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1. FİRMALARDA BORÇLANMA ARAÇLARININ YAPISI

1.1. Borçlanma Araçları Piyasasının Oluşumu ve Öne Çıkan

1.1.4. Varlığa Dayalı Menkul Kıymetler (VDMK) ve Menkulleştirme

Quando Arendt cita Kant sobre ao abordar essa questão, ela pretende reforçar o ponto de vista de que a filosofia, no aspecto moral, inicia um caminho separado da religião a partir

14 KANT, Immanuel, Critique of Pure Reason. Trad. Norman Kemp Smith (Nova York: St. Martin’s Press),

1965, A819, 644. [N.E]

15 Cf. ARENDT. 2008a, p. 128. “A tradução literal do inglês obedeceu literalmente a colocação do adjetivo antes

do substantivo, que torna a expressão um tanto pejorativa, mas o correto seria aplicar expressão “vida boa”. [...] O primeiro trata do cidadão, o último das instituições civis; o primeiro precede o último, porque “a boa vida” do cidadão é a raison d’être da polis, a instituição da cidade.”

da razão e do imperativo categórico, como veremos a seguir. Trazendo à tona o tema que influenciou Kant em relação ao comportamento humano sobre a conduta, que se centrava na afirmação do indivíduo em uma relação do categórico com os mandamentos divinos. A autora utiliza o conceito de Kant para reforçar a afirmação de que em relação à conduta o ser humano depende primeiramente do relacionamento consigo mesmo. Isso aponta para a antiga relação implícita da obrigatoriedade do imperativo categórico com a obediência aos mandamentos de Deus, reforçando valores religiosos que a autora descarta como um fator que seja preponderante na ação dos atos maus.

Em Kant como em toda a filosofia depois da Antiguidade, existe dificuldade adicional de como persuadir a vontade a aceitar o ditame da razão. Se deixarmos as contradições à parte e concentrarmos a atenção apenas no que Kant quis dizer, então ele evidentemente pensou na boa vontade, como a vontade que, ao escutar, “Farás”, vai responder: “Sim farei”. E para descrever essa relação entre duas faculdades humanas que claramente não são a mesma coisa e em que certamente uma não determina a outra de modo automático, ele introduziu a forma do imperativo categórico e sorrateiramente retomou o conceito de obediência (ARENDT, 2008a, p.136).

Arendt vai interpretar de maneira diferente o “imperativo categórico” de Kant, como uma lei a ser tomada de maneira universal, à medida que eu obedeço a mim mesmo, obedecendo à própria razão, e valendo para os seres que me rodeiam. Assim, não há contradição da própria pessoa, mesmo que a pessoa se torna o legislador do mundo ou indivíduos, como seres autônomos capazes de produzirem seus próprios valores. A autora (2008a, p.134) mostra que a interpretação de Kant estaria no plano da proposição, na qual “um ato moral é aquele que estabelece uma lei universalmente válida”. A questão está, então, em fazer uma conexão da razão com a vontade. Pois a razão um imperativo de uma ordem que é dada que coage a vontade ou, em outras palavras, determina a si mesma, ou seja, a vontade torna-se uma espécie de órgão executivo da razão. Mas essa vontade, que determina as ações, passa pela proposição moral. Na interpretação de Arendt, a moral propositiva, a qual aparece na forma de lei obrigatória, tem significado ambíguo, pois as leis morais, diferentemente das leis de Deus, da natureza ou das leis no sentido políticos, distanciam-se das leis da liberdade moral, que para Kant, não contém necessidade, mandamentos ou obediência. Sendo assim, há uma grande diferença entre as leis da moralidade, nesse sentido propositivo, e a legalidade no sentido de leis políticas ou religiosas, visto que a legalidade é moralmente neutra, pois não carrega a obrigatoriedade. Assim, a lei interna do ser humano

está acima das outras leis, nas quais o ser humano age de modo que a máxima de seu ato se torne uma lei universal.

Portanto, Kant, sabendo que a vontade pode dizer “não” à razão, entendeu como necessário impor uma obrigação. A razão categórica de Kant não consegue sobrepor-se a Deus - quando ele representa um vingador, no sentido de punição aos pecados - sobre a vontade e temor de si próprio indo, então, opor-se ao castigo divino, mas “lutando” com o seu próprio eu. Para a autora, a obrigação não é absolutamente evidente por si mesma, e nunca foi provada sem que se exceda o âmbito do discurso racional. Por trás do dever e do não dever fazer algo, está uma condição de castigo. Caso alguém haja de modo “inadequado”, está a ameaça por uma sanção imposta por Deus /vingador, pelo consentimento da comunidade ou pela consciência, que é ameaça de autopunição, que comumente chamamos de arrependimento. Mas Arendt vai sustentar que a voz interior predomina e nos diz que: “Aqueles que temem o desprezo por si próprio ou contradizem-se a si mesmo, são, mais uma vez, aqueles que vivem consigo mesmos e acham as proposições morais evidentes em si mesmas, não precisam da obrigação” (Arendt, 2008a, p.142).

Arendt afirma que “a noção antiga e ainda assim estranha de que posso amar a mim mesmo pressupõe que posso me inclinar para mim mesmo, assim como me inclino para fora de mim mesmo em direção aos outros, sejam objetos ou pessoas” (ARENDT, 2008a, p.145).. A autora interpreta que na linguagem de Kant, “inclinação” significa ser influenciado por coisas fora de si mesmo, coisas que a pessoa pode desejar ou com as quais talvez sinta uma afinidade natural, o que é incoerente com a liberdade humana. Se o ser humano é repelido ou atraído por algo, então já não é um agente livre. A inclinação, por natureza, é incoerente com a liberdade por ser atraída externamente por algo que não somos. Essa liberdade, então, estando vinculada à lei moral, que não tem necessidade nem obediência externa, também não tem essa inclinação. Essa lei ligada à vontade tem como pressuposto que não se pode ser livre e mau ao mesmo tempo. A maldade, então, vinculada a inclinação externa, é um absurdo moral (ARENDT, 2008a, p.145-146).

Na visão de Arendt, a partir de Kant, o agir moralmente toma outro rumo, e a conduta moral, antes de tudo, passa a depender do relacionamento do homem consigo mesmo, não se colocando em contradição com seus princípios a ponto de que o homem tenha que se desprezar. Para a autora, isso deveria bastar para que se evitasse o comportamento moral errado, citando que Kant coloca os deveres individuais à frente dos deveres para com os outros. Arendt, sobre a dignidade e orgulho humano afirma que é uma questão de humildade,

e isso não é uma preocupação com o outro, mas uma preocupação consigo mesmo, uma questão de respeito por si mesmo (ARENDT, 2008a, p.131).