5. SONUÇLAR VE ÖNERİLER
5.2 Öneriler
5.2.2 Uygulayıcılara Yönelik Öneriler
Ao tratar dos inúmeros recursos de que a língua dispõe para a assunção da responsabilidade enunciativa, Adam (2008, p.115 a 119) destaca que essa decisão cabe àquele que enuncia. Essa escolha é possível, pois a língua lhe disponibiliza um grande número de unidades para esse fim. Optar em responsabilizar-se pelo que diz ou remeter a outros é possível pelo fato de o enunciador ter a possibilidade de apropriar-se do aparelho formal da enunciação, que lhe permite, através da escolha de introdutores, como, segundo, de acordo
com, para etc. e, ainda, de outros recursos, apontar, explicitamente, outro ponto de vista que
não o seu.
O enunciador pode, também, utilizar-se de várias outras categorias que, de acordo com Adam, expandem a descrição do que Benveniste (1974) chamava de „aparelho formal da enunciação‟ e evidenciam a responsabilidade enunciativa, tais como: os índices de pessoas, os dêiticos espaciais e temporais, os tempos verbais, as modalidades, os diferentes tipos de
representação da fala das pessoas ou das personagens, as indicações de quadros mediadores, os fenômenos de modalização autonímica e as indicações de um suporte de percepções e de pensamentos relatados, conforme especificação abaixo.
Apresentaremos, de maneira sucinta, as categorias apontadas por Adam (2008). Ressaltamos, porém, que Adam, nesse estudo, não aprofunda sua análise em todas as categorias, razão pela qual, algumas categorias serão ampliadas sob a perspectiva de outros teóricos, visto que, em nosso entendimento, dessa maneira, facilitará a compreensão.
Conforme Adam (2008, p.117), “o grau de responsabilidade enunciativa de uma proposição é suscetível de ser marcado por um grande número de unidades da língua”, como:
a) “os índices de pessoas, que são representados pelos pronomes que remetem as pessoas do discurso, 1ª e 2ª; (eu, tu, meu, teu, nosso, vosso etc.);”
b) “os dêiticos espaciais e temporais, que compreendem uma referência absoluta (precisa ou vaga) ou uma referência relativa ao contexto (anafórica) ou a o contexto (situacional);”
c) “os tempos verbais que correspondem a diferentes tipos de localização relativamente à posição do enunciador e repartem-se em diversos planos de enunciação. O mundo comentado e o mundo narrado.” (Embora Adam (2008) desenvolva um estudo detalhado sobre essa categoria, no capítulo VI de sua obra, optamos por discuti-la, na sequência do trabalho, na perspectiva de Koch (2004), visto que a autora, além de tratar dos tempos verbais no francês, procura adaptá-los ao português, o que torna mais fácil a compreensão.)
d) “as diferentes modalidades: modalidades sintático-semânticas maiores (téticas: asserção e negação; hipotéticas: real ou ficcional; hipertéticas: exclamação. Modalidades objetivas, intersubjetivas, subjetivas. Verbos de opinião, advérbios de opinião, lexemas afetivos, avaliativos e axiológicos. Três tipos de unidades gramaticais: o advérbio, o grupo preposicional e a proposição subordinada. Enquanto os modalizadores de enunciação incidem sobre o dizer, os modalizadores de enunciado incidem sobre o dito;”
e) “os diferentes tipos de representação da fala - O discurso direto, o discurso direto livre, o discurso indireto, o discurso narrativizado;”
f) “as indicações de um suporte de percepções e de pensamentos relatados: efeitos de ponto de vista que repousam numa focalização perceptiva (ver, ouvir, sentir, tocar, experimentar) ou numa focalização cognitiva (saber ou pensamento representado). As formas de representação do pensamento das personagens cruzam as representações da fala pelo viés das formas de discurso interior ou endofásico (Philippe, 2001; Bergounioux, 2004);”
g) “as indicações de quadros mediadores: marcados como segundo, de acordo
com e para; modalização por um tempo verbal como o futuro do pretérito; escolha de um
verbo de atribuição de fala como afirmam, parece; reformulações do tipo (é) de fato, na
verdade, e mesmo em todo caso; oposição de tipo alguns pensam (ou dizem) que X, nós pensamos (dizemos) que Y etc. nesse caso, Adam fala, segundo ele, de quadro mediador, de
acordo com Slatka Guentchéva.”
Também, na indicação de quadro mediador, Adam trata da modalização em discurso segundo, de acordo com ele, seguindo Jacqueline Authier Revuz, a partir de quem trata ainda os fenômenos de modalização autonímica. Esses conceitos serão retomados e ampliados na perspectiva dessa pesquisadora.
Nos parágrafos seguintes, ampliaremos a discussão a respeito dos tempos verbais da narrativa na perspectiva de Koch (1997), da modalização em discurso segundo e dos fenômenos de modalização autonímica na perspectiva de Authier-Revuz (1998).
Ainda, com base nos estudos desenvolvidos por Adam (2008), a partir da perspectiva de Benveniste, desenvolveremos um estudo para facilitar a identificação dos indicadores de pessoa (recurso através do qual o enunciador constrói a sua subjetividade ao se inserir ao seu próprio discurso) e dos dêiticos espaciais e temporais.
Reconhecer as marcas da subjetividade nos resumos que constituem o corpus da pesquisa permite que compreendamos as passagens que diferenciam a enunciação de discurso da enunciação histórica de que fala Benveniste. São as marcas da enunciação de discurso que permitem que o enunciador seja reconhecido em seu próprio texto.
Para diferir esses diferentes tipos de enunciação, verificaremos a ocorrência de algumas unidades da língua, como os pronomes pessoais e os dêiticos espaciais e temporais. Os pronomes pessoais remetem às pessoas do discurso, reconhecê-los permite precisar a assunção da responsabilidade enunciativa pelo enunciador, caso ela seja assumida. Pronomes de primeira pessoa remetem ao enunciador, enquanto os de segunda, ao coenunciador. Identificar esse recurso é fundamental, pois essa é uma das formas de construção da subjetividade.
Já os dêiticos delimitam o espaço das pessoas do discurso. Quanto à remissão à cena enunciativa, o enunciador recorre ao uso de diversas expressões, como os advérbios de lugar, aqui, aí e, ainda, aos pronomes demonstrativos esse, este se quiser ou precisar delimitar o espaço discursivo. Portanto, são essas as categorias que analisaremos sob a perspectiva de Adam (2008).