). A presença destes resíduos no domínio citoplasmático sugere sua participação em vias de transdução de sinais. A presença de resíduos de prolina, por exemplo, sugere a presença de sítios de ligação para proteínas associadas ao citoesqueleto ou para proteínas que contêm domínios de ligação SH3 (Src homology 3). Os resíduos de tirosina podem sofrer fosforilação e interagir com proteínas citoplasmáticas contendo sítio de ligação
SH2, o que novamente sugere o envolvimento das ADAMs em processos de sinalização intracelular levando a regulação de sua e/ou ao controle de sua maturação e localização intracelular (DUFFY et al., 2003; WOFSBERG & WHITE, 1996).
1.5.6- PRINCIPAIS FUNÇÕES DAS ADAMs
A organização das ADAMs em domínios sugere sua participação em importantes e variadas funções fisiológicas, incluindo proteólise, processamento de formas precursoras de fatores de crescimento, adesão e fusão celular, interações célula-célula e célula-MEC e sinalização celular (BLACK & WHITE, 1998).
Estudos recentes mostram os diferentes processos biológicos nos quais as ADAMs estão envolvidas, incluindo a fertilização, a neurogênese, a miogênese, a liberação embrionária de TGF-α, a clivagem de ectodomínios de proteínas de membrana, migração, proliferação, sobrevivência celular, resposta inflamatória (BLOBEL et al., 1992), doenças humanas (como por exemplo, câncer, hipertrofia cardíaca, asma, artrite, aterosclerose, doença de Alzheimer e infecções bacterianas), entre outros processos (DUFFY et al., 2003; SEALS & COURTNEIDGE, 2003).
Aumento da proliferação celular, invasão e metástase são as características oficiais da progressão do câncer. Várias ADAMs podem liberar formas ativas de fatores de crescimento específicos, como por exemplo a heparina madura, que se liga ao fator de crescimento epidérmico (HB-EGF), um mitógeno para células lisas e certos tipos de fibroblastos liberado pelas ADAMs 9, 10 e 12 (DUFFY, et al., 2003). Células tumorais, muitas vezes móveis e invasivas, produzem fatores de crescimento e sua proliferação independente dos fatores de crescimento exógenos contribui com sua tumorigenicidade. Baseado em suas atividades já conhecidas, ou seja, de seu papel na regulação da clivagem dos fatores de crescimento em células normais, alguns ou determinados membros da família das ADAMs podem estar envolvidas nestes processos também em células tumorais (SEALS & COURTNEIDGE, 2003). A ADAM9 tem sua expressão aumentada em um grande número de carcinomas humanos, entre eles, próstata, mama e intestino (MAZZOCA et al., 2005; MOCHIZUKI & OKADA, 2007; ZHOU et al., 2001). Outras ADAMs, como a ADAM10, 12, 15 e 17, também apresentam sua expressão aumentada em diversos carcinomas humanos (DUFFY et al., 2003; IBA et al., 1999; SEALS & COURTNEIDGE, 2003).
Algumas ADAMs, como as ADAMs9, 10 e 17, desempenham funções de α- secretase. A primeira causa da doença de Alzheimer é a acumulação do peptídeo β-amilóide
(Aβ) no córtex cerebral. O peptídeo Aβ é derivado de uma proteína transmembrana conhecida como proteína precursora amilóide (APP), sendo que esta pode ser degradada por proteases, tais como a α- β- e γ-secretase (ASAI et al., 2003; DUFFY et al., 2003; SEALS & COURTNEIDGE, 2003).
1.6- ADAM9
A ADAM9 (MDC9 ou meltrin γ) é um importante membro desta família de glicoproteínas ancoradas na membrana (FRITZSCHE et al., 2008b; FRITZSCHE et al., 2008a;
ZUBEL et al., 2009). Trata-se de uma molécula de adesão que interage com a integrina αVβ5,
está envolvida no processamento proteolítico (clivagem de ectodomínio) do fator de crescimento tipo fator de crescimento epidérmico ligado à heparina (HB-EGF ) e ancorado à membrana (FRITZSCHE et al., 2008b; FRITZSCHE et al., 2008a; GRÜTZMANN et al., 2004). Além disso, essa proteína esta envolvida em processos celulares, tais como adesão celular, migração e sinalização (ZUBEL et al., 2009). A ADAM9 também pode estar essencialmente envolvida na carcinogênese e progressão tumoral, pois participa da atividade do receptor de EGF e por promover a invasão das células de câncer via regulação de E- caderina e diversos tipos de integrinas (FRITZSCHE et al., 2008b). Diversos estudos mostram a ADAM9 como uma proteína com potente atividade biológica, ou seja, o domínio metaloprotease da ADAM9 pode clivar a cadeia β da insulina, fator de necrose tumoral α, gelatina, caseína-β e fibronectina, e induzir a liberação do EGF, do receptor do fator de crescimento fibroblástico 2IIIB ou do fator de crescimento tipo EGF que se liga à heparina. Além disso, o domínio desintegrina da ADAM9 contém o motivo ECD (Glu-Cys-Asp), que pode participar da adesão celular via integrinas α6β1 e αVβ5. A cauda citoplasmática da
ADAM9 apresenta um motivo de ligação a SH3, o qual interage com importantes proteínas regulatórias, tais como endofilina 1 (SH3GL2) e SH3PX1 (SUNG et al., 2006).
Embora ADAM9 seja considerada uma proteína transmembrana, uma forma solúvel ADAM9-S foi descrita (HOTODA et al., 2002). A ADAM9-S é derivada de um
splicing alternativo do gene que codifica para a ADAM9. Essa proteína solúvel promove o
fenótipo invasivo em linhagens celulares de carcinoma. Um modelo proposto para metástase hepática por MAZZOCCA et al. (2005), mostraram que a ADAM9-S liberada pelas células hepáticas ativadas se liga às integrinas α6β4 e α2β1 na superfície do tumor, e através de sua
membrana basal, incluindo laminina-1, e desta forma permitindo que células tumorais invadam a matriz ao seu redor (MAZZOCCA et al., 2005).
A expressão aumentada da ADAM9 tem sido reportada em diversos carcinomas humanos, tais como carcinomas de rim (FRITZSCHE et al., 2008a), próstata (FRITZSCHE et al., 2008b), mama (O'SHEA et al., 2003), fígado (TANNAPFEL et al., 2003), pâncreas (GRÜTZMANN et al., 2004; MOCHIZUKI & OKADA, 2007), estômago (CARL-McGRATH et al., 2005; MOCHIZUKI & OKADA, 2007) e intestino (PEDUTO et
al., 2005). Da mesma forma, a ADAM9 também tem sua expressão aumentada em melanoma
(MOCHIZUKI & OKADA, 2007).
Um estudo experimental utilizando um modelo de rato demonstrou que ADAM9 contribui para a carcinogênese prostática por clivagem de ligantes do receptor EGF e do receptor do fator de crescimento fibroblástico (FGFR) (PEDUTO et al., 2005). Além disso, a ADAM9 secretada por células estromais ativadas, parece induzir invasão celular de carcinoma cólon (in vitro) através de ligação as integrinas α6β4 e α2β1 (MAZZOCA et al.,
2005). A ADAM9 aumenta a adesão e invasão de células de carcinoma de pulmão através da modulação de moléculas de adesão, tal como a integrina α3β1, e sensibilidade de fatores de
crescimento, e, desta forma, promove a capacidade de metástase para o cérebro. Assim, a ADAM9 desempenha um papel importante na tumorigênese, invasão e metástases através da modulação da função da atividade do fator de crescimento e de integrinas (MAZZOCA et al., 2005; SHINTANI et al., 2004).
O gene que codifica a ADAM9 localiza-se no cromossomo 8, mais precisamente na posição 8p11.23. A seqüência de nucleotídeos do cDNA da ADAM9 (NM_001005845) correspondente possui 4005 pares de bases. Essa seqüência é traduzida em 819 aminoácidos, com massa molecular de aproximadamente 91kDa (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/).