III. BÖLÜM
3.1 YÖNTEM
3.1.3 Veri Toplama Araçları
Para buscar o lugar e a possibilidade de tornar elucidativa a função do conhecimento, Apel expõe que o caminho para tal não se dá como método científico ao lado do esclarecimento, nem como concorrente a operações lógicas intocáveis, mas como “constituição do mundo pré-científico e certificação propriamente científica, as quais tornam possível todo esclarecimento (seguindo a sustentação de hipóteses, conceitos superiores, axiomas), seria agora perceptível a compreensão”140.
Inicia-se agora o que Apel denominou “o aprofundamento filosófico-radical, o qual experiencia o conceito de compreensão em sua última fase de desenvolvimento”141. Começa assim a encerrar uma problemática do conhecimento, que toca na filosofia tradicional desde Kant, embora sob as palavras-chave de “síntese transcendental” e “apercepção”, porém que nunca foi aprofundada desde Aristóteles até a exposição completa do problema da originária “síntese hermenêutica” (algo como algo) da compreensibilidade do ser. Essa última radicalização inspiradora do pensamento hermenêutico nasceu a partir do encontro de duas Escolas filosóficas, a saber, a Fenomenologia de E. Husserl, na qual o problema da constituição do mundo neumático filosófico-fundamental foi tomado como a base mais ampla, em contraposição com a Escola diltheyana da maneira de pensar científico-espiritual142.
É dentro desse contexto que vai situar-se a fenomenologia hermenêutica de M. Heidegger, que “eleva o conceito da compreensão ao conceito básico ontológico fundamental, ao organon do pensar vital e sua verdade histórica, a qual antecipa toda correção do pensar lógico e com isso o procedimento do pensamento científico- racional”143. Aqui a função pré-científica da língua materna se torna problema central no pensamento, pois a relação entre compreensão e linguagem ocupará o lugar de destaque, sendo que buscará os pré-requisitos históricos do ser na filosofia ocidental.
Husserl aborda o problema da compreensão geral, no sentido da constituição do mundo. Em termos gerais defende uma fenomenologia da pura consciência, ponto que H.
140 Ibidem, p. 189. 141 Ibidem, p. 189.
142 Cf. Ibidem, p. 190, onde também se lê que “já o próprio Dilthey havia dado um ponto de partida à teoria da constituição hermenêutica com o conceito do ‘significativo’, o qual irradia as ‘referências vitais’(Lebensbezügen)”.
Plesner irá aprofundar enquanto unidade de constituição do sentido, o interpretado que se refere à consciência presentificada ou visualizada. Nesse sentido, compreensão é “a relação com uma sustentação de sentido pelo exposto de um conteúdo citado em forma representativa. O manifestado não é simplesmente levado, porém, está aí como algo no qual o intérprete o apreende”144.
Segundo Apel, o ponto central se coloca, quando
a síntese criadora do pensamento histórico-hermenêutico, com o desejo de uma ontologia fenomenológica, funda o “Logos” da ontologia existencial de M.
Heidegger e eleva pura e simplesmente o compreender ao conceito fundamental
de intuição. A fenomenologia de Husserl queria adiantar o esclarecimento especulativo, especialmente naturalista, da descrição sem pré-supostos dos fenômenos. Assim Heidegger prega que nós já nos ‘encontramos’ desde sempre num mundo historicamente compreendido, lingüisticamente deduzido. A descrição fenomenológica, se ela realmente pretende revelar ‘algo’, não pode proceder sem pré-supostos hermenêuticos, no entanto ela pode ‘compreender o
ser pré-ontológico’ o qual está implícito em cada constituição de mundo,
inicialmente na sintonia de pensar com a linguagem, apropriar-se do expresso e através disso proporcionar à “existência concreta” na relação com seu “ser-junto” histórico uma transcendente auto-compreensão e com isso a compreensão da situação145.
Percebe-se, na citação acima, o surgimento da hermenêutica da existência humana, historicamente compreendida já como “compreender no ser” numa relação intrínseca. Nesse sentido, o compreender em Heidegger é pensado a partir do desocultamento do ser que se manifesta como algo, sendo denominado sentido. Ele (o ser) mostra-se em si mesmo como existencial, que originariamente constitui, com o situar-se, uma espécie de acordo, a abertura do aí (Da), isto é, a verdade da situação. “No compreender repousa existencialmente o modo se ser do ser-aí como poder-ser”. [...] “O mundo está aberto no compreender como possível significante”146. Nesse sentido, pode-se dizer que compreender, conforme o seu sentido existencial, é o próprio poder-ser do ser-aí.
Visto que o homem é um ser-sendo que discursa, ele descobre o mundo e o ser-aí mesmo, fundando no discurso a verbalização lingüística, sendo-lhe possível o registro acústico no ouvir, de modo que o ser-aí escuta, porém, escuta porque compreende num horizonte de sentido onde “discursar e ouvir fundam-se no compreender”. É por isso que Heidegger pode afirmar a respeito da linguagem, como organon completo do compreender, que ela é o acontecimento de cada dizer, no qual historicamente a um povo
144 Plessner, apud Apel, 1955, p. 193. 145 Apel, op. cit., p. 195.
se abre seu mundo. O dito e o mencionado são como que transpassados e conduzidos pela abertura do ser147. Delimita-se assim o horizonte mais longínquo, força motivadora e inspiradora do pensar hermenêutico, aberto por esse horizonte, cujo desdobramento conseqüente foi documentado pela história do termo compreensão, numa “lógica hermenêutica”, a qual junta na explicação do mundo da língua materna, ao mesmo tempo, uma filologia como “história do mundo” ou ciência da linguagem voltada ao conteúdo. Assim, na compreensão parece “formar-se um organon, o qual apresenta o preciso pólo- oposto ao ‘logístico’ e à crítica da linguagem lógica, na qual a ‘percepção’ racional e o ‘esclarecimento’ formam contemporaneamente sua lógica tradicional”148.
No próximo capítulo buscaremos pontuar as bases de sustentação da hermenêutica moderna propriamente dita, tentando demonstrar onde se dá o início de tal perspectiva, na distinção com a hermenêutica tradicional. Para tanto, buscaremos suporte nas discussões de Espinosa, Schleirmacher e Dilthey.
147 Cf. Apel, op. cit., p. 198. 148 Cf. Ibidem, p.199.