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Atividade Frequência Objeto idealizado

OBS

Observação de aula

1/mês A participação ativa dos alunos nas práticas sociais de leitura de jornal.

Quadro 6: Atividade de acompanhar

(Baseado em Liberali (2012), aula de mestrado Lael/PUC-SP)

Essa atividade de observação, com a intenção de coletar e produzir dados no decorrer desta pesquisa, assumiu, em alguns momentos, uma forma de acompanhamento formativo. Isso ocorreu, em virtude da necessidade de intervir no desenvolvimento da aula, conforme um prévio acordo com a professora P3.

Assim, na primeira e terceira aula observada, os sujeitos diretamente envolvidos são a professora P3 e alunos; mas na segunda aula observada, a pesquisadora também participa diretamente das intervenções com os alunos.

Do ponto de vista desta pesquisa, na sala de aula, o objeto de ensino – leitura – é concebido como uma prática socialmente constituída, em função disso, as escolhas didáticas e metodológicas necessitam ser propostas, discutidas e planejadas, na perspectiva dialógica considerando o contexto sócio-histórico-cultural dos alunos e dos textos apresentados.

Espera-se, por meio deste estudo, encontrar, na sala de aula, elementos que indiquem transformações no processo de ensino e aprendizagem da leitura na escola, a partir da formação contínua de professores no HC.

Os dados foram organizados em categorias que pudessem revelar as concepções e formas de se posicionar nas interações que ocorreram nas duas instâncias (HC e sala de aula). O critério que determinou essa classificação dos dados foi a presença de marcas enunciativas e discursivas de: (1) ação; (2) reprodução; e (3) intervenção.

Para entender a forma como os dados coletados foram analisados, a seguir, descrevem-se as categorias de análise e interpretação de dados, utilizadas neste trabalho.

3.3.2 Categorias de análise e interpretação

Nesta pesquisa, todo o processo de análise parte da premissa de que a atividade HC pode criar contextos de aprendizagem e desenvolvimento.

Segundo Magalhães (2011), com base na Teoria da Atividade Sócio-Histórico- Cultural (Vygotsky, Leontiev e expansões de Engeström, entre outros), as escolhas metodológicas que organizam os projetos de extensão, conduzidos pelo GP Linguagem em Atividades no Contexto Escolar – LACE, são crucialmente importantes, uma vez que se constituem como contextos de aprendizagem e transformação a todos os envolvidos, bem como lócus de estudo aos pesquisadores.

As atividades diferentes, uma vez articuladas e orientadas para a expansão do objeto (ENGESTRÖM, 1987), constituem contextos de aprendizagem e desenvolvimento. Conforme já detalhado na fundamentação teórica deste trabalho, os elementos que compõem essas atividades (HC, SR, MEPL, OBS) são: instrumentos (i), sujeitos (s), objeto (o), regras (r), comunidade (c), e divisão do trabalho (dt).

Para compreender melhor as relações que se estabeleceram no contexto dessas atividades, a figura 3, a seguir, apresenta as atividades hierarquicamente organizadas:

Fig.3: Cadeia Criativa da Gestão do Ensino de Leitura na Escola Representada por Maria do Socorro Ferreira Gomes, 2013.

A figura 3 apresenta as atividades que ocorrem na EMEF. Essas atividades constituídas na escola foram objeto de análise e configuram o escopo deste trabalho. As setas indicam as diferentes possibilidades de vínculos entre elas e todos os que nelas atuaram. Embora estejam identificadas quatro atividades distintas: HC, SR, MEPL, OBS da sala de aula, o foco deste trabalho está em dois pilares: HC e sala de aula. As demais atividades compõem ramificações que, por encontrarem-se intimamente relacionadas ao HC e sala de aula, podem contribuir para a compreensão dos dados analisados.

O esquema ilustra o olhar da pesquisadora contemplando os fundamentos já expostos e, sobretudo, Engestrom (1987) quando se refere à rede de atividades como conjunto de atividades que partilham objetos e que estão em constante processo de expansão.

Os conceitos de aprendizagem e desenvolvimento estão intimamente relacionados. Segundo a teoria vygotskyana, a aprendizagem desencadeia processos internos de desenvolvimento quando os sujeitos interagem em contexto sócio histórico. Essa vertente epistemológica pressupõe um sujeito ativo na construção do conhecimento. Nesse

processo, a ZPD se instala no momento em que um conhecimento influencia e sofre influência do outro (VYGOTSKY, [1934]2001).

Os sujeitos em seus contextos sociais – na vida que se vive – são protagonistas da construção de conhecimentos baseados no senso comum, os conhecimentos espontâneos, segundo Vygotsky (1987, p.135). O autor enfatiza que os conhecimentos espontâneos são construídos a partir de experiências pessoais do sujeito, nas relações sociais cotidianas e informais, sem que o sujeito esteja “consciente do seu próprio ato de pensamento”.

Em contrapartida, os conhecimentos científicos são decorrentes de situações formais de ensino e aprendizagem, de forma hierárquica, vivenciadas no âmbito escolar. O ponto de partida para a elaboração de novos conceitos científicos é o conceito espontâneo, gerado no contexto social do sujeito (VYGOSTKY, 1987 p. 135).

Segundo Vygotsky (1987, p.135), “pode-se remontar a origem de um conceito espontâneo a um confronto com uma situação concreta, ao passo que um conceito científico envolve, desde o início, uma atitude “mediada” em relação ao objeto”.

Nesse processo, a linguagem tem papel fundamental, pois, além de ser parte integrante das atividades, atua como instrumento mediador das relações que se estabelecem nelas, proporcionando aprendizagem e desenvolvimento.

Considerando o discurso como ponto de partida para as análises das ações, na perspectiva da PCCol, outro recurso metodológico importante a considerar é o processo de identificar as marcas de contradição e colaboração na linguagem do grupo.

A PCCol permite analisar a atividade HC, assim como as atividades desenvolvidas em sala de aula, do ponto de vista da TASHC, identificando com o apoio do processo de reflexão crítica, as contradições e colaborações que se estabelecem visando a expansão do objeto compartilhado pelo grupo.

Para evidenciar as marcas da gestão pedagógica no HC da escola, assim como as implicações decorrentes desse trabalho, na sala de aula, forma utilizadas as seguintes categorias de análise dos dados:

Benzer Belgeler