• Sonuç bulunamadı

2. YÖNTEM

2.2. Veri Toplama Araçları

O jornal A Gazeta, de 10 e 11/05/1964, salientou em uma de suas páginas, cuja reportagem interessa mencionar, acerca da imagem da “Revolução” na região capixaba:

Tendo se desencadeado não só contra o comunismo, mas muito especialmente contra os escândalos e a corrupção, a revolução já viu que, no Espírito Santo, se a fuga dos vermelhos facilitou o seu trabalho de

drenagem do bolsão comunista, o mesmo não acontece em relação ao governo do Estado.

Mais uma vez, como se constata, o periódico A Gazeta fez provocações ao Chiquinho. Contudo, se pensarmos no poder da imprensa, aqui se pode salientar que o jornal trabalhou com seus intelectuais a favor da base conservadora no Estado. Infelizmente, por qualquer razão, não saiu o nome do colunista ou repórter. Continua ainda a mesma matéria sobre o movimento de 64 e mais provocações ao governo do Estado:

Arrivista de última hora, colocou o Dr. Chiquinho um penacho vermelho, fantasiou de herói revolucionário e já se julga ultr3a-seguro, certo de que na revolução é possível alguém se agarrar com fita durex [...] o visgo do Governador em férias é respeitável: saiu daqui dizendo que ia comandar a eleição do Marechal Castelo Branco na bancada capixaba [...].

A ironia apenas realça o forte conteúdo da reportagem contra pessoa do governador. E parecendo promover uma “manobra” com o intuito de desestabilizar o Governo de Chiquinho, o colunista deixa bem claro:

Mas a hora dos corruptos já chegou. De nada adianta as manobras do Senhor Lacerda de Aguiar. Mais hoje, mais amanhã, sua autoridade, já alcançada, deixará de existir e os escândalos, a corrupção do jogo [...]. Um governador que não aceita vir terçar em praça pública as armas da moral- porque não as possui- pode investir contra a dignidade alheia [...].

Dentre essas acusações feitas e demais que se seguiram, conforme visto em seção específica neste capítulo, Chiquinho sairia antes do término do seu mandato, em 1966, com sua atuação avaliada por um Inquérito Policial Militar.147 No entanto, seu vice, Rubens Rangel (05/04/1966), assume a chefia do Estado. A partir de 1967 começaram a entrar em vigor os governadores biônicos, destarte, foi empossado Christiano Dias Lopes Filho, que passou a ser um correligionário no partido da situação, Aliança Renovadora Nacional (Arena).

Por sua vez, o periódico O Diário, conforme a revista ES-Agora (1972, p. 39), noticiou a atuação de Chiquinho (segundo mandato) de forma positiva:

Lacerda de Aguiar é a favor da reunião de líderes revolucionários e que em encontro entre os Governadores do Espírito Santo e de Minas Gerais com o Presidente Castelo Branco, disse que, se o presidente ouve os inimigos da revolução porque não ouvir os responsáveis por ela.148

147 Tal procedimento foi apresentado em seção específica. Chiquinho foi acusado de corrupção,

caluniado por políticos partidários como Christiano Dias Lopes Filho (PSD) e outros. Sobre o assunto, o próprio acusado em entrevista à revista ES-Agora (Dezembro de 1972), não quis se pronunciar.

Entretanto, de outro lado, o jornal A Gazeta noticiava os manifestos críticos contra Lacerda de Aguiar. Conforme ES-Agora (1972, p. [?]), as acusações são bastante contundentes:

O jornal da Guanabara Tribuna da Imprensa, publicou um tópico sobre a grande corrupção existente no Governo Lacerda de Aguiar, e a promessa do coronel Bandeira de Queiroz (coronel do 3º BC de Vitória) de apurar tudo e tomar providência enérgica.149

Não somente tal fato, mas também acerca do mau uso do dinheiro público estadual, durante o Governo de Chiquinho. Em suma, as críticas foram num crescendo que culminaram, como bem queria a oposição, na deposição de Chiquinho, conforme visto em trechos anteriores.

O jornal A Gazeta, datado de 17 de novembro de 1964, em uma de suas reportagens de capa, parece indicar que era bastante favorável ao movimento de 64. Neste momento, urge ressaltar alguns trechos da matéria, intitulada A Revolução e o

Espírito Santo:

Entre os seus muitos objetivos, a Revolução de Abril colocou em plano ante aquele de restaurar a situação financeira nacional [...]. A Revolução não foi feita para Minas Gerais, Pernambuco, Bahia. A Revolução foi feita para o país inteiro e na presunção de que também devesse ter abrangido o Espírito Santo.

Contudo, não foi somente uma posição particular e valorizada do Movimento de 31 de março, porém, tal matéria criticava novamente o Governador Chiquinho, considerando-o impróprio para administrar o Estado, por ter nomeado vários servidores públicos sem necessidade. Mas, isso foi bem comentado em outros momentos nesta parte do texto. Cabe aqui dizer que tal reportagem lançou sua crítica manifestando a afirmação de que a Revolução foi fato consumado, mas não andou por aqui. Isto é, Chiquinho não soube aproveitar o momento para negociar devidamente com os revolucionários e organizar melhor o Espírito Santo.

O periódico A Gazeta, por sinal, é o único jornal que ainda se mantém com fonte relativamente intacta. Do jornal da esquerda capixaba, Folha Capixaba, por exemplo, não se encontram os números referentes ao ano de 1964, apesar de esse veículo de informação ter sobrevivido até o movimento de março.

Logo que foi tomado o poder político pelos militares, o jornal A Gazeta apresentou, em sua manchete de capa, que estava sumamente grave a situação no país (01/04/1964), fazendo um desenrolar dos acontecimentos em alguns pontos do país.

Quanto ao campo religioso, o Arcebispo de Vitória, D. João Batista da Motta e Albuquerque, foi acusado de comunista. Alguns elementos da Câmara municipal de Vitória, como o vereador Apolinário Delmaestro, inocentaram o Arcebispo. De acordo com A Gazeta (01/4/1964), a acusação se deu pelo fato de o religioso prezar por uma sociedade justa e apoiar as reformas sociais por que passava o país. Apolinário afirmou que, sendo o Arcebispo divulgador dos ensinamentos de Jesus Cristo, ele não poderia ser chamado de comunista. Por sua vez, o líder udenista na Assembleia Legislativa, Helsio Pinheiro, não tinha a mesma opinião. Culpou o Arcebispo de omissão e conivência com os comunistas (A Gazeta, 01/4/1964).

Os pronunciamentos dos parlamentares capixabas Mário Gurgel e Christiano Dias Lopes Filho são citados em A Gazeta (03/4/1964). Quanto ao primeiro, se solidariza com Jango. Reconheceu o trabalho e desempenho do ex-presidente da República. E ainda, denunciaria erros dos novos dirigentes do país. Por sua vez, o segundo se colocou como o observador de uma análise prudente da qual as Forças Armadas derrubaram Jango para combater as Reformas de Base, e que a essas Forças Armadas cabia-lhes a responsabilidade de um projeto para o futuro.

Benzer Belgeler