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Uzaktan Ağ Kurulumu

4. AVG Ağ Kurulum Sihirbazı Temel Mod

4.4. Uzaktan Ağ Kurulumu

Na década de 1970, atentos às insuficiências da concepção de pobreza baseada na ideia de subsistência, organismos internacionais, como a OIT, v.g., desenvolveram uma abordagem mais ampla da pobreza, que ficou conhecida como basic needs ou necessidades básicas. (ROCHA, 2006, p. 20).

Enquanto na perspectiva da pobreza absoluta se fala em necessidades cujo não- atendimento compromete a subsistência, na abordagem das basic needs o que está em jogo é um espectro mais abrangente de necessidades, que vão além da garantia da mera subsistência. São englobadas nesse conceito, v.g., além das necessidades alimentares e indispensáveis à subsistência, as relativas à educação, saneamento básico, etc. A ideia é identificar aspectos que representem, de forma efetiva, o bem estar da população dentro de um contexto econômico, social e cultural específico.

Rocha (2006, p. 20) pontua três vantagens dessa abordagem. Em primeiro lugar, substitui-se o critério da renda, meramente instrumental, por critérios que demostram efetivamente a qualidade de vida. Em segundo lugar, ao focar indicadores de qualidade de vida, abandona-se a análise setorial, unicamente direcionada aos pobres, e examina-se as condições de vida da população como um todo. Por último, a ótica das basic needs enfatiza o caráter multidimensional da pobreza e a consequente constatação da inter-relação entre as diversas vulnerabilidades, possibilitando a adoção de políticas públicas que observem a importância da complementariedade das ações direcionadas ao combate dos diversos aspectos da pobreza.

Abandonar a proposta teórica das linhas de pobreza fundadas no critério monetário, porém, implica abdicar da utilização de um índice objetivo, qual seja, o Produto Interno Bruto (PIB) per capta. Diante das muitas variáveis inseridas na compreensão das basic needs, equacioná-las de modo a tornar possível a comparação entre países distintos mostrava-se um desafio considerável. Alguns estudos foram empreendidos com o desiderato de elaborar um índice alternativo idôneo a congregar os principais aspectos da abordagem sob o enfoque das necessidades básicas.

Nesse contexto, merece destaque o trabalho de Morris e Liser, que conceberam o Physical Quality of Life Index (PQLI), reunindo em um único índice as três características tidas

por essenciais para refletir a qualidade de vida: mortalidade infantil, esperança de vida com um ano de idade e taxa de alfabetização. (ROCHA, 2006, p. 21).

Rocha (2006, p. 23) informa que o PQLI pode ser considerado o precursor do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), elaborado pelas Nações Unidas, mais especificamente pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), tendo sido apresentado pela primeira vez no Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) de 1990. Na ocasião, afirmou-se que “A maior riqueza das nações são as pessoas.” (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 1990, p. 1-2). Esta frase pode ser entendida como uma síntese do pensamento que estava por trás da criação do IDH.

O referido índice busca contemplar em um único indicador a esperança de vida ao nascer, o nível educacional e o PIB per capta, pretendendo “[...] ser uma medida geral, sintética, do desenvolvimento humano [...]” que “Apesar de ampliar a perspectiva sobre o desenvolvimento humano [...] não abrange todos os aspectos de desenvolvimento e não é uma representação da ‘felicidade’ das pessoas [...].” (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2015g).

O próprio PNUD, como se observa, reconhece as limitações do IDH enquanto indicador para identificação da pobreza e destaca que seu maior mérito é ampliar o debate acerca do tema.

De fato, o IDH, assim como o PQLI, trabalha a partir de médias das variáveis observadas. O que pesa, na composição do índice, são a esperança de vida média, o nível educacional médio e a renda per capta média. Desse modo, aplica-se ao IDH uma das críticas centrais dirigidas ao critério unicamente monetário, a saber, a impossibilidade de se identificar, a partir de sua utilização exclusiva, problemas relacionados à distribuição de renda e à desigualdade.

A fim de complementar as informações obtidas por meio do IDH e visando a corrigir as inevitáveis distorções, as Nações Unidas têm desenvolvido outros índices. É o caso do Índice de Pobreza Humana (IPH), proposto do RDH de 1997, que é calculado de maneira distinta para países desenvolvidos e em desenvolvimento, sendo composto das seguintes variáveis: percentual de pessoas com esperança de vida inferior a 40 anos; proporção de adultos analfabetos; proporção de pessoas sem acesso à água e de crianças menores de cinco anos com peso inadequado. (ROCHA, 2006, p. 26).

Em 2010, vinte anos, portanto, após à criação do IDH, o PNUD aproveitou o ensejo do RDH daquele ano, para realizar um balanço de duas décadas de utilização do índice criado em 1990. Entre as muitas constatações, merece destaque as seguintes (ORGANIZAÇÃO DAS

NAÇÕES UNIDAS, 2010b, passim):

a) O IDH, como já havia sido ressaltado desde sua criação em 1990 pelo próprio PNUD, embora seja mais abrangente que o PIB, enquanto medida para o desenvolvimento, não deixa de ser parcial e restrito, já que se limita a averiguar apenas três dimensões do desenvolvimento, a saber: a renda, a escolaridade e a saúde sob o aspecto amplo da expectativa de vida ao nascer;

b) A enorme quantidade de dados colhidos e monitorados em mais de cem países ao longo de vinte anos serviu para comprovar a hipótese levantada a partir da década de 1970, de acordo com a qual o crescimento econômico, isto é, o aumento do PIB de um país, não se transforma, necessariamente, em melhorias nas condições de vidas das pessoas.

Essa última constatação advém da observação de que muitos países com um consistente crescimento econômico no período compreendido no relatório (1990 a 2010) não apresentaram melhorias proporcionalmente notáveis nos campos da educação e da saúde; ao passo que inúmeros países experimentaram um considerável incremento do IDH, sem, contudo, terem apresentado crescimento similar na renda. (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2010b, passim).

Diante disso, não é demasiado afirmar que o RDH de 2010, de forma empírica e robustamente comprovada, já que ancorado em vinte anos de dados estatísticos, expurgou qualquer dúvida acerca da tese por trás da criação do IDH: desenvolvimento é algo bem distinto de crescimento econômico, embora este possa contribuir para aquele. Em uma palavra, a riqueza de um país não se traduz, necessariamente, em bem-estar para todos; e pobreza não se resume à escassez de riqueza.

A constatação do item ‘a’ acima, por sua vez, é importante na medida em que traz à tona a necessidade de constante aperfeiçoamento dos índices utilizados para parametrizar o desenvolvimento nos países. Nesse sentido, o RDH de 2010 representa um novo marco, pois amplia a discussão já estabelecida com o IDH, por meio da criação de outros três novos índices: o Índice de Desenvolvimento Humano Ajustado à Desigualdade (IDHAD); o Índice de Desigualdade de Gênero (IDG); e o Índice de Pobreza Multidimensional (IPM). (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2010b, passim).

O IDHAD tem como principal objetivo reduzir as distorções provocadas pelo fato de o IDH representar apenas um média dos indicadores que o compõem. Isto é, o IDH não capta as disparidades existentes nos países em termos de renda, educação e saúde. O IDHAD, então, representa um ajuste do IDH em razão das desigualdades detectadas nas três dimensões

avaliadas. Assim, em uma situação hipotética ideal, o IDHAD seria idêntico ao IDH, significando que todas as pessoas de um país teriam o mesmo nível de renda, educação e saúde. Por outro lado, quanto maior forem as disparidades encontradas em termos de renda, educação e saúde, maior será a diferença entre o IDH e o IDHAD. (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2010b, passim).

No caso do Brasil, por exemplo, o RDH de 2010 aponta que o IDHAD é 27,2% inferior ao IDH. Em termos mais precisos, o IDH do Brasil em 2010 era 0,699, o que o colocava em 73º do Ranking de países; enquanto o IDHAD era 0,509, o que o fazia descer 15 posições no Ranking de países. Em conclusão, o alto grau de desigualdade no Brasil influencia de modo significativo a qualidade de vida, já que, com o ajuste do IDH ocasionado pelo IDHAD, saiu da categoria de países de “desenvolvimento elevado” e passou a integrar o grupo de países de “desenvolvimento humano médio”. (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2010b, p. 91-93, 160-162).

O IDG possui o mesmo propósito do IDHAD, mas seu foco específico é apontar a desigualdade entre homens e mulheres. Para isso, lança o olhar sobre três dimensões do desenvolvimento: saúde reprodutiva, cuja análise engloba dois indicadores, a saber, mortalidade materna e fertilidade adolescente; capacitação, também analisada a partir de dois indicadores, quais sejam, representação parlamentar e realização educativa; e mercado de trabalho, cujo indicador é a participação da mulher na força de trabalho. O Brasil apresentava em 2008 o IDG de 0,631 e ocupava a 80ª posição no Ranking desse indicador. (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2010b, p. 93-98, 164-168).

O IPM, por se adequar de modo mais substancial aos objetivos deste trabalho, será objeto de maior detalhamento em tópico específico.

Benzer Belgeler