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KÜRESELLEŞME VE TRANSFER FİYATLAMASI

B. VERGİ REKABETİ

3. Vergi Rekabetinin Etkileri

Gostaria que você me contasse um pouquinho sobre a sua vida...

Bom, meu nome é Carolina, tenho 34 anos, sou casada, há 2 anos, estou grávida de 15 semanas de uma menina que vai se chamar Sabrina, trabalho, sou radiologista. Trabalho no Hospital A e no Hospital B. Faço ultrassom e tomografia. E amo o que eu faço de paixão. Faria tudo de novo se precisasse. Desde pequenininha eu já sabia que queria ser médica. Meu pai é médico e eu sempre me espelhei nele. E eu nunca quis ser outra coisa na vida. Sempre quis ser médica. E desde pequenininha ia para o hospital com ele. Sabia que ia ser. Prestei medicina, entrei. Virei radiologista totalmente por acaso, porque eu nunca tinha pensado em ser radiologista. Tive uma chance e amei. Amo de paixão. Trabalho com o maior amor do mundo. Nasci pra fazer isso. Nasci pra ser médica.

Estudei quando era mais nova no Escola X4 que era um colégio bem liberal. Depois, fui para o Escola Y5 que era um colégio totalmente oposto. Mas eu gostei muito dos dois. De lá fui pra faculdade. Esquema totalmente diferente. Tive várias amizades. Da Escola X são amigos até hoje, da Escola Y também. Muito diferente. Na Escola Y tudo certinho, e na Escola X tudo bagunçado, mais tranquilo, mais formação de pessoas.

Na Escola Y é tudo estudo, estudo, estudo. Mas conheci o meu marido lá. Ele era da minha sala. A gente fez o mesmo colégio, o mesmo cursinho e a mesma faculdade tudo sem querer. Fomos entrando no mesmo lugar. Começamos a namorar só no fim da faculdade. Ele é otorrino. Era meu amigo, sentava do meu lado. Na Escola Y eram cadeirinhas de dois. A gente era super amigo mas não tinha nada. Só na faculdade a gente começou a namorar. No final.

E como era lá na Escola X? Me fala...

4 Escola para as camadas média- alta que até pouco tempo ia somente até os Anos Finais do

Ensino Fundamental, de Pedagogia Liberal

Minha mãe fala que quando eu era pequena, era muito tímida. Não sei se é por que ela me mimou muito. Ela ia me colocar na Escola D, mas achou que era um colégio muito grande e que eu ia ficar muito reprimida pelo contexto da escola. Ai me colocou lá (Escola X). Tinha um primo que estudava lá. Achou que ia me soltar mais. Fez o efeito total que ela queria. Agora, onde ela me colocar eu fico bem. Era um colégio menor, menos gente. Era completamente diferente dos outros colégios. A gente via que era uma educação diferente. Muito voltada para o ser humano, formar pessoas boas. Totalmente voltado pra isso. Era ótimo, bem tranquilo. Não tinha grandes dificuldade de estudo. É que eu sempre estudei, mas era tranquilo. Fazia muito esporte na escola. Era bom demais. Criança, né? Uma delícia. Podia fazer tudo. E era tudo diferente. Lembro de um negócio de base, que nenhum lugar tinha. Só lá. Chamava “Base”. Eram uns quadrados, como se fosse uma tabuada do 2, do 10. Eram quadradinhos com umas divisões, não lembro como a gente aprendia. Eram barrinhas e cubos. Um método de ensino totalmente diferente de tudo.

Quando fui para a Escola Y senti muito. Chegou lá e tive que fazer aula particular. Mudou da água pra o vinho. Eu sofri bastante. Na Escola X era muito bom. Mas estou esperando para colocar a Carol na Escola D. Queria colocar lá porque é do lado de caso. Pensei que não preciso ser igual minha mãe. A Escola X é super longe. Lá no Alto de Pinheiros. A gente ia todos os dias. Mas se puder estudar na esquina de casa, é o melhor. Lá era ótimo. Muito, muito bom. Amei de paixão. Tenho várias amigas. Várias madrinhas de casamento que conheci lá. Amigas até hoje. Era isso. Formar pessoas. Super legal. Bem diferente da Escola Y, né? Fui no Colegial, e outra vida. Agora vamos estudar para o vestibular. Mas foi bom até, porque fiquei bastante tempo na Escola X. Por bastante tempo tive uma vida mais tranquila, e depois eu fui. Foi bom porque fez muito da minha personalidade lá (Escola X) Eles formam com esse intuito. Não sei dizer o que eles fazem com a gente, eu não lembro. A gente tinha uma coisa que chamava TP, trabalho pessoal. Tínhamos Português, Ciências e TP. Todo dia fazíamos TP. Como se fosse a lição de casa lá. 50 minutos, ou sei lá quanto era pra fazer o

mundo, todo mundo acabava estudando de qualquer jeito, tinha que fazer de qualquer jeito. Era ótimo. Muito, muito bom. Na Escola Y no final foi bom para aprender que a vida não era tão fácil assim. Eu chorava, chorava, chorava no começo. Falava pro meu pai que queria ir embora. E ele: não, calma, vai ficar tudo bem. Foi passando o tempo e acostumei. Acabei conhecendo muita gente, acostumei que teria que estudar, muita prova, muita coisa.

Fui morar nos Estados Unidos no meio do 2o colegial. Foi ótimo também. Fez toda diferença na minha vida. Sempre quis ir. Fui. Tive uma proposta pra jogar vôlei lá. O que entra muito o meu canhoto. O super diferencial que tinha lá era isso. Jogava muito bem, e era canhota. Uma coisa que assim: sempre fez diferença na minha vida! É muito diferente você jogar com uma canhota. É muito ruim para os outros. Quase ninguém é canhoto. Eu era atacante, então sempre jogava com essa mão (esquerda) e as pessoas não sabiam. Depois até sabiam, mas as pessoas não estão acostumadas. Todo mundo ia pra uma mão e eu ia com a outra.

A gente faz tudo diferente mesmo. Jogava muito bem isso, e era uma das coisas que fazia muita diferença. Eu sempre fui alta, jogava bem e ainda era canhota. Era muito ruim pros outros times, sempre. Fui pros Estados Unidos. Era um time ruim, e eu era a melhor. Saía no jornal toda semana. Só tinha eu. Com o uniforme da escola, tal. Recebi uma proposta pra ficar lá jogando numa Universidade. E minha mãe não deixou. Fui pra ficar uns 6 meses, e iria ficar uns 3 anos. Minha mãe não deixou. Por mim eu teria ficado. Já que não deixou, nem fiquei com esperança.

Voltei. Terminei o Colegial, entrei na faculdade, e daí entra aquilo tudo que eu já te contei.

Você contou que ser canhota fez uma diferença no esporte...

Nossa Pri. Sempre. Muita. Desde aqui, Aqui eu jogava também antes de ir, jogava em clube, era federada. E era uma coisa que fazia muita diferença. Sempre foi muito bom. Para os outros era muito ruim eu ser canhota. Tinha uma vantagem. Era uma das grandes vantagens que eu tive em ser canhota. É engraçado. Apesar de a gente ter muita coisa que é meio ruim pra nós, temos muita coisa boa. Eu gostaria que a minha filha fosse canhota. Eu

gostaria. Eu acho que a gente é diferente, chama a atenção. Eu vi você escrevendo e “nossa, ela é canhota”. Eu sabia que você era, mas esqueci. Sempre que eu vejo um canhoto escrevendo eu: “ah, você é canhoto”. E todo mundo sempre gosta. Não sei...sei lá. Dizem que a gente é mais inteligente, né?

Eu adoro. Acho que a gente é meio diferente mesmo. Eu gosto de ser um pouquinho diferente dos outros. O normal, mas um pouquinho diferente.

Como que é...quando você vai a um restaurante repara? Assiste um filme, repara?

Você já viu o negócio da xícara? Que falam? Alguém me falou isso relativamente há pouco tempo. Que a gente sempre toma o café ou sei lá o que for do lado limpo. Porque todo mundo pega com essa mão (direita) e toma aqui. E a gente não. Toma do lado que ninguém toma. É verdade. É o lugar mais limpo da xícara. Se a pessoa não limpou direito, o lugar que vocês vão tomar é sempre o mais limpo. Porque ninguém toma. Só nós. Gente, que maravilha! Ahhhhhh (respira fundo). Essa é uma vantagem interessante. Você toma num restaurante, não sabe quem limpou, tal.

Mas a gente sofre um pouquinho, né Pri?

Não muda nada na vida, mas assim as colheres...Colher de molho. Aquela colher que tem um biquinho. Se a gente pega com a nossa mão o biquinho fica pro outro lado. Tem uns transtornozinhos, mas na prática não muda nada. Você já parou pra pensar no ultrassom? Comentei que você vinha, e uma amiga falou: “mas você faz ultrassom com que mão?”. Porque a gente só faz ultrassom com a mão direita, né. Quando eu entrei meu pai falou: “e aí, como é que você vai fazer?”. Eu falei: sei lá. Achei que talvez tivesse um jeito de mudar a maca. Mas não tem. Eu aprendi! Aprendi a fazer com a mão direita e não sei fazer com a esquerda. A gente vai se adaptando. Fico super bem. Ninguém nem repara. Faço o que tenho que fazer normal.

Mas na faculdade deu um pouquinho de problema. Por exemplo, no parto normal a gente tem que fazer um corte para ajudar o bebê sair. E aí quando

fizesse o corte e não conseguisse fechar, o destro não conseguia fechar, porque eu tinha feito de um jeito....

Isso era um problema pra todo mundo. Era horrível pra eles. E eu precisava cortar do jeito que eu sabia se não conseguiria cortar. Acho que foi o único problema na faculdade mesmo que eu tinha era com isso. O que tinha que fazer às vezes era deixar eles cortarem. Ai eu dava um jeito de fechar. Porque se não era um transtorno quando eu cortava para eles fecharem era horrível. E era quem sabia mais era quem tinha que fechar tudo direitinho. Acho que na faculdade foi a única coisa mesmo que passei.

Quando vim pra cá tive que me adaptar a fazer tudo com a mão direita. Ninguém nunca me deu opção. E paciência. A gente acostuma.

Quando comecei a dirigir, pensei: será que vai ser mais difícil pra nós? Por que não é a mão certa? Mas não tinha outra opção. E a gente vai melhor. Só voltando um pouquinho com o negócio do jogo, quando jogava eu tinha muito mais habilidade com essa mão (esquerda). Quando as pessoas reparavam que eu era canhota, conseguia jogar muito com a mão direita...Nunca foi igual à esquerda. As outras pessoas...a esquerda era ignorada. Ninguém faz nada com a esquerda. Então eu conseguia jogar muito bem com as duas. Acho que a gente consegue desenvolver muito mais a nossa mão direita, do que os destros. Os destros não fazem nada com a esquerda. A gente não. A gente não tem muita opção na vida. Abrir lata, só abro com a direita. Porque é muito mais difícil. A gente se adapta. A minha mão direita serve para muita coisa. Acho que é bem diferente de um destro. As tesouras....

Hoje em dia eu não tenho tanta dificuldade. Mas há um tempo atrás...Principalmente aquelas pequeninhas, meio coloridinhas. Nossa! Não cortava. Dai era um problema. Porque cortar é mais difícil. Quando você precisa de uma linha, era meio complicado. Eu não sei se é porque não uso muito tesoura, mas acho que hoje em dia elas são melhores. Mas, nossa. Quando era pequena era um problema. Não cortava. O negócio não vai. Não cortava e não lembro o que fazia. Se minha mãe me ajudava...Na escola não lembro de ter tido problema.

Eu lembro do vestibular. Vestibular era meio que o problema. Quando tinha aquelas mesinhas. Que às vezes não tinha carteira de canhoto, tinha que

juntar duas mesas. Às vezes você chegava e os canhotos já tinham pego todas. A mulher falava: “ah, não tem”. Algumas vezes tinha que fazer assim (torcendo o tronco) do lado do destro porque não tinha opção. Eu sempre pedi, mas às vezes ia nuns lugares “ah, não tem”. Não tem, não tem. Paciência. Problema seu. Às vezes colocava no colo, ficava torta, horas. E não tinha jeito. Aquela coisa, não tem opção, vai fazer o quê? Mas são poucas vezes. As vezes você olhava e tinham várias de canhoto. E vários canhotos, né? Você olhava e: não sou a única. Mas na escola acho que não lembro de nada disso.

Eu nunca lembro disso. De ter sujado papel, essas coisas. Sempre fui muito caprichosa. Acho que é do signo. Sou virginiana e nossa. Sou encarnada no signo. Sou muito perfeccionista. Tem que ser tudo certinho. Então não sei se sempre fui muito detalhista que nunca teve nenhum problema. Nada.

Tudo o que você lê de uma virginiana eu sou. Perfeccionista, chata. Nossa, eu falo: fui trabalhar com uma coisa que, enquanto não faço a imagem exatamente do jeito que eu quero, eu vou, friso, solto, friso, solto, faço 500 fotos até a foto ficar do jeito que eu quero. Enquanto ela não ficar perfeita, do jeito que eu quero...E o laudo, eu leio 500 mil vezes. Escrevi isso, isso. Às vezes eu saio do laudo, entro de novo pra ver se escrevi tudo. Sou TOC. Pentelha total. Muito chata. Muito, muito chata. Comigo mesmo, sabe? Acho que isso é bom. Como médica acaba sendo bom. Às vezes o paciente fala: “nunca fiz um exame que demora tanto”. Não adianta. Enquanto eu não fizer tudo que quero fazer, você não vai sair daqui. Eu falo. Até tudo certinho. Tudo que eu leio de virgem eu falo: “sou eu”. Tudo! É impressionante. Até me irrita.

Tem gente que fala que o canhoto é muito caprichoso...

Minha letra é linda, linda, linda. Às vezes a gente vê aqueles canhotos que escrevem totalmente torto, nossa cada letra. Gente! (assustada) Eu não faço nada com a mão.

Eu não. Escrevo assim (virou o papel). É. (parou, olhou e pensou)

Eu escreveria assim (com o papel virado-dúvida). O papel não tá virado?

Tá. Oh lá. Olha o Termo (escrito no papel)

É igual você?

É. Se eu escrever reto fica assim (demonstrei). Se escrever de lado fica bonitinho.

Ah não! Não tenho a menor condição de escrever reto (risos. Se deu conta e ficou encabulada). Assim tá ótimo.

Mas isso é pra gente conseguir enxergar. Se a gente fizer assim (reto) não vemos.

Por que a mão vai ficar na frente! (surpresa) Assim, você enxerga tudo.

A gente tinha que ter nascido em país oriental. Eles escrever de cá pra cá (direita pra esquerda). O canhoto em um país oriental enxerga o que está escrevendo.

E o destro?

Os destros não. É a mesma coisa que a gente.

E eles escrevem torto, será?

Não sei, mas deve ser.

É...isso eu posso até perguntar. Em Israel é assim também. É tudo ao contrário. O hebraico é tudo meio invertido. Não leio, mas pelo que sei é. Eu

pergunto pra uma prima minha que sabe escrever. Eu pergunto. Ela vai saber me responder essas coisas.

[intervalo de assunto]

E na Escola Y? Não teve dificuldade?

Não teve. Lá a gente sentava junto. Sempre sento na cadeira da ponta. Me preocupo com essas coisas.

E em restaurante?

Se eu vou sair com um casal, não interessa onde o homem sentou, sei lá. Eu sempre vou sentar...Se não não dá. Você fica batendo na pessoa o tempo todo. O meu marido já sabe. Ele já sabe que vou sentar do outro lado. Por que não dá Pri. Me incomoda. Você fica encostando na pessoa. Às vezes é ruim. Avião, não tem muita opção. Tudo. A gente mexe muito mais esse braço. Tem uma pessoa ali que você não sabe quem é, fica tomando cuidado na hora de cortar.

De cortar acho que nunca tive problema também. Nunca reparei muito nisso.

[pausa sem assunto]

Você falou que pra você ser canhota foi muito mais um diferencial positivo que negativo. Acho que o esporte foi o mais significativo que você comentou.

É. Que fez uma diferença boa. O resto todo mundo pergunta: “você é canhoto!”. Gente que convive muito tempo, aqui (no hospital) por exemplo, a gente usa muito o negócio de ditar, não escreve muito. Tem gente que convive comigo há anos e me vê assinando alguma coisa: “nossa, mas você é canhota”. Assinando um cheque...É uma coisa que chata atenção de todo mundo. Comigo todo mundo fala. Quando eu vejo um canhoto, eu sempre

E na minha família não tem ninguém. Nenhum parente direto. Quem tinha era um tio meu, que até já faleceu, mas que era casado com a minha tia. Não sei de onde eu vim. Sabendo eu não conheço ninguém, ninguém, ninguém. Só eu sou canhota. Só se deve ter sido alguém mais velho que não sabia. Eu sempre procurei pra saber. Cacei mas ninguém sabia pelo menos. Nem um primo um pouco mais velho. Isso sempre me chamou atenção. Sou a única. Minha mãe falou que quando eu comecei a pegar lápis, sei lá com o que eu brincava, já pegava com a esquerda e me deixaram. Minha mãe estranha muito. Ela fica incomodada. Às vezes eu vou passar roupa, ela: “filha, pega com a mão certa. Não é assim”. Ela sabe que é a minha mão certa, mas ela se incomoda. “Deixa que eu faço. Isso não vai dar certo”. Às vezes quando vou carregar alguma coisa, ela: “não, não, não. Me dá. Vai cair. Você pega com essa mão errada”. Ela fica com a sensação de que tá errado. “Essa sua mão é muito estranha. Deixa que eu pego”. Incomoda ela. Ela fala por falar, né. “Dá aqui que eu faço. Não dá certo”. E é minha mãe, né? Ela fica super incomodada. Meu marido nem liga. Meu pai nem liga. Minha irmã muito menos. Mas aqui (no hospital) todo mundo fala: “você é canhota”; “você é canhota”. Mas só. Hoje em dia não muda nada, né.

Ai só. Na musculação eu vejo bastante diferença de força entre os braços. Meu braço esquerdo é bem mais forte, apesar de eu fazer tudo igualzinho.

E a perna?

Como eu operei duas vezes a direita, ela ficou mais fraquinha coitada. Mas por isso. Não sei te dizer. Não jogo futebol. Não sei dizer se tenho uma perna dominante.

[mostrou que pega o telefone no jaleco e já passa pra mão esquerda]

Todo mundo tem o bolso ai? (do lado esquerdo)

Todo mundo.

Todos os bolsos são aqui. Todo mundo tem um bolso aqui sempre. Sempre do lado esquerdo.

Não sei se tem alguma razão.

O fato é que ele vai pra mão esquerda. Tudo que eu posso fazer com a esquerda, faço. Ultrassom. Faz muita diferença. Mouse, marcha, abridor de lata. Tesoura se tiver que usar eu uso. Aí é meio problemático. Se tiver que usar com a mão direita vai sair tudo meio esquisito. E aquele negócio que eu te falei das colheres de molho. Porque ai eu tenho que fazer (com a direita). Com a esquerda é muito ruim porque não tem biquinho. Fica uma coisa totalmente errada. Às vezes eu desencano e viro, ou às vezes mudo de mão. Tenho muita coordenação com a mão direita. Eu acho que era por causa do jogo que eu fiquei assim. Tinha que jogar. Nisso era sempre bom. É sempre mais difícil marcar. Querendo ou não, não é igual. As pessoas ficam meio confusas. Eu sempre jogava do nosso lado, mas era muito fácil pra mim jogar com essa mão (direita). Passar uma bola. Era muito fácil. Essa minha mão é ótima, graças a Deus. Porque uso tanto ela também. Eu acho que ela teve que ser. Teve que se adaptar à algumas coisas da vida. Ficou muito mais desenvolvida que a esquerda de um destro.

Você repara em tudo?

Tudo. Cinema, TV, o que for. Aonde tem um canhoto eu reparo. Nunca passa. Eu sempre reparo. Geralmente eu lembro quando eu vejo um canhoto.

Então e eu não acho que a gente é mais inteligente que os outros...Mas a gente fala, né? Acho que é inteligente igual. Nem mais nem menos.

Mas nunca vi um canhoto “nossa que diferencial”. Normal.

Pequena acho que ela não falava nada pra não me reprimir. Não sei se é porque eu não fazia nada que chamasse muita atenção dela. O que incomoda é fazer coisa que ela acha perigosa. O ferro de passar incomoda ela. Ela acha estranho. Ela fica irritada. “Fica passando com essa mão errada”. Ela sabe que não está errado, mas incomoda ela. Ela fala meio brincando. E tira assim. Fica incomodada. Tem aflição mesmo. “Ai, essa mão errada”. Eu falo, foi você que fez. Isso veio. Ela falou que desde pequenininha quando ela viu que tinha uma mão dominante era a esquerda. Só. Hoje em dia só quando alguém me vê escrever...mas é tudo comentário. “Ai, você é canhota. Não sabia”. Não você sabia...tem uns que esquecem. “Nossa, nunca te vi escrever”. Às vezes a gente convive muito e “nossa, você é canhota”. Tantos anos que convivo com você e não sabia disso. Sei lá, não vê no dia a dia, de almoçar. Isso é uma coisa que não me chama atenção. Na mesa não me chama atenção os outros.

Esse jeito de sentar no restaurante. Você acha que as pessoas reparam?