3. RÜZGAR ENERJİSİ 12
3.2 Uygulanan Destek Modelleri
A construção de uma dissertação é um momento de ampliação do conhecimento que provoca muitas reflexões, mexe com sentimentos. Trata-se de um processo quase solitário, embora, uma das características odo conhecimento seja a abordagem coletiva, onde a reflexão é feita através do diálogo e onde as ideias são múltiplas. Na solidão, o ato de escrever e refletir nos traz muitas incertezas e, às vezes, é duro como quebrar rochas, conforme Lispector (1998, p. 19), assim se expressa em poesia: “Não é fácil escrever. Não, não é fácil escrever. É duro como quebrar rochas. Mas voam faíscas e lascas. Como aços espelhados". Entretanto, o processo de construção do texto é uma atividade complexa, intransferível e importante para nossa trajetória acadêmica, porque se torna um desafio. Para isso é necessário disposição para enfrentar e superar obstáculos que certamente surgirão ao longo da pesquisa, sabendo-se que todo conhecimento tem que estar fundamentado em cuidadoso e rigoroso trabalho investigativo. Construir um conhecimento novo, como parece para algumas pessoas, não é para se perder a noção da racionalidade, não pode estagnar, pois o movimento do conhecimento é muito dinâmico e ultrarrápido, pois novas pesquisas surgem e novos saberes também. É um processo que nunca termina. Diante de todo sofrimento, ao escrever a dissertação, ainda temos a consciência de que não podemos deixar ser um fim, mas sempre um recomeço.
A pesquisa só tem valor quando o assunto nos angustia, quando observamos que podemos avançar e fazer melhor. Por meio desta pesquisa veio a certeza de que a educação tem que melhorar e pode melhorar. Entender o professor, conhecer sua identidade profissional, investigar e analisar as representações do discente que atuará no ensino básico, entendê-lo em relação ao seu trabalho e aos saberes necessários à docência na escola básica, levando em conta a sua identidade construída na formação inicial e suas experiências, como chegou à universidade e qual sua trajetória durante o curso de Pedagogia, com certeza, foi uma experiência enriquecedora e gratificante.
Conhecer as experiências positivas e negativas dos entrevistados, no que diz respeito à escolha do curso, influências das representações no espaço escolar, expectativas sobre o curso, disciplinas que mais contribuíram para a formação docente e experiências sobre toda trajetória acadêmica desses alunos, certamente,
possibilitou refletir sobre a atual realidade do nosso contexto educacional, considerando as representações da profissionalidade docente, na perspectiva da educação básica, tema deste estudo.
Pode-se constatar que os motivos mais citados para a escolha do curso de Pedagogia foram a afinidade com a área educacional, as possibilidades de crescimento, a facilidade de ingresso, o encorajamento e estímulo de pessoas queridas que já trabalham na educação. A maioria dos entrevistados não fez a primeira escolha, na ocasião do vestibular, para Pedagogia, mas ao se envolver com o curso, identificaram-se. Os resultados revelaram que a maioria dos estudantes se considera satisfeitos, identificando-se com a área da educação. Além disso, ficou evidenciado que a origem social e cultural dos participantes constitui-se como um elemento explicativo das representações do curso de Pedagogia e o convívio com pessoas que trouxeram experiências boas e que as lembranças da infância também foram marcantes para o despertar da profissão.
Os participantes também expuseram os sentimentos positivos em relação às crianças. Esses sentimentos positivos dos vínculos afetivos já se mostram nos trabalhos de Shimizu et. al. (2008), Saraiva e Ferenc (2010), autores que vinculam a dimensão vocacional ao gostar de crianças, a ter o dom, ao amor e dedicação pela educação, entre outros. Esses sentimentos constroem uma identidade positiva em relação à prática pedagógica; os aspectos como afinidade e identificação se relacionam às características subjetivas que dão a construção da identidade do professor.
Podemos concluir que os motivos para a escolha profissional desses estudantes pelo curso de Pedagogia envolvem uma rede complexa de significados sociais atribuídos à profissão docente no ideário social, estando a vocação situada como razão importante, mas não definitiva dessa escolha. Shimizu et al (2008 apud BASÍLIO; MACHADO, 2012) apontaram como motivos para escolha do curso de Pedagogia o prazer de ensinar, lidar e relacionar-se com crianças. Os estudantes, no entanto, não desconsideram os aspectos negativos relacionados a algumas dificuldades a serem superadas.
Diante da pesquisa desenvolvida, tornou-se fundamental e de grande importância a certeza dos discentes de que ser professor é muito mais que gostar de ensinar e dominar conhecimentos específicos de determinada área e algumas
habilidades técnicas. É preciso algo mais, é preciso, como diz Shulman (1987), um conjunto de conhecimentos articulados e colocados em ação.
Como sabemos, o conhecimento está em constante processo de transformação e evolução, por isso, faz-se necessário pensar em processos continuados de formação e profissionalização docente. Cunha (2004) já contemplava que a formação do educador é um processo, acontecendo no interior das condições históricas que ele mesmo vive. Faz parte de uma realidade concreta determinada, que não é estática e definitiva. É uma realidade que se faz no cotidiano. Sendo assim, é importante que este cotidiano seja desvendado.
O retorno permanente da reflexão sobre a sua caminhada como educando e como educador é que pode fazer avançar o seu fazer pedagógico. Nesse contexto, é uma contínua reflexão de sua prática em relação aos fracassos e avanços, é um processo complexo, inacabado, em aberto e em progresso. Somente desse modo, ao refletir criticamente sobre sua caminhada como educador e procurando autocorrigir-se é que o professor poderá gradativamente aprimorar-se.
Freire (1993) comungava que somos seres inconclusos, que na nossa aprendizagem sempre há coisas para acrescentar. Assim, nós professores, precisamos abrir caminhos para que, juntos com a coletividade, possamos compreender nossa realidade e nosso alunado. Essa compreensão nos faz avançar. A compreensão de todos que participam do contexto escolar vem carregada de experiências positivas e negativas e essa historicidade está inferida nas nossas ações, nos nossos gostos e em nossas atitudes, por isso, torna-se importante uma postura reflexiva antes, durante e posterior às nossas ações, ou seja, a reflexão já deve estar internalizada em nossa vida.
Ressalta-se que um professor reflexivo, que examina frequentemente os resultados de suas ações, quer do ponto de vista pessoal, acadêmico ou sócio- político, precisa estar atento aos padrões de fenômenos, ser capaz de descrever o que observa, estar inclinado a propor modelos de acordo com a realidade de uma grande diversidade existente no contexto escolar.
A diversidade que existe no contexto escolar já é percebida pelos dos discentes do curso de Pedagogia, trazendo assim, uma maturidade em relação à escola inclusiva, o respeito do tempo de aprendizagem do aluno, um respeito aos diferentes contextos que os alunos trazem para a sala de aula e a certeza de que precisa, de certo modo, romper com a linearidade entre conhecimento científico-
técnico e prática educativa, à medida que se torna expectador de sua própria prática, analisando-a através do conhecimento científico, levando em conta a singularidade sócio-histórica vivida por ele e pelos seus alunos, sem deixar de relacionar e integrar, de forma criativa e inovadora, o conhecimento, a técnica e a prática.
Por outro lado, sabe-se que os problemas na educação não acabarão, cada vez serão mais complexos, exigindo do docente um saber mais específico. Os currículos devem ser mais diversificados, capazes de abranger mais informações baseados nas verdadeiras necessidades da escola; devem ser currículos vivos, flexíveis, abertos, sempre em condições de abranger qualquer realidade, tornando- se reflexivo, possibilitando as transformações necessárias. Transformar a realidade faz parte da docência, ter consciência da importância do educador na vida do discente, possibilitar uma aprendizagem significativa, são condições essenciais para a identidade do docente.
Nesse contexto, podemos observar que os alunos entrevistados permitem-se pensar numa formação coerente com as necessidades da sociedade contemporânea, já conhecem as necessidades, os problemas do ambiente escolar, vivenciaram isso através da disciplina Prática de Ensino e por isso trazem uma certeza de esperar deles mesmos que sejam docentes mais preparados para trabalhar com as incertezas, de saber aceitar o inesperado, reconhecer a necessidade da formação continuada como base para o replanejamento de suas ações, um docente que não tem medo de mudanças, aberto ao diálogo e aos desafios impostos pelas dificuldades encontradas no espaço escolar.
Em síntese, acrescenta que a esperança é essencial para todo pesquisador. É a esperança que influencia positivamente a tomada de decisão. É a certeza da necessidade da flexibilidade para respondermos às imprevisibilidades do cotidiano que constitui nossas escolas. É a consciência que somos os atores desse processo essencial para a humanidade e do avanço em relação à formação de professores, onde nosso crescimento, com certeza, será contextualizado com escolas de qualidade para todos, consequentemente efetivando uma sociedade mais justa e inclusiva. Como Rubem Alves (1996) tão bem escreve: “Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma, seguimos vivendo naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo através da magia de nossas palavras. Assim, o professor nunca morre”.
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