6. Kuramsal Bilgiler ve İlgili Araştırmalar
3.3. Uzay-Zaman Tekillikleri ve Tanrı
Os relatos históricos da evolução da tributação sobre o consumo no Brasil demonstram que os tributos incidentes sobre o comércio exterior tiveram uma essencial e estratégica função sob o ponto vista financeiro e político: ao passo que a exportação da produção agrícola e a importação das várias mercadorias estrangeiras permitiam alguma injeção de recursos no saqueado e combalido erário imperial e do início da República, possibilitava controlar a entrada e a saída de produtos do território nacional.
Como já visto anteriormente, a tributação da exportação das mercadorias brasileiras esteve historicamente adstrita à competência dos Estados federados. A esse respeito, e considerando a estrutura da atuação tributária do Estado brasileiro anteriormente ao advento da Constituição brasileira de 1934, mas já no período da denominada República Velha, Ricardo Varsano observa que “na órbita estadual, o imposto de exportação era a principal fonte de receita, gerando mais que 40% dos recursos destes governos. Cabe notar que este imposto era cobrado tanto sobre as exportações para o exterior como nas operações
174 BALEEIRO, Aliomar. Limitações constitucionais ao poder de tributar. Atualização e notas de Mizabel
Abreu Machado Derzi. 8ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 744.
175 Ibidem, p. 745.
interestaduais”177. É apenas com a EC 18/1965 que a União passa a deter o controle dos tributos que incidem sobre o comércio exterior, pois a instituição e a cobrança do imposto de exportação passam a ser também de sua competência.
As orientações que conduziram a reforma tributária implementada pela EC 18/1965 observaram a necessidade de se tributar bases econômicas e de observar, em razão disso, certas diretrizes de neutralidade tributária, notadamente mediante a implementação do mecanismo da não cumulatividade para os tributos incidentes sobre a cadeia de consumo, inclusive quando as mercadorias produzidas internamente destinavam-se ao consumo em outros países. Essa tendência, como visto, acabou por repercutir na reforma erigida pela EC 18/1965, que, segundo observa Heleno Taveira Tôrres, cobrou
uma atualização com os novos modelos de tributação, baseados no valor acrescido, em prejuízo dos regimes de tributação em cascata, para alcançar um modelo que permitisse evitar integração vertical de empresas, garantir uniformidade de carga tributária, independentemente da extensão do circuito econômico e eliminar qualquer espécie de cumulatividade.178
A reforma da EC 18/1965 seguiu tendências internacionais de tributação: desde o seu desenvolvimento mais robusto e consolidado, que se deu com a TVA francesa e com as discussões para a formação de um mercado comum europeu, o mecanismo da não cumulatividade observava a necessidade de ser operacionalizado nas exportações. Heleno Taveira Torres aponta a 6a Diretiva do IVA Europeu, de 15 de maio de 1977, como um importante instrumento normativo que buscou suprimir fronteiras fiscais e aduaneiras, bem como a passagem do regime de tributação na origem, e não no destino. Segundo Heleno Torres,
Esta Diretiva, que era o resultado da sucessão de um tratamento jurídico bem coordenado e dirigido a garantir uma harmonização legislativa plena, mediante um sistema comum do tributo incidente sobre a circulação de mercadorias e prestações de serviços, fundados em objetivos fiscais e não- fiscais e de alcance nacional e supracional. E dentre os fundamentos não- fiscais, encontramos a exigência de neutralidade nas atividades das empresas; transparência no tráfego internacional de bens e serviços; garantia de livre-concorrência; liberdade de circulação de bens, serviços e capitais; racionalização das estruturas de produção, circulação e consumo; controle de fiscalização da produção e comércio, reclamando os agentes econômicos como colaboradores e, não menos importante, concorrer para o financiamento do orçamento comunitário, com participação no produto da arrecadação.
177 VARSANO, Ricardo. A evolução do sistema tributário brasileiro ao longo do século: anotações e
reflexões para futuras reformas. Rio de Janeiro: IPEA, 1998, p. 3.
178 TORRES, Heleno Taveira. IVA na experiência estrangeira e a tributação das exportações no Direito
Em todas essas fases, as exportações efetivamente realizadas restaram sempre isentas de IVA (i), acompanhadas de um direito de devolução de todo o montante cobrado em operações anteriores (ii), segundo regime típico de "crédito financeiro". Daí esta isenção dizer-se completa, porque permite a devolução ao exportador de todo o valor do IVA incorporado e acumulado no processo de produção dos bens exportados, i.e., devolvendo os tributos pagos ou eventualmente remanescentes na cadeia plurifásica como custo, o que já constava até mesmo do Tratado de Roma, de 1957, como aquisição de matérias primas, serviços e bens de capital vinculados à produção, nacionais ou importados, consumidos ou utilizados na produção, fabricação, transporte e comercialização dos produtos destinados à exportação.179
Uma vez que os tributos ao estilo IVA preocupam-se com o efetivo creditamento dos tributos incidentes na cadeia de consumo das mercadorias, inclusive quando destinadas à exportação, essa diretriz acompanhou a sua difusão pelo mundo. Trata-se de um importante instrumento para conferir tratamento igualitário e condições de concorrência nos mercados nacional e internacional. Como se sabe, essa percepção não foi diferente no Brasil. A inicial implementação do mecanismo da não cumulatividade, nos termos da Lei 2.974, de 26/11/1956, e da Lei 3.520, de 30/12/1958, o mencionado registro positivado na Lei 4.502, de 30/11/1964, estabilizou a definição política de desoneração tributária dos produtos destinados à exportação.
A consolidação da PNC na atual estrutura da atuação do Estado-Fiscal brasileiro, conforme se extrai do teor normativo da Constituição brasileira de 1988, indica que se está a contar com “determinação constitucional uniforme sobre o tratamento de plurifasia, em virtude da regra de não-cumulatividade definida como critério aplicável aos tributos indicados na Constituição, exigindo que seja compensado o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, tanto para o IPI (art. 153, §3º, II) quanto para o ICMS (art. 155, §2º, I)”180. Quando se trata de exportações, o texto da Constituição brasileira de 1988 é ainda mais incisivo ao estabelecer que a incidência tributária do IPI (art. 153, §3º, III) e do ICMS (art. 155, §2º, X, “a”) ocorrerá no país de destino, conferindo, pois, imunidade tributária à exportação; e “em paralelo a tais imunidades, emerge o regime de crédito como método complementar da não-cumulatividade, na medida em que a plurifasia não se encerra num ato de consumo interno”181.
179 TORRES, Heleno Taveira. IVA na experiência estrangeira e a tributação das exportações no Direito
Brasileiro. Revista Fórum de Direito Tributário – RFTD, Belo Horizonte, v. 3, n. 16, jul.-ago. 2005, p. 51-52.
180 Ibidem, p. 57. 181 Ibidem, p. 58.
Este cenário demonstra que a PNC definida e estampada na Constituição brasileira de 1988 consolidou-se de forma a prestigiar o comércio internacional, em especial sob o prisma da exportação de produtos nacionais ou nacionalizados. Por se tratar de política estratégica, os instrumentos de fomento e de estímulo à exportação utilizam-se, em regra, de benefícios relacionados à imunidade (isenção) tributária e ao mecanismo da não cumulatividade. Isso não implica dizer, como sustenta parte da doutrina tributária, que “crédito simbólico ou presumido é incentivo fiscal”182. Pode ser, mas não necessariamente. Como se vê da estrutura da PNC para o IPI, em especial quando da exportação de mercadorias nacionais, o reconhecimento da geração de crédito presumido de IPI decorre das normas previstas no artigo 153, § 3º, incisos II e III, da Constituição brasileira de 1988.
182 TORRES, Ricardo Lobo. Tratado de direito constitucional financeiro e tributário: os tributos na
3. DEFINIÇÃO DE CONCEITOS OPERACIONAIS PARA A RENOVAÇÃO DAS