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UYGULANAN MUHASEBE VE DEĞERLEME İ LKELERİ........................................................................... 6-8

O presente estudo nos revelou um pouco do espaço físico destinado ao cuidado ao idoso na Rede Assistencial Estratégia Saúde da Família. Ante o discurso capturado neste estudo, percebemos que as unidades básicas de Saúde da Família – UBSF ainda possuem uma estrutura inadequada para receber pessoas com dificuldade de locomoção, dentre estes, os idosos.

O envelhecimento acarreta desde mudanças posturais e na marcha a alterações perceptivas, visuais e de equilíbrio, contribuindo assim para dificuldade na locomoção e risco

para quedas. Tanto os idosos como deficientes físicos necessitam de um ambiente adaptado, que favoreça seu deslocamento com segurança. O discurso a seguir revela a situação das UBSF com relação à sua estrutura física.

A estrutura física das unidades não garantem a segurança dos idosos: rampas, corrimão, banheiro adequado (ESF3).

A segurança está em segundo lugar na pirâmide hierarquizada das necessidades humanas básicas, de Maslow (Figura 4). As necessidades de segurança aparecem após o suprimento das necessidades fisiológicas. São representadas por necessidades de segurança e estabilidade, como proteção contra a violência, proteção para saúde, recursos financeiros e outros.

Figura 4 - Pirâmide das necessidades humanas básicas, de Maslow. Fonte: HIERARQUIA DE NECESSIDADES DE MASLOW, 2009.

Sobre o acesso e acomodação do idoso na Rede Assistencial Hospitalar, chamamos a atenção também para os obstáculos físicos, ou arquitetônicos, que esta população enfrenta. A estrutura física das unidades hospitalares não permite que eles usem todas os espaços com conforto e segurança. O discurso a seguir nos descreve esta estrutura que recebe o idoso nos hospitais de Fortaleza.

A gente tem as barreiras anatômicas, porque ele tem, ele não tem barreiras anatômicas, o que ele não tem é um lugar próprio pra ele, sala de espera adequada, funcionários que possam estar lá, e ajudar e tudo, não tem! (HOSP2).

O envelhecimento instala nas pessoas idosas alterações físicas que comprometem sua locomoção, logo, necessitam de um local adequado para o trânsito e acomodação, de forma a evitar desconfortos e complicações em sua saúde.

A Lei n° 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade por pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. As normas foram estabelecidas para assegurar a integração social por meio do exercício dos direitos individuais e sociais, embasadas no respeito à dignidade e na justiça social, no intuito de possibilitar às pessoas com limitação física acesso à educação, à saúde, ao trabalho, ao lazer, à previdência social, além de amparo à infância e à maternidade. Assim, a lei contempla basicamente todas as áreas indispensáveis à inclusão social das pessoas com limitação. Portanto, visa a garantir ações institucionais voltadas a suprimir discriminações e preconceitos de qualquer espécie (BRASIL, 2000).

Em estudo realizado em Sobral-CE, foram evidenciadas barreiras arquitetônicas no interior dos hospitais, com o consequente comprometimento do deslocamento de pessoas portadoras de deficiência física, e, como já discutimos, de idosos com a mobilidade comprometida. Estas barreiras são constituídas por escadas, rampas e inadequação dos mobiliários e equipamentos que não atendem à legislação. Este estudo ressalta ainda que, por dificultar o trânsito da equipe, a presença de obstáculos interfere também no cuidado de enfermagem, porquanto estes espaços muitas vezes são transformados em salas de espera. Existe, ainda, o aglomerado de pessoas, impedindo o livre trânsito de pacientes, de acompanhantes e da equipe, pois para cuidar exige-se ambiente adequado (PAGLIUCA; ARAGÃO; ALMEIDA, 2007).

Sabemos que as nossas unidades de saúde (muito menos as nossas cidades) não estão adaptadas para a locomoção de pessoas portadoras de necessidades especiais, dentre as quais as pessoas idosas. As nossas ruas não possuem rampas, as nossas escadas não possuem corrimão, os terrenos são cada vez mais irregulares, dificultando o acesso destas pessoas aos serviços de saúde de forma independente e segura, principalmente daqueles que possuem dificuldades de locomoção, necessitando de outros para comparecer ao serviço e manter um acompanhamento contínuo. Muitas vezes essa família não consegue prestar esta assistência, como mostra o discurso a seguir.

Eles se perdem no meio do caminho (referenciamento), quer dizer, eu digo se perdem, mas é que não conseguem, ou porque desistem, a família desiste, porque dá muito trabalho (HOSP2).

Foi expresso pelos participantes deste estudo o fato de a dependência do idoso em relação a terceiros para locomoção compromete o acesso aos serviços da Rede Assistencial Especializada. O discurso a seguir traz esta informação.

Ele sempre depende de alguém que venha trazê-lo (ESP2).

Observamos que o acesso e a continuidade do cuidado prestado nesta rede assistencial é influenciada pelo nível de dependência do idoso; ou seja, mesmo que ele tenha interesse e motivação em realizar o tratamento de que necessita, depende de outras pessoas para se deslocar até a Unidade da Rede Especializada. O idoso necessita do envolvimento da família e da comunidade para receber uma atenção adequada e para desenvolver um envelhecimento ativo.

O envelhecimento ativo é um processo que dura a vida toda. Uma cidade amiga do idoso não é apenas “amigável aos velhos”. Prédios e ruas sem obstáculos propiciam a mobilidade e independência de pessoas com deficiências, sejam elas jovens ou velhas. Vizinhanças seguras permitem que crianças, mulheres jovens e pessoas idosas tenham confiança em sair, seja para atividades de lazer ou sociais. As famílias têm menos estresse quando seus membros idosos contam com o apoio comunitário e os serviços de saúde de que necessitam. Toda a comunidade se beneficia da participação dos idosos em trabalho voluntário ou remunerado. Por fim, a economia local se beneficia por ter idosos como consumidores (OMS, 2008).

O envelhecimento ocorre em um contexto que envolve outras pessoas – amigos, colegas de trabalho, vizinhos e membros da família. Esta é a razão pela qual interdependência e solidariedade entre gerações (uma via de mão-dupla, com indivíduos jovens e velhos, onde se dá e se recebe) são princípios relevantes para o envelhecimento ativo, como também para a continuidade do cuidado e preservação da saúde do idoso (OMS, 2005).

Surgiu como fala entre os participantes da RA SM o fato de que alguns serviços de amparo social impõem dificuldades em acolher pessoas idosas, muito mais aos portadores de transtornos mentais, em razão das suas demandas de cuidado, que são bem maiores e mais complexas do que de pessoas mais jovens. O cuidado destinado ao idoso é específico e multissetorial, necessitando de abordagem ampla, e nossos serviços ainda não estão totalmente aptos para dispensá-lo. O discurso a seguir nos clarifica estas informações.

A dificuldade dos abrigos em acolher o paciente com transtorno mental. E aí se é um idoso com transtorno mental, complica mais ainda, e com o morador de rua, é mais difícil ainda a gente conseguir uma vaga nesses abrigos. Têm muitos idosos em casa que as pessoas convivem com eles, e não sabem que aquilo é um distúrbio, acham que aquilo é coisa de velho, e a pessoa vai sofrendo, vai sofrendo, e não chegam até nós. Essa dificuldade deles mesmo, né, do idoso mesmo em ter que ele mesmo responder pelas vontades dele, tem toda a família que não pode tá vindo, tem que vir tantas vezes, não tá disponível pra tá ajudando, quer se livrar do problema, mas assim, entrega pra gente (SM1, SM2, SM3).

As redes sociais de apoio desempenham papel essencial no acolhimento desses idosos na comunidade, como refere Martins (2005), as redes sociais de apoio revestem-se de importância crucial nos idosos, dado que o sentimento de ser amado e valorizado, a presença em grupos de comunicação e obrigação recíprocas, levando os indivíduos a escapar ao isolamento e ao anonimato. O mesmo autor compreende rede social como relações sociais, suas características morfológicas e transacionais. A forma como as relações sociais estruturam os comportamentos quotidianos e são mobilizadas em cada circunstância específica caracteriza a integração social da pessoa.

Benzer Belgeler