Dá-se o nome de Planejamento Ambiental a uma série de propostas que visam conciliar o desenvolvimento de atividades humanas com a conservação da natureza.
Fortemente influenciado pelo conceito de Desenvolvimento Sustentável, ou seja, desenvolvimento “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades” (Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, 1988, p.46), o Planejamento Ambiental foi adotado por governos e organizações não governamentais. No Brasil, produziu resultados nas mais diferentes formas, onde se destacam o Estudo de Impacto Ambiental (EIA)13, o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), o Zoneamento Territorial Ambiental (ZTA) e o Plano de Bacia Hidrográfica.
Dentro da concepção de Franco, a cidade é um ecossistema incompleto (2001, p.64). Cabe ao Planejamento Ambiental, portanto, reduzir a dependência da cidade quanto às grandes áreas externas da quais importa energia, água, alimento e matéria-prima e para onde exporta resíduos, poluição, calor e alterações climáticas, como a chuva ácida. Para atingir esse objetivo, o Planejamento Ambiental redesenha os processos e dinâmicas
13 Santos (2004) problematiza os Estudos de Impacto Ambiental ao afirmar que embora os EIAs sejam
teoricamente instrumentos de Planejamento Ambiental, por geralmente se dirigem a um projeto específico perdem a abordagem holística. Além disso, por já tomar o empreendimento como possível e provável, subvertem a lógica do Planejamento Ambiental já que apresentam um resultado antes mesmo de se proceder a um diagnóstico quanto às limitações e as potencialidades da área de estudo.
urbanas de modo que o metabolismo da cidade seja circular, o que diminui a pressão da cidade sobre os ecossistemas naturais. Embora não se vincule ao Planejamento Ambiental, Rogers explica este conceito com clareza:
O estudioso de ecologia urbana Herbert Girardet argumentou que a solução está na busca de um ‘metabolismo’ circular nas cidades, onde o consumo é reduzido pela implementação de eficiências e onde a reutilização de recursos é maximizada. Devemos reciclar materiais, reduzir o lixo, conservar os recursos não-renováveis e insistir no consumo dos renováveis. Uma vez que grande parte da produção e do consumo ocorre nas cidades, os atuais processos lineares de produção, causadores de poluição, devem ser substituídos por aqueles que objetivem um sistema circular de uso e reutilização. Estes processos aumentam a eficiência global do núcleo urbano e reduzem seu impacto no meio ambiente. (ROGERS, 2011, p. 30)
Em última análise, o Planejamento ambiental busca que as intervenções humanas fiquem dentro da capacidade de suporte dos ecossistemas. Para FRANCO,
Planejamento ambiental é todo o planejamento que parte do princípio da valoração e conservação das bases naturais de um dado território como base de auto-sustentação da vida e das interações que a mantém, ou seja, das relações dos ecossistemas. (2001, p.35)
De maneira similar, Santos (2004, p. 28), coloca que o Planejamento Ambiental busca a sustentabilidade por meio da reorganização do espaço a fim de que os recursos naturais indispensáveis para atender necessidades da sociedade - tais como produção e distribuição de alimentos, água, matéria-prima, energia, bens de consumo e moradias, disposição e tratamento de resíduos, bem como sistemas de circulação e acesso, áreas verdes, educação e cultura - sejam usados e manejados adequadamente.
Além do melhor aproveitamento dos recursos naturais, o Planejamento Ambiental persegue outros objetivos: melhor aproveitamento do espaço físico e economia de energia.
De acordo com Franco (Idem, p.36), o Planejamento Ambiental pressupõe três princípios de ação humana sobre os ecossistemas, que podem ser combinados em vários gradientes:
- preservação (ou não ação): os ecossistemas deverão permanecer intocados pela ação humana;
- recuperação: áreas alteradas pelo homem podem ser recuperadas através do princípio da não ação ou por meio de ações de revegetação e repovoamento; e
- conservação: é a utilização dos recursos naturais como o mínimo de risco, sem degradação do meio ambiente e com um mínimo gasto de energia.
Influenciado pelo Ecological Planning de McHarg14, o Planejamento Ambiental é organizado em uma estrutura que envolve levantamento de dados (pesquisa), análise e síntese. Tipicamente recolhem-se dados e mapas relativos à hidrografia, clima, relevo, declividade, geologia e solos, vegetação e uso e ocupação do solo da área de estudo. A análise consiste na avaliação dos dados com vistas à compreensão da área estudada. A síntese refere-se à aplicação dos conhecimentos alcançados para a tomada de decisões.
Já as fases do Planejamento Ambiental são, segundo Santos (2004, p. 32), definição de objetivos, diagnóstico, levantamento de alternativas e tomada de decisão.
O planejamento ambiental possui um caráter aglutinador, frequentemente trabalhando com a Ecologia da Paisagem e a Infraestrutura Verde. Segundo Franco,
No Planejamento e Desenho Ambiental, a Infraestrutura Verde pode ser entendida como uma rede interconectada de áreas verdes naturais e outros espaços abertos que conservam valores e funções ecológicas, sustentam ar e água limpos e ampla variedade de benefícios para as pessoas e a vida selvagem que deverão nortear as ações de planejamento e desenvolvimento territoriais que deve garantir a existência dos processos vivos no presente e no futuro.” (2010, p. 141).
Franco (2001) e Santos (2004) chamam a atenção de que a participação da sociedade, os enfoques inter/multi/transdisciplinar e as abordagens sistêmicas e holísticas
14 “Ecological Planning is that process whereby a region is understood as a biophysical and social process
comprehensible through the operations of laws and time. This can be reinterpreted as having explicit opportunities and constrains for any particular human use. A survey will reveal the most fit locations and process.” (MCHARG, 1997, p. 321)
são inerentes ao Planejamento Ambiental. Santos aponta ainda que o pesquisador que trabalha sob esse prisma “tende primeiro a compartimentar o espaço, para depois integrá- lo” (2004, p. 28).