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III. ÜRETRA İLE İLİŞKİLİ HASTALIKLAR

2. GEREÇ VE YÖNTEM

3.1. VÜCUT AĞIRLIĞI DEĞİŞİMİ

O Microcrédito entra no debate promovido pelas Rodadas de Interlocuções do Conselho da Comunidade Solidária sobre as possíveis alternativas de combate à pobreza e geração de trabalho e renda. Essas rodadas representaram um espaço de articulação política que tentava promover um amplo debate entre setores do governo e da sociedade civil, “e que do ponto de vista da organização estivesse descentralizado em diferentes instituições privadas, com ou sem fins lucrativos, as quais poderiam ter acesso a recursos públicos, buscando com isso minimizar os problemas de acesso ao crédito para as classes populares e pobres”. (FARRANHA, 2005, p. 107).

De acordo com Zouain e Barone (2007), o governo Cardoso concebia o crédito produtivo como o melhor meio de garantir a manutenção de postos de trabalho, bem como a geração de renda para as unidades familiares e que, posteriormente, num efeito multiplicador da renda, produziria benefícios que se estenderiam por toda a sociedade. Assim, as Rodadas

de Interlocução Política promovidas pelo Conselho da Comunidade Solidária, influenciaram crucialmente as políticas públicas de favorecimento de acesso ao crédito.

Monzoni Neto (2006) considera que o Conselho da Comunidade Solidária contribuiu no processo de institucionalização das atividades de microfinanças no Brasil, mediante articulações e promoção de debates e seminários que resultaram em importantes medidas legislativas no setor de microfinanças.

Os debates e seminários realizados pelo conselho resultaram na promulgação da lei 9.790 de 1999, que possibilitou o reconhecimento das organizações sem fins lucrativos por parte do Ministério da Justiça como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), que até então tinham suas atividades de financiamentos aos pequenos negócios reguladas pela “leia da usura” (que limitava os juros a 12% ao ano).

A Lei 9.790/99 contribuiu com a regulação do setor de microfinanças no país, favorecendo iniciativas, como as ações desenvolvidas pelo Sebrae, o qual em 2001 deu início ao seu “Programa de Apoio ao Segmento de Microcrédito”, com o objetivo de apoiar a criação e o fortalecimento de organizações de microcrédito que adotassem princípios de independência e autossustentabilidade.

Em meio ao debate promovido pela Comunidade Solidária, havia a preocupação de pensar estratégias para a expansão do microcrédito em nível nacional. Nesse sentido, em março de 2001, o Conselho da Comunidade Solidária promoveu uma nova rodada de discussão sobre o incentivo e a expansão do microcrédito no Brasil.

Essa Quinta Rodada de Interlocução resultou na edição da Lei 10.194/2001, que permitiu ao CMN - Conselho Monetário Nacional criar a Sociedade de Crédito ao Microempreendedor (SCM), para regulamentar a atuação do setor privado nas microfinanças, e também na criação da Associação Brasileira de Desenvolvimento do Microcrédito (ABDM) – como entidade do terceiro setor, na categoria de OSCIP, com o intuito de reunir as organizações de microcrédito em atuação no país. (ZOUAIN; BARONE, 2007). Conforme Farranha (2005), a Quinta Rodada de Interlocução contou com a participação de representantes governamentais e organizações da sociedade civil, que deveriam apontar os problemas e as possíveis alternativas para expandir o microcrédito em nível nacional. Os principais temas que se apresentavam como obstáculos estavam relacionados, ao marco legal, à divulgação e o fortalecimento institucional, à capacitação e à avaliação.

Havia também propostas que visavam uma popularização do acesso ao crédito, como:

[...] ampliação dos empréstimos de modo que eles não fossem direcionados unicamente para a produção, mas que também pudessem ser destinados ao consumo – principalmente para os mais pobres, que fazem pouca distinção entre uma coisa e outra e ao crédito habitacional; utilização de correspondentes bancários, por exemplo, casas lotéricas e postos de correios, no repasse de recursos de uma agência ou órgão central de microcrédito para a gestão em nível local, como alternativa para expandir o microcrédito. (FARRANHA, 2005, p. 109).

No entanto, essas propostas não foram contempladas pela Comissão responsável pelo Marco Legal do setor de microfinanças. Além disso, embora a questão da popularização do crédito apareça como proposta, não houve, “nessa rodada de interlocução uma discussão mais sistematizada dos nexos entre microcrédito e democratização do sistema bancário”. (FARRANHA, 2005, p. 109).

Seguindo a lógica proposta pelo governo Cardoso na forma de conduzir as políticas sociais, o desenho proposto para o microcrédito tinha no setor privado o seu principal elemento de articulação para a expansão das microfinanças, ou seja, a base dessa expansão não tinha como estratégia a criação de um programa de alcance nacional, conforme ressalta Farranha (2005, p. 106):

Nesse sentido, a estratégia de microcrédito não estava baseada na criação de um programa nacional com capilaridade nos municípios e que estivesse submetido à gestão centralizada de algum ministério específico. A idéia que prevaleceu foi a da pulverização de diferentes instituições que pudessem cobrir a demanda por crédito popular no território brasileiro.

Além da criação de um arcabouço normativo capaz de garantir a regulação das operações dessa forma de crédito, outra iniciativa também se destaca no governo Cardoso em favor da expansão do microcrédito e da consolidação desse setor no país, a participação do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, a quem coube a responsabilidade de compor uma indústria de microfinanças no país, através da oferta de

funding para os agentes responsáveis pelo repasse do microcrédito. (FARRANHA, 2005).

A atuação do BNDES nesse setor começa a partir de 1996, através da criação do Programa de Crédito Produtivo Popular (PCPP) e do Programa de Desenvolvimento Institucional (PDI). Em 1997, na busca pelo fortalecimento do segmento do microcrédito, o BNDES fecha

um convênio de Cooperação Técnica não Reembolsável com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). (MIGUEL, 2014).

Azeredo e Duncan (2002) afirmam que nesse período há o (res) surgimento da área social do banco, articulando as suas estratégias para dinamizar o setor de microfinanças em consonância com as ações do Conselho da Comunidade Solidária.

O papel atribuído ao BNDES dizia respeito também à constituição de um modelo institucional para o setor de microfinanças, “ou seja, além de prover recursos para as instituições criadas para esse fim, o Banco envolveu-se no processo de fortalecimento institucional das estruturas criadas para assegurarem o acesso ao microcrédito, naquele momento”. (FARRANHA, 2005, p. 111).

Todavia, segundo Farranha (2005, p. 107), “não estava na pauta do governo criar um sistema articulado com os bancos, inclusive públicos, no sentido de fornecer crédito aos pobres”. Nessa direção, Zouain e Barone (2007, p. 378) afirmam que:

Apesar do “incentivo” dado pela estabilização econômica, e de um conjunto de políticas públicas voltadas para o acesso ao crédito, nos dois períodos de governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-98 e 1999-2002), muito ainda precisa ser feito em termos de crédito produtivo (microcrédito), crédito para o consumo e bancarização no Brasil.

Contudo, podemos concluir que, embora o governo Cardoso não tenha criado um grande programa de microcrédito capaz de articular uma rede das entidades que passaram a atuar na oferta desse tipo de crédito no Brasil, os resultados das rodadas de interlocução política promovidas pela Comunidade Solidária podem ser considerados um marco na institucionalização do setor de microfinanças no Brasil, num desenho que tentou combinar ações do Estado e iniciativas da sociedade civil.

7.2 O Microcrédito no Governo Lula: a construção de uma Política Nacional de