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A atividade de segurança privada pode ser exercida por empresas não especializadas. Para Nunes (1996, p 135), essas empresas são denominadas de auto executoras ou empresas de segurança orgânica:

Auto executoras são aquelas empresas que possuem objeto econômico diverso da vigilância ostensiva e do transporte de valores, mas que utilizam pessoal de quadro funcional próprio para a execução do serviço. São o que convencionamos chamar de empresas não especializadas e o que a legislação define como segurança orgânica.

Para funcionar, as autoexecutoras necessitam de Alvará de Funcionamento, que de acordo com Silva (2009, p. 13), destaca:

Terá validade de 1 (um) ano, expedido pelo Coordenador-Geral, contado a partir da publicação no Diário Oficial da União, permitindo à empresa que desenvolva a atividade de segurança privada nos limites que lhe fora autorizada

Ainda segundo Silva (2009, p. 13), as empresas de serviços orgânicos de segurança possuem requisitos próprios para sua formação e constituição, conforme o artigo 54 da Portaria DG/DPF nº 387/06. A saber:

a) Utilizar os próprios empregados nas atividades de segurança orgânica; b) Prova de que administradores, gerentes, diretores e empregados

responsáveis pelo serviço de segurança orgânica não tenham condenação criminal registrada;

c) Setor operacional devidamente definido;

d) Local seguro e adequado para a guarda de armas e munições.

Destas empresas, as que possuam até 5 (cinco) armas, não é exigido certificado de segurança aprovando as instalações físicas. Estes, no entanto, são exigidos das empresas de segurança privada.

4 EMPRESAS CLANDESTINAS DE SEGURANÇA PRIVADA

A denominação de empresa clandestina encontra-se no art. 111 da Portaria nº 992/95, que de acordo com Nunes (1996, p. 419),

Prevê o procedimento no momento da constatação de empresa que esteja funcionando sem autorização do Departamento de Polícia Federal na prestação de serviços de vigilância armada, desarmada, transporte de valores, cursos de formação de escolta armada e segurança pessoal privada.

As atividades realizadas pelas empresas não autorizadas pelos órgãos de controle e fiscalização competentes representam um problema e um dilema para a questão da segurança privada no Brasil. Ainda segundo os ensinamentos de Nunes (1996, p. 419), “a segurança privada vem sendo desenvolvida por empresas que não possuem autorização para prestá-la, nem os requisitos mínimos que uma empresa séria e organizada deveria ter”. São as chamadas “empresas clandestinas”.

É claro e não deixa muitas dúvidas, com relação ao caráter de ilegalidade dessa atividade; todavia, não aborda os problemas e os riscos dessa forma de atuação. O exercício da atividade irregular pode ser exercido por pessoa física ou jurídica. Neste segundo caso, caracterizam-se por pessoas regulares ou não, como empresas. No entanto, sua finalidade e prestação de serviços são outros, diferentes da atividade de segurança privada.

Nunes (1996, p. 420), comenta, “[...] é muito comum agirem na irregularidade pessoas jurídicas responsáveis por serviços como conservação e limpeza, administração de condomínios, portaria e promoção de eventos”, que por exercerem atividades aproximadas da segurança privada acabam incorporando esta também, principalmente por não terem como arcar com os custos da regularização e da estruturação.

Quando for constatada a existência de empresa clandestina, em qualquer das formas supracitadas, será lavrado o auto de encerramento, notificando-se o responsável e determinado o prazo de 10 (dez) dias para apresentação de defesa prévia. Entretanto, Nunes (1996, p. 424), explana que:

[...] quando a atividade envolver utilização de armamento, munição ou similar poderá haver a realização de prisão em flagrante delito dos envolvidos, com a instauração de procedimentos na esfera penal e administrativa, conforme o artigo 148, da Portaria DG/DPF 387/06.

Na hipótese de haver tomador dos serviços clandestinos à DELESP ou CV notificará este, entregando cópia do auto de encerramento lavrado, do qual poderá ser também responsabilizado, caso tenha, de qualquer forma, contribuído para a prática das infrações penais praticadas pelo contratado (disposto no artigo 148 da Portaria DG/DPF nº 387/06).

Em continuidade com o citado artigo, quando se encerrar o prazo de 10 (dez) dias para apresentação da defesa, a DELESP ou CV deverá decidir se encerra as atividades da empresa irregular, em seguida notificará o autuado. Neste caso, o autuado poderá oferecer recurso da decisão da DELESP ou CV, que será encaminhado ao Superintendente Regional, também no prazo de 10 (dez) dias. A penalidade para a empresa, ou pessoa que exercer atividade irregular, desde que não haja procedimento penal a ser apurado, será unicamente o encerramento da atividade. Assim, se a empresa possuir outras atividades como serviços de portaria, limpeza, fiscal de loja, estes poderão continuar funcionando normalmente.

Quando for determinado o encerramento da atividade clandestina, a DELESP ou CV deverá comunicar o procedimento à Coordenação Geral de Controle de Segurança Privada/Diretoria Executiva (CGCSP/Direx), para fins de controle. No entanto, se o infrator persistir com a pratica da atividade deverá ser realizado novo processo administrativo e o infrator poderá ser responsabilizado penalmente no crime previsto no art. 205 do Código Penal (CP), ou seja, exercer atividade do qual está impedido por decisão administrativa.

Como se pode observar, não existe na legislação referente à atividade de segurança privada nenhuma sanção ou penalidade para quem exerce a atividade de forma clandestina ou irregular, se não utilizar arma de fogo. Responde, no máximo e se for reincidente, nas penas cominadas no art. 205 do CP, e se possuir arma de fogo de acordo com a Lei nº 10.826/03, o Estatuto do Desarmamento (SILVA, 2009, p. 15).

É comum empresas que possuem Cadastro de Pessoas Jurídicas (CNPJ) formalizado oferecerem segurança privada como parte de um pacote que inclui serviços como portaria, limpeza e organização de eventos. “São empresas de segurança camufladas sob outros serviços. Isso atrapalha a atividade das que trabalham legalmente”.

A atividade dos vigias não pode ser confundida com a dos vigilantes. Os vigias podem atuar como autônomos, possuem regulamentação própria e em geral

atuam apenas como observadores em estabelecimentos comerciais. Já os vigilantes são treinados em cursos específicos credenciados pela Polícia Federal, podem realizar revistas e somente atuam por meio de empresas autorizadas.

A Lei Federal nº 7.102/83, que regulamenta a atividade de segurança privada, poderá passar por mudanças, passando a responsabilizar também as empresas que contratam serviços irregulares de segurança privada.

Benzer Belgeler