4. BULGULAR ve YORUMLAR
5.3. Öneriler
5.3.2. Uygulayıcılara Yönelik Öneriler
Embora a música tenha características enigmáticas intrínsecas à sua natureza artística, sua presença no cotidiano contemporâneo e no âmbito educativo nos exige desvendar, na medida do possível, essa natureza de modo mais formal.
Compreender a música em sentido mais amplo requer compreender seus desdobramentos e sua relação com diversos contextos (científico, cultural, social, artístico) e dimensões (comunicação, filosofia, educação, entretenimento).
As demandas atuais com relação ao ensino musical nascem de uma nova significação do discurso musical. As transformações ocorridas desde o final do século XIX e o início do século XX, com o gradual esmaecimento do sistema tonal, trouxeram novos elementos e novas formas de organização do material sonoro (como vemos em Debussy, Schönberg, Stravinsky, para citar alguns compositores). De acordo com o professor e compositor Fernando Iazzetta, a composição musical acolhe hoje um número tão grande de possibilidades, que é difícil estabelecer uma gramática geral como foi o tonalismo no período polifônico da Renascença ou nos períodos Clássico e Romântico. Para Iazzetta, no século XX, cada compositor ou cada obra passa a ser um terreno de exploração e ampliação das gramáticas musicais já existentes, fenômeno que concorre para uma postura paradoxal (Iazzetta, 2001:10):
“Se, por um lado, esse quadro alargou o campo de possibilidades oferecidas pela linguagem musical, por outro lado, a complexidade do discurso sonoro acabou por criar uma certa distância entre a música produzida no século XX e seus ouvintes contemporâneos. Esse fato não deixou de causar um certo desconforto no meio musical e fora dele. Nos períodos históricos anteriores, a música que se ouvia era a música que se produzia naquela mesma época. O século XX inaugura uma postura nova, e até certo ponto paradoxal, em que as músicas de outras épocas passaram a ser mais conhecidas e difundidas do que a música contemporânea. Se concordarmos que a produção artística reflete o panorama cultural de um certo momento, o fato de as práticas musicais do século XX terem um alcance tão restrito merece alguma reflexão.”
Enquanto a produção musical mais elaborada da atualidade, seja erudita ou popular, é pouco conhecida e ignorada pelo grande público, a chamada cultura de massa disponibiliza seus itens de consumo em velocidade industrial.
Se, por um lado, a complexidade (harmônica, atonal, minimalista, dodecafônica) dessas novas formas de discurso musical tem afastado os ouvintes acostumados com os padrões previsíveis do tonalismo, por outro, as músicas produzidas hoje pela grande indústria fonográfica, embora amplamente consumidas, não se sustentam por muito tempo nos canais de veiculação, muito menos na memória das pessoas. São músicas de estação: "acabou o verão, acabou o refrão". Dado seu caráter de entretenimento rápido, essas músicas têm um período de validade muito curto, não têm conteúdo musical ou estético auto-sustentável, não oferecem ao ouvinte informações a decodificar ou compreender, e este logo perde o interesse. Podemos usar uma analogia: a música de consumo rápido é como um quebra-cabeça de poucas peças montado por uma pessoa muito experimentada: não estimula a montá-lo mais de uma ou duas vezes, pois não oferece desafio. Por sua parte, a música mais elaborada, principalmente a erudita, é como um quebra-cabeça de muitas peças a ser montado por uma criança pequena: algo muito difícil e desanimador, se não houver ajuda de uma pessoa experiente.
Assim, a música mais consumida e presente nos dias de hoje ainda está sustentada no tonalismo e no passado musical. Se se tratar de uma música erudita mais elaborada, o ouvinte estará mais familiarizado com a gramática musical de Bach, Beethoven, Haydn, Mozart ou Chopin. Nas obras desses grandes compositores, há certa previsibilidade na condução harmônica e melódica, pois há basicamente um centro tonal e uma hierarquia de sete sons que se compõem em torno e para a valorização desse centro. Desse modo, mesmo sem entender nada de música, quem ouve uma obra desconhecida, seja barroca, clássica ou romântica, reconhece os padrões tonais culturalmente assimilados e de certa forma consegue assimilar seu conteúdo. Quanto mais uma obra se distancia do tonalismo e mais se aproxima dos sistemas musicais dos nossos dias, maior é o estranhamento do ouvinte. Richard Wagner é apontado por Henry Barraud como o primeiro "assassino" do sistema tonal, por introduzir nos acordes notas estranhas a eles. A desagregação e o contínuo enfraquecimento do sistema tonal possibilitaram o enriquecimento e a evolução dos elementos e da linguagem musical. Entretanto, nosso ouvido musical culturalmente treinado ainda não assimila facilmente e de prima os sucessores do tonalismo, seja o politonalismo de Milhaud, o cromatismo de Bártok, o dodecafonismo de Schönberg ou o serialismo de Boulez, para citar alguns.
Falar em evolução da música pode dar a falsa impressão de que valorizamos as obras e os compositores contemporâneos em detrimento de tudo o que se refere ao passado musical (tão mais presente) representado pelo tonalismo, mas a música sofreu mutações não só quanto
a forma, técnica, estilos e modos de expressão, mas principalmente quanto à linguagem. Não se quer aqui julgar ou valorar este ou aquele período ou sistema − a evolução da linguagem musical de que falamos refere-se ao fato de que as criações musicais se sobrepõem umas às outras, sem que haja uma ruptura brusca, mas certa continuidade. Mesmo cientes de que na música contemporânea houve, sim, uma quebra de paradigmas, a evolução musical se dá à medida que o compositor não encontra nas técnicas e materiais utilizados por seus antecessores meios satisfatórios para expressar o que gostaria.
A evolução ou transformação que vem ocorrendo na linguagem musical desde o início do século XX não pôde, no entanto, ser acompanhada e assimilada pelo público geral, daí o distanciamento da música produzida em nossos dias. Isso explica, em parte, a reprodução dos modelos de ensino praticados até hoje, idealizados e calcados sobretudo numa estética ocidental tonalista. Os conceitos e definições utilizados para se falar de música vêm confirmar essa idéia.