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Os estrategistas da revalorização da região centro têm como objetivo também

o crescimento do setor imobiliário. O presidente da Adviser Consultores, especialista em patrimônio imobiliário, Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro, diz que a tão sonhada recuperação do Centro passa “pela oxigenação de seu tecido urbano periférico” pois, “Há um enorme estoque de espaços sub-utilizados na zona cerealista, no Brás, Pari e Cambuci, que poderia abrigar projetos imobiliários

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modernos, eficientes e desejáveis”.97 A revalorização da região central sinaliza para a valorização dos bairros em seu entorno, o que contribui para dinamizar a revalorização da mesma. Nas proximidades da região central, é grande o número de cortiços e galpões de antigas fábricas que aguçam o apetite por lucros do mercado imobiliário. Referindo-se à zona leste próxima à região central, Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Pesquisa de Patrimônio (Embraesp), declara:

É a zona que tem o maior território aproveitável, uma vez que na zona sul, no limite da Represa de Guarapiranga, há proteção de mananciais; na zona norte, há a Serra da

Cantareira; e a zona oeste tem poucos espaços.98

É notória a ampliação da rede de transportes coletivos (Metrô e Expresso

Tiradentes99) em direção às zonas leste e sudeste da cidade, particularmente aos

bairros do Ipiranga, Brás, Tatuapé e Mooca. Essa melhoria da acessibilidade a esses bairros periféricos ao centro, ao lado da existência de grande estoque disponível de galpões de antigas fábricas nessa região, já provoca uma corrida da especulação imobiliária, que lança cada vez mais empreendimentos imobiliários nessa região, verticalizando-a. O Plano Diretor Estratégico (PDE) da cidade de São Paulo identificou, nessa região, um grande “vazio de oportunidades”, ou seja,

de possibilidades de investimentos do capital imobiliário.100 Nesse sentido é que

se lança a Operação Urbana Diagonal Sul.

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In: Informe Viva o Centro, número 194, p.3. 98

In: O Estado de São Paulo, 20/04/07, Caderno H –Morar Bem, p.01. 99

Denominado “Fura Fila” na gestão de Celso Pitta, “Paulistão” na gestão de Marta Suplicy e finalmente, “Expresso Tiradentes” na gestão Gilberto Kassab, este corredor de ônibus liga o Parque Dom Pedro II, no centro, ao Sacomã.Trata-se de um corredor de ônibus em que boa parte do trajeto é feita sobre viadutos suspensos e que terá, como ponto final, no futuro, a periferia da zona leste, a Cidade Tiradentes, segundo planos da Prefeitura Municipal.

100

Segundo site oficial da Prefeitura Municipal de São Paulo, em 27/05/07, (http://portal.prefeitura.sp.gov.br/guia/urbanismo/sao_paulo_melhor/0015) esse “vazio de oportunidades” se localiza “em território em diagonal, da divisa com São Caetano do Sul até Pirituba e Perus. Esta região, que tangencia o Centro, foi gerada pela estrada de ferro que, na segunda metade do século XIX, transportava café do Interior para Santos, sem poder alcançar o núcleo urbano acomodado na colina triangular entre os vales do Tamanduateí e do Anhangabaú. Posteriormente localizaram-se grandes galpões industriais na região, servidos ou não pela ferrovia. E, atualmente, a mudança global na maneira de produzir, terceirizando e automatizando as operações fabris, resultou em grande ociosidade do território, com galpões e pátios ferroviários escassamente usados.”

Para Marcella Carvalhal, gerente de marketing da incorporadora Klabin Segall a empresa tem por objetivo reaproveitar antigas áreas com boa infra-estrutura, revitalizá-las, a nosso ver revalorizá-las, pois, “Ou a cidade cresce para ir à

periferia ou revitaliza áreas centrais”.101 Segundo Marco Antônio Ramos de

Almeida , da Viva o Centro: “... Agora ao Centro está sendo revitalizado e recuperando seu valor de mercado, já que o entorno é extremamente rico e atrai novos empreendimentos e interessados em morar lá”.

Uma pesquisa do instituto de pesquisa Datafolha revelou que a pergunta “Em que bairro da cidade de São Paulo você mais gostaria de morar, independentemente de suas condições financeiras ou de outras razões?” teve como resposta o bairro da Mooca em primeiro lugar, seguido de outros bairros em que se incluem, Ipiranga, Aclimação, Santa Cecília e Higienópolis, situados no

entorno da região central.102

Esse interesse do setor imobiliário em atrair a classe média para moradias na região central leva e pode levar ao desalojamento de quem já mora na região. É significativa a presença cada vez maior do comércio imobiliário na região. Destaca-se a atuação da imobiliária Valentina Caran, até pouco tempo, de inexpressiva atuação na região central. Essa imobiliária, uma das maiores da cidade, possui uma carteira de clientes que inclui grandes bancos e empresas transnacionais.

A “reurbanização” transforma-se em negócio, onde está implícita a concepção de cidade como lugar de produção e reprodução do capital, como máquina de produzir riquezas. A cidade é gerida e consumida como mercadoria. Para a região central da cidade de São Paulo é que se voltam significativos setores ligados à dos seguintes estudos específicos:

-Estudo de melhoria da qualidade da água do Tamanduateí; -Inventário dos bens culturais da Mooca, Ipiranga e Vila Prudente;

-Mapeamento de áreas com problemas de contaminação: solo, subsolo e água; -Levantamento e análise imobiliária;

-Planejamento da infra-estrutura viária;

-Plano-Referência de Intervenção e Ordenação Urbanística”. 101

In O Estado de São Paulo, 20/04/07, Caderno H –Morar Bem, p. 03. 102

especulação imobiliária, pois essa região evidencia forte intervenção pública e privada no sentido de sua valorização.

A estratégia de revalorização da região central impulsiona um movimento de valorização dos imóveis, fruto do aumento da procura pelos mesmos, fazendo com que o preço deles e o preço dos aluguéis da região subam. Em fevereiro de 2006,

o Secovi103 constatou um aumento anual de 19% nos aluguéis de kitinetes (bem

superior ao índice de inflação). O aluguel de um apartamento no centro, com dois dormitórios e uma vaga de garagem, subiu 25%. Já em Pinheiros, na zona oeste, para um imóvel do mesmo padrão, o reajuste foi bem mais baixo: 11,6%. Existe um maior fluxo da classe média para a região, tendo em vista a crescente transferência de pólos de administração pública, sedes de empresas e ampliação de serviços oferecidos nesse lugar. Some-se a isso a dificuldade cada vez maior de se deslocar pela cidade, em virtude dos gigantescos engarrafamentos. Segundo Vanessa Queirós, “O Parque da Luz, achei que ficou lindo, o Teatro Municipal está muito bonito, então, acho que aos pouquinhos vai chegando aonde a gente quer, vai restaurando o que falta e vai ser legal”. “Minha mulher trabalha aqui perto também é tudo mais fácil pra mim aqui. O que tem de desvantagem é... não tem!”, diz rindo Raphael Acássio, morador do centro. Ele mora há sete anos no mesmo prédio da Avenida São Luís e diz que a família inteira se livrou do

stress do trânsito na capital paulista104. Lançamentos imobiliários já se espalham

por diversos pontos da região, como na Rua Frei Caneca.

Figura 34 – Casarões foram demolidos para darem lugar a estacionamentos na Rua Caio Prado. 2003. Foto do autor.

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O Secovi-SP “é o maior sindicato do setor imobiliário da América Latina. É reconhecido como uma das mais atuantes entidades representativas dos condomínios e da indústria imobiliária, com 60 anos de atividades ininterruptas. Os segmentos que abriga integram o macrosetor da construção, que responde por 21% do PIB nacional e pela geração de 9 milhões de empregos diretos e indiretos”

www.secovi.com.Br,acessado em 17/05/07. 104

Figura 35 - Anúncio de lançamento imobiliário em frete à ocupação da Avenida Prestes Maia

expressa contradições espaciais. Abril de 2007. Foto de Joaquim Felix.

Benzer Belgeler