2.5. Egzersiz ve Diyet Uygulamalarının Obezite Yönetimindeki Rolü Vücut ağırlığı kaybı sürecinde, bilinenin aksine yağ dokusu enerji veya ısıya
2.5.1. Vücut Kompozisyonu Üzerine Etkileri
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Referimo-nos ao livro Altas literaturas, em que a autora inclui Haroldo de Campos (ao lado de Pound, Eliot, Borges, Paz, Calvino, Butor e Phillipe Sollers), no rol de autores que contribuíram decisivamente para a fixação dos valores poéticos da contemporaneidade.
Certamente que, entre as três poéticas aqui estudadas, a Poesia Concreta compreende o momento de maior repúdio à expressão subjetiva em poesia. Se, em Augusto dos Anjos, ainda encontramos um lirismo ainda que de cunho não subjetivista e, em João Cabral, a consciência expressiva cede terreno à consciência posicional, é o concretismo o momento do percurso de Haroldo de Campos em que encontramos mais fortemente o eu poético como uma instância que deve ser eliminada do fazer poético.
É preciso não perder de vista, para o exame dessa questão, o fato de que a vanguarda concretista esposa a ideia de que os princípios de sua poética deveriam traduzir o modo de ser da época em que estiveram inseridos. Para isso toma, de forma mais ou menos determinante, como signo desse ethos epocal, a lógica da industrialização e do consumo e entende ser possível projetar essa configuração da realidade no cerne de um projeto poético. Foi a partir desse propósito que os concretistas articularam o ideal da eliminação da subjetividade como origem do poema, tal como pode ser observado no seguinte trecho da Teoria da poesia concreta:
O poema passa a ser um objeto útil, consumível, como um objeto plástico. A poesia concreta responde a um certo tipo de “forma mentis” contemporânea: aquele que impõe os cartazes, os “slogans”, as manchetes, as dicções contidas no anedotário popular, etc. O que faz urgente uma comunicação mais rápida de objetos culturais. (CAMPOS et alii, 2006, p. 81).
Utilidade, no sentido empregado acima, não deve ser entendida como se o poema precisasse ter uma finalidade prática muito bem definida. Não se trata disso. O ponto de vista da utilidade é o critério a partir do qual o poema, encarnando a lógica da produção e do consumo dos bens de mercado, reabilita o seu lugar no seio da vida social e passa a fazer parte dela, uma vez que encontrou a forma compatível com as transformações que essa realidade social atravessou. Com uma linguagem condizente com uma realidade modificada, o poema recupera a possibilidade de ser consumível por um homem que, em virtude das alterações advindas da modernização, sofreu também modificações nas suas faculdades cognitivas, assim como nos seus referenciais axiológicos. Essa é a noção de utilidade presente na Poesia Concreta, como mostra, a seguir, o trecho de Iumna Simon e Vinicius Dantas sobre esse movimento vanguardista:
As exigências da vida moderna solicitam uma comunicação rápida e eficiente. Assim, incorporando técnicas e recursos dos meios de comunicação modernos (jornal, propaganda, cinema, cartaz), o poema é concebido como um “objeto de consumo” – utilitário e funcional.
Isso não significa que a realidade urbano-industrial esteja diretamente reproduzida no poema. Como diz Décio Pignatari: “Objetos-bens-de-consumo, sim, mas no âmbito do pensamento e da sensibilidade, inconversíveis que são a valores meramente utilitários”. O que implica transformar a realidade num universo imaginário, de formas sensíveis. Universo que tem a aparência do real,
mas que, por sua beleza racional, visa a uma crítica do capitalismo e das suas formas de consumo. Uma verdadeira utopia construtivista: o poema quer tornar- se mercadoria, mas sem valor de troca, para poder resgatar e afirmar o poético e a poesia numa sociedade em que tudo está à venda. (SIMON/DANTAS, 1982, s/p)
Não foi só a categoria da obra que se conformou aos novos padrões da modernidade industrial, convertendo-se em objeto útil. A categoria do “autor”, poderíamos dizer, cedeu lugar à do “produtor”. A ideia de autoria, em grande parte, ainda está atrelada à da personalidade do homem por detrás da obra. A atuação de um “eu” no perfazimento do objeto artístico inspira a compreensão de que este põe em jogo forças expressivas, sentimentos e idiossincrasias que a noção de “produtor” poderia eliminar, pelo menos utopicamente, de forma definitiva. A figura do produtor remete à ideia de um operador de máquinas. Ele aciona certos mecanismos e permanece “neutro” no resultado final. Dessa forma, o produto não terá a sua “presença” transfigurada, o seu “estilo”: “Um operário que trabalha uma peça ao torno não escreve nela o seu nome ou a sua revolta” (CAMPOS et alii, 2006, p. 175).
Esse é o fundo da discussão, presente na Teoria da poesia concreta, que coloca a necessidade de superar a ideia de “artesanato” na poesia em nome de uma concepção “industrial” do poema. É o que sugere Pignatari no trecho abaixo:
O operário quer um poema racional, que lhe ensine a agir e pensar como a máquina lhe ensina. [...] Portanto, aos poetas, que calem suas lamúrias pessoais ou demagógicas e tratem de construir poemas à altura dos novos tempos, à altura dos objetos industriais racionalmente planejados e produzidos. (CAMPOS et alii, 2006, p. 176)
Na mesma clave antisubjetiva encontra-se a defesa de Haroldo, na Teoria, em nome do “poeta factivo”, “trabalhando rigorosamente sua obra (o poema útil, de consumação), como um operário um muro, um arquiteto seu edifício” (CAMPOS et alii, 1975, p. 104). Tentando oferecer uma ilustração sumária da questão, poderíamos dizer que tudo se passa como se a impessoalidade pretendida pela Poesia Concreta fosse análoga à pretensa neutralidade do cientista diante do seu objeto de estudo, sendo que, no caso do poeta concreto, sua postura estaria mais próxima da de um matemático, ou de um geômetra, no trato com estruturas, relações, funções, espaços, quantificação, etc.