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2.3 UPS Visibility Services Group (UPS Visibility Servisleri Grubu)

Em análise anterior (capítulo 2: item 2.2.5), sustentamos que não é pelo fato de eventualmente ser mitigado, levando-se em conta que sofre limitações constitucionais e também infraconstitucionais, que se pode pretender negar a natureza constitucional do princípio do duplo grau de jurisdição. Da mesma forma, não é pelo fato de estar

231 Teoria geral..., ob.cit., p. 43.

232 Elementos de direito processual penal, 2ª ed. rev. e atual. por Eduardo Reale Ferrari. Campinas: Milennium, 2000, pp. 222-223.

implicitamente previsto na Carta Magna que o torna, por conseguinte, passível de restrição como sustenta grande parte dos juristas pátrios.

Atualmente, vêm afirmando os constitucionalistas que nenhum direito ou garantia constitucional pode ser reputado absoluto, ou seja, nenhum deles está imune a qualquer tipo de restrição.233 Dessa forma, não é correto sustentar que o princípio do duplo grau de jurisdição pode comportar restrições por se tratar de um princípio implícito, tendo em vista que pode haver limitação inclusive dos princípios explícitos, desde que a mesma se revele razoável e, portanto, proporcional em face dos preceitos constitucionais. Da mesma maneira, também não é correto dizer que, em razão de decorrer do devido processo legal, o duplo grau estaria imune a restrições, partindo da falsa premissa de que se estaria diante de uma garantia constitucional expressa e, assim, absoluta.

As restrições a direitos fundamentais, que se encontram, em sua maioria, regulados por princípios constitucionais, são estatuídas em princípios também constitucionais, considerados contrapostos. Com efeito, justamente por possuírem status constitucional, os princípios que dispõem sobre direitos e garantias fundamentais só poderão encontrar limitações nas normas que também tenham sede constitucional ou estejam por elas autorizadas ou, ainda, quando proveniente da ponderação entre os preceitos constitucionais.

Com muita clareza, assevera David Diniz Dantas que existem três formas de se veicularem restrições aos direitos fundamentais, senão vejamos: “a) por meio de normas constitucionais (restrições diretamente constitucionais). Por exemplo, no Direito brasileiro, art. 5º, IV, XI e XVI, da CF/88. Nesses casos, do próprio enunciado lingüístico da norma já consta a limitação ao direito fundamental; b) por normas de nível inferior (v.g., com fonte na lei), contudo, com imposição autorizada pela Constituição (restrições indiretamente constitucionais). Em nosso Direito são os casos previstos no art. 5º, VII, XIII, XXXII, XV, da Lei Maior; c) restrições que são decorrentes do resultado da ponderação, com aplicação do princípio da proporcionalidade – utilizada na argumentação de conflito entre princípios – e que ao eleger um interesse ou valor constitucional vitorioso finda por impor limitações – no caso concreto – ao princípio/valor contraposto (restrições implícitas). De toda forma, em caso

233 Para confirmar o exposto acima, afirma Ingo Wolfgang Sarlet que: “... há que se ter em conta que da condição de limite material (implícito) ao poder de reforma constitucional não decorre, por si só, uma absoluta intangibilidade do bem protegido, já que pela sistemática adotada pelo Constituinte pátrio apenas são vedadas emendas (ou propostas de emendas) que resultem numa abolição efetiva ou tendencial das assim denominadas “cláusulas pétreas”, proteção esta que se aplica igualmente aos limites implícitos. Tal entendimento, em verdade, harmoniza com a concepção principiológica da dignidade da pessoa, que, na sua condição de norma (princípio), tolera certa relativização, respeitado, todavia, sempre também o núcleo essencial em dignidade, este sim dotado de atributo da intangibilidade.” (in Dignidade da pessoa humana e direitos fundamentais na Constituição

de princípio colidente com direito fundamental, a restrição deste só será admissível se na espécie os princípios opostos tiverem peso superior. O que não se determina a priori, mas, à luz do caso concreto.” 234

Lançadas essas premissas e a partir das hipóteses antes descritas, impõe-se a verificação da constitucionalidade das exceções ao princípio do duplo grau, constantes do art. 34 da Lei de Execuções Fiscais (Lei 6830/88), do art. 41 da Lei dos Juizados Especiais (Lei 9099/95), além das hipóteses que autorizam a interposição de recurso ordinário e dos casos de competência originária dos Tribunais Superiores.

No primeiro caso, que consagra a exceção na utilização do recurso de apelação na execução fiscal, quando a sentença a ser contrariada tiver sido proferida em processo de valor igual ou inferior a 50 OTN’s, a exceção foi estabelecida pelo legislador ordinário, tendo sido o valor da execução o critério utilizado como discrímen pelo legislador para justificá-la.

Como veremos mais adiante, não se pode concluir pela inconstitucionalidade em caso de restrição ao duplo grau, pois é perfeitamente possível que a exceção esteja amparada pelo princípio da proporcionalidade. É o que ocorre no caso em tela, em que o valor de alçada serviu para impedir o acesso ao duplo grau a ambas as partes, assegurando apenas o duplo exame, pelo juízo a quo, amparado no fato de estarmos diante de direitos disponíveis de pequeno valor.

A segunda hipótese, referente à interposição de recurso inominado contra sentença proferida nos Juizados Especiais, o qual é processado e julgado pela Turma Recursal composta de juízes de primeiro grau, vem contemplada expressamente no art. 98, inciso I, da Constituição Federal, tratando-se, pois, de restrição diretamente constitucional, uma vez prevista em norma constitucional. Ainda que assim não fosse, não encontraríamos dificuldades em sustentar a constitucionalidade da regra à luz do princípio da efetividade, levando-se em conta as peculiaridades do procedimento sumaríssimo e seu objetivo maior de ampliar e permitir um maior e mais célere acesso à justiça, assegurado constitucionalmente.

Da mesma forma, o recurso ordinário previsto na Lei Maior é cabível em situações restritas, estando suas exceções também previstas expressamente na Constituição, não se tendo como questionar sua eventual inconstitucionalidade. Pode-se, no entanto, sustentar que, ao se restringir o recurso ordinário, notadamente, aos casos em que os remédios constitucionais são denegados, não estaria a regra sendo aplicada com base no princípio da igualdade, levando-se em conta que o fator de discriminação é o resultado obtido no

julgamento da causa. Não encontramos, assim, razão que justifique a adoção de tal discrímen, porém não podemos sustentar a inconstitucionalidade das exceções em razão de estarem contidas na própria Carta Magna e não existirem, como se sabe, normas constitucionais inconstitucionais.

Em relação aos processos de competência originária dos tribunais, mais uma vez, nos deparamos com exceção plenamente justificável do ponto de vista constitucional, levando-se em conta a organização judiciária estabelecida na Lei Maior, as funções previstas para cada tribunal e o interesse público existente para que certas matérias e certas pessoas, em razão das funções que exercem, sejam julgadas pelos tribunais, garantindo maior segurança às decisões. Aqui, portanto, as restrições decorrem das próprias normas constitucionais, não havendo que se questionar, pois, a inconstitucionalidade de tais exceções.

2.3. Princípio do duplo grau de jurisdição e princípios da razoabilidade e da

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