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Apesar da grande maioria das profissões serem geradoras de algum grau de stresse, a profissão de Polícia, pelas suas idiossincrasias, tem vindo a ser apontada na literatura como uma das profissões de maior risco de stresse ocupacional (Bull et. al., 1995, cit. in Passos & Antunes, 2003; Burke & Mikkelsen, 2006; Hoffman & Collingwood, 2005; Soeiro & Bettencourt, 2003; Richardsen et al., 2006; cit. in Esteves & Gomes, 2013). Segundo o Observatório Surveillance Of Ocupational Stress na Mental Illness (Collins &

Augusto Chabana 24 Gibbs, 2003), a profissão de Polícia está entre as três ocupações mais vulneráveis ao stresse ocupacional, referenciadas por médicos e psiquiatras.

A profissão de Polícia é considerada uma profissão stressante, uma vez que os Polícias apresentam problemas de toda a ordem: físicos, psicológicos, comportamentais e sociais (Violanti, 2007).

A maior parte dos estudos existentes sobre o stresse nas forças policiais, é unânime em considerar tal profissão como uma das que apresenta maiores índices de stresse (Collins & Gibbs, 2003; Cooper, Furnham, & Brown, 1993; Deschamps, Paganon- Badinier, Marchand, & Merle, 2003). A larga variedade de stressor a si associados, permite concluir que a função policial apresenta maior nível de stresse do que a maioria das outras profissões, sendo o trabalho de Polícia identificado como gerador de problemas de toda a ordem: físicos, psicológicos, comportamentais e sociais (Violanti, 2007). A nível psicológico, a literatura aponta esta profissão como sendo a mais perigosa do mundo (Axelbroad & Valle, 1979; cit. in Anson & Bloom, 1998; Goodman, 1990).

Os Polícias estão constantemente e comummente expostos a ambientes mais violentos que a maioria dos outros profissionais. O que o exercício da profissão de Polícia é diretamente afetado pelo aumento de violência nas ruas, pela exigência pública centrada nestes profissionais e pelo foco de exemplaridade que lhes é exigido. Tipicamente os Polícias vivenciam situações violentas, incluindo disparos de armas de fogo, tomada de reféns, homicídios, ferimentos, presença de cadáveres ou vitimização, turnos de serviço, situações de carácter social desfavorável, situações em que têm que lidar com suspeitos e ao mesmo tempo gerir todas estas situações sob a mais profunda discrição, tempo longe da família e dos amigos (Amaranto, Steinberg, Castello, & Mitchell, 2003; Hoffman & Collingwood, 2005; Violanti & Aron, 1994). Portanto, isto tudo pode provocar um desequilíbrio no interior do elemento policial, e existem vários estudos que o corroboram, afirmando que o stresse pode ser prejudicial na performance do elemento em serviço (Goodman, 1990; McGreedy, 1974).

De acordo com Lima (2008), o stresse ocupacional afeta não só a performance profissional do Polícia como ambrem a sua saúde física e mental, uma vez que, na maior parte dos casos, as funções que são inerentes ao Polícia são efetuadas com insuficiência, fragilidade ou deterioração de meios policiais. O mesmo autor acrescenta que ainda que a incorreta manutenção dos meios de trabalho policiais implica uma maior taxa de

Augusto Chabana 25 sinistralidade laboral, o que acarreta consequências em termos do bem-estar psicológico e saúde dos elementos policiais.

O stresse organizacional, tais como a mudança, os horários de trabalho alargados e, a relação meio profissional/meio familiar são outros elementos que concorrem para o stresse ocupacional dos Polícias (Cooper, 2003). A nível familiar realça-se, sobretudo, o limitado conhecimento acerca do trabalho de Polícia; o conflito entre o trabalho e as prioridades familiares; o isolamento do agente face à família. Este problema que, segundo um estudo realizado por Kartz, Lott, e Arbus (1995), pode levar a causas alarmantes como violência familiar; abuso de álcool; divórcio e suicídio entre elementos policiais. Essas consequências são motivadas por todo o ambiente que envolve e implica a atividade policial, que leva a um afastamento involuntário da família e, consequentemente, provoca danos psicológicos no indivíduo e um desgaste emocional acentuado, fazendo com que a sua motivação seja posta à prova. Os sinais de alerta para este desgaste psicológico incluem dificuldades de concentração; esquecimento; começar a chegar tarde ao trabalho; perda de interesse e motivação (Anshel, Robertson, & Caputi, 1997; Brown & Campbel, 1994).

Amaranto, Steinberg, Castellano e Mitchell (2003) referem que, as consequências dos elevados níveis de stresse dos Polícias não são apenas os inerentes à função policial em si. A elevada incidência de violência doméstica, consumo de tabaco e de bebidas alcoólicas em excesso e depressão entre elementos policiais relevam também responsabilidade direta. Mesmo com a disponibilidade de serviços de acompanhamento psicológico para tais problemas, verifica-se uma grande resistência para a sua utilização, o que pode ser explicado, em parte, pela perceção da falta de confidencialidade e o estigma associado a todos os problemas de saúde mental.

Apesar do debate sobre o stresse em contexto policial apresentar dificuldades, parecem não subsistir incertezas de que stresse policial é um problema, quer individual, quer organizacional (Terry, 1983). Assim, a anterior preocupação em favorecer programas de tratamento quanto aos efeitos do stresse, em lugar de promover a sua redução (Blackmore, 1978; cit. in White & Marino, 1983), parece ter dado lugar a estratégias de prevenção em três níveis: (i) identificação do problema e sua redução; (ii) promoção da gestão e da formação e, (iii) aconselhamento sobre como lidar com o caso no local de trabalho (Cooper, 2003; Hurrell & Kroes, 1975, cit. inTerry, 1983).

Augusto Chabana 26 De referir que em Portugal, a PSP organiza e implementa ações no âmbito da gestão do stresse, estando também disponível uma linha verde de apoio aos seus elementos, o que demonstra a importância que esta instituição tem dado a este tema. Por outro lado, o suporte social dentro e fora da instituição tem grande influência nos efeitos de stresse. Nesse sentido, os responsáveis pelas instituições têm um papel fundamental na gestão do stresse, podendo contribuir para a criação ou manutenção de ambientes isentos de stresse (Russo, 2008).

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Benzer Belgeler