5. ARAŞTIRMA SONUÇLARI VE TARTIŞMA
5.2 UV-Vis Absorpsiyon Spektroskopisi
A idéia do “como fazer certo”, utilizando o que se tinha nos lares, em qualquer área, principalmente na da saúde, era bem enfatizada na revista Eu Sei Tudo. Isso pode ser observado em vários artigos intitulados: “Medicina caseira”; “Propaganda
moderna”; “O mais moderno dos brinquedos”; “A mulher moderna”; “Pequenas invenções”, entre outros. Essas matérias ensinavam a mulher a ser moderna e o que se deveria fazer para estar de acordo com as qualificações da modernidade. Portanto, a pretensão da revista era corrigir costumes culturais antigos, modelando-os aos novos, ditos modernos e científicos.
Esperava-se que as mulheres dominassem um pouco de diferentes assuntos: “as ciências naturais, a higiene, a física, a química, a astronomia a matemática, a geografia, as artes, as indústrias, tudo, representa uma necessidade real! A mestra deve ser a Mãe, e é preciso que a mulher tenha uma soma grande de conhecimento para não perder uma interrogação do filho”.111 Como havia muito a ensinar à mulher em relação às suas
atividades, os manuais, que serão citados mais a frente, funcionavam como instrumentos na formação da mulher. Eles apresentavam prescrições que deveriam ser seguidas, já que ensinavam a maneira correta de aproveitar o tempo, por exemplo, e, mais do que isso, ensinavam a fazer uma “administração científica” das tarefas a se desempenhar.
As leitoras de Eu Sei Tudo eram introduzidas não somente no progresso da tecnologia e nas suas novas conquistas, mas principalmente na nova relação que a modernidade exigia com seus produtos, no modo de se estabelecer essa relação no dia a dia. Isso significaria, de certa forma, delegar à mulher novas responsabilidades sociais. Ela não poderia mais ser simplesmente uma dona de casa feliz, por ser e fazer a felicidade do seu esposo e filhos. Caberia também a ela “atentar para os mínimos detalhes da vida cotidiana de cada membro da família, vigiar seus horários, estar a par de todos os pequenos fatos do dia-a-dia, prevenir a emergência de qualquer sinal da doença ou do desvio”.112
Os conhecimentos que as mulheres iriam adquirindo, portanto, auxiliaria essas mulheres a acabar com os “antigos preconceitos que povoavam sua mente fraca”, para torná-las uma companhia mais agradável e interessante para o homem. Nos finais do século XIX e princípios do século XX, as mulheres já estavam em contato com produtos, propagandas de produtos e materiais tecnológicos para o uso nos lares. Elas já
111 MALUF; MOTT, op. cit., p.406.
112 RAGO, Luzia Margareth. Do Cabaré ao lar: a utopia da cidade disciplinar - Brasil 1890 - 1930. Rio de
estariam, assim, preparadas para o consumo capitalista. O texto: “A boa ordem em casa” mostra os argumentos usados pela revista na produção dessa nova mulher consumidora:
Uma das coisas que mais predispõem ao trabalho e torna a atividade suave é a impressão de asseio em torno de nós. Por isso nada há mais desagradável do que trabalhar numa casa que está ou parece descuidada.
Ora, as costureiras, obrigadas a tirar de seu labor fiapos, sobras de linha, retalhos, etc., são em geral condenadas a trabalhar cercadas por essas pequenas coisas, que formam em torno delas, um cenário detestável. A gravura acima mostra como se evita esse inconveniente.
Uma cesta pouco volumosa tendo uma pequena abertura na tampa serve para recolher todos os retalhos, aparar, etc., permitindo manter o soalho sempre limpo.113
É interessante perceber a maneira inteligente por meio da qual a revista dialogava com suas leitoras, orientando-as sobre um bom comportamento pessoal e sobre a limpeza do próprio lar. Nesse diálogo, algumas noções de higiene são repassadas, tais como o asseio, que foi colocado como importante ao bom andamento de qualquer trabalho que se realizasse. O descuido e a sujeira são noções também desenvolvidas nas páginas de Eu Sei Tudo. Para a revista, eles não combinam com a eficiência e, portanto, precisam ser eliminados. A revista incentivava as mulheres a prestarem atenção nos pequenos detalhes das suas funções domésticas que precisavam ser revistas e modificadas, pois seriam importantes na ajuda para manter a ordem, conservando os ambientes domésticos higiênicos e saudáveis.
Como exemplo do esforço de padronização dos comportamentos, podemos ver a propaganda de dois manuais que foram divulgados sistematicamente, durante a década de 1920: “Manual de medicina doméstica” e “Boas maneiras”. Esses manuais reforçam a idéia de condutas e hábitos de acordo com os padrões supostamente mais elevados de comportamento, pertencentes a uma classe dita refinada. O manual “Boas maneiras” foi publicado como um livro que devia estar sempre ao alcance das mãos. Ele foi descrito como o mais completo e moderno manual de civilidade, publicado no país (que, inclusive, já estava na 5ª edição). O manual incentiva as pessoas a dominarem os segredos da civilidade, da cortesia, da distinção, etc.Ele era apresentado como aquele que resolveria todas as dificuldades éticas: como evitar cometer pecados contra o
próximo; como se proceder em batismos e cerimônias de casamento; falecimentos; visitas; pêsames e lutos.. Tratava-se, pois, de um manual que prepararia as pessoas para enfrentar os pequenos embaraços comportamentais, causados pela falta de informação. O livro ainda foi considerado como um verdadeiro “secretário particular, conselheiro fiel e discreto, rumo à civilização da sociedade brasileira”.114 Portanto, ele seria
indispensável a qualquer família que quisesse adquirir boas maneiras; a se comportar de um modo cortês, moderno e civilizado no lar e fora dele.
Figura 10 – Manual de Boas Maneiras. Revista Eu Sei Tudo.
O “Manual de medicina doméstica”, escrito pelo dr. Samuel Maia, médico dos hospitais de Lisboa e publicado no mesmo período em que foi publicado o livro “Boas
Maneiras”, foi divulgado como um material ou acessório indispensável a toda a gente. Nenhuma família deveria deixar de tê-lo em seu lar, porque o manual continha o que as pessoas leigas deveriam saber sobre os primeiros socorros e cuidados básicos com a saúde. Ele foi apresentado à sociedade como um guia e um conselheiro. Uma obra “incontestavelmente” de grande utilidade.
Figura 11 – Manual de medicina caseira. Revista Eu Sei Tudo.
A propaganda do “Manual de medicina doméstica” diz ser esse o manual que ensina como proceder imediatamente após incidentes trágicos, na ausência de um médico, por exemplo, no caso de um ferimento grave, de uma queda, de uma dor repentina, de um desmaio, etc. Ainda foi publicado como o manual que traz conselhos sobre enfermagem, ensina a preparar a alimentação para doentes ou convalescentes e até mesmo alimentos para os sadios se prevenirem de doenças. Parece que o manual tinha a função de esclarecer, sob um ponto de vista prático, a prevenção e a cura dos males da
saúde que acometiam as pessoas, principalmente quando elas se encontravam em ambientes domésticos.