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No questionário respondido pelos participantes, foi pedido que eles marcassem qual volume da série eles mais gostavam, podendo marcar até duas opções. Foram vários livros favoritos, e percebia-se uma dificuldade muito grande da parte dos leitores no momento de se marcarem os preferidos. A maioria absoluta ficou com o último livro da série, Harry Potter e as

Relíquias da Morte. O motivo aparente para essa preferência pelo último livro, de acordo com

as participantes da entrevista, deve-se ao grande interesse pela conclusão da saga do bruxo, quando todas as dúvidas, ou pelo menos grande parte delas, seriam solucionadas e as peças do grande quebra-cabeça criado por Rowling se encaixariam, esclarecendo vários mistérios criados ao longo desses dez anos.

Harry Potter e o Cálice de também faz sucesso entre os leitores pesquisados. Maria Carolina,

uma das leitores que o assinalou, disse que este era um dos seus livros preferidos da série porque traz mais informações sobre o mundo dos bruxos e sobre a existência de outras escolas de bruxaria, além de Hogwarts, abrindo o horizonte dos leitores. Por meio da sua leitura, segundo a jovem, somos apresentados a outras duas escolas de magia, ambas na Europa, mas Rowling deixa a entender a seus leitores que existem muitas outras espalhadas pelo mundo, incluindo uma no Brasil.

Outros livros que também apareceram com um maior número de indicações foram o primeiro,

Harry Potter e a Pedra Filosofal e o terceiro, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban.

Embora eles não tenham sido mencionados pelas entrevistadas diretamente, podemos supor que esses volumes também agradaram a seus leitores. A Câmara Secreta é o livro menos querido pelos leitores, sendo indicado apenas duas vezes como favorito.

Um questionamento muito difícil de ser respondido é o que indaga o motivo de se gostar de algum livro. De acordo com Abreu (2010 p. 129), “o gosto e a apreciação estética não são universais, mas dependem do universo cultural no qual se inserem os sujeitos. Uma mesma obra é lida, avaliada e investida de significações variadas por diferentes formações culturais.” O gosto das pessoas, não apenas literário, passa por uma construção pessoal de cada sujeito e, portanto, depende muito das situações e de todas as oportunidades às quais o indivíduo foi exposto desde o seu nascimento. O gosto literário parece ainda mais difícil de ser explicado pelas nossas leitoras.

As respostas a essa pergunta foram variadas, mas apontaram para o caminho da imaginação e do pacto lúdico. Catarina afirma que acredita que os livros conseguiram atingir um público tão amplo porque todos têm um lado fantástico na mente, e Rowling conseguiu exteriorizar isso de um maneira muito eficiente, criando todo esse universo mágico.

Maria Carolina também citou a criação de um mundo mágico como um fator extremamente positivo da série. A criação de Hogwarts e de todo o universo ao seu redor, cercado de diversos elementos minimamente detalhados, foi o que mais chamou a atenção dessa leitora. Ela também demonstrou uma posição crítica, sabendo que diversos elementos da série não foram criados por Rowling, mas que fazem parte da mitologia, lendas ou contos de fadas que foram apropriados com sabedoria pela autora, que soube dar seu toque especial e usar esses elementos para complementar suas histórias. Maria Carolina citou Tolkien, autor de O senhor

dos Anéis, e que também é reconhecido pela riqueza de detalhes em seus livros, inclusive com

a criação de mapas e de novas línguas, como a dos elfos, para exemplificar em que medida esses novos mundos intrigam e despertam a curiosidade dos leitores. Ela também destacou que, quando lê os livros, parece que está lá dentro, vivendo a história junto com o personagem.

159 Rafaela relatou que, apesar de ser uma ávida leitora antes de ler a série, o mundo criado por Rowling era completamente diferente do que ela já havia lido. Na sua opinião, os livros apresentaram uma história inovadora e que conseguiu cativar os leitores, pois, apesar de os personagens serem bem poderosos, eles têm as mesmas características e os mesmos sentimentos de uma pessoa normal.

Emma afirmou que, na sua opinião, o que contribuiu para os livros da coleção conquistarem tantos leitores foi, em parte, devido à grande variedade de personagens com os quais os leitores poderiam se identificar. Outro ponto destacado foi a questão da amizade. Para ela, um dos focos da série é o poder não só do amor, mas da amizade e da cumplicidade que os personagens principais apresentam, demonstrando que as amizades são, diversas vezes, um porto seguro para crianças e adolescentes. Além disso, para a adolescente, a autora escreveu as histórias de Harry de maneira muito convincente, “de uma forma que não pode não ser real. Você lê, faz todo o sentido. Então, é todo detalhe. Um detalhe de um livro vai fazer toda a diferença no final do último livro. Não tem espaço para não ser real.”

Uma das características mais marcantes e apontadas por nossas entrevistadas é a criatividade da autora e a sua capacidade de construir um mundo mágico paralelo e completamente verossímil. Nessa direção, Aguiar (2005, p.16) destaca que “os adultos e as crianças que falam de suas experiências com Harry Potter são unânimes em apontar a fantasia como o aspecto que mais lhe chama a atenção.” Entre as opiniões partilhadas por nossas leitoras, elas levantaram como possíveis fatores que contribuíram para o sucesso da série a variedade de personagens, contribuindo na identificação do leitor com a narrativa; a capacidade da autora de transformar esse mundo imaginário em real, tornando-o próximo e plausível aos seus leitores; os minuciosos detalhes impressos em toda a coleção, que despertam a curiosidade dos leitores mais exigentes; e a proximidade dos personagens com pessoas normais, que partilham dos mesmos sentimentos e dos mesmos problemas que os bruxos.

Benzer Belgeler