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Para análise dos textos utilizamos a recuperação de informações contidas nos resumos e palavras-chave de cada um dos textos pré-selecionados, proposta por Gonçalves (2008) e as diretrizes para leitura, análise e interpretação propostas por Galliano (1986) e Severino (2003).

Segundo Gonçalves (2008),

Representar apropriadamente informações contidas em um determinado documento é de fundamental importância para a recuperação informacional, e os termos de indexação, somados aos resumos, são os principais produtos dessa atividade. Juntos, eles descrevem o conteúdo de um registro, indicando seus pontos principais. Nesse sentido, são elementos que facilitam a comunicação do conhecimento, já que funcionam como “ferramentas de representação”, necessárias em um processo inicial de filtragem, permitindo assim que a informação flua entre o universo dos documentos originais e o dos usuários de informação (PINTO, 2003). A importância desses dois elementos no processo de representação e recuperação informacional é evidente também no âmbito da comunicação científica. O aumento progressivo do número de publicações e a consequente impossibilidade de ler tudo o que é publicado sobre um assunto tornou necessária a aplicação de mecanismos que pudessem traduzir o conteúdo de um documento de maneira mais condensada, sem que houvesse perda de informação. (GONÇALVES, 2008, n.p.).

Conforme propõe o trecho acima, procuramos identificar a maneira como os documentos selecionados tratam o ensino de filosofia e a experiência filosófica, através da recuperação das informações contidas nos resumos e palavras-chave. Essa recuperação

consistiria em inspecionar cada uma dessas “ferramentas de representação”. No caso dos

resumos, esse processo recai sobre seus elementos estruturantes: objetivos, metodologia, resultados, discussão ou recomendações e conclusões (GONÇALVES, 2008). Portanto, a primeira parte da análise consistiu na identificação de cada um dos elementos estruturantes identificados nos resumos das dissertações, além dos termos de indexação (palavras-chave) de cada texto.

Como alerta Gonçalves (2008), por razões pontuais como, por exemplo, a carência de formação específica e desconhecimento de regras, os resumos e palavras-chave nem sempre contam com critérios bem definidos. Como consequência, resumo e palavras-chave não contribuem, efetivamente, para recuperação das informações presentes nos conteúdos dos textos. Por isso, nossa análise também se apoiou nas orientações de Galliano (1986) e Severino (2003). Segundo os autores, o estudo dos textos, especialmente os científicos e acadêmicos, é dividido nas seguintes etapas: reconhecimento e delimitação de unidades de leitura, seguido das análises textual, temática e interpretativa. Ao final, propõe-se uma problematização geral do texto, visando “levantar, para a discussão e reflexão, questões

explícitas ou implícitas no texto” (SEVERINO, 2003, p. 58).

“Unidades de leituras” são setores do texto que formam uma totalidade de sentido.

facilitar a análise de cada parte do texto. Uma vez estabelecidas essas unidades/ideias, o passo seguinte é o da análise textual.

A análise textual é a primeira abordagem feita do texto e através dela se obtém uma visão geral documento. Essa análise permite que se faça uma esquematização do texto, considerando a organização da estrutura redacional do documento, servindo como suporte para reflexão.

Os autores sugerem que após essa visão geral, seja feita uma análise temática que irá revelar o tema ou assunto de cada unidade de leitura. Faz parte dessa análise a descoberta do problema tratado no texto e sua ideia central. Essa ideia é expressa na forma de uma proposição fundamental, isto é, de uma tese. Como explica Severino, “na explicitação da tese sempre deve ser usada uma proposição, uma ora ção, um juízo completo e nunca apenas uma expressão, como ocorre no caso do tema” (2003, p. 55, grifo do autor). A análise temática consiste na identificação dessas proposições.

O quarto passo consiste na análise interpretativa ou crítica das proposições identificadas na análise temática.

Interpretar, em sentido restrito, é tomar uma posição própria, a respeito das ideias enunciadas, é superar a estrita mensagem do texto, é ler nas entrelinhas, é forçar o autor a um diálogo, é explorar toda fecundidade das ideias expostas, é cotejá-las com outras, enfim, é dialogar com o autor. (SEVERINO, 2003, p.56).

Se nos primeiros passos apenas “ouve-se” o autor do texto, a partir desse inicia-se um trabalho dialógico com a autoria. Para a filosofia, a investigação dialógica tem um valor especial, pois, se refere à possibilidade de alguém construir o conhecimento autonomamente7. Nessa análise visa-se tomar um posicionamento próprio, frente às ideias do texto. A interpretação permite chegar ao último passo do estudo textual: a problematização geral do texto. Essa problematização permite que se reflita sobre os desdobramentos e implicações de todas as ideias e proposições. Através dela é possível enxergar para além do texto e refletir sobre questões postas explicita ou implicitamente.

Durante a análise elaboramos uma “ficha de análise das produções cientifico- acadêmicas”. Com essa ficha organizamos a leitura dos textos, inspirados nos procedimentos

sugeridos por Galliano (1986), Severino (2003) e Gonçalves (2008).

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Sócrates é o ícone do diálogo na filosofia. Para ele a filosofia e, consequentemente seu ensino, consiste em uma atividade e “proceder socraticamente é negar a ensinar filosofia como um conjunto de conhecimentos, conceitos, teorias ou história da filosofia” (SOFISTE, 2007, P. 87).

Cada texto tem sua própria ficha de leitura (vide Apêndice C) e nelas os itens analisados foram: resumo, palavras-chave, unidades de leitura, análise textual e análise temática. As análises textuais e temáticas foram desenvolvidas a partir daquilo que chamamos de elementos textuais e temáticos. Os primeiros indicam tópicos que identificamos na leitura de cada uma das unidades. Os elementos temáticos são transcrições dos textos acerca de cada um desses tópicos. Ambas as análises (textuais e temáticas) foram realizadas em conjunto, isto é, juntas e a partir dos elementos e informações contidas nas fichas de leitura.

Benzer Belgeler