GEREÇ VE YÖNTEMLER VERİLERİN DEĞERLENDİRİLMESİ Capítulo 3 – Fases da Produção 3.1 Pré-produção O tema abordado não foi minha primeira opção de tema para meu trabalho de conclusão de curso. O primeiro tema, também um documentário, seria sobre a cena independente musical de Bauru e estava definido desde 2011. Nominado “Rock Doc” este já possuía materiais gravados para sua edição e uma vasta pesquisa de materiais para a elaboração deste relatório escrito. Porém, em Junho de 2013 percebi que algo estava errado com este tema ao qual eu não conseguia mais avançar. Era um cansaço psicológico que me barrava e me dava preguiça em continuar, mas eu ainda não sabia o porquê. Então só vim a perceber um mês após essa constatação de que não conseguiria terminar este trabalho pois ele estava intimamente ligado ao meu passado e minhas mudanças psicológicas, de valores e conceitos sobre a vida, a moralidade e ao comportamento humano já não me capacitação de retornar a quem eu fui e não quem eu estava me tornando. Era como se eu precisasse abandonar tudo aquilo que documentaria pelo fato de ter participado em minha adolescência e início da fase adulta vivenciando a cena musical alternativa de perto. Mas por que de fato teria de abandonar a isto tudo? Primeiramente relacionei isto ao fato de não superar meus términos de namoro, o que me trouxe sérios problemas. Então, em uma madrugada assisti o filme “The Help” e ali fez todo o sentido para mim que eu deveria escrever, falar sobre minha dor e comigo trazer mais mulheres que como eu sofreram e não conseguiam lidar com sua dor. Assim comecei a elaborar um novo tema que se centrava no amor romântico, na idealização de uma pessoa em que depositamos nossas expectativas e que desse modo acaba por gerar frustrações. Mas, ao começar a ler e pesquisar sobre isto, percebi que o amor romântico nada mais era do que um dos pontos relacionados ao domínio da mulher, sobre seu corpo, sua sexualidade, seu comportamento e sua motivação de vida. Decidi me aprofundar e conforme eu mais lia, mais sentia a necessidade de ler e saber sobre a mulher no mundo. Queria gritar sua história, suas dores, seus engasgos e seus sussuros. Assim o Êxodo se transformou em uma mudança de visão, assim como seria o deslocamento de um relacionamento para fora dele; ele se alimentou de conteúdos mais 30 enraizados na questão das dores femininas e passou a ser uma transmutação de diversas dores e não somente a romantizada ou na alegoria da concepção amorosa. Um site foi criado para que outras mulheres tivessem acesso às minhas idéias e um perfil no facebook para me comunicar com elas, pois agora meu tema não seria uma dor narcísica do fim de namoros, mas sim do porque deu depositar minhas tristezas e alegrias no outro e não em mim. E acredite, este é um problema de muitas mulheres. Assim que definido meu tema passei a tentar simultaneamente elaborar a construção dos dois produtos: vídeo e livro, firmando parcerias e mulheres dispostas a escrever ou filmar. 3.1.1Cronograma O fato de ter mudado o tema, mudado minha orientação, tudo em cima do prazo, limitou meu tempo para construir meus produtos que insamente propús não apenas fazer um produto, mas sim dois e isto fazendo individualmente este projeto. A tabela que havia planejado como cronograma do meu trabalho, foi de certo modo apenas ilustrativa em meu pré-projeto, pois a dedicação ao estudo e leitura sobre o tema ocuparam até o fim de sua construção o meu tempo, tendo assim de aliar toda a pesquisa e escrita com as gravações dos relatos que variaram de cidades não se limitando a uma apenas. Então, de Agosto de 2013 à Janeiro de 2014, isto é, 5 meses apenas, vivi e me alimentei de escrever, editar e passar a riqueza do meu trabalho para ambos os formatos escolhidos. Visto que, se pudesse passaria a vida fazendo isto. 3.1.2 Roteiro Embora no formato documental não siga um roteiro pré-definido pelo fato de se basear na vida real e estar à mercê dos contratempos da natureza humana e até mesmo do mundo, assim como das pessoas que serão entrevistadas e da maneira como se relacionam ou se abrem. É preciso ter em mente o que se deseja passar e de que forma, para que o produto final passe uma veracidade e coerência em suas narrativas, seja essa narrativa audiovisual ou escrita. Fazer a intercolucação do livro com o vídeo foi o maior desafio deste projeto. Como falar da mulher em sua singularidade sem parecer superficial ou banal? Este foi o roteiro que tive que criar para conseguir escrever e editar de forma que a mulher fosse de fato ouvida, em conjuto e não separadamente. Pois somos muitas e minha dor não era só minha, assim como a dor da outra não era somente dela. A ponte que achei para traçar esta interlocução entre ambos os produtos sem que a mulher fosse a única ligação entre eles. Foi o fato de que conforme fui lendo e posso dizer que me transformando conforme meus paradigmas foram sendo quebrados e reestruturados, foi de criar um roteiro em que uma imagem forte de mulher fosse construída e falar dessa relação de vida com o fato de ser uma mulher. 3.1.3 Organização da produção Como a elaboração desde o outro tema seria um trabalho individual e até porque era mesmo mais íntimo a mim do que outra pessoa da minha turma de radialismo, eu sabia desde o início que enfrentaria maiores dificuldades quanto aos elementos fílmicos, pois uma boa equipe garante melhores resultados de produção, não só otimizando o tempo e as funções que fazendo sozinha me responsabilizei por todas elas. O gênero documentário me possibilitou esta produção e para sua elaboração eu já havia comprado uma câmera que filmasse em alta resolução (full HD) e me permitisse me locomover além dos equipamentos fornecidos pela Universidade. Os custos da produção, embora não tenha gasto com figurino, cenário, contratação de atores ou outros elementos pertencente ao ficcional, ficou ao que diz respeito a equipamento, porém, equipamentos que com certeza uilizarei ao longo de minha vida. A Câmera em questão comprada foi uma Nikon 3100 que por ser usada custou mil reais a vista. Foi adquirido também um computador para que a edição fosse mais rápida pelo meu curto tempo para realizá-la, seu valor foi de dois mil reais. Porém o programa de edição uilizado por mim, o Premiere Pro CC apresentou um erro de audição, não reconhecendo os áudios dos vídeos, o que resultou em um custo de 70 reais para instalar um software no computador capaz de solucionar o problema. Somados aqui, a produção chegou a 3.070 reais, não adicionando a gasolina consumida para me deslocar ou me alimentar que se pudesse chutar, pelo tempo que fiquei “parada” pesquisando e escrevendo, filmando e editando, colocaria no mínimo 1.500 reais. Ou seja, esta produção teve por baixo um custo de 4.570 reais. 32 3.1.4 Equipamentos utilizados Fora a câmera mencionada acima e o computador, foram utilizados para a produção deste projeto uma câmera Sony automática para a captação de poucas imagens, equipamentos fornecidos pela Universidade como Tripé de suporte para a câmera, Spot de luz e ficou faltando um equipamento para a captação de som, já que o laboratório de Rádio e Televisão possui apenas cinco booms a disposição para seus alunos e todos já estavam emprestados. Desse modo a captação de som ficou acoplada a câmera apenas. 3.2 Produção Como o tema do trabalho está intrisecamente ligado às emoções e até mesmo ao mundo particular das participantes, as personagens escolhidas já possuíam um laço afetivo comigo em sua maioria o que facilitou uma maior abertura de seus sentimentos e depoimentos. Poucas delas conheci antes de gravar e mesmo assim procurei estabelecer um vínculo antes de realizar as filmagens, como foi o caso de Simone, Zuma e Kátia, todas residentes de São José dos Campos, cidade do Vale Paraíba, interior de São Paulo onde eu me encotrava até Janeiro desde ano. Procurei também deixá-las à vontade para falar entre si e dialogar sobre o assunto, não forçando um depoimento e sim deixando que a espontaneidade fizesse parte da narrativa fílmica. Já no livro há depoimentos de pessoas que conheço como de pessoas que nunca vi na vida, conversando apenas para este fim e pela plataforma da intenet, seja pelo facebook, o que ocorreu com a maioria ou pelo email que ocorreu com outros poucos (Anexos dos email e conversas para autorização). Dos conhecidos poucos se abriram realmente pela escrita, prefiraram a filmagem quando queriam de fato participar. Já os desconhecidos dialogaram mais e exposiram mais suas dores do que os outros, como se houvesse de fato uma necessidade de falar sobre e esta fosse a plataforma perfeita para isto. 3.2.1 Dificuldades de Produção A maior dificuldade encontrada foi o tempo, assim como o focar-se também ficou debilitado pelo fato deu estar me tratando contra a depressão e aceitando de fato meu alcoolismo. Porém, nenhuma dessas duas coisas me empediram de realizar o projeto que, aliás, só vejo como acréscimo em minha vida. Hoje me entendo melhor como humana, aceito minhas falhas e sei me controlar melhor e isto devido a tudo ao que li, ao que ouvi e o sentimento que este tema gerou em mim, só posso dizer que foi a força feminina que me guiou para uma vitória tanto do fato de conseguir me centrar e finalmente concluir uma faculdade (visto que a UNESP é minha terceira faculdade pública iniciada, porém a única que levo até a conclusão) como de estar mais madura para enfrentar meus problemas e minha doença, ou doenças no caso. Outra dificuldade foi à compreensão das pessoas que quando me viam lendo e escrevendo a maior parte do tempo me perguntavam ou insinuavam que eu não fazia nada da vida, como se aquilo não tivesse importância ou fosse até mesmo uma desculpa para estar parada no momento. Como se eu estivesse de fato parada. Lembrei-me de Clarice Lispector: "Escrevo por ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens.". Deparei-me também o machismo e os paradigmas que enfrentamos ao falar de algo do gênero ou de se despir. Ao avisar meu pai, por exemplo, que no início do filme eu tirava a roupa simbolizando o desnudar e ir de encontro à natureza, eu, adulta, 30 anos de idade, ouvi meu pai dizer que não iria ver minha apresentação de TCC por causa dessa cena. Assim como no meio do trabalho ouvir comentários do tipo “mas você se veste muito estranho para atrair homens”. Tecnicamente falando, a maior dificuldade ao realizar o projeto foram os custos e a falta de um equipamento para a captação do som somente. 3.3 Pós – produção A pós-produção do vídeo documentário baseou-se em uma personagem central que interligasse em cortes, em sua maioria cortes secos, com os demais depoimentos. Como o livro foi dedicado à minha mãe, coloco a como esta personagem central de edição, pois além de ter como dedicatória de toda uma pesquisa sobre o feminino, foi escrevendo que consegui 34 compreendê-la de fato e vi em sua maturidade de uma mulher forte de 67 anos de idade que já casou, separou e voltou com a mesma pessoa, com ela teve sete filhos, formou-se em psicologia e hoje dedica-se a cuidar dos netos e viajar com o marido pelo mundo, a poesia da vida e do significado de ser mulher. Pois dificilmente vi minha mãe chorar ou lamentar por algo, ela vive, ela ousa, ela tem sua sexualidade e sua vaidade, mas nada que seja padronizado. Minha mãe é de fato a quem eu dedico todo meu trabalho. Coloco-me também como personagem do meu trabalho, tanto em livro como em vídeo. Sendo este Êxodo um componente de mim aonde me extendo aos outros de forma tão viceral. Minha condição de me aceitar me levou a tudo isso e não quis retirar isto de ambos produtos, alias, gostaria de que ao ser lida ou ouvida, fizesse pessoas pensar. A edição tal como os relatos no livro tentam mesclar assuntos de mesma natureza, não ficando jogados ou sem sentido. Tento fazer isso até com os mais poéticos, cortes que do nada se direcionam a uma cena com uma música de fundo. Tento simbolizar assim a natureza do feminino e me dispo literalmente a isto. Considerações Finais Além de ser uma experiência profissional, embora não envolva lucro ou remuneração, e experimetal em um gênero ainda não execuado durante os anos letivos academicamente, fazer este documentário tal com o livro me enriqueceram não só de conhecimento e cultura, mas sobre minha própria natureza. Enriquecimento este que gostaria de poder transmitir aos outros, transmitir a fim de gerar sensações e modificações de pensamentos. Deixando e abandonando valores que não mais nos cabe, porém, este é apenas um desejo, pois ao ver uma realidade de tanto opressão e marginalização perante e com a mulher; fica o sonho de uma mudança não que inferiorize o homem, mas que ambos os sexos, independente de suas opções sexuais, sejam tidos como humanos e não digo iguais, pois homem e mulher são diferentes, mas em uma cultura que menospreza o diferente ao invés de admirá-lo, fica uma sensação de desconforto em tal desejo, como se a expectativa nunca fosse de fato alcançada. Mas, quem sabe não estamos caminhando para isto? Em um texto que li na internet há um tempo que infelizmente não vou me recordar à fonte, dizia que a desatualização do livro de Simone Beauvoir, O segundo sexo, escrito em 1949 e considerado o primeiro livro feminista, era na verdade seu maior presente, pois significava em sua desatualização uma conquista das mulheres perante sua sociedade e desse modo um caminho a qual já estamos trilhando. Outra grande satisfação foi ler que pessoas ao escreverem seus depoimentos se emocionaram com si mesmas, aceitando melhor o fato depois de colocarem no papel ou de conseguirem digerir melhor aquela emoção que mesmo trazendo lágrimas na escrita, mas que poderam se confrontar com algo que estava guardado. Embora o tempo que tive foi curto e o tema longo demais para se trabalhar em cinco meses. Espero ter realizado um trabalho decente dentro do que me foi permitido e de fato merecer um diploma de radialista por mérito próprio e conseguir colocar a paixão que desenvolvi neste percurso diante das linguagens que utilizei para construir meus presentes trabalhos. 36 Referência Bibliográficas para elaboralção desse relatório BAKHTIN, Mikail. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2000. LABAKI, Amir. É tudo verdade – Reflexões sobre a cultura do documentário, São Paulo: Francis, 2005. LINS, Consuello e Cláudia Mesquita. Filmar o Real. Rio de Janeiro: Zahar, 2008. 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