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BÖLÜM 2: ÇİN UYGUR ÖZERK BÖLGESİNDEKİ DOĞAL VE KÜLTÜREL

2.5. Uygur Kültürü

Entre o inal da década de 1930 e meados da década de 1950 houve o amadurecimento da arquitetura moderna e o estreitamento de relações com a fotograia, contribuindo para divul- gar e consolidar a identidade da arquitetura brasileira, tanto no país quando no exterior. O re- conhecimento internacional da arquitetura moderna brasileira veio com o projeto do Pavilhão brasileiro em Nova York, em 1939, com publicações que foram lançadas logo a seguir e com as exposições realizadas no exterior que incluíam imagens fotográicas.

O Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) foi criado em 1929 e o seu Departamen- to de Arquitetura17 três anos depois, em 1932, objetivando inicialmente adquirir e estudar

coleções exclusivas de fotograias e maquetes de arquitetura. Logo a seguir seu interesse passou a abarcar também desenhos, objetos de design e obras gráicas (McQUAID, 2002, p. 6). A arquitetura como prática de acervo é comum a algumas outras instituições18 no mundo,

porém isso não ocorreu nos museus modernos brasileiros – MASP e MAM, que trabalharam inicialmente apenas com exposições temporárias, embora em certa medida inluenciados pelo modelo institucional de atuação do MoMA, multi departamental, concebida pelo diretor Alfred Barr e que se tornaria um referencial para muitas instituições museais.

A seção de Arquitetura do MoMA tinha uma peculiar estratégia para a exibição dos trabalhos, inspirada nas técnicas de apresentação comercial (HERBST, 2007, p. 73). A primeira mostra foi Modern Architecture: International Exhibition19, exposição que marcou a apresentação do

International Style ao público dos EUA, organizada por Henry-Russel Hitchcock e por Philip Johnson – cujo relacionamento com o MoMA se estendeu por mais de 70 anos, sendo um dos diretores do Departamento. Encorajados por Barr, eles estabeleceram uma narrativa his- tórica do modernismo na arquitetura.

17 Foi chamado de Departamento de Arquitetura de 1932 a 1934 e Departamento de Arquitetura e Arte Industrial de 1935 a 1940. Entre 1940 e 1948 o Departamento de Arquitetura e o Departamento de Desenho Industrial formaram dois departamentos diferentes. Desde 1948 é chamado Departamento de Arquitetura e Design. Cf. McQUAID, 2002, p. 37, nota 4.

18 O Canadian Centre for Architecture, em Montreal (CCA), por exemplo, se destaca pelo seu grande acervo de imagens e fotografias de arquitetura mundial com mais de 55.000 itens. Segundo a pesquisadora Stella Miguez “O CCA mantém um interesse em abrigar coleções de imagens que possam acrescentar ao estudo da história da arquitetura em seu aspecto da representação – seus processos, suas técnicas, seus usos – as representações como portadoras de ideias, e como elas têm se transformado, transformando assim, o próprio modo de se fazer arquitetura. Imagens digitais contemporâneas também participam dessa coleção, assim como coleções de publicações, modelos e audiovisuais […]. O estudo e a interpretação sobre o ambiente contruído através do projeto e das imagens de arquitetura é o eixo principal que justifica as diversas linhas de pesquisa do CCA. A sua imensa coleção de desenhos, fotos e modelos servem como base de investigação sobre as complexas relações entre a arquitetura e suas formas de representação” (MIGUEZ, 2004, p. 374 – 377).

19 A exposição pioneira [Arquitetura Moderna: Exposição Internacional] apresentou arquitetos norte-americanos e europeus, tais como Walter Gropius, Le Corbusier, Mies Van der Rohe, Richard Neutra e Frank Lloyd Wright.

A mostra foi desenhada por Johnson, ocorreu de 10 de fevereiro a 23 de março de 1932 e era composta de maquetes, desenhos e fotograias – penduradas nas paredes, tinham de 60 cm a 1,50m de largura (STANISZEWSKI, 1998, p. 195). Foi a primeira exposição itinerante do Museu, sendo que Johnson deixou diretrizes bem claras para a forma como as fotograias deveriam ser expostas: “penduradas da mesma maneira que pinturas”20 (STANISZEWSKI,

1998, p. 195).

Podemos notar nas falas de Johnson a importância que a fotograia tinha:

‘Eu trabalhei mais com as fotograias que com as maquetes porque as maquetes apenas preenchiam a sala e não havia nada que você poderia fazer a não ser deixá- las lá... então eu dediquei meu tempo fazendo as fotograias o maior que pude para as salas que tínhamos [...] As fotografas foram especialmente preparadas para que não houvesse molduras. Era a primeira vez que isso era feito... As fotograias lutuavam. A ideia foi minha ou do Alfred Barr. E era muito difícil de se executar. […]’ 21. (STANISZEWSKI, 1998, p. 196)

20 “[...] 'Modern Architecture' was MoMA's irst travelling show, and Johnson wrote installation instruction directing that the photographs be 'hung in the same manner as paintings'” (STANISZEWSKI, 1998, p. 195, tradução nossa).

21 “[...] Johnson: 'I worked on the photographs more than on the models because the models just illed the whole room and there was nothing you could do but put the model there... so I spent my time making the photographs as big as I could for the rooms that we had and making the labels these stripes that would run from the top to the bottom of the photo... I had the photographs especially photographed and especially turned back over the out side, folding over to the back of the photograph, só as not to have frames. This was the irst time that had been done... The photographs loat then. That was Alfred Barr's or my idea. It was very hard to execute [...]”.

O MoMA, formatado mais como uma instituição educativa que um museu, tornou-se um modelo de instituição a ser seguido, desde o Museu de Arte de São Francisco, de 1935, até instituições mais especíicas, como Archives d’architecture moderne em Bruxelas e Archives d’architecture du Xxe siècle no Institut français d’architecture de Paris (STANISZEWSKI, 1998, p.15).

Ainda nos anos de 1930 a coleção incluía mais de quatro mil fotograias de arquitetura, uti- lizadas e adquiridas desde o início – pois eram consideradas vivas e apelativas ao público (McQUAID, 2002, p. 22), compiladas de exposições como a já citada Modern Architecture: International Exhibition de 1932, além de Early Modern Architecture: Chicago 1870 – 1910 (1933), Architecture in Government Housing, de 1936, Modern Architecture in England (1937), Modern American Houses (1938), and a New House of Frank Lloyd Wright: ‘Fallingwater’, em 1938, sendo uma importante fonte de pesquisa para arquitetos e estudantes que tinham a Europa inacessível durante a Segunda Guerra. Educar o público em geral sobre o desenvol- vimento da cultura do modernismo era uma das intenções. Philip Johnson, em um texto de 1932, indicou o pioneirismo nessa ação:

‘O Departamento de Arquitetura foi fundado... seguindo a Mostra de Arquitetura Mo- derna realizada no Museu... Anteriormente nenhuma organização existia para a exibi- ção da arquitetura moderna. A arquitetura contemporânea foi exibida de um ponto de vista proissional na Architectural League, e de um ponto de vista comercial no Grand Central Palace. [Mas] a Architectural League não avançou para informar ao público os passos do desenvolvimento moderno na arquitetura contemporânea, provavelmente pela inluência de seus membros, mais interessados em estilos tradicionais ou super- iciais [...]’22. (McQUAID, 2002, p. 21 – 22).

Na década de 1940 ocorrem mudanças nas mostras do Museu relacionadas à arqui- tetura, como na exposição de Mies van der Rohe, cuja expograia coube ao próprio arquiteto. A mostra conti- nha poucos desenhos, mas enormes reproduções fo- tográicas que sugeriam ao espectador a ilusão de real- mente estarem entrando em um dos espaços projetados.

22 “'The Department of Architecture was founded... following the Exhibition of Modern Architecture held at the Museum... Previously no organization existed for the exhibition of modern architecture. Contemporary architecture of all varieties was shown from a professional point of view semiprivately at the Architectural League, and from a commercial point of view the Architectural exhibition held every other year at Grand Central Palace. The Architectural League has taken no steps to inform the public of the most modern develoments in contemporary architecture, perhaps because all its inluential members were interested in either traditional styles or supericial, modernistic experiments'” (McQUAID, 2002, p. 21 – 22, tradução nossa).

[1.17] Mies van der Rohe no MoMA, 16 de setembro de 1947 a 25 de janeiro de 1948.

A experiência acumulada nas décadas de 1920 e 1930 pela importante e revolucionária es- cola de arquitetura e design Bauhaus23, que funcionou entre 1919 e 1933 na Alemanha, e da

qual Mies foi professor e um dos protagonistas até seu exílio nos EUA diante da ascensão do nazismo, pode ser vista em várias outras exposições no MoMA a partir de então.

Uma das principais contribuições para a divulgação internacional da nova arquitetura brasilei- ra veio através da exposição Brazil Builds ocorrida no MoMA em 1943 e a publicação de seu catálogo na forma do livro de mesmo nome, Brazil Builds – architecture new and old, 1652 – 1942. Tanto o livro quanto a exposição foram recebidas com muito entusiasmo pela imprensa internacional e representou o descobrimento pelos estrangeiros da arquitetura brasileira, além de garantir credibilidade perante o público no próprio país. Ambas trataram de reconhecer o legado brasileiro das ediicações antigas e das mais recentes produções do movimento mo- dernista brasileiro. O projeto foi conduzido por Philip L. Goodwin e pelo fotógrafo George E. Kidder Smith que vieram

ao país e permaneceram por alguns meses duran- te 1942 dedicadamente a esse im. A documenta- ção de maior importância e repercussão dessa em- preitada, hoje amplamen- te documentada, foram sem dúvida as centenas de fotograias produzidas e exibidas (Cf. COSTA, E., 2009 e DECKKER, 2001).

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A criação do Museu de Arte Moderna de Nova York e a formação de seu acervo de arquite- tura na década de 1930, e ainda as exposições acontecidas a partir da década de 1940 sob inluência da Bauhaus, repercutiram na criação dos museus modernos brasileiros no inal dos anos 1940 e em sua prática de contribuição para difusão da arquitetura moderna, como veremos no próximo capítulo desta dissertação.

23 Durante a década de 1920 na Alemanha, muitas exposições de fotograia espelharam o boom da indústria no pós-Primeira Guerra e as experiências da vanguarda com a fotograia. Um dos mais importantes movimentos foi o film und foto, organizado pela Deutscher Werkbund em Stuttgart em 1929, que apresentou a fotograia e o ilme como mídias que estavam revolucionando a cultura e a percepção moderna. Apesar da fotograia não ser ensinada na Bauhaus até 1929, ela esteve presente cada vez mais, experimentalmente, nas exposições projetadas pela Escola. Moholy-Nágy certamente foi um dos que inluenciaram a escola durante sua passagem, através de suas experiências em novas perspectivas e técnicas. Para Mary Anne Staniszewski a integração da fotograia com o design das exposições foi sempre um importante aspecto da Bauhaus. Cf. STANISZEWSKI