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2.1.8. Epilepsi Tedavis

2.1.8.5. Valproik Asit

Consoante a petição inicial da ACP nº 2009.61.00.025168-2 151, proposta, em 26 de novembro de 2009, pelo MPF, em São Paulo, o cemitério municipal Dom Bosco, projetado e construído nos anos de 1968 a 1971, localizado no Bairro de Perus, em São Paulo/SP, e o cemitério municipal de Vila Formosa, fundando em 1949, localizado entre os distritos de Carrão e Vila Formosa, também, na capital paulista, foram dois locais bastante utilizados pelo regime militar para ocultar os restos mortais das vítimas de desaparecimentos, durante a repressão à dissidência política, nos “Anos de Chumbo”.

Os fatos, exaustivamente, narrados na inicial da ACP foram apurados, em sua maioria, pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), da Câmara Municipal de São Paulo, instituída por ocasião da abertura da vala clandestina do cemitério de Perus, em 4 de setembro de 1990.

Em síntese, a presente ação civil pública tem por finalidade a responsabilização das pessoas jurídicas de direito público (União Federal, Estado e município de São Paulo) e das autoridades (Paulo Maluf, Romeu Tuma, Harry Shibata, Miguel Colasuonno e Fábio Bueno) que contribuíram para a ocultação de cadáveres de militantes políticos, durante a ditadura (1964-1985), e assim agindo, impediram que os familiares e amigos das vítimas pudessem realizar os respectivos funerais e enterros. Além disso, a ACP visa à promoção da verdade e da memória nacionais, uma vez que se pede a condenação da União, do Estado e do Município de São Paulo a promoverem, em equipamentos públicos permanentes, a divulgação

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Apelação. Op. cit. 151

Petição Inicial. Ministério Público Federal. Ação Civil Pública n. 2009.61.00.025168-2. Disponível em: <http://www.prr3.mpf.gov.br/arquivos/Ditadura-Militar---Ações-e-Representações/Providências -Cíveis/>. Acesso em: 16 abr. 2013.

das circunstâncias das mortes e ocultações de cadáveres de perseguidos políticos no Estado de São Paulo, no período da repressão.

Para demonstrar a repercussão social de se deixar uma pessoa insepulta e a angústia advinda dessa situação aflitiva, em interessante argumentação, o MPF/SP faz uma incursão pelo passado e encontra na mitologia grega ancoradouro seguro para divagar sobre as drásticas conseqüências psíquico-morais oriundas desse estado de coisas, no sentido de reafirmar a valorização do culto aos mortos como uma característica imanente às tradições humanas.

A ausência de sepultamento gera uma dor que não cessa. O funeral digno sempre foi uma tradição humana. Desde os antigos (gregos, egípcios, latinos) a pior forma de impiedade era deixar de sepultar os mortos. A lenda sobre o soberano Creonte, personagem de Sófocles, um dos mestres da tragédia grega, já demonstrava que deixar um ser humano insepulto era a maior penalidade a se imposta e o maior suplício que poderia haver para um familiar. As autoridades brasileiras imitaram Creonte e ainda hoje fazer viger, tacitamente, uma espécie de “Édito de Creonte”. Centenas de esposas, maridos, mães, pais, filhos, filhas, irmãos e irmãs convivem com a difícil busca de corpos insepultos e a tarefa de reconstruir memórias esgarçadas. Para os “desaparecidos”, e a indignidade não cessou com a morte após tortura. Ela é perpetuada com a ocultação do seu corpo e a supressão da possibilidade da família lhe dar respeitos sepultamento. A estranha figura do “desaparecido” traz a incerteza, a insegurança e a injustiça, e – paradoxalmente – permite a esperança. A ausência é o prenúncio da desgraça, mas é também o espaço vazio que admitiria preenchimento, com o retorno. Essa complexidade de sentimentos sempre foi campo propício para o exercício da crueldade. Infelizmente, passados mais de trinta anos do ágüe da repressão militar, ainda hoje o Poder Público parece cruel, protegendo e defendo a ocultação em detrimento da paz que poderia ser devolvida às famílias. Privilegia-se o silêncio como forma de proteção aos agressores, em detrimento da moral, do decoro, da honestidade, da dignidade, em suma, da justiça.152

Em tom quase poético, o Ministério Público Federal faz uma paráfrase da tragédia grega, que na contemporaneidade é reabilitada pelos diversos regimes autoritários, os quais insistem na perpetuação das barbaridades do mundo antigo ao assolar povos, grupos étnicos, raciais, entre outros, dando nova roupagem às graves violações de diretos humanos que maculam e circunscrevem a história da humanidade.

Regularmente distribuída para a 4ª Vara Cível da Justiça Federal em São Paulo, a juíza federal Mônica Autran Machado Nobre, em 27 de novembro de 2009 determinou a citação dos réus, tendo admitido a possibilidade das rés pessoas

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jurídicas de direito público serem intimadas para que se manifestassem expressamente sobre o interesse em integrar o pólo ativo da ação.

Os réus foram regularmente citados e intimados. O último mandado de citação foi juntado no dia 11 de fevereiro de 2010.

Todas as contestações foram tempestivamente apresentadas, com exceção do réu Fábio Bueno que teve desentranhada e juntada à contracapa dos autos a peça processualmente inadequada que apresentou. O mesmo foi devidamente notificado a respeito. Ainda assim, deixou de apresentar contestação no prazo, limitando-se a protocolar petição contendo informações sobre os fatos imputados e requerendo sua intimação sobre a data em que “o prazo para resposta for iniciado”, o que foi indeferido.

A Fazenda do Estado de São Paulo optou por permanecer no pólo passivo. O mesmo ocorreu em relação à União. O Município, por sua vez, limitou-se a apresentar contestação, também se mantendo, portanto, na posição de réu. Como não houve pedido de liminar, juntada a última contestação, os autos foram imediatamente enviados ao Ministério Público Federal para réplica.

No curso da ação os réus Fábio Bueno e Romeu Tuma vieram a falecer o que acarretou, em 13 de dezembro de 2010, a suspensão do processo, nos termos do art. 265, I, do CPC, com a expedição de mandados de intimação dirigidos aos seus sucessores para se habilitem a integrar o pólo passivo da ACP.

Devido a tais substituições processuais, houve um atraso considerável no andamento do feito, não sendo até a data de fechamento desta pesquisa designada a Audiência de Instrução e Julgamento do feito. O que impede uma análise mais aprofunda da respectiva ação civil pública.

Benzer Belgeler