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Nesta concepção de aprendizagem, o desenvolvimento da identidade é um ponto central para a carreira dos novatos nas Cops e fundamental para a PPL. Assim, a

“aprendizagem e o sentido de identidade são inseparáveis. Estes são aspectos de um mesmo

fenômeno.” 43 (LAVE; WENGER, p. 115).

A identidade é um aspecto central nas comunidades de prática. Em Situated Learning, Lave e Wenger (1991), ao discutir o termo, relatam que ele surge do reconhecimento de que o foco cognitivo característico da maioria das teorias de aprendizagem reside em uma pessoa (KANES; LERMAN, 2008 apud LAVE; WENGER, 1991, p. 52). As questões sobre identidade são centrais em uma teoria social de aprendizagem e estão

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“newcomers-become-old-timers”

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conectadas às questões da prática, da comunidade e do significado. O propósito é ver a identidade em termos sociais, como parte da prática em comunidades específicas.

Segundo Wenger (1998, p. 149), há uma estreita relação entre a identidade e a prática. O desenvolvimento de uma prática requer a formação de uma comunidade cujos membros possam se engajar um com o outro e se reconhecerem como participantes. Tal prática envolve a negociação de formas de ser nesse contexto e, assim, a formação de uma comunidade de prática é também a negociação de identidades.

O foco na identidade traz questões primordiais, como a não participação e a participação, bem como a exclusão e a inclusão. Construir uma identidade consiste em negociar os sentidos da nossa experiência de participação em comunidades sociais. A unidade de análise deve ser entendida no processo de constituição mútua entre a comunidade e a pessoa, e leva em consideração a experiência da identidade, reconhecendo o seu caráter social, cultural, histórico, com a face humana (WENGER, 1998, p. 146).

Conforme o autor afirma, produzimos nossa identidade na interação de participação e reificação em uma comunidade de prática. E, na negociação de significado, nós construímos quem somos. Nesse contexto, nossa filiação constitui nossa identidade, principalmente pelas formas de competência que ela implica.

Wenger percebe que experiências de não participação estão alinhadas com a trajetória de participação dos sujeitos. Nossa identidade se constitui com a nossa participação e não participação em determinadas comunidades de prática. O autor discrimina dois tipos de interação de participação e não participação: periferalidade e marginalidade. No primeiro caso, algum nível de não participação tem que acontecer para diferenciá-la de uma participação plena. Neste tipo, a participação domina e há um deslocamento para uma participação plena. Já na marginalidade, a não participação impede uma participação plena. Neste caso, é a não participação que domina e define uma forma restrita de participação.

Wenger (1998, 2010) considera as seguintes características da identidade:

 Identidade é uma trajetória: ela reflete uma jornada dentro de algumas comunidades. As identidades formam trajetórias que têm uma coerência através do tempo, conectando o passado, o presente e o futuro.

Identidade é um nexo de multifiliação44: a identidade revela a multiplicidade de locais de identificação que a constituem. Multifiliação é sequencial, à

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medida que levamos a nossa identidade em todos os contextos, e simultânea, uma vez que fazemos parte de várias comunidades ao mesmo tempo.

Identidade é multiescala45: nossas identidades são compostas por diversos níveis de escala de uma só vez. Wenger exemplifica com professores que podem se identificar ou (desidentificar) com os professores de sua escola, de seu bairro, cidade, país. (WENGER, 2010, p. 4).

As identidades refletem aspectos do que vivemos e de nossas experiências nos âmbitos temporal, espacial, de regimes de competência, de participação em nossas práticas sociais.

De acordo com Wenger, para dar sentido aos processos de formação de identidade e aprendizagem, é útil pensar em três modos de pertencimento46, a saber:

1) Engajamento: é a mais imediata relação com a prática, é o envolvimento ativo no processo mútuo de negociação de significado – engajar em atividades, fazer coisas, trabalhar sozinho ou junto, falar, usar e produzir artefatos. O engajamento possibilita uma experiência de regimes de competência.

2) Imaginação: nós nos engajamos com o mundo e criamos imagens dele e vemos conexões através do tempo e do espaço por extrapolação de nossa experiência. Isso nos ajuda a compreender como nós pertencemos ou não. Usamos essas imagens do mundo para localizar-nos e orientar-nos, para nos ver de uma perspectiva diferente, para refletir sobre a nossa situação, e para explorar novas possibilidades. O mundo oferece muitas ferramentas de imaginação, como a linguagem, as histórias, os mapas, as visitas, os shows de tv, etc. A imaginação pode criar relações de identificação que são significativas como aquelas derivadas do engajamento.

3) Alinhamento: o nosso engajamento na prática é raramente eficaz sem algum grau de alinhamento com o contexto, como por exemplo, é preciso certificar-se de que as atividades sejam coordenadas, que as leis sejam seguidas, ou que os propósitos sejam comunicados. Para Wenger, a noção de alinhamento não é um cumprimento passivo, é um processo de mão dupla de coordenação de perspectivas, interpretações, ações e contextos, de modo que a ação tenha o efeito que esperamos. São formas de alinhamento: convencer um gerente a mudar uma política, conseguir uma colaboração de um colega. Esses processos de alinhamento dão origem a relações de identificação, como aplicar um método científico ou

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O termo em inglês é multi-scale.

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No artigo Communities of practice and social learning systems: the career of a concept, Wenger (2010, p. 4) afirma que o termo “modos de identificação” é considerado mais preciso do que “modos de pertencimento”.

unir-se a uma greve, e podem tornar-se aspectos de nossas identidades. (WENGER, 1998, 2010).

Wenger ressalta também que a identificação e a negociabilidade constituem as identidades dos sujeitos. A identificação é compreendida como o processo através do qual os modos de pertencimento de uma comunidade são formadores de nossas identidades, por criarem conexões ou diferenciações nas quais investimos. O autor cita, como exemplo, a nacionalidade como uma fonte de identificação, e afirma que esta última não é somente uma relação entre pessoas, mas entre os participantes e os constituintes de sua existência social, que inclui outros participantes, configurações sociais, categorias, empreendimentos, ações, artefatos, entre outros. Todavia, apenas a identificação é insuficiente para estabelecer a nossa habilidade de participar de uma comunidade de prática.

Desse modo, outro processo se faz necessário e o autor o designa como negociabilidade (o exercício de negociar). A negociabilidade se refere à habilidade, facilidade ou legitimidade para contribuir e acomodar os significados que têm importância dentro de uma configuração social. Segundo o autor, a negociabilidade nos possibilita fazer os significados aplicados às novas circunstâncias, requerendo a colaboração dos outros, dando sentido aos eventos ou fazendo valer a nossa filiação. Assim como a identificação é definida com relação às comunidades e às formas de filiação nelas, a negociabilidade é designada com respeito às configurações sociais e nossas posições nessas comunidades de prática (WENGER, 1998, p. 197).

É válido ressaltar que o conceito de Cops vem sendo utilizado em diversas áreas. Há autores que encontram nele o que desejam para suas pesquisas, outros que o criticam e identificam suas limitações, propondo alternativas (Cf. BARTON; TUSTING, 2005; HUGHES, JEWSON E UNWIN, 2007; LERMAN, 2008). Há críticas, por exemplo, com relação ao conceito de Cops sobre a concepção reprodutivista, de que com os alfaiates, por exemplo, não se dá destaque para as possíveis mudanças dessas comunidades; coloca-se apenas a central mudança da participação dos sujeitos nas Cops como uma identificação cada vez maior com as práticas dessas mesmas Cops. (WATSON; WINBOURNE, 2008).

Em nossa pesquisa, compartilhamos com Lave (2008) o conceito de Cops, perseguindo os caminhos trilhados em Situated learning, bem como os aspectos de Communities of practice (Wenger, 1998) e as Comunidades Locais de Prática de Watson e Winbourne (1998) (que veremos posteriormente), e acreditamos que ele deve ser tomado como parte de uma abordagem produtiva e poderosa para uma análise mais social. Mas, claramente, esta é apenas uma visão de Cops entre tantas outras.

Benzer Belgeler