BÖLÜM 3: TÜRKİYE’DE SAĞLIK HİZMETLERİNE YÖNELİK MALİYE
3.3. Uygulanan Bütçe Politikalarının Değerlendirilmesi
Abordagem baseada no esforço (Robert Kirchner)
A primeira e principal afirmação deste trabalho é de que a lenição é uma constrição no grau ou na duração das consoantes. Essa é a hipótese exposta mais recentemente por Kirchner (1998, 2000), que procura demonstrar como o processo de
- 38 -
lenição é baseado no esforço mínimo do falante, ou seja, uma redução gestual. Kirchner se utiliza da Teoria da Otimidade (OT) para trabalhar com uma escala de restrições violáveis a qual ele chama de LAZY.
Em Kirchner (1998), o autor procurou mostrar como se dá a formação dessa escala de restrições, partindo de uma abordagem física, trabalhando um modelo biomecânico, para chegar a determinadas equações que pudessem calcular o esforço. A exemplo disso:
A primeira equação pretende calcular a força, em newtons, exercida ao longo do gesto, fazendo a soma total (integral) da força ao longo do tempo, visto que o esforço gasto durante o gesto não é uniforme. Nela Fj é a força exercida durante um gesto que inicia no tempo ti e termina no tempo tj. Já a segunda pretende calcular o esforço gasto, chamado aqui de força (F), em uma enunciação (Futterance) através do cálculo da força utilizada em cada gesto separadamente. Nela Fi é a força total envolvida em um gesto físico i e n é o número de gestos envolvidos no enunciado.
Entre algumas outras afirmações, Kirchner assume que oclusivas geminadas, por exemplo [pp], nunca lenizam, a não ser que sejam degeminadas ao mesmo tempo; oclusivas não africadas nunca passam a fricativas estridentes, [t] > [s], sincronicamente; os contextos onde a lenição tende a acontecer com mais frequência são onde há uma abertura maior dos segmentos. A exemplo disso o autor cita o caso de lenição intervocálica; e por fim, ele afirma que um ponto importante para que a lenição aconteça com maior intensidade é a fala espontânea.
Embora Kirchner ainda não abandone a ideia de restrição e não trabalhe com fala espontânea que, segundo o próprio autor, ainda é um dos ambientes mais propícios a haver diferentes processos fonológicos, essa é uma abordagem que já visa trabalhar o gesto físico, indo um pouco além de representações abstratas e, dessa forma, consegue unir de forma coerente diversos processos fonológicos sob o mesmo guarda-chuva da lenição.
- 39 - II) Linguística Cognitiva
Frequência de uso (Joan Bybee e Janet Pierrehumbert)
A abordagem cognitiva vê a mudança como uma consequência do uso, sendo assim os padrões que são adotados emergem das diversas instâncias da fala. E como a fala é um processo que sofre constante alteração, por questões físicas tanto da sua produção quanto da sua percepção, a língua está sempre mudando, sendo criada e recriada pelos seus falantes.
"O propósito é comunicar pensamentos, perspectivas, necessidades, desejos, e assim por diante. Note que o objetivo de atos comunicativos é comunicar, e não criar gramática. No entanto, o resultado de inúmeros atos comunicativos é alterar a língua e criar e recriar a gramática” (ɒɪɒɕɕ et al., 1994; KELLER 1994 apud. BYBEE, 2001 : 16)50
Mas, afinal, o que impede a língua de mudar tão rápido e tão completamente a ponto de seus falantes não mais se entenderem? Na verdade, nada impede que a língua mude completamente, embora essa mudança ocorra numa velocidade muito menor que da noite para o dia. Todo indivíduo tende a alterar, mesmo que levemente, seu dialeto se for exposto muito tempo a outro; isso funciona como uma forma de adaptação linguística. Nesse caso, a aparente manutenção do dialeto materno se dá pela permanência de características mais salientes nele presentes (BYBEE 2001 : 58).
Nesse modelo, as representações são armazenadas na memória na forma de exemplares, que contam com informações linguísticas, sociais e situacionais. Esse tipo de categorização não gera uma forma nuclear fixa, padrão. Assim, através do uso, e das mudanças que ele acarreta, um exemplar, que seja considerado mais central na categoria, pode ser gradualmente deslocado. Afirmar, então, que a estrutura da língua sofre alterações de acordo com a frequência do uso faz sentido na medida que é no uso que ela está mais suscetível a alterações. E quanto mais vezes um item ocorre, mais chances ele tem de sofrer uma alteração na sua representação mais abstrata. Na teoria do uso, duas
50“The purpose is to communicate thoughts, perspectives, needs, desires, and so on. Note that the purpose of communicative acts is to communicate, not to create grammar. Yet the result of innumerable communicative acts is to change language and to create and recreate grammar.”
- 40 -
são as maneiras pelas quais a frequência pode afetar as estruturas da língua: a primeira considera que as palavras sofrem mudança durante o uso e, assim, aquelas com alta frequência têm mais chance de sofrer mudanças fonéticas. A segunda leva em conta a manutenção das formas; vocábulos com alta frequência, que estão mais suscetíveis à mudança fonética, conservam os itens em face da mudança gramatical, por exemplo: verbos com conjugação irregular que tendem a permanecer dessa forma, com base na análise de outras formas (PHILLIPS, 2001 apud. BYBEE 2001 : 11-12).
Assim como Bybee (2001), Pierrehumbert (2000) também afirma que a mudança sonora afeta as palavras de forma gradual e depende da frequência de uso. Desse modo, a autora alega que palavras mais frequentes são reconhecidas mais rapidamente, mesmo havendo ruído durante sua realização, e são produzidas mais depressa, também, em experimentos envolvendo tarefas como nomear figuras. No entanto, não é qualquer tipo de mudança que pode ser desencadeado pela frequência. Dinkin (2008) reconhece que a frequência tenha um papel inovador, mas esse papel está muito mais atrelado a mudanças relacionadas à minimização do esforço articulatório, e este, como foi descrito, é o caso da lenição.
Existem dois tipos de mudança articulatoriamente motivadas: por redução do tempo dos gestos, também chamado de retiming, e por redução da magnitude dos gestos. Ambas tratam de modificações ligadas ao gesto articulatório (BROWMAN & GOLDSTEIN, 1995). O primeiro tipo, a redução temporal, tem como consequência coarticulação dos gestos. Já o segundo tipo, redução da magnitude, pode levar à perda de toda atividade muscular associada, inicialmente, ao segmento.
Um estudo
Bybee (2001) reporta um trabalho sobre a mudança baseada na reorganização de exemplares no espanhol – argentino e cubano, com dados extraídos do estudo de Terrell (1978) e Hooper (1981).
Em algumas variedades do espanhol, assim como na variedade de português do Brasil51, o /s/, quando seguindo de consoante, pode perder sua articulação coronal e
51 Martins (2001) observou que o mesmo processo ocorre no português falado no município de Bragança,
- 41 -
enfraquecer para [h], ou ser inteiramente apagado. Esse enfraquecimento acontece tanto em final como em meio de palavra.
Ser - eres (2ª.sg.)
Ere[h] muy linda – você é muito linda. Ere[s] alta – você é alta.
Nesse caso, o enfraquecimento do espanhol possui outros fatores que não fonológicos como, sexo, idade do falante, fatores lexicais, velocidade de fala e tipo de registro, e que acabam interferindo em como a mudança se desenvolve.
Exemplos de variação:
a. __C: interno à palavra e antes de consoante. Feli[h]mente ‘feliʋmente’;
E[h]tilo ‘estilo’; Denti[s]ta ‘dentista’.
b. __##C: em final de palavra e antes de consoante.
o se traen animale[h] finos ‘ou são traʋidos animais finos’; haya mucho[s] temas ‘e̝istem muitos temas’;
su0/ detalle[ɹ] ‘seus detalɹes’.
c. __##V: em final de palavra e antes de vogal.
y mientra[h] esa sonoridad así ‘e durante essa sonoridade assim’; no va[s] a encontrar ‘você não vai encontrar’.
d. __//: antes de pausa.
- 42 -
Tabela 1 – Dados da redução da variável /s/ ([s] > [h] > [ø]) em espanhol argentino (Terrell 1978, Hooper 1981): [s] [h] [Ø] No total —C 12% 80% 8% 4.150 —##C 11% 69% 20% 5.475 —##V 88% 7% 5% 2.649 —// 78% 11% 11% 2.407
Tabela 2 – Dados da redução da variável /s/ ([s] > [h] > [ø]) em espanhol cubano (Terrell 1978, Hooper 1981): [s] [h] [Ø] No total —C 3% 97% 0% 1.714 —##C 2% 75% 23% 3.265 —##V 18% 48% 34% 1.300 —// 61% 13% 26% 1.776
A comparação entre os dois dialetos é feita de modo a contemplar um dos possíveis caminhos da mudança. Através desses dados, é possível afirmar que a variedade de espanhol cubano está um pouco mais à frente no caminho de enfraquecimento consonantal (estabelecido no início do capítulo e tendo como ponto final da lenição a elisão do segmento), possuindo menos casos de [s] que a variedade argentina e mais casos intermediários e, em certa medida, de apagamento também.
III) Na Perspectiva da Fonologia Articulatória (de Catherine Browman e