A questão de pesquisa inicial deste trabalho foi definida a partir das conclusões de duas teses de doutorado defendidas no PPGCEP em 2012. A primeira apontava a existência de um rico relacionamento entre a UFRN e a PETROBRAS, mas que ainda não se configura em uma Hélice Tríplice (POLETTO, 2011) e a segunda constatava que a UFRN não era fundamental para a sustentabilidade das empresas da Redepetro RN na visão dos próprios
Elaboração do modelo Framework teórico
Barreiras e fatores a priori
Definição dos grupos de respondentes Análise documental Revisão Bibliográfica Seleção do estudo de caso Definição da pergunta de pesquisa Elaboração dos questionários Aplicação dos questionários Análise dos resultados Identificação de barreiras e fatores críticos Formulação dos pressupostos do modelo Processo de implantação do programa Critérios de avaliação da institucionalização do relacionamento Programa de Relacionamento Integrado Entrevistas semiestruturadas Coleta documental Etapa inicial Seleção do caso Elaboração de instrumentos C o m p ree n d en d o o co n tex to
empresários (REZENDE, 2012). Surgiu então o questionamento sobre a aparente discrepância entre o relacionamento com a Petrobras e o relacionamento com as demais empresas do setor. A diferença aparente era o tamanho das empresas e a disponibilidade de recursos que estas dispõem para investir em pesquisa. Considerando que a UFRN, como universidade pública, deveria contribuir, direta ou indiretamente, para a sustentabilidade das empresas do RN e que a atividade de exploração de petróleo envolve empresas de diversos tamanhos, o interesse se focou em entender como poderia ser melhorada a interação da UFRN com todas as empresas do setor.
Nesta primeira etapa também foram elencados os construtos que seriam considerados a priori, quais sejam: benefícios percebidos ou esperados; barreiras ou problemas na interação; fatores individuais; e, capacidade de absorção das empresas.
3.2.2 Seleção do caso
Uma opção para realizar o presente estudo seria considerar como população a ser pesquisada todas as universidades públicas que atuam em territórios onde há exploração de petróleo e as empresas das respectivas regiões. Porém, isso seria inviável considerando os recursos e tempo disponível. Assim, a escolha da UFRN se baseou no fato dela ter sido uma das universidades que construiu um relacionamento de longo prazo com a Petrobras, o que lhe permitiu construir uma infraestrutura de pesquisa e ensino voltada para o setor de petróleo. Também foi levado em conta o caráter público da UFRN que está presente no estado há mais de 40 anos como parte do sistema de ensino superior do governo federal, com a missão de contribuir com o desenvolvimento humano na região. Pelo lado do mercado, foram considerados dois fatores: a) as empresas ligadas ao setor de petróleo no RN estar presentes no mercado a mais de 30 anos, trata-se assim de uma atividade econômica consolidada e significativa no estado; b) as empresas se organizaram na Redepetro RN desde 2008, fato que facilitaria o acesso aos dados. Em outras palavras, a amostragem foi teórica, conforme proposta de Eisenhardt (1989), escolhendo um único estudo de caso: as interações da UFRN com as empresas de petróleo do Rio Grande do Norte.
Segundo Yin (2005) um estudo de caso único pode ser holístico ou incorporado (quando envolve subunidades de análise dentro do mesmo caso), o primeiro é vantajoso quando não é possível identificar nenhuma subunidade lógica e quando a teoria subjacente é de natureza holística. Nesta pesquisa se optou por usar o caso único, nesse sentido não foi possível efetuar comparações com outros casos, mas foram incorporados os projetos internos
de registro e acompanhamento das atividades que constituem interação com as empresas como unidades de análises dentro do caso.
Quanto aos participantes nas interações foram identificados três grupos com visões sobre o processo potencialmente diferentes. O primeiro grupo composto pelos empresários ou executivos que detém o poder de decidir e acompanhar a interação com a universidade. Os pesquisadores que coordenam ou participam de atividades de interação conformam o segundo grupo. Por último, o terceiro grupo é formado pelos gestores da universidade, incluindo o pessoal de nível hierárquico intermediário e operacional dos setores administrativos que registram e acompanham a execução dos projetos de interação com as empresas. No restante deste texto estes grupos serão chamados de empresas, pesquisadores e gestores, respectivamente.
Desta forma, foi possível estabelecer comparações entre a gestão e tramitação de cada um desses processos, assim como captar a opinião dos respectivos coordenadores, das pessoas que trabalham nos setores por onde tramitam os processos e dos próprios empresários beneficiários ou parceiros das interações.
3.2.3 Escolha e elaboração de instrumentos
Seguindo as orientações de Eisenhardt (1989) foram escolhidos múltiplos métodos de coleta de dados que forneceram dados qualitativos e quantitativos, os quais quando combinados permitiram construir o contexto e as características atuais da interação universidade-empresa.
Considerando que a interação universidade-empresa é um processo complexo e para evitar o viés do pesquisador, optou-se por triangular duas fontes de dados: a opinião dos participantes dos processos de interação e dados quantitativos institucionais sobre as atividades de interação que tem o registro compulsório determinado pelas normas internas da UFRN. Já a estratégia de usar vários pesquisadores e dividir o trabalho deles para favorecer a triangulação dos dados não foi adotada neste trabalho, devido à característica intrínseca de um trabalho de doutorado e a indisponibilidade de recursos humanos para auxiliar na coleta de dados.
Em função do número de potenciais respondentes optou-se pelo levantamento tipo survey com a aplicação de questionário. Foram elaborados três questionários distintos um para cada grupo (ver Quadro 3.2). A elaboração do questionário considerou os construtos determinados a priori na etapa inicial em conjunto com os resultados da revisão bibliográfica (especialmente o framework teórico), de forma a alinha-lo com a literatura existente.
Quadro 3.2 – Estrutura dos questionários elaborados
Descrição Pesquisadores Gestores Empresas
Perfil do respondente 1 a 8 1 a 6 1 a 3
Demanda de serviços tecnológicos --- --- 4 a 6
Quantificar interações anteriores 9 a 10 7 7 a 8
Origem da demanda 19 --- ---
Qualificar experiência nas interações anteriores quanto aos fatores:
Comunicação 11 8 9
Procedimentos operacionais 12, 13, 17 e 18 9, 10, 14, 15, 17, 18, 19 10, 13
Capital humano técnico --- 16 ---
Qualificar experiência nas interações anteriores quanto à barreira capacidade de gestão deficiente
14, 15, 16 11, 12, 13 11, 12, 14
Benefícios percebidos nas interações anteriores
20 --- 15
Barreiras percebidas nas interações anteriores
21 20 16
Características da interação satisfatória 22 21 17
Opinião pessoal sobre diversos aspectos das interações (usando escala de Likert)
23 22 18
- Fatores organizacionais da empresa: Capacidade absorção das
empresas
A, C A A, C
Orientação à P&D interno B -- B
Tamanho da empresa H H H
- Fatores organizacionais da universidade:
Marketing e comunicação F, G F, G F, G
Prestígio e reputação da UFRN I, J, K -- I, J, K
Missão e posicionamento estratégico
T T --
Apoio à interação U-E Y Y --
- Impacto na qualidade de ensino V V --
- Barreiras contra as interações:
Custo da parceria D D D
Distância geográfica E E E
Universidade fora da realidade da empresa
L, M, N, O M, N, O L, M, N, O
Burocracia P P P
Falta de uma política clara sobre relacionamento com empresas
Q Q Q
Falta de preparo das equipes acadêmicas para a interação U-E
R, S R, S R, S
Diferentes filosofias administrativas
U U --
Dificuldade de conciliar tempo entre pesquisa, interação e ensino
W, X W, X --
A estrutura dos três questionários foi desenhada de forma semelhante: a primeira parte com perguntas para caracterizar o respondente, a segunda parte buscou captar respostas dos atores que participaram de interações anteriores para quantifica-las e qualifica-las, a terceira parte consistiu em uma série de afirmações a serem avaliadas usando um formato de resposta Likert de 5 pontos (1 – discordo totalmente, 2 – discordo parcialmente, 3 – não discordo nem concordo, 4 – concordo parcialmente, 5 – concordo totalmente) para captar as percepções dos respondentes, independente de terem participado em interações anteriores. Os modelos dos questionários encontram-se nos apêndices H, I e J, nas páginas 229, 234, 239, respectivamente.
A análise das respostas da terceira parte do questionário foi feita calculando a média, a moda e os índices de ocorrência da opção 3 (não discordo nem concordo) e das opções 1 e 2 em conjunto (discordo totalmente e discordo parcialmente), tanto para cada grupo de respondentes como de forma geral (incluindo todas as respostas dos três grupos de respondentes). Quando a moda era 3 e a média se aproximava desse valor central da escala, os índices de ocorrência das opções 1 e 2 foram usados como uma forma de condensar a escala e analisar o item considerando que subjacente a escala de 5 pontos existe um continuum bipolar (BERNSTEIN, 2005).
3.2.4 Compreendendo o contexto
Outro aspecto da proposta de Eisenhardt (1989) que subsidiou este trabalho foi a sobreposição da fase de coleta com a fase de análise de dados, o que permitiu importantes correções tanto na coleta como na interpretação dos dados.
A descrição do contexto privilegiou dois focos: i) a realidade das empresas de petróleo, ii) a realidade organizacional da UFRN. A maioria dos dados para descrição do contexto foi coletado usando a pesquisa documental, baseada em publicações tanto em meio físico como eletrônico, principalmente sites das instituições envolvidas – UFRN, Fundação Norte-Rio-Grandense- de Pesquisa e Cultura (FUNPEC), Redepetro RN. Foram coletados organogramas, para entender o relacionamento e divisão hierárquica das funções dentro da universidade, e fluxogramas, para o mapeamento dos procedimentos administrativos pertinentes à interação da universidade com as empresas. Na ausência destes foram elaborados a partir das informações coletadas com os participantes ou em normas internas da UFRN. Também foram utilizadas entrevistas semiestruturadas com participantes chaves do processo de interação, como forma aprofundar o entendimento do contexto. Os roteiros das entrevistas realizadas encontram-se no apêndice K, na página 234.
Para a compreensão da interação da UFRN com as empresas de petróleo foi planejada a coleta de dados baseada na opinião dos participantes do processo: empresários, pesquisadores e gestores.
No caso dos empresários o universo de empresas foi definido através da própria organização do setor. Tomou-se como base uma listagem de empresas ligadas à Redepetro RN compiladas a partir do site da rede e do ClassiGuia (2012). Esse universo foi analisado em função do tipo de produtos ou serviços que cada empresa oferece. Formaram-se assim quatro grupos: a) 5 empresas que executam as operações próprias da exploração de petróleo; b) 25 empresas que fornecem serviços especializados para o setor de petróleo; c) 5 empresas que comercializam produtos específicos para as operações de exploração e extração de petróleo; d) 67 empresas que vendem produtos e fornecem serviços diversos não específicos para o setor de petróleo. Foram acrescentadas 4 empresas ao primeiro grupo dentre as filiais de grandes empresas que operam na região mas que não são filiadas à Redepetro. Assim, o universo de empresas a serem pesquisadas totaliza 106, sendo as prioritárias aquelas que pertencem aos grupos “a” e “b” devido à maior complexidade tecnológica de suas operações.
Para definir o universo dos pesquisadores foram estabelecidas as condições de: a) ser do quadro permanente da UFRN; b) ter coordenado ou participado de ações de interação com empresas do setor de petróleo, de preferência nos últimos 3 anos. Com a finalidade de elaborar uma lista desse universo de pesquisadores foi colhida informação dos projetos na área de petróleo executados com a participação da FUNPEC. No total foram iniciados 293 projetos no período de 1999 a 2012, dentre os quais 2 foram de caráter institucional constando assim como responsável pela coordenação a própria FUNPEC. Os 291 projetos restantes foram coordenados por 70 pesquisadores diferentes. A Figura 3.2 apresenta o número de projetos vigentes e a quantidade de coordenadores por ano.
Figura 3.2 – Interações da UFRN com empresas de petróleo via FUNPEC 11 36 80 84 97 82 85 98 97 131 143 159 169 120 11 22 33 36 32 27 25 31 30 35 40 44 47 41 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 Projetos Coordenadores
Foi realizada uma análise detalhada dos últimos 3 anos a fim de identificar a quantidade de projetos ativos por coordenador e a quantidade de projetos novos por coordenador. A Tabela 3.1 mostra a quantidade de coordenadores pelo número de projetos ativos que cada um manteve durante o período de 2010 a 2012, já a Tabela 3.2 mostra a quantidade de coordenadores pelo número de projetos novos iniciados no mesmo período.
Tabela 3.1 – Projetos ativos por coordenador (período 2010-2012)
Tabela 3.2 – Projetos novos por coordenador (período 2010-2012)
Projetos ativos por coordenador
Q. Coordenadores Projetos novos por coordenador Q. Coordenadores 1 ou + 47 1 14 2 ou + 28 2 6 3 ou + 15 3 0 4 ou + 10 4 1 5 ou + 7 5 1
Fonte: dados site FUNPEC (2013) Fonte: dados site FUNPEC (2013)
O intuito do questionário era captar a opinião dos pesquisadores que tivessem mais experiência como coordenadores de interações, os 28 coordenadores com 2 ou mais projetos ativos foram considerados na lista preliminar dos pesquisadores a serem entrevistados. Essa lista preliminar foi validada pela Gerente Executiva do Núcleo de Processamento Primário e Reuso de Água Produzida e Resíduos (NUPPRAR) por se tratar de uma das pesquisadoras com mais experiência, além de conhecer a história dos núcleos de pesquisa em função da experiência na área de petróleo. Com base nessa experiência pessoal foram acrescentados à lista 9 pesquisadores, os quais coordenaram ou participaram de interações com empresas de petróleo nos últimos 3 anos em projetos sem a intermediação da FUNPEC, de maneira que seus nomes não constavam dos dados usados para gerar a lista preliminar.
O questionário foi enviado aos 37 pesquisadores que constavam na lista. Foram obtidas 23 respostas, das quais 18 foram de coordenadores de projetos via FUNPEC e 5 de coordenadores ou participantes de outros projetos. Considerando que esses 18 coordenadores representam 69 dos 120 projetos ativos em 2012 e que dentre eles se encontram os 5 coordenadores com maior número de projetos (ver Tabela 3.3), pode-se afirmar que as respostas obtidas são representativas.
Já no caso dos gestores e pessoal técnico-administrativo que participa do processo de registro e acompanhamento de ações de pesquisa e extensão, o critério utilizado para definição do universo foi incluir o gestor de cada pró-reitoria participante, os encarregados dos setores pelos quais tramita o processo e de 1 a 4 pessoas do nível operacional dependendo do número total de pessoas lotadas e da complexidade das tarefas executadas pelo setor. Para
a escolha dos respondentes do nível operacional foi observado o critério da experiência ou tempo na respectiva função.
Tabela 3.3 – Desempenho dos coordenadores mais produtivos Coordenador por desempenho Projetos ativos em 2012 Projetos novos (2010 a 2012) Projetos novos (2008 a 2012) Total de Projetos (1999 a 2012) 1° 21 4 13 45 2° 11 2 3 29 3° 7 2 7 15 4° 5 1 4 10 5° 4 5 5 14
Fonte: Elaborado a partir de dados do site da FUNPEC (2013)
O Quadro 3.3 apresenta a quantidade de pessoas em cada órgão envolvido no processo de registro e acompanhamento de projetos de interações universidade-empresa, assim como a distribuição dos questionários aplicados.
Quadro 3.3 – Distribuição da aplicação de questionários nos órgãos e setores administrativos
Órgão Setor ou função Pessoal Quest. Aplicados Q. Respostas
Nível Quant. Pró-reitoria de Pesquisa (Propesq) Pró-reitor Direção 1 1 1 Secretaria Operacional 1 1 0 Núcleo de Inovação Tecnológica Direção 1 1 1 Operacional 1 0 0 Apoio às atividades empreendedoras Direção 1 1 1 Operacional 1 0 0 Pró-reitoria de Extensão (PROEx) Pró-reitor Direção 1 1 1 Projetos Gerencial 1 1 1 Operacional 2 1 1 Cursos Gerencial 1 1 1 Pró-reitoria de Planejamento (Proplan) Pró-reitor Direção 1 1 0 Convênios Gerencial 1 1 1 Operacional 8 4 3 Acompanhamento Gerencial 1 1 1 Operacional 1 0 0 FUNPEC Superintendente Direção 1 1 1
Diretor de Projetos Direção 1 1 1
Diretor Administ. Direção 1 1 1
Assessoria Jurídica Gerencial 1 1 1
Operacional 2 1 1
Controle Interno Gerencial 1 1 1
Promoção e Desenvolvimento Gerencial 1 1 1 Operacional 2 1 1 Administração e acompanhamento Gerencial 1 1 1 Operacional 9 1 1 Finanças Gerencial 1 1 1 Operacional 12 0 0 Compras Gerencial 1 1 1 Operacional 5 1 1
Totais por nível
Direção 8 8 7
Gerencial 10 10
Operacional 10 8
Total Geral 28 25
Observa-se que do total de 28 questionários aplicados (8 ao nível de direção, 10 ao nível gerencial e 10 ao nível operacional) e foram obtidas 25 respostas (7 ao nível de direção, 10 ao nível gerencial e 10 ao nível operacional), o que permite afirmar que as opiniões vertidas pelos respondentes são representativas.
Como mencionado na seção 3.1, Einsenhardt (1989) defende a flexibilidade na coleta de dados. Esta recomendação foi seguida ao realizar uma coleta de dados baseada em observação direta de uma reunião realizada pelo Conselho Consultivo da FUNPEC com os principais pesquisadores coordenadores de projetos para discutir os problemas enfrentados por eles. Teria sido extremamente demorado abranger todo esse público qualificado e obter as opiniões vertidas por eles em uma única reunião. As observações e anotações levantadas nessa reunião constituíram uma importante fonte para o diagnóstico da situação atual.
O contexto foi complementado com a compreensão do marco institucional-legal através de pesquisa documental de leis, decretos e normas internas da UFRN pertinentes aos processos de interação universidade-empresa. O objetivo deste levantamento foi a análise do marco legal pertinente à interação da UFRN com as empresas do setor de petróleo visando a identificar as restrições (externas e internas) que tivessem o potencial de afetar negativamente os diversos canais e mecanismos de interação. Importante lembrar que o marco regulatório de qualquer atividade reflete a visão que a sociedade ou comunidade tem dessa atividade. Assim, não é suficiente conhecer esse contexto institucional-legal, mas se faz necessário identificar quais os valores e princípios que a fundamentam e podem constituir fatores que dificultem a implementação de projetos e ações entre a universidade pública e empresas.
Por esse motivo, a partir dessa etapa iniciou-se um processo iterativo entre as descobertas que surgiam dos levantamentos de dados, a formulação do modelo proposto e a literatura existente, de forma a avaliar a exequibilidade do modelo e a coerência teórica do mesmo, até chegar à saturação teórica.
3.2.5 Formulação dos pressupostos do modelo
A partir da identificação de barreiras e fatores críticos para o caso estudado foi possível formular uma série de pressupostos para a construção do modelo, de forma que este responda adequadamente à realidade da UFRN. Nesta etapa foi fundamental a compreensão do contexto adquirida na etapa anterior.
As barreiras apontadas pelos atores das interações foram analisadas e hierarquizadas, para depois serem relacionadas aos fatores contidos no framework teórico construído a partir da revisão bibliográfica, com base nos conceitos, técnicas e teorias administrativas de ampla
aceitação. Aos fatores críticos assim identificados foram acrescentados outros fatores que apresentaram respostas ou desempenho inadequado nos questionários aplicados. Desta maneira, foi possível delimitar quais fatores receberiam maior atenção na etapa de elaboração do modelo, sem perder a visão holística necessária na abordagem de uma situação complexa como esta.
3.2.6 Elaboração do modelo
O modelo inicial foi elaborado considerando os construtos definidos a priori e as evidências empíricas que surgiram a partir dos dados dos questionários sobre a pertinência ou não de barreiras e fatores. Por exemplo, uma das necessidades da empresa em uma interação com a universidade é de contar com prazos compatíveis com a sua atividade, assim, o modelo foi elaborado com base na proposição “é possível conciliar as necessidades das empresas quanto ao tempo de resposta com as restrições legais e normativas às quais a universidade está
sujeita”.
A revisão de literatura cumpriu um duplo papel nesta pesquisa: permitiu elencar alguns construtos a priori como base inicial para o desenho da pesquisa e identificar modelos existentes de interação universidade-empresa (U-E) como base para a comparação do modelo proposto. Esta última ação serve como uma avaliação crítica teórica do modelo. Esse processo aconteceu a partir da formulação dos pressupostos do modelo e teve continuidade durante a elaboração do mesmo, quando foi complementado com consultas aos participantes do processo (especialistas em suas áreas/setores) sobre a exequibilidade do modelo.
Houve também uma preocupação especial com a replicação, presente em todas as etapas do processo, de maneira que o modelo proposto possa ser adaptado para ser usado em outras universidades e contextos, tendo em vista que a pesquisa baseia-se em um único estudo de caso.