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9.4. Veri Gizleme
A utilização de indicadores sociais na gestão pública tem sido, nos últimos 20 anos, motivo de crescente interesse. De um lado estão a mídia, os sindicatos e a sociedade civil exercendo o poder de fiscalização do gasto público e exigindo uso eficiente, eficaz e efetivo dele (JANNUZZI, 2005); de outro estão as mudanças institucionais por que vem passando a administração pública, em que se observa a consolidação da sistemática do planejamento plurianual, o aprimoramento dos controles administrativos dos ministérios, a mudança da ênfase da auditoria dos Tribunais de Contas da avaliação da conformidade legal para a avaliação do desempenho dos programas e a reforma gerencial da gestão pública em meados dos anos 1990 (LUSTOSA DA COSTA; CASTANHAR, 2003).
A escolha de indicadores sociais para avaliação de políticas depende de suas propriedades e da finalidade a que se destinam, e podendo ser classificados segundo as diversas aplicações a que se destinam.
Jannuzzi (2002) cita três tipologias como relevantes para a análise e formulação de políticas sociais: quanto à natureza do ente indicado (indicadores insumo, processo e produto); quanto à temporalidade do processo analisado (indicadores de estoque e de fluxos ou desempenho); e quanto aos três aspectos relevantes da avaliação de programas sociais (eficiência, eficácia e efetividade).
Cabe ressaltar que um indicador social deve, segundo Jannuzzi (2001), apresentar as seguintes características: ter um grau de cobertura populacional adequado aos propósitos a que se presta; ser sensível a políticas públicas implementadas; ser específico a efeitos de programas setoriais; ser inteligível para os agentes e públicos- alvo das políticas; ser atualizável periodicamente a custos razoáveis; ser amplamente
desagregável em termos geográficos, sociodemográficos e socioeconômicos; e gozar de certa historicidade para possibilitar comparações no tempo.
O uso de indicadores de gestão visa, na perspectiva do gestor público, proporcionar ferramentas que lhe permitam melhor gerenciar os recursos disponíveis, ao mesmo tempo em que possa informar a comunidade sobre o uso desses recursos; além disso, pode-se exercer, na perspectiva do cidadão e de entidades fiscalizadoras superiores, um melhor controle e avaliação de desempenho do gestor público.
Segundo Bertoni (2009), recentes modelos conceituais e operacionais elaborados com vistas a avaliar, medir e monitorar o desenvolvimento e a qualidade dos sistemas de educação têm se baseado em estruturas sistêmicas de indicadores que consideram aspectos de: entradas, processo e resultados.
Para o setor educacional, geralmente, os indicadores de entrada referem-se aos recursos tanto financeiros como humanos e tecnológicos, como gastos com educação, investimento com tecnologia de informações e quantidade e formação dos docentes. Os indicadores de processo referem-se ao contexto pedagógico e organizacional, quais sejam: número de horas de ensino; salário e dedicação dos docentes; e acesso e utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Já os indicadores de resultados referem-se às características relativas aos propósitos intermediários e últimos da educação, como o nível de êxito dos alunos em exames nas diversas disciplinas, proporção de diplomados e taxas de escolarização e impactos no desenvolvimento econômico e social (BERTONI, 2009).
O papel dos organismos multilaterais nas discussões de projetos educacionais e delineamento de políticas referentes à educação tem se tornado cada vez mais relevante, dado o financiamento de projetos e programas e a produção de estudos e documentos orientadores de políticas na região. Com isso, a avaliação se torna fundamental para o monitoramento das políticas e para orientar as intervenções no campo educativo, por meio do estabelecimento de indicadores.
Segundo Muller (2001), a utilização adequada de indicadores de qualidade e de medidas de desempenho, nas instituições educacionais, apresenta vantagens: 1) possibilita a avaliação do desempenho da instituição, por meio de seus programas e departamentos; 2) induz um processo de transformações estruturais que permite eliminar inconsistências entre a missão institucional, sua estrutura e seus objetivos prioritários; 3) apoia o processo decisório de desenvolvimento organizacional e de formulação de políticas de médio e longo prazos; 4) melhora a coordenação da
pelo bom desempenho; e 6) gera maior grau de confiabilidade da gestão, permitindo eliminar procedimentos desnecessários.
A avaliação da eficiência em organizações públicas, por parte do governo, é feita mediante a comparação do que elas produzem com o que foi orçado para tal. Não é uma avaliação relacionada à eficiência produtiva e sim à eficácia e ao acompanhamento do esforço dos gestores públicos, no sentido do cumprimento das metas da política social executada pelo governo. Contudo, se o objetivo é o bem-estar social, a avaliação da gestão da organização pública deve ser feita a partir da contribuição individual da organização na produção de renda (líquida) social (LINDSAY, 1976), numa perspectiva de efetividade, e não mais de eficácia.
5 ORÇAMENTO PÚBLICO E FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR
O orçamento público é um instrumento de planejamento das ações governamentais e dele constam todas as receitas passíveis de serem arrecadadas num determinado exercício e sua destinação, pelas ações explicitadas nos diversos projetos e atividades, constantes do planejamento governamental, nas três esferas do poder público: União ou governo central, Estados e Municípios.
Dessa forma, o orçamento público constitui-se em dispositivo democrático a serviço do Estado de Direito, cujo objetivo é mostrar antecipadamente à sociedade como os governos centrais e suas agências de administração indireta podem ou pretendem gastar uma certa receita esperada.
Tradicionalmente, o Estado se financia de três formas: arrecadação de impostos, taxas e contribuições; emissão monetária; e endividamento púbico (interno e externo). Assim, a União divide a aplicação de seus recursos na manutenção do sistema federal, na execução de programas próprios e em transferências para os sistemas estaduais e municipais.
Para cumprir seu papel social e atender às demandas, cada vez mais crescentes, nas áreas de educação, assim como nas de saúde, segurança, regulação, justiça e assistencialismo, o Estado precisa exercer suas funções na economia, agrupadas em três categorias: função alocativa, função estabilizadora e função distributiva. Essas funções, também denominadas de funções do orçamento, visam, conforme Musgrave e Musgrave (1980), à promoção de ajustamentos na alocação de recursos (função alocativa); à promoção de ajustamentos na distribuição de renda (função distributiva); e à manutenção da estabilidade econômica (função estabilizadora).
Com a homologação da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, intitulada Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), estabeleceram-se normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal, mediante ações em que se previnam riscos e corrijam desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas, destacando-se o planejamento, o controle, a transparência e a responsabilização como premissas básicas.