Na finalização do trabalho a pesquisadora voltou a campo em fevereiro de
2010 para atualização de algumas informações gerais a fim de que fosse possível a conclusão
do trabalho. Serão apresentados dados de amadurecimento da Incubadora.
Encontra-se, no Apêndice E, o questionário respondido pela técnica em
assuntos educacionais da INCOOP e um dos coordenadores de projeto da INCOOP . Os
documentos internos da INCOOP, obtidos em seu site auxiliaram o melhor entendimento das
respostas do questionário.
37
Na UFSCar, constatou-se que, além da participação dos alunos e professores,
existe a contratação de sete profissionais pelo PRONINC, outros contratados pela FAPESP,
estes são chamados de coordenadores e uma técnica para assuntos educativos contratada pela
Universidade. Conta-se com mais de 18 professores de graduação e em torno de 50 alunos de
graduação e pós graduação.
13. O Anexo A mostra os participantes da INCOOP em dados que
foram levantados em Fevereiro de 2010. No primeiro semestre de 2009, na primeira coleta de
dados na INCOOP, haviam 27 participantes, sendo alunos, professores, técnicos e
coordenadores. Constatando-se que consideravelmente aumentou o número de participantes
na INCOOP.
Dos trabalhos científicos produzidos por participantes da Incubadora, do ano
de 2003 até o ano de 2007 foram levantados 112 trabalhos; dentre artigos, teses, dissertações,
apresentações em congressos e demais publicações. Somando-se os anos de 2008, 2009 e
2010, observe que este número cresceu consideravelmente para 353. Estas publicações estão
descritas detalhadamente no Anexo F.
Quanto aos recursos de capital da Incubadora através de projetos, foram
acumulados até o ano de 2007: R$ 1.017.234,42. Observe que este dado está no Anexo E, e se
refere aos anos de 2004, 2005 e 2007, sendo que em 2006 não foi possível fazer este
levantamento. Já os recursos de capital acumulado em 2008, 2009 e 2010 foram de R$
1.782.557,94. A soma total dos recursos destes anos, que a INCOOP trouxe para dentro da
Universidade através de projetos foi de R$ 2. 799.792,36.
Ao final deste capítulo, depois de passar por inúmeras questões levantadas a
cerca da INCOOP foi possível a coleta de alguns resultados que podem nos apresentar em
forma de dados e números como e quanto a Incubadora pôde contribuir para a formação do
aluno e para a Universidade em si. Dados apresentados acima são discutidos no próximo
capítulo que faz uma ponte de ligação dos Resultados com a Revisão de Literatura.
13 Dados atualizados em fevereiro/2010.
38
4 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Através da relação da Universidade com a Incubadora, a hipótese levantada a
princípio seria de que esta relação gera benefício a seus participantes. O objetivo seria então
investigar quais são estes ganhos. Após a revisão de literatura sobre o tema e aplicação do
estudo de caso é possível ilustrar como os resultados apresentados no capítulo 3 a
comprovam, reforçando a hipótese inicial. Sintetizando, têm-se ganhos acadêmicos e pessoais
de professores e alunos, reforçando deste modo a hipótese formulada inicialmente.
Ao final do estudo, chega-se a conclusão de que uma Universidade, quando
exerce o seu papel através dos meios Ensino, Pesquisa e Extensão, não procura formar
somente profissionais, mas preparar pessoas capazes de enxergar e modificar a realidade e
que têm o aprendizado e a formação não apenas nas disciplinas em sala de aula. Isso foi
observado na INCOOP-UFSCar, em que o ensino, ligado a pesquisa e a extensão, fornece a
formação do indivíduo que vai além do crescimento acadêmico, favorecendo também o
desenvolvimento pessoal.
A ITCP seria um instrumento formal de operacionalização de uma política de
extensão. Cabe à extensão muito mais que um simples papel de órgão suplementar, na medida
em que é por seu intermédio que as duas partes – Universidade e Comunidade – serão
confrontadas. É também através dele que a experiência concreta deverá se transformar em
elemento básico de elaboração da ciência. Por outro lado, a condição estrutural das ITCPs,
próxima à cúpula universitária e com maior flexibilidade de ação do que os demais órgãos de
natureza acadêmica poderão constituir um fator importante para garantir a viabilidade de sua
proposta (DUBEUX, 2005).
A Incubadora, como um projeto de extensão, pode operacionalizar o papel da
Universidade, o que pôde ser notado logo no início da pesquisa de campo, em que a
Incubadora como um projeto vinculado à Pró-reitoria de extensão da Universidade se
39
apresentou com uma equipe interdisciplinar, produzindo um grande volume de trabalhos
acadêmicos, além de atrair capital através de parcerias e projetos financiados.
Os resultados dessa interação não são unilaterais, nem ocorrem de forma
assistencialista; são propostas reais, locais, que procuram responder às demandas das camadas
mais pobres de um lado, e de outro atender a vontade instigante de alunos e professores em
colocar o aprendizado na prática.
Os objetivos deste trabalho a princípio eram de se verificar ganhos pessoais e
acadêmicos nesta relação da Incubadora com a Universidade, estes ganhos seriam pessoais e
acadêmicos de seus participantes, no caso: professores, alunos, técnicos, coordenadores e
cooperados são os atores que faziam parte deste processo de Incubação. Vale ressaltar que no
início da revisão de literatura, foram encontrados dados que comprovavam os ganhos
referentes à participação dos cooperados nos processos de Incubação feito pelas
universidades.
As Incubadoras atendem às demandas dos trabalhadores e fazem com que estes
entendam a lógica do capitalismo, com a produção, re-produção e transmissão de saberes,
esses grupos são orientados em direção à liberdade, adquirindo conhecimento e assumindo
responsabilidades. Aprendendo a pensar através do conhecimento.
Com o desenvolvimento da cooperativa, os trabalhadores, que nela participam,
adquirem maior confiança e otimismo, preparando-se para atuar no mercado. A partir da
maior participação, a necessidade de colocar a sua voz e vontade exposta, o trabalhador acaba
por se desenvolver social e economicamente.
Já as ganhos relativos a academia, foram investigados por meio da pesquisa de
campo, pôde-se notar um maior crescimento pessoal dos envolvidos, devido, especialmente,
ao contato com diferentes camadas sociais e com uma nova realidade. Ademais, professores e
alunos obtiveram desenvolvimento na vida acadêmica, podendo adaptar a teoria à prática e
testar modelos estudados. Os entrevistados passaram a conhecer melhor a autogestão,
cooperativismo e os princípios de ES, além de receberem benefícios financeiros ou em horas
como atividades de extensão. Merece destaque o fato de que aumentaram a responsabilidade
40
em relação ao meio ambiente, tema de grande relevância no cenário mundial atualmente.
Perante todas essas melhorias, todos os envolvidos no processo de Incubação acreditam e se
empenham para garantir um futuro próspero.
Dentre alguns dos outros ganhos que foram discutidos neste trabalho, estão o
auxílio financeiro por parte bolsa do PRONINC, Extensão, Treinamento e Atividade UFSCar,
além de horas contadas como atividade curricular para alunos.
Ocorreram através das INCOOP a formação de novos cursos e disciplinas para
os programas de graduação e de pós graduação. Além do acervo de produção científica ligada
à Incubadora, com mais de 353 nos anos de 2000 até 2010.
Em suma, as ITCPs representam uma base sólida para que o grupo das pessoas
sem nenhum vínculo empregatício possam se organizar e tentar se inserirem economicamente
na sociedade, afirmando que o vínculo entre Incubadoras e Universidades pode beneficiar a
ambos os lados: os que trabalham no processo de incubação, ou seja, alunos, professores,
coordenadores e técnicos, e os que fazem parte do grupo de inserção, os associados e
cooperados. Diante desse quadro, deve-se ressaltar que os objetivos visados pela pesquisa
foram atingidos.
41
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A INCOOP, objeto de estudo, é uma atividade de extensão da UFSCar, e esta
ITCP como as demais apresentam uma base sólida para que os excluídos possam se organizar
e inserir socioeconomicamente. A hipótese de que a relação desta Incubadora com a
Universidade seria de que esta relação gera benefícios a seus participantes.
As atividades realizadas na INCOOP, com a indissociabilidade do tripé ensino-
pesquisa-extensão, atingiu o modelo ideal por meio da geração e democratização do
conhecimento, realização de palestras, treinamentos e assessorias àquela parcela da população
que procura mudar sua realidade. Dessa forma, tornou-se capaz de oferecer benefícios, tanto
para os trabalhadores como para os estudantes e professores.
Na INCOOP, a equipe interdisciplinar, o grande volume de trabalho científico
produzido, o capital acumulado através de projetos, e outros dados apresentados em
levantamentos da Incubadora, são algumas das características da ITCP que pode atender a
trabalhadores, entender suas necessidades e os capacitar. As demandas da comunidade são
atendidas a partir da verificação das necessidades que estas apresentam. Além disso, os
benefícios se estendem aos estudantes e professores, que exibem ganhos como: aplicação do
conhecimento científico na prática, alimentação do conhecimento adquirido com práticas
adaptadas a cada caso, flexibilização curricular, profissionalização, contato com a realidade,
preocupação maior por parte dos alunos com problemas locais e com questões que antes não o
preocupavam.
Frente a esta colocação, os objetivos desta pesquisa foram atingidos através da
revisão de literatura e aplicação do estudo de caso na Incubadora durante o período de 2007 à
2009, com atualização de dados em 2010.
Para concluir este trabalho, no entanto, é importante reconhecer que a pesquisa
encontrou dificuldades na sua condução na medida em que seu Questionário Principal não
42
conseguiu captar da forma esperada as opiniões dos setores envolvidos - alunos, professores e
cooperados. Como as questões fechadas não contemplavam as perspectivas dos respondentes,
foi apenas por meio das questões abertas que este puderam se manifestar de uma forma mais
coerente com o seu pensar.
Procurou-se, em função de tais limitações, o contato direto por meio outros
questionários e de entrevistas e conversas informais com os respondentes para que se pudesse
de fato apreender os seus pontos de vista.
Embora tais problemas tenham de fato prejudicado os resultados obtidos,
acredita-se que o apresentado seja suficiente para deixar evidente o imenso potencial em
termos de ganhos acadêmicos, pessoais e mesmo econômico (para os cooperados em
particular) que a INCOOP-UFSCar apresenta. Deixar evidente, além disso, como a prática da
indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão contribuiu para alcançar estes resultados.
É certo que a INCOOP-UFSCar apresenta algumas características que a
tornam distinta de muitas outras incubadoras, na medida em que o corpo docente envolvido é,
além de expressivo, extremamente capacitado no que diz respeito à prática da
indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. O que vem explicar inclusive a
relevância dos ganhos acadêmicos que acompanham o empreendimento e a quantidade de
projetos que ela, a incubadora, consegue aprovar junto às agências de fomento.
Não obstante estas especificidades parece ficar também evidente que os
resultados aqui obtidos podem ser replicáveis a outras situações, se o envolvimento docente
ocorrer nos moldes aqui apresentados.
Uma outra lacuna apresentada pelo trabalho diz respeito ao fato dele não
trabalhar com as dificuldades enfrentadas nos processos de incubação e na inserção das
incubadoras no mercado de trabalho, na manutenção de equipes como a da INCOOP, na
busca de financiamento para tais atividades etc.. Estes são pontos, no entanto, que ficam
como sugestões para outros trabalhos.
A própria institucionalização da incubadora é outro problema que mereceria
destaque, de onde decorre uma outra sugestão para trabalhos futuros, ou seja, um estudo mais
43
aprofundado acerca da forma ideal de institucionalização das incubadoras. Um estudo deste
tipo poderia envolver um conjunto grande de universidades com incubadoras para a partir dos
diferentes modelos se discutir os prós e contras de cada um e, eventualmente, se chegar a um
tipo ideal.
Este trabalho iniciou-se a partir de uma experiência da qual a pesquisadora teve
a oportunidade de participar em seu estágio de graduação, na Prefeitura Municipal de
Araraquara, em uma Incubadora de Cooperativa Popular. Foi uma iniciativa com muitas
ideias, boa vontade por parte de todos os participantes da primeira incubação, mas que,
contudo, não teve sucesso.
Nessa experiência, a estudante foi colocada em uma realidade de pessoas
afastadas do mercado, as quais formam a cooperativa a ser Incubada. Essas pessoas procuram
uma resposta a curto prazo, são motivadas e acreditam na possibilidade de gerar renda através
da autogestão de empreendimentos solidários, para, com isso, mudarem sua realidade,
inserindo-se de forma socioeconômica.
A oportunidade de continuar a pesquisa surgiu como um projeto de Mestrado,
no PPGEP da UFSCar, junto com a Incubadora INCOOP, que passou a ser um excelente
campo de pesquisa, para que o estágio vivenciado pela pesquisadora não fosse só uma
iniciativa local, uma tentativa frustrante de inserir pessoas no mercado de trabalho.
Nesse sentido, através da comparação da Incubadora de Cooperativa Popular
citada, com uma ITCP próxima a cúpula da Universidade, pôde-se verificar como seu apoio,
tanto para sua institucionalidade, construção de projetos, parceiras, espaço concedido, entre
outras ferramentas, como os recursos e estrutura, são tão necessários para a própria
sobrevivência da Incubadora.
Como resultado deste estudo, foi possível verificar, a princípio, como
fortalecer uma incubadora virtual e a importância do apoio da universidade. Mas a pesquisa
foi mais além: na prática, fica impossível estudar os ganhos da Incubadora e dos cooperados
na relação com a Universidade sem verificar que todos fazem parte deste grande projeto,
44
como os professores e alunos também têm benefícios ao capacitar os cooperados a criarem
seus próprios empreendimentos através da atividade de extensão da Universidade.
Após a verificação dos estudos que já falavam destes ganhos da Incubadora
frente à universidade, foi possível constatar que esta relação não é unilateral, nem filantrópica,
onde somente a incubadora ganha, mas é uma iniciativa, em que a Universidade cumpre seu
papel frente à comunidade na qual ela está inserida e frente a professores e alunos, colocando-
os em situações locais reais.
Ao final do estudo, chega-se à conclusão de que a INCOOP-UFSCar, em
condição estrutural de ITCP, é importante para garantir a viabilidade de sua proposta, próxima
a Universidade, com a indissociabilidade do ensino, ligado à pesquisa e à extensão, além de
fornecer benefícios socioeconômicos (para os cooperados), acadêmicos e pessoais (para
professores, alunos e técnicos administrativos da UFSCar).
45
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