Autor: Silveira (2008).
Em síntese, as variáveis componentes do sistema natural caracterizam-se por apresentar condições morfométricas de fragilidade do relevo “média” e de declividade “muito fraca”. As litologias demonstram-se propensas a fragilidade erosiva, enquanto as tipologias dos solos, com a presença de Latossolos, Argissolos e Neossolos, demonstram, respectivamente, graus de fragilidade “muito baixa”, “alta” e “muito alta”. Conforme já explicitado, o clima reinante na área de estudo é o Cwa, com inverno seco e verão chuvoso, com altos índices pluviométricos neste período que auxiliam os processos denudativos, sobretudo quando os solos utilizados para o plantio de cana-de-açúcar estão desnudos.
Conforme mencionado, além da monocultura canavieira, outra interferência antropogênica condiz com a implantação do Distrito Industrial Noroeste, o qual se encontra em uma área próxima ao rio Piracicaba, apontando registros de retiradas e remoções de material, alterando a topografia original e interferindo no escoamento das águas pluviais.
Logo, observa-se que embora as condições de relevo não denotem “alta fragilidade”, tanto a monocultura canavieira como o Distrito Industrial vêm sendo implantados em setores com “alta fragilidade” litológica e pedológica, sobretudo nas médias e baixas vertentes convexizadas que drenam para o rio Piracicaba.
O Setor de Topos Planos e Altas Vertentes do Rio Piracicaba e Afluentes (Dp 3.2)
é correspondente à unidade denudacional de topo plano com grau de entalhamento dos vales “médio” (55 a 60 m) e dimensão interfluvial “baixa” (500 a 700 m), o que a caracteriza com fragilidade do relevo “média”, apresentando declividades preponderantes menores que 12%, compondo as classes categorizadas como fragilidade “muito fraca” e “fraca” (< 3%, 3 a 6% e 6 a 12%).
As litologias aflorantes são representadas pelas Formações Rio Claro e Corumbataí, estando a primeira nos topos aplainados e a segunda nas vertentes convexizadas. Conforme já mencionado, o contato discordante entre estas litologias promove uma fragilidade erosiva em virtude da diferença de material constitutivo. Para os solos, foi registrada a presença dos Latossolos (EMBRAPA, 1999) em áreas de topo, classificados anteriormente como LV-4 (IAC, 1989), com grau de fragilidade “muito baixa”, por serem solos bem desenvolvidos; e os Neossolos (EMBRAPA,1999) nas vertentes, anteriormente classificados como Litólicos (LI-1 e LI-2), em associação com Podzólicos Vermelho-Amarelo (PV-11), e os LI-3 (IAC, 1989), com grau de fragilidade “muito alta”, por serem solos pouco desenvolvidos associados normalmente a litologia aflorante e a topografia local.
Quanto à morfologia do relevo, o setor caracteriza-se por topos planos (Tp) com vertentes concavizadas (Vc), apresentando cabeceiras de drenagens correspondentes aos afluentes do córrego Itapocu e afluentes diretos do rio Piracicaba, normalmente envoltas por rupturas topográficas com a presença de sulcos erosivos. Tais processos erosivos estão presentes, sobretudo, em áreas de pastagem e de cana-de-açúcar, vigentes nas bordas urbanas do bairro Parque Piracicaba, que toma praticamente todo o topo plano do Setor.
De maneira geral, as variáveis do sistema natural, correspondentes aos parâmetros morfométricos, apresentam a fragilidade do relevo “média” e de declividade “muito fraca” e “fraca”. As litologias denotam fragilidade erosiva, ao passo que os solos dos topos planos, correspondentes aos Latossolos, denotam grau de fragilidade “muito baixa”; já os solos das vertentes convexizadas denotam fragilidade “muito alta”, vinculada à presença dos Neossolos. O clima Cwa, conforme já registrado, tem significante participação nos processos denudativos.
Visto isso, o Setor mencionado apresenta interferência antrópica no sistema natural, marcada pela urbanização com registros de formas pontuais de relevo que indicam ocorrência de processos erosivos em seu entorno, dinamizados tanto por essa ocupação, como também pela presença da Rodovia SP – 304, que deforma a topografia, conforme registrado na Carta Geomorfológica, com a presença de cortes e aterros para sua passagem.
De acordo com a proposta de Macrozoneamento, aprovada nos termos de Lei (PIRACICABA, 2006), a área urbanizada deste Setor é caracterizada como Zona de Controle de Ocupação por Fragilidade Ambiental (ZOCFA), composta por áreas do território que apresentam fragilidades ambientais, com solo sujeito a altos índices de erosão, não recomendáveis para o adensamento populacional (PIRACICABA, 2006).
Assim, tem-se detectado, conforme os registros cartográficos, bem como a partir das investigações de campo, certa incoerência nos termos da Lei estabelecida, já que a ZOCFA deste Setor vem passando por intenso processo de expansão urbana sem medidas de controle, conforme registrado pelos próprios Planos Diretores (PIRACICABA, 1991 e PÒLIS, 2003), caracterizando-o como eixo expansivo de urbanização.
O Setor drenado pelo Córrego das Ondas e Afluentes e Médias Vertentes do Córrego da Reta e Afluentes (Dc 2.4) é correspondente a unidade denudacional de topo convexo com grau de entalhamento médio dos vales “fraco” (50 a 55 m) e dimensão interfluvial média “alta” (250 a 350 m), que a caracteriza com fragilidade do relevo “forte”, apresentando declividades preponderantes variando entre as classes categorizadas como fragilidade “muito fraca”, “fraca” e “média” (3 a 6%, 6 a 12%, 12 a 20%) e, em menor quantidade, classes categorizadas como “forte” e “muito forte” (20 a 30%, 30 a 45% e ≥ 45%).
Tais condições morfométricas apresentam como estrutura litológica aflorante os sedimentos da Formação Corumbataí, com potencial erosivo considerável, por conta das camadas diferenciadas de materiais constitutivos. Para os solos, registram-se o predomínio dos Neossolos (EMBRAPA, 1999), anteriormente classificados como LI-3 (IAC, 1989), com grau de fragilidade “muito alta” e os Argissolos (EMBRAPA, 1999), classificados anteriormente como PV-9 (IAC, 1989), com grau de fragilidade “alta”.
Quanto às formas de vertentes deste Setor, predominam as de forma convexa (Vc) com registro, a montante das nascentes, de concavidades (Vcc), que se conectam com fundos de vale com formato em “V”. Ambos os tipos de vertentes apresentam escalonadas rupturas topográficas, as quais receberam medidas insuficientes de práticas conservacionistas, mediante terraços agrícolas, haja vista a presença marcante de processos erosivos lineares (sulcos erosivos), sobretudo nas vertentes que drenam para o córrego das Ondas (foto 13). O interflúvio entre esta drenagem e o córrego da Reta apresenta linha de cumeada aguda, a partir da qual, para ambas as vertentes, projetam-se rupturas de declive e sulcos erosivos.
Foto 13: Sulcos erosivos em alta vertente do córrego das Ondas, com a presença de Neossolos (grau de