2. BÖLÜM
2.2. VERİ TOPLAMA ARAÇLARI
Os softwares paramétricos de projeto na primeira década do século XXI tem proporcionado o surgimento de soluções arquitetônicas produzidas a partir do controle de suas variáveis e de critérios de Desempenho. Essas edificações são geradas a partir de modelos virtuais capazes de se adaptar ao contexto projetual em que estão inseridos. Essa abordagem, tem se mostrado eficiente no aumento da qualidade arquitetônica contemporânea (LEACH, 2009, p. 6).
As vantagens trazidas pela aplicação da lógica paramétrica têm fomentado pesquisas e experimentos no sentido de transferir do projeto arquitetônico para o projeto urbano. Dentre os principais aspectos que tem atraído projetistas urbanos para o uso do parametrismo está a possibilidade de se produzir uma grande quantidade de soluções a partir de um número pequeno de parâmetros e regras.
O urbanismo paramétrico é o resultado da aplicação da lógica do Projeto Paramétrico, implementado através de sistemas computacionais no projeto urbano. Nesse método as soluções urbanas são produzidas a partir da definição de parâmetros e regras de variação, controle e Desempenho.
Não se trata apenas de produzir representações, mas, sim da produção de modelos paramétricos capazes de se adaptar para a atender a diretrizes Desempenho. Essa abordagem permite a visualização, a validação (teste das soluções ante a restrições projetuais) e flexibilização (produção de soluções adaptáveis a partir da alteração dos parâmetros) ocorram simultaneamente. Os modelos urbanos produzidos parametricamente servem de base para a tomada de decisões (SILVA, 2010, p. 29).
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No urbanismo paramétrico, assim como na arquitetura paramétrica, o projetista define uma lógica generativa. Essa lógica é descrita através de parâmetros (como por exemplo: vias, tipologias edilícias, número de quarteirões, etc.), regras e relações (taxa de ocupação, zoneamento, etc.). O controle dessas variáveis e diretrizes urbanas é que irá produzir as soluções projetuais urbanas.
Na Figura 2.10, (p. 106) temos uma proposta de intervenção urbana modelada em Rhinocerous e Grasshopper baseado em um script de proliferação de formas. As diretrizes generativas foram desenvolvidas a partir do da “trilha de feromônios” de formigas.
Figura 2.10 - Ant Urbanism, Taipei, Annie Chan, Yikai Lin, Ant Urbanism, University of Southern California, 2009.
Disponível em: < https://neilleach.wordpress.com/teaching/studio-work/ant-urbanism/ > Acesso em jul. De 2015.
O projeto urbano (como produto e não como atividade de concepção projetual) pode ser definido a partir de um conjunto de diretrizes ou relações, o que não necessariamente implica na representação de edificações. O desenhista urbano
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frequentemente produz planos conceituais que determinam princípios de ocupação de áreas urbanas como número de lotes por quarteirão, relação entre áreas pavimentadas e áreas não-pavimentas, etc, (STEINø e VEIRUM, 2005, p. 679).
A grande quantidade de elementos que constituem a morfologia urbana e as inúmeras variáveis que atuam sobre esses componentes dificultam a atividade projetual do urbanista. Uma vez que é necessário, para a obtenção da produção de bons espaços, antever e considerar a maior quantidade possível de variáveis para atender ao programa funcional adequadamente.
Para tanto é necessário que o urbanista seja capaz de considerar os riscos, custos e as consequências que a sua proposta poderá produzir (SAATY, 2013). A adoção de estratégias e ferramentas paramétricas de projeto na atividade de concepção auxiliam nesse processo de gerenciamento e verificação das soluções emergentes do sistema.
Essa capacidade é importante diante da necessidade de redução do consumo de recursos naturais e da otimização da ocupação das áreas urbanas. O fenômeno urbano, desde o século XIX até o nosso tempo presente, tem estado associado a ideia de desordem. Apesar do aparente caos provocado pela grande diversidade de formas físicas, é possível identificar padrões e lógicas de ocupação urbana que foram responsáveis por esta configuração (BATTY, 2008).
Para Schumacher (2009, p. 18) a grande deficiência do planejamento urbano modernista foi não ter tido a capacidade de identificar os padrões de ocupação urbana existente na Cidade Tradicional. Os urbanistas modernos não conseguiram perceber que os percursos sinuosos existentes nas cidades tradicionais não surgiam de forma espontânea. Essa deficiência ocorreu por que neste momento os arquitetos modernistas compreendiam o mundo sob a perspectiva cartesiana (SCHUMACHER, 2009, p. 18).
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A cidade é um sistema complexo, que depende: de um grande número de variáveis; das relações destas variáveis entre si e destas com todos os demais elementos que compõe o conjunto. A morfologia urbana é resultado da maneira como os diferentes elementos físicos que a compõe são organizados. Além destes aspectos a configuração da cidade ainda depende dos aspectos socioculturais da população que nela vive.
A Teoria complexa define que um sistema complexo resulta de pequenos componentes que respondem a regras locais de combinação e que a soma das partes que integram o conjunto irá produzir um sistema complexo, em que o todo é dependente das interações conjuntas dos menores componentes do sistema (BURRY e BURRY, 2012, p. 254).
A teoria da complexidade e os experimentos desenvolvidos por Frei Otto tem nos ensinado a reconhecer, compreender e simular os padrões complexos que emergem de processos de auto-organização (self-organization). Padrões urbanos de
ocupação que surgiram de modo espontâneo agora podem ter a sua lógica interna identificada (SCHUMACHER, 2009, p. 18).
A abordagem paramétrica se apresenta como um método adequado para atender a complexidade inerente aos processos de crescimento urbano. Uma vez que essa metodologia garante flexibilidade ao processo de projetação urbana. Beirão (2012, p. 249) define a flexibilidade como sendo a capacidade de um sistema projetual ou método de se adaptar a alterações inesperadas ao contexto projetual.
O uso de estratégias paramétricas de Desenho Urbano tem se tornado comum. Alguns escritórios de arquitetura, como o Zaha Hadid Architects e o MVRDV, têm utilizado estas metodologias como principal mecanismo para definição de suas propostas urbanas.
Estes trabalhos têm apontado alguns direcionamentos relativos a como incorporar os sistemas computacionais no processo de projeto urbano, com o objetivo de aumentar a qualidade urbana das soluções que propõe (STEINø e VEIRUM, 2005, p. 682).
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O desenvolvimento de tecnologias de Building Information Modeling (BIM) tem auxiliado a produção de edifícios que atendam às demandas da Sustentabilidade. Estas tecnologias computacionais permitem um processo integrado de projeto e construção, em que as soluções são avaliadas e testadas durante todas as etapas projetuais.
Neste sentido, desenvolvedores de softwares e urbanistas tem procurado estabelecer práticas e processos semelhantes ao BIM para o Desenho Urbano, um Modelo da Informação da Cidade (City Information Model - CIM) (GIL, ALMEIDA e DUARTE, 2011, p. 143).
O City Information Model também é entendido como uma analogia ao BIM por Stojanovski (2013) que afirma:
““CIM é uma analogia ao BIM no urbanismo. É um sistema de elementos urbanos representados por símbolos em um espaço 2D e dentro de um espaço 3D. Ele também é concebido como expansão 3D do GIS (3DIS ou Sistema de Informação tridimensional) enriquecido com vistas em múltiplos níveis e múltiplas escalas, conjunto de ferramentas de projeto e inventário de 3D de elementos com seus relacionamentos (STOJANOVSKI, 2013, p. 114).”
A transferência da lógica do BIM para o CIM no que diz respeito a sua aplicação ao processo de Desenho Urbano, traz algumas expectativas, tais como:
“ CIM (City Information Model) deve ser um altamente eficiente, multifuncional, sistema integrado de gerenciamento, seus dados são mais completos, o modelo é mais preciso e eficiente, seu enfoque é alcançar compartilhamento de informação e colaboração entre serviços e campos diversos (...) (XU, DING, et al., 2014).”
A implementação do CIM passa pela integração dos sistemas GIS e CAD, ferramentas computacionais amplamente utilizadas para a produção de mapas e modelos urbanos tridimensionais. Deste modo, as plataformas a serem desenvolvidas deverão possuir características CAD e GIS (AMORIM, 2015, p. 97).
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O CIM, apesar de proporcionar um novo conjunto de práticas urbanas baseada no uso de sistemas computacionais, tem tido o seu enfoque na gestão dos espaços urbanos existentes. Em que, a partir do volume de informação concentrado no modelo digital urbano seria possível uma tomada de decisão mais acertada por parte dos gestores urbanos.
Neste sentido ferramentas de modelagem paramétrica nos parecem mais apropriadas para auxiliar na concepção de espaços urbanos que é o enfoque deste trabalho.
O uso de uma abordagem paramétrica no Desenho Urbano nos últimos anos pode fazer emergir um novo estilo de Desenho Urbano, o urbanismo paramétrico. Que reúne produções urbanas que são produzidas a partir da utilização de técnicas de Projeto Paramétrico (SILVA, 2010, p. 50).
A maioria das aplicações e usos do Projeto Paramétrico tem tido enfoque na produção de soluções a partir de parâmetros formais. Isso tem provocado discussões relativas a necessidade de se inserir características que pudessem atender às necessidades projetuais urbanas que vão além dos aspectos morfológicos do lugar.
Silva (2010, p. 20) argumenta para a necessidade de se procurar atender a parâmetros que não sejam apenas parâmetros formais, sob o risco de incorrer nos mesmo erros dos urbanistas modernos. Deste modo, Silva (2010) em seu trabalho faz defende a necessidade de se estabelecer parâmetros formais e parâmetros sociais dentro do modelo paramétrico.
Esta tese também tenta contribuir com o preenchimento dessa lacuna propondo um método de projeto generativo paramétrico urbano cujo os parâmetros são extraídos a partir de teorias urbanas que definem características capazes de proporcionar uma melhor qualidade dos espaços construídos.
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