1. GĠRĠġ
1.16. Vücut Kompozisyonu
Em meados do ano de 2014, um grupo de funcionárias da prestadora de serviços de limpeza dirigiu-se à Ouvidoria da UFSCar apresentando um bloco de queixas sobre o trabalho, que soavam como demandas antigas. Como as reclamações coincidiram com o movimento grevista dos servidores técnico- administrativos, a Ouvidoria reuniu-se com o Comando de Greve local e levou ao seu conhecimento as reclamações apresentadas, dentro dos limites da confidencialidade. Decidiu-se então, pela constituição de uma “Comissão Mista”, composta por membros do Comando de Greve, um representante da ProAd e um representante da Ouvidoria. Aproximava-se a data de vencimento do contrato administrativo 161/2010, que se daria em agosto de 2014, mas ainda era possível a prorrogação por 12 meses. Diante da gravidade das denúncias, a Comissão apurou que faltavam mecanismos que permitissem, no âmbito do contrato administrativo, maior controle da prestação de serviços por parte da contratada. A Administração, então, deliberou pelo não aditamento do contrato e pela abertura de novo processo licitatório. Realizou-se, então, um levantamento de modelos de contratos firmados por outras instituições públicas federais, descobrindo que em parte delas já havia comissões desse tipo formalizadas, para subsidiar o fiscal de contrato. Assim, uniram-se para a revisão do contrato administrativo vigente, elaboração de novo edital e novo termo de referência: um representante da Ouvidoria, o fiscal do contrato que se encerrava, o gestor do contrato, o responsável pela elaboração de editais da ProAd e um representante da Procuradoria Federal. Os documentos foram preparados com rigor e detalhamento, incluindo determinações previstas nas Instruções Normativas nº 02/2008 e nº 06/2013 do MPOG, abarcando questões deixadas de lado nos contratos anteriores.
A Comissão Mista, juntamente com o grupo, concluiu que deveria ser formada uma Comissão de Fiscalização do contrato de limpeza, composta por representantes de todo o campus, porém não muito numerosa. Incluíram-se, então:
dois representantes da Administração – Área Sul17
17
Devido à extensão territorial, o campus São Carlos é dividido em Área Sul, região situada entre a Portaria Sul, e o lago, e Área Norte, além do lago.
dois representantes da Administração – Área Norte
um representante de cada Centro acadêmico (CCBS, CCET, CECH), indicado pelo respectivo Diretor.
Além dela, também seria formado um Grupo de Acompanhamento, contando com um número maior de servidores, representando os “tentáculos” da Comissão, interlocutores permeando toda a estrutura do campus em cada área (departamento, unidade administrativa ou acadêmica), que captariam informações no local de trabalho e as canalizariam à Comissão.
A necessidade da composição de um conjunto tão numeroso para acompanhar e fiscalizar apenas um tipo de serviço tercerizado denota o quanto o modelo de terceirização acaba por onerar a instituição de forma inesperada diante dos preceitos legais. Se por um lado a máquina permanece mais enxuta e os recursos dispensados são menores, por outro, há uma demanda por outro tipo de atividade – fiscalização – que requer tempo de trabalho e esforços de uma série de servidores, os quais deixam seu local de trabalho e suas tarefas diárias para executar outra função. Legalmente, o fiscal de contrato é a figura preconizada para fiscalização, sendo raras as menções às comissões fiscalizadoras, porém, na prática, se percebe o quanto um único servidor é incapaz de verificar a fundo a rotina de trabalho de um grupo tão vasto de funcionários contratados. Deve-se levar em consideração ainda que aqui se analisa apenas um contrato, de um serviço. Como apresentado pelo Quadro 7, existem dezenas de contratos vigentes, requerendo o mesmo empenho de fiscalização (guardadas as devidas proporções). Se a ideia presente no âmbito da Reforma do Estado era desonerar o órgão público da preocupação com a execução desses serviços, por que uma demanda tão grande por verificação, observação, vistoria, conferência? Na prática, os exemplos mostram que mesmo esse olhar apurado não se mostra suficiente para evitar ou resolver problemas, servindo, no máximo, para apontá-los. Aí reside a crítica do trabalho. Os mecanismos previstos em lei nem sempre são adequados ou bastantes para o volume de responsabilização que os contratos exigem na realidade. A Administração pública, por sua vez, acaba tendo apenas esse recurso para se defender de empresas mal intencionadas. À luz do contrato estudado, portanto, a terceirização em sua totalidade não necessariamente cumpre seu papel de propiciar menor custo, maior qualidade e eficiência, desonerando adequadamente o órgão público de tarefas acessórias.
Há pontos positivos, da ótica da eficiência e economia de recursos. A rotatividade de pessoal, por exemplo, é facilitada. Assim, não é necessário que um funcionário seja mantido na instituição quando já não atende mais requisitos práticos da atividade (como por exemplo, um funcionário responsável por limpeza ou vigilância, cuja idade já não permite o cumprimento de determinadas atividades pode ser substituído facilmente, o que não ocorre com servidores estáveis – regidos pelo RJU). Os custos também tendem a ser menores, já que um auxiliar de serviços gerais recebe pouco mais de um salário mínimo, segundo dados enviados à Controladoria Geral da União (CGU), enquanto um servidor público federal ocupante do cargo de auxiliar administrativo era admitido, já em 2013, conforme edital ProGPe, com um salário equivalente a quase dois salários mínimos, sem adicionais.
Em termos de direitos trabalhistas, benefícios, acesso a planos assistências, contudo, os funcionários veem-se profundamente prejudicados. Além disso, basta analisar um dado da Procuradoria Federal para se perceber o aviltamento ao trabalhador causado pela terceirização. Entre o ano de 2009 e o mês de junho de 2015, enquanto foram executados 55 contratos dessa natureza, foram ajuizadas em média 123 ações trabalhistas18 contra empresas prestadoras de
serviços à UFSCar, conforme informação da Procuradoria Federal (PF).